fev 252015
 

NampoKurachi0051Com muito pesar, comunicamos o falecimento de Sanshi Kurachi, conhecido também como Nampo Kurachi, nome que recebeu como mestre de shodô, a arte da caligrafia japonesa. O falecimento ocorreu na noite do dia 22 de fevereiro de 2015, em São Paulo, no Hospital de Sapopemba, onde ficou internado por 25 dias.

Um dos fundadores da Shodo Aikokai do Brasil, Nampo Kurachi rapidamente se destacou como um reconhecido calígrafo. Na primeira participação do grupo brasileiro no concurso da associação japonesa Hokushin, em 1981, Kurachi surpreendentemente viu seu trabalho ser publicado com destaque, obtendo o nível 10, que é o primeiro degrau por onde passam todos os artistas da caligrafia japonesa. Depois, galgando um a um todos os níveis, chegou ao nível 1, para finalmente, obter o 1º grau. Os graus são méritos concedidos apenas a aqueles que passaram por todos os níveis inferiores, e são em ordem crescente.

Nampo Kurachi chegou ao 5º grau nessa escala hierárquica, quando prestou exame e foi aprovado como professor (kyoushi), um dos poucos no Brasil.

O mestre Kurachi nasceu em 1921, e chegou ao Brasil em 1934, trabalhando primeiro no campo, e depois na tinturaria. Grande apreciador da música, dirigiu a Aozora, uma banda que animava bailes e festas nos anos 60 e 70. Os ensaios da banda aconteciam aos domingos na sala da residência dele, que ficava na Avenida Itaboraí, no Bosque da Saude. Foi também jurado de muitos concursos de música japonesa, ainda na fase anterior ao do karaokê, quando os concursos eram chamados de “nodojiman”.

Com sua calma oriental e budista (todos os anos, há décadas, ele reservou a manhã do primeiro dia do ano para ir ao seu templo NIshi Hongwanji, da Praça da Árvore, em São Paulo, e rezar pela paz no mundo), e sua grande vontade de cultivar a arte, Nampo Kurachi não aparentava a idade que tinha. Lecionou shodô na Aliança Cultural Brasil-Japão, na Associação da Província de Aichi, e na Escola Oshiman, todas em São Paulo. Ele continuou, até os últimos momentos, preocupado com as suas obrigações como professor da Aliança Cultural, onde ministrava aulas às quartas.

Bastante reconhecido no meio artístico, Nampo Kurachi apareceu com freqüência dando entrevistas para revistas e jornais, e também para programas de TV, como o Fantástico, da Globo.

A missa do Sétimo Dia de Sanshi Kurachi será realizada no templo budista Honpa Honganji do Brasil (Nishi Honganji), na rua Changuá, 108, perto do metrô Praça da Árvore, em São Paulo, no sábado, dia 28/02/2015, às 15 horas.

Mais sobre a história do Shodô e Shodô no Brasil: veja nosso link

fev 182015
 
Apresentação do Teatro Kagura, na Festa do Imigrante, no Memorial do Imigrante, no Brás, em São Paulo, 2010. Foto de Francisco Sato

Apresentação do Teatro Kagura, na Festa do Imigrante, no Memorial do Imigrante, no Brás, em São Paulo, 2010. Foto de Francisco Sato

Em 2015 celebramos os 120 anos do tratado oficial das relações diplomáticas entre o Japão e o Brasil. Para marcar este ano comemorativo o serviço em português da NHK WORLD RÁDIO JAPÃO está promovendo um concurso de fotografia com o tema 120 anos de amizade Japão-Brasil, experiências reunidas numa só história.
Convidamos a todos a compartilharem suas histórias. Os relatos e os episódios envolvendo as fotos serão transmitidos em nossa programação e outros meios de difusão. Através dessa iniciativa gostaríamos de reviver esses 120 anos vividos em conjunto, aprofundar ainda mais os laços de amizade e vislumbrar o horizonte que está por vir para japoneses e brasileiros.
Fotos antigas também são bem-vindas. Neste caso elas devem ser digitalizadas para o envio. Da mesma forma imagens antigas de vídeo também podem ser editadas e enviadas em forma de fotografia.
Participe enviando a foto que melhor retrata as suas lembranças e aspirações.
O prazo de participação será encerrado no dia 7 de abril.
Não deixe de participar pelo link: www3.nhk.or.jp

