ago 312019
 

A Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai realiza, anualmente, uma convenção reunindo os japoneses e descendentes do mundo inteiro. A primeira delas foi realizada em 1957. Este ano, que é a 60ª, será realizada nos dias 1º, 2 e 3 de outubro de 2019, em Tóquio, com previsão de participação de 20 países, dentre os quais representantes do Brasil.

Tema

Nova Era do Japão “Reiwa”e a Sociedade Nikkei como a Ponte de Internacionalização

Participantes

20 países, com a previsão de aproximadamente 200 pessoas

Programa
【1º DIA – 1 de Outubro (terça-feira)】
Local: Kensei Kinenkan
Horário:
13:30~15:00 Registro dos participantes
15:30~17:00 Cerimônia Memorial, Apresentação dos Países Participantes
Conferência Principal 
Prof. Angelo Ishii, Universidade de Musashi 
17:30~19:00 Recepção de Confraternização

【2º DIA – 2 de Outubro (quarta-feira)】
*Escolher entre a Programação A ou B

Programação A: Simpósio Internacional (Painel de Discussão)
Local: JICA Ichigaya
Horário: 10:00~17:30
Parte 1: Sessão Especial:”Experiência de 30 anos dos Nikkeis no Japão – Olhando a Internacionalização Interna da Sociedade Japonesa”
Parte 2: Museus (arquivos) Nikkei
Parte 3: Cooperação com a sociedade Nikkei
(Negócios, Cultura, Revitalização Regional)

Programação BExcursão Oficial (PDF)
※Inscrição fechada.
Local de Encontro: – Hotel Monterey Hanzomon
– Kensei Kinenkan (Nagata-cho)
Horário: 8:50~16:30
Roteiro: Koedo Kawagoe – cidade histórica preservando a cultura e atmosfera da antiga Edo, outros

Programação A e B
Local: Iikura Koukan
Horário: 18:30~19:30
Recepção de Boas vindas oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão

【3º DIA – 3 de Outubro (quinta-feita)】
Local: Kensei Kinenkan
Horário: 
10:00~10:45 Opinião dos Nikkeis “”Reiwa”Nova Era do Japão e a Sociedade Nikkei” (5 minutos de discurso) 
10:45~11:25 Concurso de Oratória dos Nikkeis do Japão
11:25~11:40 Adoção da Declaração de Proposta
12:00~13:00 Almoço com a cortesia do Presidente da Câmara dos Representantes dos conselheiros e dos Vereadores

【Evento Relacionado – 29 de Setembro (domingo)】
Local: HIT STUDIO TOKYO
Horário: 14:00~16:30 Festival do Karaoke

※Poderá haver alteração do programa de acordo com as circunstâncias.

Inscrições e detalhes: http://www.jadesas.or.jp/pt/taikai/60th.html

A origem da Convenção

Durante a Segunda Guerra Mundial, 120 mil japoneses e nikkeis da segunda geração, que viviam nas respectivas localidades dos Estados Unidos, foram alojados em campos de concentração americanos. Tendo conhecimento desta situação, o Japão enviou por meio da Cruz Vermelha, missô, shoyu, livros japoneses, entre outros artigos para este campo americano. Em setembro de 1945, no meio da confusão após a derrota do Japão, vendo a situação difícil que a população japonesa passava, sofrendo com a falta de alimentos e outros itens essenciais para o dia-a-dia, eles enviaram desde 1946 a 1952 suprimentos de ajuda denominados LARA, com alimentos como leite em pó e vestimentas para sua pátria, como sinal de agradecimento pelos artigos enviados aos campos de concentração nos Estados Unidos.

LARA é o nome da organização de apoio na Ásia que foi estabelecida, centrada em uma entidade cristã e União dos Trabalhadores, sendo a abreviação de Licensed Agencies for Relief in Asia (Agências Licenciadas para Apoio na Ásia). A contribuição através do envio de suprimentos LARA, correspondeu ao equivalente a mais de 40 bilhões de ienes na época, em 1952. Dentre eles, cerca de 20% ou 8 bilhões de ienes de todos os suprimentos de ajuda, foram contribuições feitas pela comunidade nikkei do exterior. Ela iniciou suas atividades com a autorização do Comitê de Controle de Ajuda de Washington em junho de 1946. E assim, não apenas nos Estados Unidos, mas também no Canadá, México, Brasil, Argentina e outros países, passaram a se criar organizações nikkeis para ajudar o Japão, tendo suas atividades intermediadas pela Cruz Vermelha de seus respectivos países. No final de 1956, com a adesão do Japão ao quadro das Nações Unidas, em gratidão ao caloroso compatriotismo apresentado pelos nikkeis por meio do envio dos suprimentos de ajuda, os parlamentares japoneses juntamente com outras entidades, decidiram realizar em Tóquio, a Confraternização dos Nikkeis do Exterior alusiva à adesão do Japão ao quadro das Nações Unidas (1ª Convenção) em maio de 1957.

