ago 012021
 

Imperial College of Engineering na foto de 1880

No início do Período Meiji, a prioridade do Japão era recuperar o atraso tecnológico em relação às potências ocidentais, que já haviam passado pela Revolução Industrial.

Koubudaigakkou, ou Imperial College of Engineering (ICE), foi a primeira faculdade de engenharia do Japão. Fundada como parte do Ministério das Obras Públicas do governo Meiji, teve a finalidade de acelerar a industrialização do Japão no modelo ocidental. O inglês Edmund Morel, engenheiro chefe do Departamento de Ferrovias daquele Ministério, atuou como consultor durante os estudos para a implantação da faculdade, que começou a funcionar efetivamente em 1873.

Com o falecimento precoce de Morel, em novembro de 1871, o trabalho de criação dessa instituição de ensino ficou a cargo do escocês Henry Dyer, de apenas 25 anos, recém-formado na Universidade de Glasgow. O jovem Dyer era prodígio e havia recebido prêmio no seu país, sendo então indicado para essa função por um professor para Yozo Yamao, ex-samurai que ocupava o posto de diretor da divisão de engenharia do governo. Yamao havia estudado em Londres e fez treinamento técnico numa empresa construtora de navios em Glasgow.

Ocupando o cargo de reitor, Dryer criou um curso acadêmico de seis anos e um curso prático de dois anos no Imperial College. O modelo utilizado foi o da The Royal Indian Engineering College, escola estabelecida na Inglaterra, que visava formar engenheiros para trabalhar no departamento de Obras Públicas da Índia (então sob domínio inglês). Essa escola ensinava, além das matérias ligadas à engenharia, geografia e história da Índia.

O Imperial College do Japão, abrangeu, dentro do curso de engenharia, áreas como construção civil, obras públicas, mineração, navegação, energia e comunicação. Os primeiros professores foram trazidos da Inglaterra e parte das aulas era realizada inteiramente em inglês. Dentre os alunos, havia os agraciados pela bolsa do governo enquanto outros pagavam para estudar. Havia a obrigação dos bolsistas de trabalharem pelo menos durante sete anos no governo após a sua formatura. Aqui se formaram os principais engenheiros e professores, que fizeram a modernização do Japão, substituindo os professores e técnicos estrangeiros.

Em 1886, a escola seria incorporada ao curso de Engenharia da Universidade de Tokyo, formando o departamento de Engenharia. Segundo o professor Hiroshi Kida, diretor geral da Dokkyo Gakuen, essa universidade foi a pioneira no mundo a ter um departamento exclusivo de Engenharia. Mais tarde, em 1890, a mesma universidade foi a primeira a ter um departamento de Agronomia.

Quanto a Henry Dryer, ele deixou o posto de reitor em 1882, recebeu uma homenagem especial do Imperador Meiji, e retornou à Escócia onde dirigiu duas faculdades, numa das quais ele se tornou presidente, permanecendo até o seu falecimento em 1918. Foi um grande admirador do Japão, sempre mantendo contato com os japoneses, e comprou e guardou objetos artísticos do Japão, os quais seriam doados depois por seus descendentes para duas bibliotecas públicas de seu país natal.

Se tiver interesse em saber mais, participe da série de palestras gratuitas (on-line) sobre o tema: Ensino no Japão:

22/08/2021 – “A História da Educação no Japão”, com o professor Francisco Noriyuki Sato, presidente da Abrademi, professor de História do Japão, e autor do livro História do Japão em Mangá.

29/08/2021 – “As Escolas Brasileiras no Japão”, com os professores Alexandre Funashima e Samuel Tachibana, da Escola Alegria de Saber, do Japão.

05/09/2021 – “A Educação Atual do Japão”, com a professora Sandra Terumi Suetsugu Kawabata, da Fundação Japão de São Paulo.

MAIORES INFORMAÇÕES

jul 262021
 

Esta cédula com a estampa da Umeko Tsuda estará em circulação em 2024

Poucos japoneses tiveram uma experiência incrível como a Umeko Tsuda, educadora, que vai figurar na nota de 5.000 ienes a partir de 2024.

Nascida na capital Edo, em 31/12/1864, Umeko era a segunda filha de Sen Tsuda, cristão, agrônomo e fervoroso apoiador da ocidentalização do Japão.

Pelos contatos do pai, Umeko participou da famosa Missão Iwakura, com apenas 6 anos de idade, sendo a mais jovem participante. O grupo, liderado pelo Embaixador Tomomi Iwakura, chegou a São Francisco, nos Estados Unidos, em janeiro de 1872, cumprindo um extenso programa de visitas por alguns estados americanos e seguiu depois para a Europa, de onde retornaria para Yokohama em setembro de 1873. A japonesa mais jovem do grupo, entretanto, permaneceu na capital Washington, onde estudou até completar 18 anos de idade, em 1882. O objetivo dessa missão era, entre outras prioridades, levar ao Japão informações sobre o sistema de ensino no Ocidente.

