Cultura Japonesa

dez 082014
 

Ontem o prédio onde eu estava gemeu e tremeu, tal qual um trem iniciando viagem. Ainda bem que foi só isso. Em Nagano, onde foi o epicentro, o tremor foi de 6,8 graus. O asfalto das estradas levantou mais de meio metro abrindo-se em fendas enormes e 60 casas desabaram. A terra treme todos os dias em algum lugar no Japão e a maior preocupação é o tsunami que pode vir em seguida. No mês passado o monte Ontake entrou em erupção vitimando vários turistas que lá estavam, e este mês foi a vez do monte Aso em Kumamoto soltar lava e cinzas. A natureza é assim e pouco se pode fazer em relação a ela. Cercado pelo mar por todos os lados o arquipélago japonês, com suas mais de 6 mil ilhas e ilhotas, convive com essas surpresas desde os tempos remotos.

monte ontakeEssa terra instável pouco foi beneficiada pela natureza na sua criação. Não há petróleo, não há pedras preciosas, e o inverno rigoroso impede o cultivo nessa época do ano, além de dificultar a criação de animais. Na maior parte do Japão os motoristas são obrigados a trocar os pneus pelos de neve, as casas precisam ser totalmente vedadas e os telhados são envernizados para não acumularem neve, pois o peso da neve pode fazer uma casa desabar.

Como esse país nanico no tamanho – pois sua área total, incluindo todas as ilhotas improdutivas, é 23 vezes menor do que a do Brasil – pode ser uma superpotência econômica?

carros7851Os positivistas diziam que o meio faz o homem. Para sobreviver aqui o japonês precisa se preparar pensando no amanhã. É necessário fazer uma boa poupança para gastos inesperados e, no plano mais geral, é preciso que o poder público esteja equipado para emergências, que inclui grandes escolas com amplos pátios cobertos para abrigar desabrigados se for preciso. Mais do que um inconveniente, o inverno rigoroso é visto como oportunidade para vários negócios, inclusive o turismo. A indústria lucra e gera empregos produzindo energia, roupas e calçados apropriados, equipamentos para aquecimento e outros itens inimagináveis num país tropical. Querendo ou não, todos os anos o frio vem do mesmo jeito, e quem não estiver preparado corre risco de morrer.

Muitos países grandes estão em zonas frias e o inverno gera negócios. Isso faz um país sobreviver economicamente, mas não o transforma numa superpotência. Como, num lugar como é o Japão, a renda per capita pode ser de USD 37.539, enquanto no Brasil, grande país tropical com muitos recursos naturais e população jovem, a renda é de USD 11.067 (estimativa de 2014), ou seja, menos de 1/3 da do Japão?

Pessoalmente tenho uma tese e para explicá-la, como não sou economista e não gosto de economês, queria transpor o país todo numa escala menor para fazer comparações com outros países. Vou fazer de conta que a indústria automobilística mundial, já que é globalizada, seja o nosso mundo inteiro hoje.

Sabemos que o automóvel que usamos hoje é fruto do esforço de todos os países produtores. Por exemplo, se a luz de ré brilha com certa intensidade, é porque no passado alguém testou isso e chegou à conclusão de que era o melhor. Outros tentaram idéias diferentes mas chegaram à mesma conclusão, e agora todas as luzes de ré têm o mesmo brilho.

Em termos gerais penso que a Alemanha, com sua tradição em equipamentos mecânicos, tenha contribuido para a robustez dos carros. A Itália, com seu apreço pelas artes, creio que tenha ajudado a melhorar o design. Os ingleses, pelo gosto por velocidade, talvez tenham melhorado o desempenho do automóvel. Os americanos, por sua vez, contribuiram com a redução de custos criando a produção em massa e a popularização do automóvel no mundo. Mas onde entraram os japoneses?

Sempre se falou na miniaturização que os japoneses conseguem fazer com seus produtos. De fato, isso acontece porque os espaços são pequenos nas casas japonesas. Um eletrodoméstico americano pode nem passar pela porta de uma casa japonesa. Mas esse raciocínio não se aplica aos automóveis, excetuando os modelos conhecidos aqui como “K” (microcompactos, motores de 660 cilindradas que fazem 20 km com um litro de gasolina). No caso do automóvel, o Japão não contribuiu para o seu desenvolvimento com a miniaturização (tanto que são os modelos médios os mais vendidos pelas montadoras japonesas no mundo). Então, qual será o diferencial?

