Cultura Japonesa

dez 262014
 

Está confirmado para o dia 31 de dezembro de 2014, o Festival Moti Tsuki do bairro da Liberdade, em São Paulo. Como é seguido o horário japonês, a cerimônia final acontece às 12 horas (meio-dia) de São Paulo, enquanto no Japão é meia-noite do dia 31.

A programação terá início às 8 horas, com a distribuição de 20 mil saquinhos de moti (bolinho de arroz). Às 9 horas terá início a recepção das autoridades e dos convidados, e a abertura oficial acontecerá com a apresentação de taiko do grupo Tenryu Wadaiko, de São Miguel Paulista, e a cerimônia religiosa xintoísta, pelo rev. Kazuo Osaka, do templo Nambei Daijingu, às 9h30. Tudo acontecerá na praça da Liberdade (metrô Liberdade). Às 10h30 terá início o ritual de socar o moti, onde as autoridades são convidadas a participarem. Entre 10h30 e 13 horas, serão confeccionadas e oferecidas 3 mil tigelas de Ozooni (sopa com bolinhos da prosperidade).

Às 11h30, as autoridades e convidados serão recepcionados na sede da ACAL – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade para a solenidade final, que terá a execução dos hinos nacionais do Brasil e do Japão às 12 horas.

dez 182014
 

Várias coisas mudam quando um povo precisa conviver com um inverno rigoroso. Preparar agasalhos adequados é apenas uma das preocupações. Armazenar alimentos e estruturar a casa para o frio são outras providências a serem tomadas. No arquipélago japonês, Hokkaido é, sem dúvida alguma, a região mais fria, e na parte norte dessa província, a neve é uma constante. Mas outras regiões japonesas são também atingidas pela neve, às vezes o frio chega pelo lado chinês e outras pelo Pacífico, tudo varia com o vento e com o movimento das massas de ar frio e quente. É preciso, portanto, estar sempre preparado.

dez 152014
 
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Biblioteca Kanazawa Umimirai, na foto de Satoshi Asakawa, Coleacanth K&A Architects

A prefeitura de Kanazawa administra diretamente cinco bibliotecas públicas. A de Umimirai é a mais nova, mas não a maior. Construída em 2011, traz, dentro de sua arquitetura contemporânea, grandes espaços vazios, que a deixam mais confortável. Além da arquitetura pouco comum, o prédio de três andares conta com um auditório para até 250 pessoas, um palco e uma tela de 200 polegadas. Há também quatro salas para reuniões de 20 e 30 lugares com mesas.

O que causa surpresa, entretanto, é o seu funcionamento, que é muito prático. Para consultar livros, o interessado não precisa apresentar nenhum documento ou fazer ficha e não precisa falar com ninguém. Basta ir diretamente à estante e retirar o livro desejado. Como em outras bibliotecas japonesas, os livros consultados são colocados em locais determinados, e os funcionários fazem a recolocação nas prateleiras.DSCN8117

Há um equipamento com monitor para o interessado procurar um determinado livro, semelhante àqueles encontrados em livrarias. O equipamento informará a exata localização do livro, o andar, o setor, além da medida e o número de páginas. Caso seu livro não esteja naquela unidade, o aparelho vai informar e você mesmo emite um tíquete com código de barras, e entrega para um funcionário. Ele irá providenciar para você ter o livro no dia seguinte.

Para levar o livro para casa é necessário preencher uma ficha e receber um cartão magnético. Isso, só na primeira vez. Há um equipamento para alugar os livros. Basta pegar os livros que quer (no máximo 10 livros por vez), colocar o código de barras de cada livro no leitor, que o equipamento emitirá um recibo, com a relação dos livros que está levando, e a data para devolvê-los. É só isso. É pegar e ir embora. O prazo para devolução é de 14 dias, e não é necessário devolvê-los nessa unidade. Qualquer uma das bibliotecas municipais pode recebê-los de volta, e se for fora do horário do expediente, há uma caixa de coleta sempre aberta para receber as devoluções.

DSCN8115Em termos de facilidades, há copiadoras (é permitido copiar parte do livro, nunca a obra completa), área de internet, mesas para leitura e uma área para crianças, só com livros infantis e uma salinha para brincar. Tem um estacionamento para 108 carros e 100 bicicletas. Aqui, todo o serviço é gratuito, inclusive o estacionamento.

A biblioteca Kanazawa Umimirai, que tem 400 mil volumes à disposição, funciona nos dias úteis das 10 às 19 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Fecha às quartas.

