Yuho Morokawa, nascido em Pirajuí e crescido na 1ª Aliança, Mirandópolis, morando depois em Uraí, Londrina e Presidente Prudente, se formou no Colégio Roosevelt da Liberdade, e na PUC em Administração de Empresas. Depois de estagiar no Japão, ganhou bolsa de estudos na 4 H Foundation dos Estados Unidos. Depois de uma longa carreira e estar sempre em contato com os japoneses e seus descendentes, escreveu seu livro que recebeu o título de “Os Japoneses e Seus Legados”, em português e com comentários em japonês. A obra tem 70 páginas.
Morokawa fará o lançamento desse livro no dia 11 de setembro de 2014, quinta-feira, ás 19h30, no Centro Brasileiro de Língua Japonesa, que fica na Rua Manoel de Paiva, 45, Vila Mariana, próximo à estação de metrô Ana Rosa. Ele convida todos os apreciadores da cultura japonesa a prestigiarem o lançamento. Entrada franca.
“Este livro apresenta, de maneira simples e resumida, a filosofia de vida dos imigrantes japoneses enraizados no solo brasileiro. A cultura milenar japonesa adotada na vida cotidiana em família – o modo de pensar, de agir e de educar – certamente contribuirá na formação do caráter humanístico dos brasileiros. É um livro imprescindível no lar, nas escolas, nas empresas e associações, a ser lido e assimilado por crianças e jovens. São os legados e ensinamentos que os japoneses almejam perpetuar no Brasil em prol do desenvolvimento social deste país”. Hyogen Komatsu, presidente do Centro Brasileiro de Língua Japonesa.
Uma organização sem fins lucrativos da província de Gifu, Japão, trabalha há anos para arrecadar calçados usados para doar às crianças de Costa do Marfim, primeira adversária do Japão na Copa do Mundo de Futebol.
Toshio Sugiyama, de 60 anos, é líder dessa entidade. Ele tem uma floricultura em Gifu e visitou Costa do Marfim pela primeira vez em 2008, onde viu crianças descalças chutando cocos no lugar da bola. Ele criou a organização no ano seguinte e começou a angariar doações de sapatos para aquelas crianças. Até agora, ele fez quatro remessas de doações totalizando 19 mil pares.
Quando o grupo fez a primeira doação, ainda em 2009, Sugiyama recebeu o título de prefeito honorário de uma vila localizada a dezenas de quilômetros a sudoeste de Yamoussoukro, capital da Costa do Marfim.
Em meados de Abril, cerca de 40 membros dessa organização japonesa se reuniram num estacionamento em Gifu para arrecadar doações, e conseguiram juntar quase 10 mil pares de tênis esportivos e chuteiras doados principalmente por estudantes da província.
O quinto lote de calçados será uma carga contida em dois caminhões de 4 toneladas e deverá chegar à nação africana em julho deste ano, de acordo com a Kyodo News.
O famoso e tradicional Festival Yosakoi Soran de Sapporo foi realizado entre os dias 4 e 8 de junho de 2014, na fria província de Hokkaido. Embora o verão esteja chegando por lá, os dias têm sido frios, mas esquentou bastante com a chegada dos animados grupos de Yosakoi Soran. Foi aqui que começou essa dança, que hoje pode ser vista em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil. Em 2014, o Festival Yosakoi Soran de Sapporo registrou 27 mil dançarinos participantes de 270 times, sendo 69 times de fora de Hokkaido, incluindo uma equipe de Taiwan. O público visitante totalizou 1.875.000 pessoas, sendo o evento de maior público do Japão.
No dia 4 de junho, uma grande praça de alimentação começou a funcionar atraindo os visitantes. No início da noite, houve a abertura oficial com a apresentação do “gakusei soran”, onde 12 times representando escolas de Sapporo se apresentaram acompanhados por uma banda de metal. Houve também a apresentação de parte dos grupos de Sapporo.
Street Dance e Yosakoi Soran se fundiram no dia 5, quando o palco denominado “Yosakoi Street Dance Stage” recebeu a fusão de jazz e hip hop com o Yosakoi Soran, formando uma nova dança divertida. Houve também a apresentação do restante dos grupos de Sapporo.
Vários palcos começaram a ser utilizados simultaneamente para o show das equipes de Sapporo e as de fora, no dia 6. Foram vistas as equipes vencedoras dos anos anteriores de todas as categorias.