A partir da segunda convenção em 1960, ela passou a ser denominada Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior, e vem sendo realizada anualmente a partir da terceira convenção, realizada em 1962.

maio 132019
 


Mayu Miyazaki guardou as bagagens e se acomodou na apertada poltrona do Boeing da Qatar, em Narita, com destino a São Paulo. Olhou para cima e viu outros passageiros, todos desconhecidos, assentando suas bolsas, mochilas e sacolas. Cada passageiro tinha sua história, é claro, e o dia do embarque deve ter sido corrido para a maioria, mas esse dia 10 de abril tinha sido muito longo para essa menina de apenas 16 anos de idade.

No momento do famoso discurso

Há apenas algumas horas ela estava deixando o centro do palco do grande salão do Kokuritsu Gekijô (Teatro Nacional), de Tóquio, sob uma salva de calorosos aplausos, com um público de mais de 1800 pessoas, formado por deputados, professores e grandes empresários do país. Ela, uma brasileira, trineta de japoneses (5ª geração – gosei) por parte da mãe, e neta (3ª geração – sansei) por parte do pai, discursou naquele ambiente solene, para todo o Japão. Era a Cerimônia de Celebração pelos 30 anos de Entronização do Imperador Akihito, na verdade, um evento de despedida e homenagem ao casal imperial, que em 20 dias deixaria o trono para o príncipe Naruhito.

Mayu foi a última a ser chamada para discursar, aumentando o nervosismo da espera. Antes dela, oito pessoas discursaram, todos homens, e nenhum deles era jovem ou inexperiente. Pelo contrário, eram destacados formadores de opinião, como o professor Shinya Yamanaka, prêmio Nobel de Medicina, e o ator e diretor de cinema Takeshi Kitano. O primeiro-ministro Shinzo Abe e o Hiroaki Nakanishi, presidente da poderosa Federação Econômica (Keidanren) também falaram antes dela.

É certo que todos os convidados desfilaram belos discursos, mas a Mayu foi a única pessoa a falar sem levar o texto escrito. Na escola em São Paulo, ela teve a chance de praticar a oratória em japonês, mas nunca falou para um público tão grande e nunca se preparou para falar durante cinco minutos. E se o público esperava um discurso cheio de palavras e entonações erradas, ficou muito surpreso com a perfeição da dicção e a escolha cuidadosa das palavras. Foi um discurso impecável, e ao contrário dos discursos mornos que jovens japoneses costumam fazer, ela conseguiu transmitir emoção, talvez uma manifestação do seu lado brasileiro. Representando a comunidade japonesa de fora do país, ela disse que seus antepassados trabalharam duro, mas nunca puderam retornar ao Japão e presenciaram situações tristes em sua vida no Brasil. Mas graças a eles, ela pôde ter uma vida melhor e estudar. Lembrando a visita que fez ao casal de imperadores, ela disse: “Se os meus antepassados tivessem tido a oportunidade de falar com o casal imperial certamente se encheriam de lágrimas de felicidade. As mãos quentes da imperatriz e o olhar gentil do imperador nos deram coragem e força”. Ao final de suas palavras, ela diz “Eu sou brasileira e amo o Brasil, mas o Japão está dentro de mim”.

A apresentadora de TV e jornalista internacional, Kaori Arimoto, assistiu à Cerimônia e se emocionou com o discurso de Mayu. Ela conseguiu autorização junto ao comitê organizador do evento para exibir a apresentação da brasileira no seu programa Toranomon News, e lamentou que nenhuma outra emissora tenha exibido esse trecho do evento, que ela considerou o mais valioso daquele dia.

Depois de mais de 30 horas de viagem, foram apenas quatro dias no Japão, o que é muito cansativo, mas Mayu sabia que tinha mesmo valido a pena. Na viagem de volta, ela sentiu principalmente o alívio por ter cumprido a maior missão de sua vida: representar o Brasil, a comunidade nikkei e a comunidade brasileira que vive no Japão.

