out 202016
 

20150613_YUI_SP (11)Depois do enorme sucesso no ano passado, o grupo YUI – Trio de Instrumentos Tradicionais do Japão volta ao Brasil para duas únicas apresentações. O primeiro show acontece em Salvador, em 27 de outubro, seguindo para São Paulo, em 30 de outubro.

O trio é formado por Chie Hanawa (tsugaru shamisen), Ko Kakinokihara (koto) e Yoshimi Tsujimoto (shakuhachi) e apresenta em seu repertório músicas tradicionais japonesas e algumas peças originais do trio, destacando a harmonia e sonoridade e as novas possibilidades de sons dos três instrumentos tradicionais japoneses.

20150613_YUI_SP (16)wagakki_yui_02TRIO YUI

Formado por três musicistas graduadas pelo Curso de Música Tradicional Japonesa do Departamento de Música da Universidade de Belas Artes de Tóquio, o trio foi aclamado logo em sua primeira apresentação, em Quioto, em outubro de 2009. No ano seguinte, as jovens criaram uma obra original, que se tornou música tema para promover o “TBS Akasaka Sacas”, um grandioso empreendimento comercial em Tóquio.

Sua discografia traz o primeiro álbum, Hajimari no oto (O som do início), e Tada, kimi ni (Apenas, para você). Hoje em dia, o Yui atua principalmente em Tóquio.

Veja a matéria da viagem anterior do grupo no Brasil e uma entrevista exclusiva:
http://www.culturajaponesa.com.br/?p=5594

SALVADOR
Data e horário: 27 de outubro de 2016 (quinta) às 20h
Local: Cine Teatro SESC Casa do Comércio (546 lugares) – Av. Tancredo Neves, 1109 – Pituba
Duração: 90 minutos – Classificação: livre
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) | R$ 5,00 (meia)
Ingressos a venda na bilheteria do Sesc e também pelo site www.compreingressos.com
SÃO PAULO
Data e horário: 30 de outubro de 2016 (domingo) às 16h
Local: Teatro FECAP (400 lugares) Av. Liberdade, 532 – Liberdade
Duração: 90 minutos – Classificação: livre
ENTRADA FRANCA – Retirar os ingressos na entrada do Teatro FECAP duas hora antes do início do espetáculo. Máximo de 2 ingressos por pessoa, sujeito à lotação do espaço.
jun 302016
 

Tokyo_Olympics_1964_Web_4751Desde que o Japão sediou pela primeira vez os Jogos Olímpicos, em 1964, o país  está prestes a viver um novo marco em sua história. Em 2020, será a sede dos Jogos Olímpicos pela segunda vez.

Para celebrar esta trajetória, relembrar grandes artistas em atuação na década de 60, e comemorar a próxima edição no país, que acontecerá em 2020, a Fundação Japão promove três eventos muito especiais.

A Emergência do Contemporâneo: a Vanguarda no Japão, 1950 – 1970

Inédita no país, a exposição de arte de vanguarda japonesa traz 70 obras produzidas ao longo de 20 anos por artistas como Kazuo Shiraga, Sadamasa Motonaga, Atsuko Tanaka, Genpei Akasegawa, Jiro Takamatsu, Natsuyuki Nakanishi, Arata Isozaki, Yoko Ono, Yutaka Matsuzawa e Kishio Suga. É interessante porque o Japão produziu vários movimentos artísticos na década de 50, dando espaço para artistas como Atsuko Tanaka, cujos trabalhos podem ser vistos no Ashiya Art Museum, em Hyogo.

De 14 de julho a 28 de agosto, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, obras do pós-guerra ao auge da economia japonesa estarão expostas baseadas em temas como “Política da Abstração”, “Intervenção Urbana” e “Arte e Engajamento Social”. Algumas delas, inclusive, foram exclusivamente produzidas para esta exposição.

