A província de Okinawa foi ocupada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos entre 1945 e 1972.
A devolução da província ao Japão aconteceu oficialmente no dia 15 de maio de 1972, após 27 anos de ocupação americana. Enquanto todo o restante do Japão voltou à administração de japoneses em 1952, o arquipélago do antigo reino de Ryukyu teve que esperar mais 20 anos, primeiro por causa da Guerra da Coreia que começou em 1950 e a posição geográfica de Okinawa tornou o local estratégico para as bases americanas. Essa guerra terminou em 1953, mas os americanos haviam investido bastante no local porque ainda previam novos conflitos na região por causa da Guerra Fria. Depois, em 1965, começou a Guerra do Vietnã, tornando o local estratégico novamente. Estima-se que, em 1969, mais de 50 mil soldados americanos moravam em Okinawa.
Com a devolução ocorrendo no dia 15 de maio de 1972, a comunidade nikkei se reuniu e realizou um evento cultural de “Comemoração pela Restituição de Okinawa ao Japão”, nos dias 20 e 21 de maio (sábado e domingo) do mesmo ano, no auditório da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, na Liberdade, em São Paulo.
A iniciativa coube ao Zaihaku Okinawa Kenjinkai (Associação dos Provincianos de Okinawa no Brasil), então presidida por Mosei Yabiku. A principal atração do evento foi uma peça de teatro, que mostrou o período de transição de quatro anos (1875 a 1879) no qual aconteceu a desocupação do Castelo de Shuri, então capital do Reino de Ryukyu. A peça, escrita por Eikichi Yamazato, artista plástico e escritor, autor de vários livros sobre a história de Okinawa, foi apresentada em japonês por um elenco de artistas radicados no Brasil.
O papel principal, do último rei Shõ Tai, coube a Naohide Urasaki, natural de Naha, capital de Okinawa, que estudou o teatro tradicional do local desde criança. Urasaki emigrou para Bolívia em 1957, onde trabalhou nas plantações de arroz e introduziu o teatro okinawano. Mudou-se para São Paulo, e novamente não ficou longe dos palcos. Junto com outros conterrâneos fundou a Kyowa Gekidan, em 1962, grupo teatral que passou a encenar o teatro de Okinawa. Em 1987, Urasaki voltou a Okinawa para se especializar no taikô, foi diplomado e começou o ensino do taikô no Brasil, onde se formou o grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko do Brasil, oficializado pelo Japão em 1998. Naohide Urasaki faleceu aos 80 anos de idade, em 2011.
A peça da história de Okinawa foi encenada duas vezes no domingo, mas o evento em si contou com várias apresentações de dança de Okinawa e do restante do Japão nos dois dias.
Em maio de 2022, a restituição da província de Okinawa estará completando 50 anos, uma data de grande significado para o Japão.
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Texto: Francisco Noriyuki Sato – Jornalista e editor, autor dos livros História do Japão em Mangá e Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, e professor de História do Japão da Abrademi.
Para saber mais sobre o professor Naohide Urasaki: http://matsuridaiko-brasil.com/naohide-urasaki-sensei/
Para aprender a História do Japão, incluindo a História de Okinawa, a Abrademi tem cursos on-line: www.abrademi.com

P R O G R A M A Ç Ã O
O Imoni é uma sopa com imo (inhame) típica da região de Tohoku e é principalmente popular na província de Yamagata, onde acontece o festival Imonikai. É feito uma panela gigantesca de imoni e, reunindo familiares e amigos, saboreiam o Imoni em frente a um grande rio.
Informações culturais: Consta que o inhame começou a ser consumido no Período Jomon no Japão, mas se tornou popular no Período Edo, quando passou a ser plantado intercalado com o arroz. Nessa época, o Imoni não deveria conter carne bovina ou suína, uma vez que isso não era acessível para os cidadãos comuns. A maior festa Imonikai de Yamagata serve 30 mil tigelas de Imoni, mas escolas e empresas também organizam eventos semelhantes para seus alunos e funcionários.
39º Tanabata Matsuri – Festival das Estrelas 2017, acontece no bairro da Liberdade, em São Paulo, nos dias 15 e 16 de julho de 2017. Diversas atrações, algumas internacionais fazem parte da programação no palco este ano. Destaque para o show de Dragão Japonês, que faz parte do Festival Kunchi, considerado um dos três maiores festivais do Japão. Esse dragão foi inteiramente feito no Japão e trazido com muita dificuldade, por ser um material frágil e não dobrável. Vale a pena ver!
Do dia 20 a 28 de maio de 2017, os apreciadores da cultura japonesa poderão experimentar uma movimentada imersão realizada em duas localidades: o Pavilhão Japonês, no Parque Ibirapuera, e o Bunkyo, no bairro Liberdade em São Paulo. Serão dois finais de semana se estendendo por uma semana contínua de atividades orientadas por praticantes e especialistas de diversas artes japonesas. No Bunka Matsuri – A Festa da Cultura Japonesa o público poderá conhecer e vivenciar, entre outras atividades, a cerimônia do chá, exposição de ikebana, praça de alimentação de comida típica, oficinas culturais com especialistas da arte japonesa, visitas ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, show de música e dança folclórica japonesa.