Tsuda foi morar na casa do casal Adeline e Charles Lanman, que era secretário da Embaixada do Japão em Washington. O casal não tinha filhos, por isso, a pequena Umeko se tornou quase que uma filha. Sendo muito estudiosa, a menina ganhou vários prêmios de mérito nas escolas. Era ótima em matemática, aprendeu a escrever bem em inglês, estudou latim e também francês, e ainda tocava muito bem o piano. O casal Lanman era da Igreja Episcopal e, depois de um ano nos Estados Unidos, Umeko foi batizada cristã. Ela retornou ao Japão com 18 anos de idade.

Umeko Tsuna na formatura da Bryn Mawr College em 1890

Logo, Umeko foi contratada pelo político Hirobumi Ito, que seria depois primeiro-ministro, como tutora de seus filhos, e além disso, começou a lecionar na escola Gakushuin, reservada para filhos da nobreza. Em 1888, Umeko resolveu retornar aos Estados Unidos para prosseguir seus estudos. Se matriculou na Bryn Mawr College, da Filadélfia, onde se formou em Biologia e Educação (a atriz Katharine Hepburn foi da turma de 1928 dessa faculdade), e depois estudou na St. Hilda’s College. Ministrando inúmeras palestras sobre a educação das mulheres no Japão, Tsuda conseguiu levantar um fundo com a intenção de criar oportunidades como a que ela teve para outras jovens japonesas. Retornando ao país, utilizou o fundo conseguido para enviar 25 estudantes japonesas para estudar nos Estados Unidos. Tsuda foi lecionar em duas universidades, promoveu campanhas pela fundação de novas escolas, publicou artigos e ministrou palestras, e com a ajuda de amigos, fundou a Escola Feminina de Inglês, reconhecida pelo governo em 1903, e que se tornou a atual Tsuda University em 1948.

Umeko Tsuda trabalhou muito e isso pode ter prejudicado sua saúde. Ela sofreu um acidente vascular cerebral em 1919, quando tinha 54 anos, vindo a falecer dez anos depois na cidade de Kamakura, província de Kanagawa.

Outro educador no dinheiro do Japão

A cédula de 10.000 ienes, em circulação desde 2004, traz a estampa de Yukichi Fukuzawa, outro grande educador japonês do período Meiji. Isso mostra quanto o Japão dá valor à educação.

Se tiver interesse em saber mais, participe da série de palestras gratuitas (on-line) sobre o tema: Ensino no Japão:

22/08/2021 – “A História da Educação no Japão”, com o professor Francisco Noriyuki Sato, presidente da Abrademi, professor de História do Japão, e autor do livro História do Japão em Mangá.

29/08/2021 – “As Escolas Brasileiras no Japão”, com os professores Alexandre Funashima e Samuel Tachibana, da Escola Alegria de Saber, do Japão.

05/09/2021 – “A Educação Atual do Japão”, com a professora Sandra Terumi Suetsugu Kawabata, da Fundação Japão de São Paulo.

MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE AS PALESTRAS

jun 282021
 

São duas aulas, que completam o Curso de História do Japão. A História de Okinawa é bem diferente da História do Japão, e possui tradições próprias e um passado de reino independente. Somente nos dias 04 e 11 de Julho de 2021 (domingo das 9 às 10h30).

Primeira aula – Dia 04/07/2021

Na primeira aula será abordada a sua origem enquanto reino, as disputas internas, o contato com a China e o comércio com o Sudeste Asiático, e a anexação ao Império do Japão em 1879. Na segunda aula, o assunto será Okinawa como uma província japonesa, a Segunda Guerra Mundial, sua ocupação pelos americanos, que durou até 1972, e a atualidade.

A taxa para participar de cada aula é de R$ 25,00. Para cada aula há uma apostila própria. O Sympla cobra uma taxa de 2,50 sobre o valor da aula. Inscrições pelo Sympla, clicando no “Inscreva-se” ao lado.

Segunda aula – Dia 11/07/2021

As aulas serão transmitidas utilizando-se o Zoom. Os alunos precisam instalar o Zoom no equipamento que vai utilizar para assistir as aulas (https://zoom.us/) , tanto no desktop, notebook, tablet ou celular. A aula terá o mesmo conteúdo da aula presencial e o professor responderá as perguntas dos alunos ao final de cada aula. Todos os inscritos poderão assistir a aula depois, pois receberão o link para acessar o vídeo da aula pelo YouTube além da apostila.

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016 e 2019.

A iniciativa é da Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) em conjunto com o departamento cultural da Associação Cultural e Assistencial Mie Kenjin do Brasil.

Para qualquer comunicação, utilize o endereço: abrademi@abrademi.com

jun 222021
 

A aula 18 do Curso de História do Japão aborda o período Reiwa e a atualidade do Japão. Os livros e os cursos de história não trazem esse assunto porque se desatualiza rapidamente, mas é importante para quem gosta da cultura japonesa conhecer os fatos mais recentes do Japão.

O objetivo é facilitar a compreensão da cultura japonesa através de explicações sobre o passado e o presente do Japão. Este curso segue o currículo do curso de história para universitários estrangeiros no Japão, e contém as atualizações mais recentes da reforma de ensino japonês.
O público alvo são as pessoas que apreciam ou têm curiosidade sobre o Japão, e aqueles que pretendem visitar o país no futuro, seja como turista, a negócios, para trabalhar ou como estudante, para que tenham maior proveito da oportunidade à partir do conhecimento de sua história.