Mostra de Cinema Japonês – Especial Ko Nakahira

Pela primeira vez no Brasil, a mostra de longas-metragens de Ko Nakahira estará em cartaz de 27 de julho a 1 de agosto, no Centro Cultural Banco do Brasil. Um dos principais cineastas atuantes no período dos Jogos Olímpicos de 1964, destaca-se pelo andamento dinâmico e técnicas cinematográficas diversas. Na mostra, oito obras apresentarão o variado universo de Nakahira, incluindo temática juvenil, ação, comédia, suspense e filme de arte.

Concerto POP: Olha pro Céu – Look at the Sky

Dias 29 e 30 de julho, no VIVO Rio, a produção conjunta Brasil-Japão traz uma apresentação de união dos dois países, com a participação de grandes nomes da música japonesa e brasileira. O ponto alto será a apresentação de SUKIYAKI – ue wo muite arukou”, a canção japonesa que conquistou o mundo em 1964. Este momento reunirá, no palco, os artistas japoneses e brasileiros cantando em japonês, inglês e português. Participam do show Vanessa da Mata, Tokyo Ska Paradise Orchestra e Marcia, além do convidado especial Emicida.

Exposição:  A Emergência do Contemporâneo: a Vanguarda no Japão, 1950 – 1970

De 14 de julho a 28 de agosto de 2016

Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, 48 – Centro – Entrada Franca

Realização: Fundação Japão | Paço Imperial | IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional | Ministério da Cultura. Apoio especial: Ishibashi Foundation. Apoio: Lufthansa Cargo AG | Amigos do Paço | Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro | Prefeitura do Rio de Janeiro

Cinema – Mostra de Cinema Japonês – Especial Ko Nakahira

De 27 de julho a 1 de agosto de 2016

Entrada franca (retirada de ingressos 1 hora antes de cada sessão. Limite de 2 ingressos por pessoa.)

Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Realização: Fundação Japão. Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil | Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro | Prefeitura do Rio de Janeiro | Ministério da Cultura

Música – Concerto POP: Olha pro Céu – Look at the Sky

29 e 30 de julho de 2016, às 20h30 (abertura da casa para o público às 19:30)

Ingressos à venda: www.vivorio.com.br ou na bilheteria do Vivo Rio

Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo

Realização: Fundação Japão, Produção: Sony Music do Brasil. Apoio : Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro |Prefeitura do Rio de Janeiro

jun 232015
 

O 50º Gueinosai, Festival de Música e Dança Folclórica Japonesa, foi realizado nos dias 20 e 21 de junho de 2015, no Grande Auditório da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Trata-se do maior encontro entre os praticantes dessas artes no Brasil, e por isso é muito respeitado.  A programação é composta de várias modalidades, como “kayo buyo” – dança tradicional com música popular, “minyo” – música folclórica, “buyo kouta” – dança com música de ozashiki, “nagauta” – canto tradicional, “ryukyu buyo” – dança de Okinawa,  mas há também “shibu” – dança dos samurais, “wadaiko” – tambores, “hougaku” – música clássica japonesa e “minbu” – dança folclórica.

As fotos são de sábado. As fotos desta matéria podem ser utilizadas, mas é obrigatória a colocação de link ou a citação da fonte: www.culturajaponesa.com.br
Obs. A presença do “karaokê” como modalidade é estranha, quando se canta música comum e sem usar trajes típicos. Porém, há que reconhecer que os cantores selecionados são ótimos. Há também uma modalidade chamada “youbu” – que pode ser traduzida como danças do Ocidente, mas é estranho assistir a uma dança de tango num evento de cultura japonesa. Mesmo assim, é importante manter esse evento tradicional da coletividade nipo-brasileira. É fundamental que a comunidade assista e incentive esses dedicados artistas, alguns dos quais jovens e crianças, para que essas artes tenham continuidade. Parabéns aos organizadores e patrocinadores.