fev 092015
 

cafe paulista anuncioDepois de mais de 200 anos com os portos fechados, o Japão voltou a ter contato com o exterior em 1854. Estrangeiros começaram a visitar o país, e em 1888, a primeira cafeteria “Kahi Sakan” foi inaugurada em Tóquio, para atender aos estrangeiros. Em 1911, a Café Printemps foi inaugurada no bairro de Ginza, Tóquio, desta vez visando o público japonês. Os artistas plásticos que investiram na nova casa se inspiraram no modelo de cafés parisienses. No mesmo ano, Café Lion e Café Paulista surgiram no mesmo bairro. Ryo Mizuno, proprietário do Café Paulista tinha contatos no Brasil, a principal fornecedora do café, e um grande trunfo no negócio.

Anos antes, em 1908, Mizuno levara os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, a bordo do Kasato Maru. Os japoneses foram trabalhar nas fazendas de café do interior do Estado de São Paulo e ele conseguiu, do governo de São Paulo, a doação de carregamentos de café, a título de propaganda, para serem vendidos no Japão. Esse acordo, que pode ter durado uma década, possibilitou Mizuno de abastecer sua loja e o levou a abrir uma série de filiais em todo o país. Esse fato fez com que o Japão, país do chá, passasse a consumir o cafezinho em grande escala. O negócio começou a declinar com a piora da situação econômica japonesa, que se agravou após o grande terremoto de Kanto, que atingiu Tóquio e Yokohama, em 1923.

cafe paulistaO Café Paulista, entretanto, continuou nas mãos de outros empreendedores. A loja original de Ginza continua funcionando, sendo a cafeteria mais antiga do Japão, e conta-se que John Lennon e Yoko Ono apreciavam o café servido nessa loja. A empresa importa os grãos, processa e distribui para cafeterias e restaurantes as marcas Mori no Coffee (orgânico) e Serra Azul, ambas do Brasil, além de marcas de outros países.

Na sua melhor época, em 1982, o Japão tinha mais de 162 mil cafeterias. O número foi diminuindo com a chegada das máquinas automáticas que vendem café quente, e o trabalho agressivo das redes de cafeterias que passaram a disputar o cliente pelo preço. Uma dessas redes, por coincidência, tem muito a ver com o Brasil.

Hiromichi Toriba, de 20 anos, se aventurou a vir para o Brasil em 1959. Era o começo da retomada econômica do Japão e seus jovens ansiavam por um rápido sucesso, e para muitos, o Japão era pequeno demais para isso. Toriba deixou o porto de Yokohama a bordo do navio Argentina Maru, viajou durante 42 dias e desembarcou no Rio, para trabalhar no processamento do café por seis meses, e depois seguiu para São Paulo onde permaneceu por dois anos. Voltando ao Japão em 1962, abriu sua empresa de torrefação e moagem, e só em 1980, abriu sua própria loja, o Doutor Coffee, no bairro jovem de Harajuku, em Tóquio. O nome da empresa “Doutor”, que está estranhamente em português, veio do endereço onde ele morou em São Paulo: Rua Doutor Pinto Ferraz, número 85, no bairro da Vila Mariana.

cafe doutor coffee

Doutor Coffee, foto de Danny Cho

Hoje, a rede de Toriba possui 1421 lojas, sendo 1146 da marca Doutor Coffee, 144 da Excelsior e outras menores. Ela é a maior rede de cafeterias do Japão e possui duas fazendas próprias de café no Havaí. A gigante norte-americana Starbucks Coffee tem 1081 lojas espalhadas pelo Japão, seguida pela Komeda, com 611 lojas, Tully, com 573, Saint Marc com 366, Kohi-Kan com 261, Pronto com 190 e Café de Crié, com 186 lojas.