O curso será realizado on-line.

As aulas que fazem parte do curso são as seguintes:
Programação (domingos – 9h às 10h30) – Local: On-Line
– 21 fev   – Aula 01 – Ocupação do arquipélago. Períodos Jomon, Yayoi e Kofun
– 28 fev   – Aula 02 – Períodos Asuka e Nara – A família imperial
– 07 mar – Aula 03 – Período Heian
– 14 mar – Aula 04 – Período Kamakura – A origem dos samurais
– 21 mar – Aula 05 – Período Muromachi – chegada dos portugueses
– 28 mar – Aula 06 – Período Sengoku – guerra civil
– 11 abr  – Aula 07 – Período Edo 1 – isolamento do Japão
– 18 abr  – Aula 08 – Período Edo 2 – formação da cidade de Edo
– 25 abr  – Aula 09 – Período Edo 3 – pressão do Ocidente
– 02 mai – Aula 10 – Período Edo 4 – turbulência na queda de Tokugawa
– 09 mai – Aula 11 – Período Meiji 1 – governo em torno do Imperador
– 16 mai – Aula 12 – Período Meiji 2 – modernização e reformas
– 23 mai – Aula 13 – Período Taisho
– 30 mai – Aula 14 – Período Showa antes da Segunda Guerra
 06 jun  – Aula 15 – Segunda Guerra Mundial
– 13 jun  – Aula 16 – Período Showa final – reconstrução e crescimento
– 20 jun  – Aula 17 – Era Heisei
– 27 jun  – Aula 18 – Era Reiwa e atualidades
– 04 jul   – Aula 19 – História de Okinawa – Enquanto era o reino de Ryukyu
– 11 jul   – Aula 20 – História de Okinawa – Após se tornar uma província japonesa até hoje

A taxa para participar da aula é de R$ 25,00. Esta inscrição é somente para a aula 18. Será necessário fazer uma inscrição para cada aula e para cada aula há uma apostila própria. O Sympla cobra uma taxa de 2,50 sobre o valor da aula. Poderá ser pago com cartão de crédito (boleto só com 1 semana de antecedência). Para se inscrever, é preciso clicar no sinal de (+) antes de clicar em “realizar inscrição”.

Esse curso, com algumas diferenças na distribuição do conteúdo, foi realizado em 2017 na Associação Cultural Mie para mais de 200 alunos em todas as aulas. Foi repetido em 2018 e 2019 alcançando também grande sucesso e sofreu algumas atualizações em 2020. Agora, por causa da pandemia, o curso está no formato on-line e são aulas mais curtas e o dobro da quantidade de aulas.

As aulas serão transmitidas utilizando-se o Zoom. Os alunos precisam instalar o Zoom no equipamento que vai utilizar para assistir as aulas (https://zoom.us/) , tanto no desktop, notebook, tablet ou celular. A aula terá o mesmo conteúdo da aula presencial e o professor responderá as perguntas dos alunos ao final de cada aula. Todos os inscritos poderão assistir a aula depois, pois receberão uma apostila e o link para acessar o vídeo da aula pelo YouTube.

Veja como é uma aula online:

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016 e 2019.

A iniciativa é da Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) em conjunto com o departamento cultural da Associação Cultural e Assistencial Mie Kenjin do Brasil.

Para qualquer comunicação, utilize o endereço: abrademi@abrademi.com

jun 112021
 

Devastado pela Segunda Guerra Mundial, o Japão experimentou, à partir dos anos 60, um grande crescimento econômico. Suas empresas, principalmente as indústrias automobilísticas e eletrônicas, se tornaram grandes exportadoras, impactando na economia de outros países. Muitas dessas indústrias decidem instalar filiais no exterior, para gerar empregos nesses locais e estar mais próximo dos consumidores.

Foi o caso da Sony, a primeira empresa japonesa a negociar suas ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque, e a primeira a montar uma fábrica nos Estados Unidos. Na palestra, Masayoshi (Mike) Morimoto explica, do ponto de vista de um ex-executivo à frente da Sony, como foi esse período que ficou conhecido como de “Milagre Econômico Japonês”.

Inscrição gratuita pelo Sympla e transmissão pelo Zoom:


>> ATENÇÃO: Não haverá emissão do Certificado de participação neste evento. 

Masayoshi Morimoto – Natural de Osaka, formou-se em Direito na Universidade de Tóquio, ingressou na Sony no Japão, fez pós-graduação em Administração na Universidade de Columbia, e trabalhou por 15 anos na Sony nos Estados Unidos, desde a instalação da primeira fábrica, onde foi depois presidente da Sony Manufacturing Co. America . Trabalhou 10 anos na Sony do Brasil como presidente, e retornando ao Japão, foi vice-presidente executivo sênior da Sony Corporation. Foi presidente da Aiwa Corporation (grupo Sony) e presidente da Benesse Corporation, que atua nas áreas de educação e editora.