 

jun 192015
 

Com o último show no dia 20 de Junho, sábado, no 4º Festival do Japão de Brasília, o grupo “Yui” se despede do Brasil. O trio veio a convite da Fundação Japão, como um dos shows comemorativos do 120º aniversário do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e 0 Japão.

Tocando instrumentos tradicionais do Japão, Chie Hanawa (Tsugaru Shamisen), Ko Kakinokihara (Koto) e Yoshimi Tsujimoto (Shakuhachi) deram um belo show e incluiram na programação a explicação dos instrumentos e o som de cada um, sabendo que tais equipamentos são raros no Ocidente. Assim, o som típico do Japão pôde ser conhecido, assim como as tradicionais músicas, como “Tsugaru Jonkara Bushi”, “Sakura Sakura”, “Hanagasa Ondo”, “Tokyo Ondo” e “Soran Bushi”. O repertório incluiu uma música composta por Chie Hanawa, “Experience” onde o shamisen se transforma numa guitarra. A música fez parte do comercial do Sony Xperia. A surpresa foram as duas músicas brasileiras no repertório: “Brasileirinho” e “Tico-tico no Fubá”, que foram muito bem executadas. O show contou com a participação especial do brasileiro Shen Kyomei, com shakuhachi,  na música “Koujou no Tsuki”, composta por Rentaro Taki em 1901. Todos os quatro se formaram na mesma Tokyo University of the Arts. Em São Paulo, na apresentação feita na Sala Adoniram Barbosa do Centro Cultural São Paulo, faltou lugar para todos os interessados e o grupo foi aplaudido em pé.

Ao final da apresentação, o trio ainda teve fôlego para enfrentar os jornalistas.  Algumas perguntas feitas na ocasião:

Como surgiu a oportunidade de montar o trio “Yui”?

Chie Hanawa: Nós três estudamos na mesma universidade, e são poucos os que se destacam tocando instrumentos tradicionais. Assim nos conhecíamos e, mantendo os nossos afazeres com outros grupos e como artistas solo, resolvemos formar o “Yui”.

Soube que começaram muito cedo. O que as levou a se interessarem por esses instrumentos?

Chie Hanawa: O meu avô tocava “shamisen” por hobby e eu disse que queria aprender. Ele tocava um outro tipo de “shamisen” e aconselhou-me a aprender o “tsugaru shamisen”, que seria mais adequado para jovens. Eu comecei com 9 anos de idade.

Ko Kakinokihara: Eu comecei com 5 anos de idade. Na minha família ninguém tocava “koto”, mas eu assisti a um “taiga dorama” (novela de época) da TV NHK e uma personagem tocava “koto”. Me interessei e disse que queria aprender, e não parei mais.

Yoshimi Tsujimoto: Eu comecei a tocar “shakuhachi” muito mais tarde, aos 16 anos. Resolvi aprender a tocá-lo.

O que viram no Brasil até agora?

Chie: Foi impressionante conhecer a Amazônia. Fizemos um passeio de barco pelo Rio Amazonas e não fazia idéia de que o rio fosse tão grande.

Yoshimi: Vimos a pesca de piranhas!

Ko: No meu caso, eu tinha um objetivo bem particular nesta primeira viagem ao Brasil. É que a minha avó materna é brasileira. Filha de imigrantes japoneses, ela nasceu no Brasil, gostava muito e falava bem do Brasil. Não sei exatamente quando a família veio para o Brasil, mas a minha avó tinha 20 anos quando retornou ao Japão, pegando o último navio para o Japão antes da Segunda Guerra Mundial. Ela disse que foi uma viagem longa e complicada, pois não pôde seguir a rota normal por causa do conflito. Eu trouxe algumas lembranças da minha avó na viagem. Uma delas é uma foto onde ela aparece com a família na frente do Monumento de D. Pedro, no Museu do Ipiranga. Fomos lá, e com a ajuda do grupo e de outras pessoas, conseguimos tirar uma foto muito parecida. Foi um acontecimento emocionante.