Nos anos 2000, uma nova onda de cafeterias: internet café, cosplay café, pet café e maid café se multiplicaram. Em 2014, a rede de lojas de conveniência (konbini) Seven Eleven passou a vender o café expresso por apenas 100 ienes (R$ 2,30 incluindo o imposto), e foi seguido pela Family Mart e Lawson, suas principais concorrentes, e assim, o concorrido mercado deverá passar por mudanças em breve.

O Brasil ainda é o maior exportador de café em grãos para o Japão, com 131 mil toneladas (em 2011), que é mais do que o dobro do volume da Colômbia, o segundo colocado. É também o maior exportador de café solúvel, com 4.317 toneladas (em 2011), volume quase sete vez superior ao da Indonésia, o segundo colocado.

Café em Kanazawa – Donald Keene, o maior estudioso da literatura japonesa no mundo, disse em sua palestra proferida em Kanazawa, em dezembro de 2014, que visitou a cidade pela primeira vez em 1954. Morando em Kyoto, pouco sabia sobre aquela cidade, quando resolveu refazer o caminho que fez o poeta Basho Matsuo no século 17, cujo longo percurso consta no livro “Oku no Hosomichi”. Estando na província de Miyagi, no outro lado do Japão, verificou o percurso que teria que fazer, quando o seu interlocutor o advertiu: “Saindo daqui, no seu longo percurso, você só vai encontrar um bom cafézinho em Kanazawa”. De fato, havia desde 1919 em Kanazawa, a cafeteria “Café Brasil”, no agitado bairro de Kohrinbo, que foi o ponto de encontro de intelectuais da região.

Quem quiser ler o livro “Oku no Hosomichi”, em espanhol, veja aqui em PDF: Sendas de Oku

Mais sobre Donald Keene, no nosso post anterior

jan 122015
 

サンパウロ市の日本語学校で神尾先生が映写機を持ってきて見せてくれた8ミリの映画。確かぼやけた陸上競技のシーンでした。それが間違いなく私の東京オリンピックの思い出で有ります。当時ブラジルでは日本は全く別の世界でした。インターネットやビデオが無い時代で日本の情報も少なかったと思います。子供だった私達はオリンピック自体の大きさと素晴らしさも全然知りませんでした。サッカー以外のスポーツも見た事無かったかもしれません。当時私は小学一年生でした。

tokyo shonen sunday日本の漫画を読むようになって、少しずつ日本の事が分かる様になり、大人に成ってから1964年の東京オリンピックはものすごいイベントであったと分かりました。第二次世界大戦で破壊された日本が立ち上がったと世界に知らせる目的の大イベントでした。あのころ新幹線も日本の絵本などで見ましたが、実際比較するものも無く、デザインがきれいだったとしか思い出せません。ブラジルの汽車は1867年、つまり日本よりも先に作られました、と言ってもその後線路数は増えましたが、技術的な進歩も無く、高速列車なども無く、新幹線とは遠い親戚のような感じです。

東京オリンピックの四年前、1960年にプロレスの力道山がブラジルへ来て地元のプロレスラーたちと戦って勝利したと、お父さんから後で聞かせてもらいました。その時、ブラジルに住んでいた青年アントニオ猪木を日本へ連れて行ったとの事。私の父はサンパウロ市の中央市場でスイカの卸売りをしていました。猪木さんは同じ市場で荷物をトラックから降ろすバイトをしていたと父は言いました。確かに、猪木さんみたいに身体の大きな青年がいたら、何所でも目立っていたでしょうね。