Um mercado de peixe limpo e sem cheiro.

Um mercado de peixe limpo e sem cheiro.

Creio que a resposta seja Serviço, o verdadeiro espírito de atender da melhor forma possível as necessidades dos consumidores. Isso se resume na frase “o consumidor é um Deus”, repetida na década de 1970 dentro das indústrias japonesas. Não se trata de abrir um site para os consumidores colocarem comentários e assim saberem o que eles querem. Para os japoneses, Serviço é muito mais do que isso e começa bem antes de receber uma sugestão ou reclamação. É difícil explicar isso só com palavras e sei que terei que melhorar esse texto para ser compreendido, mas o conceito de Serviço e de ser atento às necessidades do outro está presente em tudo que é feito no Japão. É tudo uma prestação de serviço ao consumidor final, e todos os japoneses exercitam isso o tempo todo. Exemplificando a idéia com acessórios num carro, o carro que tem um porta-copos para o passageiro do banco de trás está prestando um serviço; já o outro carro que possui um porta-copos para o passageiro de trás na altura das mãos está prestando um serviço melhor.

bus insideSaindo da indústria automobilística, vamos às ruas. Aqui os ônibus não têm cobrador. Quem cobra é uma máquina e não há catracas – a passagem é paga através de cartões pré-pagos similares ao bilhete único. Ao motorista cabe dirigir e orientar o passageiro. Muitas vezes o passageiro nem precisa pedir informação: o motorista quando percebe que tem turistas a bordo se antecipa a informar sobre onde descer para ir a determinado lugar. Também é ele quem recarrega o cartão do passageiro, e faz isso enquanto abre as portas e espera o passageiro descer. Agora a maior surpresa é que no Japão o motorista agradece, um por um, a todos os passageiros por terem utilizado o seu ônibus! O motorista entende que ele está prestando um serviço para o consumidor e não para a empresa de ônibus. E os passageiros não tentam dar calote  nem são grossos com o motorista. Deu para sentir a diferença?

Voltando ao universo dos carros, o americano calcula que 3 reclamações em 10 mil carros vendidos é um número aceitável. Já o japonês pensa ser inaceitável haver qualquer descontentamento – então vão verificar a fundo essas 3 reclamações para entender o que houve. Quando uma indústria americana vende 2 milhões de um modelo de carro aceitando que vai haver 600 descontentes, pode-se entender porque há tantos advogados nos Estados Unidos. Contratar advogado – apesar das famosas piadinhas que os americanos fazem a respeito dos advogados – é algo comum nos Estados Unidos pois faz parte da cultura local resolver qualquer tipo de desavença no Judiciário. No Japão é difícil encontrar advogados porque quase não há trabalho para eles. Já no Brasil o sistema é caro, moroso, ineficiente, ineficaz, mas fazem de conta que funciona. Se no Japão “o consumidor é um Deus”, no Brasil o consumidor fica ao Deus-dará.

DSCN6447Essa busca pela perfeição nos serviços ao consumidor no Japão fez a indústria automobilística ser algo melhor do que seria sem a participação japonesa. Na década de 1990 o mundo inteiro se empolgou com os métodos administrativos vindos do Japão, como Kanban, Defeito Zero e muitos outros. Mas não penso neles apenas como métodos técnicos para melhorar a produtividade. Na prática, as atitudes que caracterizam essas técnicas estão presentes na atitude cotidiana dos japoneses. Ninguém aqui pensa em Kanban ou Defeito Zero, mas agem dentro desse espírito mesmo se for numa mercearia de esquina. É um envolvimento total dos funcionários que se esforçam coletivamente e aplicam qualquer método conhecido para chegar à perfeição. Não fazem isso para agradar à empresa que paga seu salário, mas para atender seu consumidor do modo que também gostariam de ser atendidos. É necessária uma atitude altruísta para essas técnicas darem certo, por isso a técnica por si só não basta. No Japão todos entendem que hora estamos atrás de um balcão, e hora estamos na frente de um balcão. Ninguém fica só de um lado do balcão o tempo todo.