Quando treinaram as duas músicas brasileiras no estilo Chorinho?

Todas: Nós ouvimos as músicas pela primeira vez em janeiro deste ano, e treinamos juntas apenas em maio. Essas músicas são difíceis, o compasso é outro, muito rápido e tudo é diferente, mas deu certo.

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jun 072015
 

Existem músicas de ninar, compostas para os bebês dormirem, e músicas cantadas por quem tomava conta dos bebês, ou seja, pelas babás. Esse é o caso dessa muito bem composta e triste música. “Itsuki no Komoriuta” 「五木の子守唄」

(1)おどま盆ぎり盆ぎり
盆から先ゃおらんと
盆がはよくりゃはよもどる

(2)おどまかんじんかんじん
あん人たちゃよか衆
よか衆よか帯 よか着物

(3)おどんがうっ死んだちゅうて
誰が泣てくりゅうか
うらの松山蝉が鳴く

(4)おどんがうっ死んだら
道ばちゃいけろ
通る人ごち花あぎゅう

(5)花はなんの花
つんつん椿
水は天からもらい水

Explicação do conteúdo:

Itsuki é um vilarejo da província de Kumamoto e a música é cantada no antigo dialeto local. A história começa muito tempo atrás. Em 1185, a família Taira é derrotada numa guerra contra o clã Minamoto. A família derrotada se retira para Gokanoshou (hoje cidade de Yatsushiro), na província de Kumamoto, mas os Minamoto, desconfiados, mandam famílias de samurai se mudarem para a cidade vizinha de Itsuki, com a finalidade de observarem os movimentos do antigo adversário. Essas famílias de samurais eram proprietárias de terras e eram ricas, mas havia pobres que se dedicavam a trabalhos de todo o tipo servindo aos ricos. Conta-se que as meninas de 10 anos já trabalhavam como babás nessas casas.

O termo “odon”, significa “eu”. Na primeira estrófe, ela fala que o trabalho dela acaba no festival dos finados (Obon), e se o Obon vier logo, ela poderá retornar para sua casa mais cedo. Certamente, não se trata de um retorno de férias, mas um retorno definitivo.

Na segunda estrófe, ela fala que é “kanjin kanjin”, repetindo que é “pobre e pobre”, e compara com as “outras pessoas” que nasceram em família rica, que vestem o “obi” e o “quimono” de boa qualidade.

Na terceira estrófe, ela fala que ninguém chorará se ela morrer. Só chorará a cigarra (semi) na montanha de trás.

Na quarta estrofe, ela reforça a ideia depressiva desse momento. “Se eu morrer, me enterre na beira da estrada e darei flores para as pessoas que por lá passarem”.

Na quinta estrofe, ela pergunta “Flor? Qual flor?”. A resposta é “tsuntsun tsubaki”, “tsubaki” é camélia, uma flor muito comum no Japão. E não precisa dar água, pois o céu se encarregará disso.

Existem outras versões dessa mesma música, que ficou perdida por muito tempo até ser descoberta em 1935. “Itsuki no Komori Utá” passou a ser muito conhecida na década de 1950, quando vários cantores gravaram sua versão, tornando-se um hit popular.

A versão do video que postamos é cantada pela atriz e cantora Yoshiko Yamaguchi, que nasceu na atual Taiwan, numa família japonesa. Ela era atriz e cantora desde antes da Segunda Guerra Mundial, atuando no Japão e na China. Ao final da guerra, Yoshiko estava em Xangai (hoje RPC), sendo acusada como traidora da China. Conseguindo provar que ela era mesmo uma japonesa, foi expulsa do país e foi morar no Japão. Após essa fase, ela continuou o seu trabalho, tendo atuado com o nome artístico de Lee Hsiang Lan em Hong Kong, e de Shirley Yamaguchi nos Estados Unidos. Yoshiko Yamaguchi faleceu em 7/9/2014, em Tóquio, aos 94 anos de idade.