nationalKIDでも、子供にとって一番大きなインパクトだったのは日本のスーパーヒーロー、ナショナル・キッドのテレビ放送でした。ブラジルの音楽番組の後で流され第1部「インカ族の来襲」は、今でも思い出します。宣伝も予告も無く突然現れたスーパーヒーロー。ブラジルとは関係無いと分かっていながらなぜ面白かったのだろう。1964年でした。当時のブラジルのテレビには日本人は出ていなかったので、めずらしいことで日本人がヒーローだとは考えらませんでした。

tokyo Olimpic expo2そうした思い出が沢山有ったので、昨年の十一月、滞在していた金沢から東京へ行って江戸東京博物館の「東京オリンピックと新幹線」の展示会を見に行きました。オリンピック当時の物が沢山並べられていましたが、自分が想像していた1964年の日本とは少し違うイメージが目を引きました。

五十年も経ってしまって今考えると、日系人として日本は戦争に負けたのだと言い聞かされ、日系人は少し馬鹿にされていたのかも知りません。そこで東京オリンピック、新幹線とナショナル・キッドが出たことにより、日系人として誇りを持てる物がそろって来たのかもしれません。それらの出来事が当時の日系人の子供や若者に勇気を与えてくれたのでしょう。遠いブラジルにいても日本の勝利を祝って応援していた日系人。その様なつながりが有ったのでした。

注・江戸東京博物館の小林克様と谷川真実子様、どうも有り難うございました。

佐藤フランシスコ紀行 ・ 新聞記者・2014年JICAの研修生として金沢大学でお世話に成りました。

 

out 082014
 

BANZAI CAPA19pequeno“Banzai! História da Imigração Japonesa no Brasil em Mangá” é um livro de 176 páginas lançado em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Foi uma realização da Associação Cultural e Esportiva Saúde, tendo à frente o presidente Tomio Katsuragawa, que se preocupou em reunir o melhor conteúdo tendo à frente a comissão formada por Dr. Masato Ninomiya, presidente do Ciate, a professora Kiyoko Yano e o diretor cultural da ACE Saúde, Jorge Kiyoshi Suzuki.

Os fatos são narrados em forma de mangá, mas não se trata de um livro superficial. Muitos dos livros publicados sobre o tema refletem apenas o ponto de vista de um personagem da história, ou um determinado acontecimento, ou ainda a história de uma região. No Banzai, os autores procuraram mostrar o conjunto da história, desde antes da chegada dos pioneiros a bordo do Kasato Maru até a fase dos decasséguis brasileiros, passando pelos atletas que tiveram destaque e dos primeiros políticos nikkeis.

A coordenação e o roteiro ficaram nas mãos do jornalista Francisco Noriyuki Sato, que contou com a assistência do veterano Paulo I. Fukue, e os desenhos foram feitos pelo artista Júlio Shimamoto. “Desde o início do projeto, eu pensava no Shimamoto para fazer os desenhos do mangá, pois além de ser um renomado quadrinhista, ele viveu uma boa parte da história da imigração e lembra de todos os detalhes da vida no campo e em comunidades nikkeis”, contou Sato em uma entrevista na época do lançamento do livro.
Maiores informações: http://www.imigracaojaponesa.com.br/?page_id=14

Banzai! História da Imigração Japonesa no Brasil em Mangá está à venda por R$ 20,00 na livraria do Museu da Imigração Japonesa, no Bunkyo, Rua São Joaquim, 381 – 3º andar, Liberdade, São Paulo/SP, de terça a sexta, das 9:00 às 17:30 sem intervalo e na segunda-feira e no sábado das 13:00 às 17:30. Quem visita o Museu também poderá encontrá-lo no 9º andar do prédio.
Para adquirir diretamente ou pelo correio:
LIVROCERTO Comércio Ltda. Av. Francisco Tranchesi, 1031, CEP 08270-460 – Parque do Carmo – São Paulo livrocerto@terra.com.br – tel.11 2527-2631
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