Aí chegamos à questão onde o Brasil encontra hoje um terrível gargalo na mão-de-obra: competências, eficiência e produtividade. Comparemos com o Japão. Apenas uma senhora cuida de um supermercado de porte médio em Kanazawa. Esse supermercado faz parte de uma rede: tem frutas, verduras, bebidas, material de limpeza, gelados, lanches frescos, tudo o que um estabelecimento desse tipo tem que ter. Essa única funcionária está no caixa quando precisa estar, e quando não há clientes ela está fazendo reposição de mercadorias, ou varrendo o chão, ou empacotando. No Brasil contratam-se 4 pessoas para fazer o que essa senhora no Japão faz sozinha. Por que ela faz isso? Em primeiro lugar, porque ela consegue. Em segundo, porque tudo é serviço ao consumidor e precisa ser feito. Como ela trabalha por 4 pessoas, é lógico e justo que ela ganhe 4 vezes mais. Isso justifica a renda per capita tão elevada dos japoneses. No Japão cada um trabalha por muitos, e quando se pergunta: “Trabalha para quem?”, a resposta é: “Para o consumidor”. E essa senhora também agradece a cada um dos clientes por ter ido àquela loja, assim como seus antepassados agradeciam aos deuses xintoistas.

Prestar Serviço não é só uma relação de trabalho: é a base ética de tudo no Japão. A própria palavra “Samurai” originalmente significava “a serviço de”. Ditados como “quem não vive para servir não serve para viver” não ficam só nas palavras no Japão.

“O consumidor é um Deus” não tem nada de religioso, mas os japoneses praticam isso à risca.

É minha opinião pessoal, depois de dois meses observando o Japão.
 
Francisco Noriyuki Sato
Jornalista e estagiário da JICA na Kanazawa University, cidade de Kanazawa, província de Ishikawa.
dez 042014
 

Após a crucificação dos 26 mártires, houve uma revolta, também em Nagasaki, entre 1637 e 1638, contra o governo nacional de Tokugawa. Não foi propriamente uma revolta religiosa, mas constatou-se que a maioria dos 27 mil camponeses e samurais desempregados que reclamavam da alta do imposto e da fome era cristã. Todos foram mortos, e depois deste triste episódio, o cerco aos cristãos ficou ainda mais rigoroso. Prêmios foram oferecidos para quem denunciasse alguém praticando o cristianismo, e os cristãos encontrados foram todos mortos. Assim iniciou a política de isolamento do governo de Tokugawa, que começou em 1639 e terminou somente em 1854.

Kakure Kirisutan

Depois do longo período de mais de 200 anos de isolamento, o Japão abriu os portos, em 1854, permitindo a entrada de estrangeiros. Pelo acordo entre os países, uma área foi reservada perto do Porto de Nagasaki para os estrangeiros se estabelecerem, em 1859. Três anos depois, o Papa Pio XIX transformou os 26 mártires do Japão em santos da Igreja Católica.

Imagem de Maria na Igreja Oura Tenshuudo que comoveu os japoneses

Imagem de Maria na Igreja Oura Tenshuudo que comoveu os japoneses

Mas no Japão, a prática do cristianismo continuava proibida para os japoneses. Entretanto, os estrangeiros tinham liberdade religiosa, e dentro do espaço dos estrangeiros, os católicos ergueram a igreja Oura Tenshuudo para servir a comunidade estrangeira no país. No dia 17 de março de 1865, apenas um mês após a sua inauguração, o padre francês Petitjean recebeu na igreja a inesperada vista de um grupo de japoneses. Os japoneses, ao virem a estátua de Santa Maria na igreja, falaram ao padre: “Nossos corações e os seus são os mesmos”. Eles arriscaram a vida e se declararam cristãos. Essa data foi considerada a “ressureição do cristianismo” no Japão. Não se sabia, até então, da existência desses cristãos, depois de mais de 250 anos de proibição.

Outros cristãos que estavam escondidos se juntaram ao grupo, e apesar do risco de morte, recriaram secretamente a Igreja Católica Japonesa, pegaram quatro casas comuns para funcionarem como igrejas, e 3.394 católicos foram enviados a 22 localidades para a preservação da fé. Em 1873, o governo Tokugawa havia caído e o governo Meiji restaurou a liberdade religiosa no País.

Como sobreviveu por tanto tempo?

