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National Kid Naquele
ano, nem todos os
japoneses tinham televisão, como se pode verificar no
episódio da invasão dos
Incas Venusianos: a notícia é transmitida pelo
rádio, pois a popularização da
televisão só ocorreria mais tarde, perto das
Olimpíadas de Tokyo, em 1964. Vale
lembrar que mesmo a Matsushita, fabricante da linha National, que
patrocinou o
filme, não fabricava aparelhos de TV na época. O
tradicional Kohaku
Utagassen, festival de música japonesa transmitido sempre na
virada do ano pela
TV NHK, em 59 ainda não era televisionado. Na
verdade, a II Guerra
terminou em 1945 e o Japão estava, quatorze anos depois, em fase
de construção,
e apesar de alguns sinais de avanço industrial, tudo estava para
ser feito,
para se tornar uma potência mundial. Cabe
notar que o Japão,
que é hoje um dos maiores exportadores do mundo, só
superou o Brasil no
comércio internacional em 1965. National
Kid foi exibido
no Brasil no ano de 66 pela TV Record, e muitas famílias
não tinham aparelho de
TV, muitas cidades não tinham transmissoras, e pior, muitas
casas nem tinham
energia elétrica. Quem
assistiu National Kid
no Brasil, em sua primeira exibição, na infância,
nasceu na década de 50. E são
poucos os nikkeis que nasciam na cidade de São Paulo na
época, pois as famílias
japonesas se dedicavam principalmente à agricultura e ao pequeno
comércio no
interior, e o grande “boom” de imigração de nisseis para
São Paulo ocorreu nas
duas décadas seguintes, quando os japoneses já dispunham
de recursos para
encaminhar seus filhos para o estudo em São Paulo. Mesmo
assim não havia
abundância de recursos, e os jovens que vinham estudar,
também trabalhavam e
não alugavam um apartamento, e sim, uma vaga numa pensão
ou quarto em casa de
família. Portanto, nada de televisão, principalmente em
66. Assim,
pode-se concluir
que poucos realmente assistiram o pioneiro dos heróis mascarados
naquela época,
embora exibido em horário nobre, nos finais de semana. Mesmo a
indústria de
brinquedos, de cadernos, e de figurinhas, muito na moda, sequer
registrou a
passagem desse herói japonês, tal era a falta de interesse
no personagem. A
volta “por cima” do
velho mascarado em relançamento no Brasil se deve unicamente ao
trabalho de
marketing da indústria distribuidora de vídeo e da
gentileza dos editores em
divulgar essa série, da qual nem os japoneses se lembram mais. AO USAR
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