Umimirai, na foto de Satoshi Asakawa, Coleacanth K&A Architects

Umimirai, na foto de Satoshi Asakawa, Coleacanth K&A Architects

Os Prêmios – A biblioteca Kanazawa Umimirai recebeu prêmio de melhor design Cultural/Institutional da The International Interior Design Association, em 2013, foi eleita uma das quatro melhores bibliotecas do mundo, pela TV BBC inglesa, e está entre os 20 melhores projetos eleitos pelo guia Fodor’s americana.

dez 112014
 

O Nikkei Institute of Industry and Regional Economy publicou, na revista Nikkei Shohi Insight 「日経消費インサイト」ou “Visão do consumidor japonês”, de novembro de 2014, uma pesquisa sobre os prováveis sucessos de 2015 no mercado japonês. Esse instituto trabalha com dados de consumo do passado e presente, e assim estuda a mudança de comportamento e de hábito do japonês.

Nesse levantamento, muito comentado pela mídia, chamou atenção o primeiro lugar ocupado pelo trem-bala, o Hokuriku Shinkansen, que ligará Tóquio a Kanazawa, a ser inaugurado em 14 de março de 2015. O segundo lugar coube ao Episódio 7 do Star Wars, sob a produção da Walt Disney, depois de uma janela de dez anos. O terceiro lugar é o impacto que estará tendo o mercado de smartphones, com a disputa entre as três grandes pelo cliente, e isso, além de trazer novas tecnologias, trará a redução do preço.

O caso do tenista Kei Nishikori, que agora é um dos melhores do mundo, deverá movimentar o mercado dessa modalidade e de produtos em 2015. É o quarto da lista. Já neste ano, cresceram o número de crianças que se matriculam em escolas de tênis, e se observa o aumento na venda de camisas polo semelhantes ao do atleta. O quinto lugar coube à revolução que se espera na área de animação e imagem, com o uso popular de redes sociais como Instagram e Vine, cujos videos curtíssimos de 7 segundos fazem muito sucesso no mercado americano.

O sexto lugar é ocupado pela reestruturação que será realizada na área comercial de Tóquio, com novos e grandes projetos, pois a cidade se prepara para as Olimpíadas de 2020. Isso deverá trazer um impacto, não só na área da construção, como também no comércio regional. O lançamento do relógio de pulso eletrônico da Apple em 2015, mudará o conceito de relógio, constatou a pesquisa que o colocou como o sétimo de maior impacto no ano que vem. Depois do sucesso do Noodle Maker, da Philips em 2014, espera-se uma grande reação de outros fabricantes quanto aos eletrodomésticos para a cozinha. É o oitavo da lista.

os mellhores de 2015 109“Cool Japan” e “Omotenashi” são campanhas para oferecer melhor serviço aos estrangeiros. Isso engloba as atividades “kawaii fashion” que a loja Shibuya da rede 109 (ichi maru kyu) vem trabalhando (foto ao lado), lojas de conveniência que vendem saquê 24 horas por dia, e outras inovações que vem agradando, não só os estrangeiros, mas principalmente os japoneses. Em nono lugar.

No décimo lugar aparecem empatados dois itens parecidos: 1) a mudança no sistema de distribuição de verduras pelo agricultor – que está optando por empresas que mantém um preço sem oscilações. Isso parece pouco, mas quando se sabe que gigantes de outros setores como a Toshiba, a Fujitsu, a Toyota e a JR (transportes) estão investindo na área, é porque mudanças virão. 2) a partir de 2015, os produtos alimentícios trarão informações sobre a funcionalidade dos seus componentes. Como o japonês costuma ler tudo no rótulo, isso pode trazer mudanças no consumo de certos alimentos.

Kanazawa no topo da preferência

slide hokuriku shinkansenA surpresa a que se refere o título da matéria é que Hokuriku Shinkansen é apenas uma linha nova de trem-bala, num país que possui muitas outras linhas. Entretanto, como a cidade de Kanazawa vem ganhando espaço na mídia, com a promoção de feiras de alimentos, atrações e de produtos típicos em grandes centros como Tóquio, sempre trabalhando com a força chamativa do trem-bala, é possível que o público em geral esteja pensando nessa cidade como próximo destino turístico. A empresa de turismo JTB, que tem uma loja em Kanazawa, constatou que turistas estão optando pela cidade, deixando de lado outros destinos que lideravam a lista de preferência, como os parques temáticos Tokyo Disneyland e a Universal Studios de Osaka. Os grandes atrativos agora no inverno são as thermas da região. A rede de thermas Kaga-ya, que administra três casas, revelou que só há pouquíssimas vagas para hospedagem até o dia 3 de janeiro de 2015. Embora o trem-bala nem esteja funcionando, a baixa da moeda japonesa, que fez turistas desistirem de ir ao exterior, e a vigorosa campanha da cidade por turistas, parece já estar dando resultado.

dez 112014
 

Desconhecido no Brasil, mas uma celebridade no Japão, o escritor americano Donald Keene deu uma palestra com o tema “Eu e Kanazawa – para os jovens”. Aos 93 anos e mostrando uma lucidez fora do normal, falou em japonês o tempo todo.