Por 250 anos, não houve mais contato dos japoneses com os missionários portugueses e espanhóis. Cristão descoberto era cristão morto, por isso, não havia como utilizar as cartilhas da Igreja e nem deixar textos escritos. Assim, o catolicismo só sobreviveu graças à transmissão pessoal, em cabanas simples utilizadas como igrejas secretas. Os fiéis também tiveram que criar imagens de Cristo e Maria parecidos com imagens budistas para não serem identificados como cristão e mortos. Outros instrumentos religiosos também foram alterados para não serem descobertos, e os próprios rituais seguiram caminhos diferentes dos ensinados a partir de Roma, por falta total de contato. Muitas partes que foram modernizadas ou simplificadas pela Igreja, no Japão permaneceram da forma como eram em 1639.

Veja os objetos utilizados pelos kakure kirisutan para a preservação da sua fé:

Veja também: Quem são os 26 santos japoneses da Igreja Católica?

dez 022014
 

Apesar do Natal não ser uma festa tradicional, os japoneses se preocupam em enfeitar suas cidades. E assim, dias frios e cinzentos do inverno rigoroso parecem mais agradáveis, além de serem manchetes de jornais. Isso acaba atraindo os turistas.

Em Kanazawa, que é uma cidade turística, o mesmo fato acontece. Ruas e parques recebem iluminação, além de atividades culturais para animar ainda mais os seus visitantes. Mas o chamado “Light Up” é considerado um evento, e não dura para sempre. Os enfeites das ruas ficarão durante todo o mês de dezembro, mas os parques públicos recebem iluminação por apenas 10 dias, por questões de custo. E nesses poucos dias, os locais recebem atrações como oficina de pintura no estilo Kaga Yuzen (de quimono), pratos tradicionais da região são servidos nos restaurantes do parque Kenrokuen, e ônibus especiais fazem a rota do “Light Up” para os turistas.

nov 282014
 

Existem escolas e escolas. A Fuzoku Koutou Gakkou é um colégio que pertence à Kanazawa University, que possui escolas de todos os níveis, desde o pré-primário (youchien), e na mesma região. Dizem que funciona como laboratório, para se experimentar novos métodos de ensino desde o primeiro aprendizado escolar.

Essa blusa (sailor) de verão custa 82 dólares na Conomi, fabricante de uniformes escolares

Essa blusa (sailor) de verão custa 82 dólares na Conomi, fabricante de uniformes escolares

Visualmente, a diferença é que os estudantes não usam uniformes no verão. No inverno, há aquele tradicional uniforme de marinheiro (sailor fuku), que precisa ser impecável, sem mancha ou área desbotada.

DSCN6925A Fuzoku não é uma escola grande, possui apenas 120 alunos (3 salas) por ano , portanto, são 360 alunos no total, e por isso, é bastante disputada. Como a mensalidade é quase a metade de uma escola particular, esse colégio federal é procurado, ainda mais porque apresenta um bom índice de aprovação em boas universidades. Isso é um dado relevante no Japão. O diploma de uma boa universidade garante um bom emprego e isso vai ajudá-lo na carreira inteira desse aluno. Por isso, os pais investem bastante no ensino de seus filhos, e como isso custa caro, têm poucos filhos e a população japonesa está diminuindo. Só para se ter uma idéia, uma mala ginasial para carregar nas costas, conhecida aqui como “randoseru”, se for de couro legítimo, custa mais de 300 dólares. Some-se a isso o custo dos uniformes, de verão e de inverno, mais a mensalidade do colégio e também do “yobikou”, ou a escola preparatória para os vestibulares. Sim, há necessidade de fazer o cursinho se quiser pleitear vaga num bom curso superior, e começam isso cada vez mais cedo. Dos 120 alunos do primeiro ano desse colégio, 60 já estão fazendo cursinho para o vestibular!

DSCN6902Fazendo as contas, um aluno comum do curso colegial tem aula das 8h30 até 16h30. Depois, tem as atividades conhecidas como “club”, que pode ser futebol, tênis, artes plásticas, ou qualquer outra, que vai geralmente até 18 horas. O cursinho vai das 19 às 22 horas, diariamente. Aos sábados e domingos também tem atividades na escola. Como há alunos de outras cidades na Fuzoku, imagine quantas horas esses alunos têm para si mesmo?