Tudo começou muito antes

Mayu na formatura do curso de japonês

Apesar do convite para a participação da Mayu Miyazaki naquele memorável evento tenha chegado no mês de março, tudo começou muito tempo atrás. Atual estudante do 3º ano do Colégio Etapa, ela estudou no Colégio Oshiman e estuda o idioma japonês na Escola Shokaku, do mesmo grupo. O colégio Oshiman realiza uma excursão a cada dois anos para o Japão, sempre no final do ano. Mayu fez parte do último grupo, que viajou em dezembro de 2018. Antes disso, a professora pediu para que a Mayu escrevesse uma mensagem ao casal imperial para mandar para o Japão. A jovem estava no período de férias e confessou que estava com preguiça, mas acabou escrevendo uma mensagem de felicitações pelo ano novo, avisando que iria integrar o grupo de 32 alunos da escola que visitaria o Palácio Imperial, e que gostaria de se encontrar com o casal. Ela levou o texto para a escola e a professora corrigiu. Voltou e reescreveu por cinco vezes e depois passou a limpo, caprichando bem nas letras.  A carta foi lida pelo Imperador, e no dia dois de janeiro deste ano, o grupo foi recepcionado pelo próprio casal imperial, o que só havia acontecido uma única vez em 22 visitas feitas em 44 anos pela escola. 27 mil pessoas estavam no jardim do Palácio Imperial para ver de longe o breve discurso e aceno do imperador. E o grupo do Oshiman foi convidado a entrar no salão do Palácio. Durante essa visita, a imperatriz Michiko chamou a Mayu Miyazaki pelo nome e fez questão de falar com ela. “Na hora eu estava muito nervosa, não sabia que seria chamada pela imperatriz, e só consegui agradecer”, explica a estudante.

A imperatriz Michiko comentou que “no idioma japonês o kanji é difícil e as palavras também são difíceis, mas deve se esforçar para aprendê-los. E agradeça a seus pais e seus antepassados por esse aprendizado”. Já o imperador Akihito falou “Espero que seus sonhos se realizem. Soube que quer ser uma médica”. “Foi muita emoção. Percebi que o imperador e a imperatriz são pessoas muito generosas. Todo o mundo estava chorando no final, tal a emoção em poder encontrar com eles”, conta Mayu.

Como resultado desse encontro, a Mayu recebeu depois um convite para participar da Cerimônia de Celebração pelos 30 anos de Entronização do Imperador Akihito. A professora Mayumi Kawamura Madueño Silva chefiou a delegação da Oshiman e também  acompanhou a Mayu na Cerimônia de Celebração.

Durante um campeonato de Kendô representando a província de Mie com o irmão Shogo.

O caminho para a fluência no idioma

“Tudo o que você planta você colhe, um dia terá retorno. Eu acho que todos os jovens precisam estudar”, disse Mayu numa entrevista ao vivo no canal Afrodeks TV de Leandro Neves dos Santos, quando ele pediu uma mensagem aos jovens brasileiros que trabalham no Japão.

De fato, conforme explica o pai, Carlos Yukito Miyazaki, estudar tem sido uma rotina na vida, não só da Mayu, mas de toda a família Miyazaki. Carlos e Márcia, os pais, são ambos descendentes de originários da província de Kumamoto e ex-bolsistas da JICA – Japan International Cooperation Agency, da turma de 1996~1998. Carlos havia sido bolsista também em 1991, e a Márcia acaba de retornar da bolsa de curta duração de revitalização através da culinária na comunidade nikkei, também da JICA.

Presbítero da Igreja Evangélica Holiness, Carlos conta que o casal assistiu a uma palestra onde se ressaltava a importância das pessoas serem bilíngues. Resolveram ser radicais para aplicar esse conceito. Em casa, passaram a se falar somente em japonês. A Mayu tinha então três anos de idade. “A primeira providência foi colocar os filhos no yochien (jardim da infância) do Colégio Itatiaia, e pedimos que eles ficassem junto com as crianças japonesas, filhos de expatriados. Em poucos meses ela ficou fluente. Depois mantivemos o hábito de somente assistir TV japonesa (animês, novelas, etc). Essa regra foi mantida até a Mayu completar dez anos”, comenta Carlos.  “Fizemos questão que ela estudasse japonês seguindo os livros utilizados nas escolas japonesas”, completa o pai, demonstrando a dedicação para que seus filhos, Mayu (16 anos), Shogo (15) e Aya (13) ficassem fluentes em japonês. No caso da Mayu, o seu êxito precisa ser dividido com uma grande figura, a professora Marico Kawamura, hoje com 91 anos de idade. Desde o início, essa fundadora do Colégio Oshiman acreditou no potencial da Mayu e fez questão de dar aulas de japonês pessoalmente, nos últimos seis ou sete anos, ensinando os detalhes de cada ideograma e seus significados nos poemas clássicos.