donald keeneAmericano do bairro do Brooklin, em Nova Iorque, Donald Keene, aos 18 anos, então estudante da Columbia University, encontrou numa livraria na Time Square, um exemplar em inglês do “Genji Monogatari”, um romance escrito por uma mulher, Murasaki Shikibu, nos primeiros anos do século 11 (Período Heian). O livro chamou a atenção dele, não pelo título, mas pelo fato de ser muito barato. Ele comprou, leu e se apaixonou pela obra. Queria ler o livro no original, mas não sabia japonês e nem havia quem ensinasse. Assim, ele resolveu se alistar na Marinha, pois era o único lugar onde se ensinava japonês. O curso, conta ele, era intensivo e era o dia todo, não se fazia outra coisa a não ser estudar o idioma. Em apenas 11 meses ele aprendeu a falar, a ler e a escrever japonês. O ano era 1941 e logo depois começaria a guerra com o Japão, país que ele desejava muito conhecer, mas a ocasião era péssima.

Depois de se pós-graduar-se pela Columbia e passar pela Cambridge na Inglaterra, em 1953 ele finalmente conseguiu permissão para ir ao Japão. Foi como estudante de pós na Kyoto University. Nesse período, conheceu outros jovens promissores e resolveu fazer sozinho o percurso feito pelo poeta Matsuo Basho em 1639, que consta no livro “Oku no Hosomichi” (Sendas de Oku) de Basho. Foi assim que ele chegou a Kanazawa, em 1954. Donald conta que estava na cidade de Sendai, em Miyagi, quando alguém lhe disse: “Daqui até Kanazawa você não vai conseguir tomar um bom café”. De fato, foi isso mesmo. (Nota do jornalista: Já em 1919 (Ano 8 da Era Taisho) foi inaugurado um lugar chamado Café Brasil, no bairro de Kohrinbo, na cidade de Kanazawa, que foi o ponto de encontro de intelectuais e estudantes).

Um dos locais visitados por Matsuo Basho foi Natadera, um templo no meio das rochas de Ishikawa

Um dos locais visitados por Matsuo Basho foi Natadera, um templo no meio das rochas de Ishikawa

Donald disse que não conseguiu fazer o percurso a pé, como fez o poeta japonês, e viajou de ônibus, desceu em Kanazawa, onde ficou na hospedaria “Iroha”, e chegou até a cidade de Komatsu (perto de Kanazawa, onde fica o aeroporto da região). Ele contou com bom humor algumas coisas engraçadas dessa viagem, como a história do monge que estava tentando aprender inglês.

Donald Keene disse que as obras clássicas japonesas precisam ser reescritas em japonês adotando-se uma linguagem contemporânea. Disse que elas continuam sendo publicadas com o texto antigo, quase original (quase chinês, disse ele, porque os mais antigos foram escritos nesse idioma), e poucas pessoas podem entendê-lo. Ele prega que o original precisa ser publicado também, mas a versão atualizada poderia mostrar os encantos da literatura japonesa. “Esses livros são fantásticos, são belos, e é um desperdício não conseguir entendê-los”, disse o escritor, que completou: “Os estudantes estrangeiros apreciam muito a literatura japonesa antiga, porque a versão traduzida é fácil de ler, mas raramente os estudantes japoneses conseguem ler esses livros até o fim”.

Além do show que foi a palestra desse renomado intelectual americano, outro show apresentado foi o da organização da palestra. O palestrante e o condutor Shinsuke Tsutsumi estiveram bem à vontade porque a organização foi impecável. O auditório da Kanazawa Kogyo Daigaku tinha 700 cadeiras (soltas) e foram totalmente ocupadas. Ninguém movimentou a cadeira para ampliar seu espaço, ou colocou a bolsa na cadeira ao lado. Para aqueles que tinham bagagem maior (casacos e mochilas maiores), a organização reservou mesas no fundo da sala. Havia moças conduzindo os participantes a ocuparem as cadeiras da frente, pois japonês não gosta de sentar na frente. O evento foi organizado pelo consórcio de universidades da província de Ishikawa. Como a Kanazawa University faz parte do grupo, trouxe três ônibus cheios de alunos para a palestra. Na chegada dos ônibus, nenhum tumulto na entrada. Funcionários sinalizavam de longe e abriram passagem para o estacionamento interno. Os alunos desceram rapidamente e caminharam até o auditório no segundo andar de um outro prédio. No caminho estavam distribuindo mapas impressos com localização dos pontos de ônibus da região, para facilitar o regresso dos participantes. A palestra começou exatamente às 17h30 como estava previsto. Depois da palestra, as duas perguntas feitas por estudantes previamente inscritos foram respondidas, e o evento terminou exatamente às 19 horas, como estava previsto.

Há uma versão em espanhol, digital e gratuita de Sendas de Oku, para quem quiser lê-lo.