DSCN6901Na Fuzoku, como em todas as outras escolas, os alunos fazem a limpeza da escola depois da aula. Há um revezamento e os alunos nem reclamam, pois fazem isso desde a pré-escola. E como todo o mundo troca de calçado ao entrar na escola, os corredores estão limpos e os alunos dizem que conseguem terminar tudo em 10 minutos. Nessa escola não há um refeitório, talvez por ter poucos alunos. Assim, cada aluno traz sua comida de casa (obentô), mas se desejar, pode comprar bebida ou alguns tipos de pães na lojinha. E cada um come onde quiser, muitos preferem a própria sala de aula. Em outras escolas onde há um refeitório, os alunos também se revezam na tarefa de servir os próprios alunos. É interessante porque nisso eles aprendem a trabalhar em equipe, a ver como funciona o outro lado do balcão e a procurar agilizar o atendimento.

Esse rigor existe na escola, mas não em casa. Os japoneses mudaram muito no pós-guerra. Os pais dão mais liberdade para os filhos, e a relação dentro da família não é mais tensa, como era antigamente. Quanto ao rigor na escola, ela foi adotada no período militar, quando ordem era ordem e ninguém podia discutir. O interessante é que isso foi preservado, apesar de todas as alterações que o ensino teve ao longo dos anos. Talvez porque esteja dando certo, pelo menos nas estatísticas. O Japão tem 5 universidades entre as 200 melhores do mundo. O Brasil não tem nenhuma entre as 200.

Saiba mais sobre o Sistema Educacional Japonês

Leia: Conhecendo uma escola colegial japonesa – parte 1

nov 262014
 

capivaraDia 26 de novembro, hoje, é o Dia do Bom Banho de Ofurô no Japão. Criado, provavelmente, por donos de casas de banho de imersão (ofurô), a data foi escolhida aproveitando a leitura em japonês dos números: 11 do mês, e 26 do dia. いいふろ (1126) significa “bom banho de imersão”. Apenas isso, mas hoje as casas de banho em geral oferecerão alguma vantagem ou brinde àqueles que forem lá tomar seu banho de ofurô. A data também coincide com a chegada do frio mais pesado no Japão, sendo que já começa a nevar em algumas regiões.

capivara 2Pensando nesse frio insuportável para os animais tropicais, o zoológico da província de Ishikawa construiu, há alguns anos, um ofurô para as capivaras. Aquele mamífero folgado e invocado que habita locais como o Rio Pinheiros em São Paulo e o Parque Barigui em Curitiba, é uma celebridade por aqui. Não exatamente os animais do zoo, mas o desenho infantil, “kapibara-san”, que foi criado para o material de propaganda do crane game (aquele brinquedo para pegar bonecos com garras).

O seu inesperado sucesso fez com que a Tryworks, divisão da empresa Imagineer, especializada em criação de games, elaborasse outros planos para o desenho. Até 2009, foram licenciados 850 produtos, gerando uma receita de 8,5 milhões de dólares. Dois CDs com músicas do Kapibara-san foram lançados, há um site oficial, uma loja oficial de produtos do mamífero de desenho e a Bandai lançou um desenho animado em stop motion (em fotos quadro a quadro).

capivara xTalvez o sucesso do desenho ajude os bichos brasileiros a terem tanta popularidade, principalmente entre as crianças. No dia 22 de novembro, até foi realizada uma cerimônia de abertura do ofurô para as capivaras, com limões inteiros boiando na água quente para dar aroma no ofurô construído a céu aberto. A própria água quente do ofurô foi trazida de uma fonte natural que abastece uma casa de banho local. Muito luxo para um bicho… folgado. No dia 22, diante de uma multidão de crianças que esperavam o banho, as capivaras foram tirar uma soneca no sol e não quiseram entrar no ofurô especialmente preparado. Mas as crianças não ficarão frustradas por muito tempo. O inverno em Ishikawa é rigoroso, haverá dias de neve, e os animais não resistirão a um banho de água quente. A temporada de ofurô das capivaras vai até 6 de abril de 2015, entre 11 e 15 horas, diariamente. Quem se frustrou com as capivaras certamente teve mais sorte com os pinguins, cujo passeio acontece sempre às 13 horas.