Fora isso, a família frequenta a igreja onde a maioria é nikkei. A Mayu treina kendô na Associação Cultural Mie Kenjin do Brasil, onde conseguiu o segundo “dan”. E, pela Associação Mie, ajuda todos os anos no estande de alimentação do Festival do Japão.

Com toda essa ligação com a comunidade nikkei, Mayu pensa em fazer o curso superior no Japão, ou mesmo a pós-graduação, e pretende trabalhar como médica no Brasil e no Japão. Vamos torcer para que os sonhos dela se concretizem. Capacidade e torcida ela têm.

Francisco Noriyuki Sato

Jornalista e editor, professor de História do Japão.

fev 162019
 

São duas palestras seguidas de um debate. O objetivo é transmitir os principais valores da cultura japonesa, dentro de seu contexto histórico, e como se mantém ainda hoje. Respeito ao próximo, cooperação mútua, preservação da tradição, evitar o desperdício, honestidade e gratidão são alguns dos aspectos a serem discutidos no evento.

Data: 21 de abril de 2019 – (domingo) Das 9 às 12h30. Local: Associação Cultural Mie – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – Estação metrô Vila Mariana

A programação será composta por:

– Palestra “Cultura Japonesa: Os Valores Essenciais“, com o professor Yuho Morokawa.

– Palestra “Os Valores Transmitidos pelos Imigrantes no Brasil“, com o professor Francisco Noriyuki Sato.

– Projeção de vídeos e debate aberto ao público.

ATENÇÃO: O ingresso é gratuito, mas pede-se que se faça doação de produtos de higiene pessoal (shampoo, condicionador, loção para o corpo, creme dental, por exemplo), em qualquer quantidade, que serão entregues à Sociedade Beneficente Casa da Esperança “Kibô-no-Iê”, entidade filantrópica de amparo à pessoa com deficiência intelectual, cujo trabalho poderá ser conferido no link: http://www.kibonoie.org.br/aspx/home.aspx

As entidades organizadoras e os palestrantes não receberão nenhuma remuneração. As despesas do evento serão custeadas com a venda de livros. Os livros à venda estão neste link: http://www.abrademi.com/index.php/livros-a-venda/

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Yuho Morokawa é autor do livro “Os Japoneses e Seus Legados”. Natural de Pirajuí, cresceu na Primeira Aliança, município de Mirandópolis, e foi morar em Uraí e Londrina. Formado pela PUC em administração de empresas, foi contemplado com uma bolsa de estudos do Ministério da Agricultura do Japão, para estágio de um ano. Foi também bolsista da 4-H Foundation dos Estados Unidos. Trabalhou por 11 anos no 4-H Clube do Brasil, entidade educacional voltada aos jovens rurais. Foi gerente administrativo da Panasonic do Brasil por 16 anos e relações públicas da H. Stern Joalheiros por nove anos. Foi diretor do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, e é atual vice-presidente do Centro Brasileiro de Língua Japonesa.

Francisco Noriyuki Sato é jornalista e editor formado pela Universidade de São Paulo. Foi assessor de comunicação da Cooperativa Agrícola de Cotia e da Jetro – Japan External Trade Organization. Um dos fundadores da Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, é autor dos livros História do Japão em Mangá e Banzai História da Imigração Japonesa em Mangá. Foi bolsista da Jica em 2014 na Universidade de Kanazawa e ministrou palestras em universidades e museus no Japão em 2016. Ministra o Curso de História do Japão desde 2017 e edita livros de história.

Promoção: Abrademi, Associação Nippon Kaigi do Brasil e Associação Cultural Mie

Apoio Institucional: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

jun 202018
 

O Jardim Japonês foi totalmente reformado e se encontra à disposição dos visitantes. Trata-se de um local público e todos, sendo estudantes ou não, podem visitá-lo. Apenas, para evitar vândalos, a Universidade instalou uma guarita e assim há um controle na entrada. Lá dentro, uma bela paisagem japonesa recepciona os visitantes num espaço de cinco mil metros quadrados.