No dia 7, sábado, houve o desfile dos grupos nas ruas de Sapporo e as apresentações competitivas ocorreram em todos os palcos. Às 16 horas começou a fase final da categoria junior, vencendo a equipe de Aomori pelo segundo ano consecutivo. A categoria U-40 (abaixo de 40 anos) que estreou este ano, consagrou a equipe YaMa#Ni.
No dia 8, domingo, foi o último dia do Festival e foram realizadas as premiações. O grande prêmio ficou para o Yume Soran Esashi, que participou pela 18ª vez, e o segundo grande prêmio foi dividido entre Hokkaido Daigaku “En”, de Sapporo, em sua 16ª participação, e o Iki Hokkai Gakuen Daigaku, também de Sapporo, que se apresentou pelo 18º ano. Além desses, outros 9 times foram premiados.
O publicitário Leonardo Obara, diretor geral da Abrademi, entidade que divulga a cultura pop japonesa no Brasil, esteve conferindo o 23º Festival Yosakoi Soran de Sapporo e teceu os seguintes comentários:
Uma coisa interessante é que, por ocorrer na primavera, durante a noite assistíamos as apresentações com uma nuvem enorme de pólen voando por cima do palco.
É interessante ver que os grupos exploram temas variados nas apresentações. Além de temas japoneses como samurai, kabuki, o maguro, ou uma coreografia inspirada no awaodori, teve grupos com temas com western, halloween e cheerleaders.
Lá vimos uniformes variados, que não são obrigatoriamente algo 100% japonês. além de não terem sido projetados para ser uma roupa que faz sentido. Principalmente porque a maioria dos grupos usa o recurso de mudar o uniforme no meio da coreografia, e isso ocorre não apenas através de hanten (casaco curto de inverno) com duas faces, mas os uniformes são projetados de uma forma que alguns grupos chegam a mudar até 3 vezes na mesma apresentação. Além de explorarem recursos como frente e costas com designs diferentes.
Ao contrário do que costuma se ver no Brasil, de um grupo com várias pessoas sincronizadas perfeitamente executando coreografias complexas, no festival de Hokkaido dava para ver que a forma de se trabalhar o grupo é totalmente diferente: eles trabalham as pessoas como um elemento só e cada membro executa o seu papel para compor um movimento maior. Não necessariamente vemos todos os membros em cima do palco dançando juntos ou todos executando exatamente os mesmos movimentos, mas o conjunto no geral compoem um elemento único.
Os movimentos são também bem diferentes. Sempre executam movimentos bem fortes e rápidos, mas com freada lenta e gradual, e alternam com movimentos lentos.Outro ponto bastante diferente é que não fazem o uso excessivo do naruko. Existem trechos específicos com naruko, e as coreografias sempre têm várias partes onde dançam sem instrumento nenhum. Além de muitas vezes manusearem leques, kassa, bastão, lenços, bandeiras, ou até o próprio hanten.
Enfim, uma consideração final que eu teria a fazer é: depois de ver o festival daqui e comparar com os que eu assisti na Via Funchal, percebi que o brasileiro não aprendeu um detalhe importante: yosakoi soran não é uma dança tradicional.
O engenheiro mecânico e pesquisador de história Hidemitsu Miyamura ministrará uma palestra gratuita sobre a Era Meiji (1867 a 1911), um período de grande transformação na história do Japão, quando o país abriu as portas para o mundo após mais de 200 anos de isolamento. É quando os avanços na medicina, invenções como a ferrovia a vapor, alimentos como a manteiga e roupas ocidentais chegam ao país do sol nascente.
Na segunda parte da palestra, Miyamura comentará a palestra proferida pelo ex-comandante da Força Aérea do Japão, Toshio Tamogami, realizada com muito sucesso, no dia 25 de maio de 2014, em idioma japonês.
O ex-comandante falou na ocasião sobre a situação atual do Japão e as distorções na história do Japão no pós-guerra.
A promoção é da associação Nippon Kaigi do Brasil, uma entidade formada por idealistas que querem estudar e divulgar o Japão (não é religião)
Dia 14/06/2014, sábado, das 16 às 18 horas
Local: Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, Rua São Joaquim, 381, Liberdade, 1º andar, sala 13 (era para ser no 5º andar, mas mudou, ok?)
A palestra será em português, a entrada é gratuita e não precisa se inscrever antes.
Quem assistiu às Olimpíadas de Inverno de Sochi, na Rússia, deve ter percebido que o Brasil não tem tradição em esportes de inverno e vários atletas que já residiam e treinavam no exterior se inscreveram pelo País. No caso da patinação artística, quem representou o Brasil na primeira participação brasileira da modalidade foi a Isadora Marie Williams, americana, com mãe mineira e pai americano. Como tem dupla nacionalidade, ela pôde representar o Brasil em Sochi, mas ela já representa o País há mais tempo. Por exemplo, ela conquistou a medalha de bronze no Golden Spin of Zagreb, de 2012, representando o Brasil. Ela terminou em 12º lugar no Troféu Nebelhorb de 2013 e com isso garantiu a vaga brasileira nas Olimpíadas de Inverno.
Nas provas de patinação artística, há um programa curto (no máximo 2 min e 50 sec) e um programa livre (4 min), e a soma de ambos dá a classificação final de cada atleta. Pelo regulamento olímpico, somente aquelas que ficarem entre as 20 melhores no programa curto podem participar do programa livre. E assim, Isadora, que sofreu uma queda no programa curto, não pôde apresentar a coreografia preparada para o programa livre, que foi baseada no tema do famoso filme “Memórias de uma Gueixa”.
De sua casa em Washington D.C., Isadora Williams, que completou 18 anos em Sochi, concedeu uma entrevista exclusiva para o site CulturaJaponesa.com.br.
1 – Você foi a primeira representante brasileira na patinação artística. Qual foi a sensação de representar o Brasil em Sochi?
Eu senti um orgulho enorme de estar lá honrando as cores da bandeira brasileira. Infelizmente, não consegui patinar com todo o meu potencial já que eu tinha condicoes de ir para as finais, mas não consegui controlar o nervosismo e fui dominada pelo “Olympic nerves”. Só de estar lá entre as 30 melhores patinadoras do mundo ja foi um grande começo e uma grande vitória para o Brasil.
2 – Sei que você não chegou a apresentar em Sochi, mas como você escolheu o tema de “Memórias de uma Gueixa”? Achei que foi uma escolha ótima para o programa longo.
Eu tenho uma enorme admiração pela cultura japonesa. O Japão está na lista dos meus paises favoritos. A escolha da música para o programa longo se deu quando eu assisti ao filme “Memorias de uma Gueixa”. A historia de Chiyo é fascinante e marcante. Ela foi vendida pelo pai que era um pescador para uma casa de gueixas. Já perdi a conta de quantas vezes assisti este filme. A trilha sonora é belíssima e foi muito premiada, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora. Conversei com o meu treinador sobre criar o meu programa longo com a música do filme e ele aprovou.
3 – O design do quimono estilizado ficou ótimo. Quem criou o modelo?
O quimono estilizado passou por um processo de pesquisa. Eu peguei um livro japonês na biblioteca que contava a história do quimono, tinha lá uma variedade enorme de estilos, cores e desenhos. Eu moro na cidade de Washington D.C onde acontece o festival anual que se chama “Cherry Blossoms” que em japonês se chama Sakura (o festival da chegada Cerejeiras). Então me inspirei nas cerejeiras para finalizar a criação do quimono. Eu tive a ajuda da minha mãe, e de uma grande amiga que mora na Ucrânia cujo nome é Nataliia Shultz, uma excelente figurinista que fez também o meu vestido do programa curto.
4 – Vi o vídeo da sua apresentação em Zagreb 2013, que foi muito boa. Quem criou a coreografia? A sua coreografia, a roupa e a música se encaixaram perfeitamente, mas vejo que nem todos os competidores parecem seguir esse raciocínio. O fato de tudo estar de acordo com o tema escolhido melhora na pontuação?
Eu sou muito exigente na escolha da música e do figurino, é um processo complicado porque eu tenho que sentir a música, e a roupa, além de confortável, tem que ter um bom visual. A musicalidade é um dos meus pontos fortes. Sim, eu vejo isto também. Alguns competidores ficam perdidos na música ou na coreografia. A música tem tudo a ver com a personalidade do competidor. Os juízes olham muito isto, a música deve estar de acordo com a roupa e com a coreografia também. Eu tive a sorte de ter duas coreógrafas maravilhosas que me ajudaram imensamente a desenvolver uma coreografia forte e bem feita. São elas a Danielle Rose e a Natasha Timonchenko.