O jardim foi levantado pelos imigrantes japoneses e tem a ver com a Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflito, os japoneses no Brasil continuavam tendo dificuldades de adaptação e integração local, principalmente por causa das leis de restrição impostas pelo governo até o final da guerra e que ainda repercutiam dentro da sociedade brasileira em forma de preconceito. A questão chegou até o Congresso Nacional na época em que o presidente da Cooperativa Agrícola de Cotia era Kenkichi Shimomoto, também primeiro presidente do Conselho da Família Flor de São Paulo. Preocupado com tudo isso, ele fez a doação à USP de um dos símbolos da cultura japonesa, que é o Jardim Japonês. Shimomoto faleceu em 1957, mas os seus ideais foram mantidos e, dez anos depois, finalmente o jardim ficou pronto. O príncipe Akihito e a princesa Michiko, atual casal imperial, que vieram para as comemorações vinculadas ao 60º aniversário da Imigração Japonesa no Brasil, em 1967, cortaram a fita de inauguração.

Em 2003, em comemoração ao 50º aniversário da imigração japonesa do pós-guerra, a Associação Brasileira de Imigrantes Japoneses do Brasil fez nova doação à USP, realizando 40 dias de cuidados especiais no jardim.

Em 2017, quando o Jardim Japonês da USP comemoraria o seu 50º aniversário, a Associação Brasileira de Imigrantes Japoneses do Brasil, presidida por Miyoko Shakuda, contratou o especialista em jardim japonês, Kinji Yoshida, e seu filho Daikichi, para a restauração que se iniciou em junho daquele ano para finalizar um ano depois, como parte das comemorações dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil.

Foi incluído nesse projeto de restauração um Portal doado pela comunidade nipo-brasileira de Vargem Grande Paulista e, no dia 5 de abril de 2018, com a presença de autoridades, representantes de associações japonesas, professores, funcionários, estudantes da USP, além de membros da Associação Brasileira de Imigrantes Japoneses do Brasil e das empresas que apoiaram nas despesas de reparação, foi celebrada a cerimônia de reinauguração parcial pelo mentor Kozo Fujii, quando mais de 100 pessoas compareceram ao local.

O Jardim Japonês está localizado no Instituto de Biociência, na USP do Butantã. Endereço: Rua do Matão, 14 – Butantã, São Paulo – SP. Fácil estacionar no local. (11) 3091-7515. (Clique na foto para ampliá-la)

Nos próximos dias, o jardim receberá mais quatro pés de “matsu” (pinheiro japonês) e 10 carpas “nishikigoi” serão soltas no lago, e assim, a reforma estará completa. Está programada para o dia 29 de junho de 2018 (sexta), às 11h30, uma cerimônia xintoísta de reinauguração oficial do Jardim Japonês, sob a coordenação de Kozo Fujii. Uma bela oportunidade para ir conhecer o jardim.

jul 242017
 

No dia 21 de julho de 2017, o deputado federal Mikio Shimoji, do Japan Innovation Party, esteve palestrando no salão nobre da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo) sobre o visto para descendentes de japoneses da quarta geração.

Atualmente, os descendentes da segunda geração (nisseis) e da terceira geração (sanseis) podem receber o visto de longa permanência e a ideia do projeto é que os da quarta geração (yonseis) também possam receber o mesmo tratamento. No momento, os yonseis conseguem vistos para entrar e permanecer no Japão somente se forem filhos biológicos, menores e solteiros, de pais sanseis que vivem no Japão como residentes com visto de permanência como Residente de Longo Período.

Pelo projeto, que está em estudo e deverá seguir tramitação na Câmara dos Representantes a partir de novembro de 2017, prevê-se também a concessão de visto para que o yonsei possa estudar e trabalhar no Japão durante o período de três anos, e depois solicitar visto para residir no país. Essa modalidade, conhecida como Working Holiday, já é aplicada para cidadãos de 18 países (é um acordo bilateral), porém, o período é de um ano e não inclui os brasileiros. Segundo o deputado, pretende-se também oferecer aos familiares (esposa e filhos) do yonsei, esse visto temporário de 3 anos.

Sem dúvida, é um passo para tentar resolver o problema da diminuição da população ativa no Japão, mas é uma providência tardia e tímida. Se em 1948, o Japão registrou o nascimento de mais de 2,5 milhões de crianças, em 2016, o número despencou para menos de 1 milhão, o que faz com que a população total diminua cada vez mais nos próximos anos. Nos últimos seis anos, o país perdeu 6 milhões de habitantes. Com a base da pirâmide social invertida, onde poucos estão na idade ativa para trabalhar enquanto muitos estão aposentados e com possibilidade de viver bastante, é claro que a conta não fechará nunca. Será preciso abrir outras portas imediatamente, mas isso não quer dizer que o Japão será capaz de atrair tantos imigrantes para suprir a demanda. É preciso ver se há emprego para todos e condições mínimas para eles permanecerem no solo japonês a vida inteira.