5 – Além do filme “Memórias de uma Gueixa”, o que mais aprecia do Japão?
Eu sou apaixonada pela cultura e culinária japonesa. Gosto muito de comer Sushi, da sopa com missô (Miso Soup), adoro a arquitetura dos templos, a biodiversidade e a mistura da era feudal com a era moderna. Até meu cachorrinho que é um Shih Tzu se chama Sachi (felicidade em japonês).
6 – As atletas japonesas da patinação não saíram satisfeitas de Sochi, principalmente a Mao Asada, em quem o público japonês depositava muita esperança. Você chegou a falar com elas?
A Mao e uma pessoa extremamente simpática, a gente sempre troca um “olá”, no momento quando estamos focadas na apresentação. Trata-se de um momento tenso para todas nós e o que a aconteceu com a Mao em Sochi foi muita pressão, querer demais fazer uma boa apresentação e no final ser dominada pelo nervosismo. Como aconteceu comigo, a Mao também foi vitima do “Olympic nerves”, tanto que depois que ela descarregou esta pressão ela fez uma apresentação brilhante no longo, ela emocionou a todos nós. Admiro também muito a garra da Akiko Suzuki, ela é uma patinadora muito elegante.
7 – Antes da apresentação final, todos esperavam a Yulia Lipnitskaya no pódio, mas ficou a outra russa no lugar, e até houve algumas reclamações em relação à coreana Yuna Kim, que não caiu mas ficou em segundo. O que achou do resultado geral de Sochi na patinação feminina?
Eu sou uma grande admiradora da Yuna. Ela é a minha grande inspiração. Foi por causa dela que que resolvi representar o Brasil. A Adelina e a Yulia são jovens e com o tempo vão ganhar mais experiência. É tão difícil comentar algo quando o voto dos juízes é secreto, e tudo tão controverso. Apesar de não ter patinado com todo o meu potencial eu achei a minha nota muito baixa, eu acho que esse sistema deveria passar por uma revisão, eu sou a favor de que o nome do juiz e a nota sejam abertos ao público. E que a musicalidade e o lado artístico sejam mais valorizados, e que o foco não fique somente em saltos.
8 – Você carregou a bandeira no encerramento de Sochi. Como se sentiu na hora? Aquela entrada e a maneira de segurar a bandeira é ensaiada antes?
Foi como um sonho. Eu carregando a bandeira do Brasil no encerramento de Sochi. Sabe aquela sensação de caminhar nas nuvens, não foi nada ensaiado, mas a gente tem que seguir uma regra. É uma energia muito boa segurar a bandeira do seu país e entrar num estádio lotado, é um energia muito positiva.
9 – Como é o seu dia a dia, fora das competições? É possível encontrar tempo para ler, ir ao shopping ou ao cinema, como uma jovem de sua idade normalmente faz?
Antes de Sochi eu treinava 4 horas por dia, ia para a cama cedo, as 10 horas da noite já estava dormindo, acordava cedo e às 7:30 já estava no rinque. Era isso todos os dias da semana. Agora estou em outro ritmo, o meu foco é terminar os estudos, estou no momento sem treinador e sem treinar intensamente, mas não estou fora do gelo. Eu pedi um tempo para a minha confederação, a CBDG eo presidente Emilio Strapasson para rever algumas coisas e até mesmo uma mudança de cidade e de treinador. Eu levo uma vida típica de uma adolescente da minha idade, tenho muitos amigos, adoro ir ao cinema, adoro ler um bom livro, gosto de ouvir música, de dançar e de viajar.
Jornalista: Francisco Noriyuki Sato
Isadora Marie Williams
Isadora Marie Williams
Isadora com o visual “Memórias de uma Gueixa”
Inspiração em “Memórias de uma Gueixa”
Família Williams em casa
Preparativos para apresentação
Cuidando dos detalhes no cabelo
Apresentação em Zagreb 2012
Apresentando programa curto
Encerramento em Sochi
Todas as fotos postadas aqui são do arquivo da família da Isadora Williams e a publicação foi autorizada para este site. O vídeo é da apresentação de Isadora em Zagreb, em 2012, quando patinou sob a música do filme “Memórias de uma Gueixa”.
Para quem não assistiu “Memórias de uma Gueixa”, uma matéria bem completa está aqui.
Para quem quer saber mais sobre as gueixas, deve ler este texto em nosso site.