ago 072019
 

O Consulado Geral do Japão em São Paulo está com as inscrições abertas para o programa “Ship for World Youth Program 2020”, que consiste em um treinamento dentro de um navio durante um mês com jovens japoneses e de outras nacionalidades, e que visa estabelecer uma forte rede de contatos entre jovens além das fronteiras.

O programa “Ship for World Youth” patrocinado pelo Governo Japonês engloba sessões de treinamento em terra, a bordo e no exterior, incluindo diferentes atividades como workshops, intercâmbio cultural e trocas de ideias sobre gerenciamento, constituindo uma verdadeira oportunidade para melhorar habilidades de comunicação, liderança e aumentar laços e experiências entre culturas diferentes, além de enriquecer e ampliar a visão de mundo e o espírito de cooperação internacional.

Requisitos gerais:

Nacionalidade brasileira;

Proficiência em inglês (japonês desejável, mas não obrigatória);

Idade entre 18 e 30 anos, nascidos entre 02/04/1988 a 01/04/2001.

Vagas para o Brasil:  11 participantes OPY (Overseas Participating Youth) + 1 líder nacional participante NL

Período do programa para participantes OPY e NL: 10/01/2020 a 24/02/2020

Mais informações: https://www.sp.br.emb-japan.go.jp/itpr_pt/not_19_07_programaSWY.html

 

Atenção: A inscrição só vai até 20 de agosto! E a entrevista é no dia 30/8. Veja o que precisa providenciar e corra!

maio 132019
 


Mayu Miyazaki guardou as bagagens e se acomodou na apertada poltrona do Boeing da Qatar, em Narita, com destino a São Paulo. Olhou para cima e viu outros passageiros, todos desconhecidos, assentando suas bolsas, mochilas e sacolas. Cada passageiro tinha sua história, é claro, e o dia do embarque deve ter sido corrido para a maioria, mas esse dia 10 de abril tinha sido muito longo para essa menina de apenas 16 anos de idade.

No momento do famoso discurso

Há apenas algumas horas ela estava deixando o centro do palco do grande salão do Kokuritsu Gekijô (Teatro Nacional), de Tóquio, sob uma salva de calorosos aplausos, com um público de mais de 1800 pessoas, formado por deputados, professores e grandes empresários do país. Ela, uma brasileira, trineta de japoneses (5ª geração – gosei) por parte da mãe, e neta (3ª geração – sansei) por parte do pai, discursou naquele ambiente solene, para todo o Japão. Era a Cerimônia de Celebração pelos 30 anos de Entronização do Imperador Akihito, na verdade, um evento de despedida e homenagem ao casal imperial, que em 20 dias deixaria o trono para o príncipe Naruhito.

Mayu foi a última a ser chamada para discursar, aumentando o nervosismo da espera. Antes dela, oito pessoas discursaram, todos homens, e nenhum deles era jovem ou inexperiente. Pelo contrário, eram destacados formadores de opinião, como o professor Shinya Yamanaka, prêmio Nobel de Medicina, e o ator e diretor de cinema Takeshi Kitano. O primeiro-ministro Shinzo Abe e o Hiroaki Nakanishi, presidente da poderosa Federação Econômica (Keidanren) também falaram antes dela.

É certo que todos os convidados desfilaram belos discursos, mas a Mayu foi a única pessoa a falar sem levar o texto escrito. Na escola em São Paulo, ela teve a chance de praticar a oratória em japonês, mas nunca falou para um público tão grande e nunca se preparou para falar durante cinco minutos. E se o público esperava um discurso cheio de palavras e entonações erradas, ficou muito surpreso com a perfeição da dicção e a escolha cuidadosa das palavras. Foi um discurso impecável, e ao contrário dos discursos mornos que jovens japoneses costumam fazer, ela conseguiu transmitir emoção, talvez uma manifestação do seu lado brasileiro. Representando a comunidade japonesa de fora do país, ela disse que seus antepassados trabalharam duro, mas nunca puderam retornar ao Japão e presenciaram situações tristes em sua vida no Brasil. Mas graças a eles, ela pôde ter uma vida melhor e estudar. Lembrando a visita que fez ao casal de imperadores, ela disse: “Se os meus antepassados tivessem tido a oportunidade de falar com o casal imperial certamente se encheriam de lágrimas de felicidade. As mãos quentes da imperatriz e o olhar gentil do imperador nos deram coragem e força”. Ao final de suas palavras, ela diz “Eu sou brasileira e amo o Brasil, mas o Japão está dentro de mim”.

A apresentadora de TV e jornalista internacional, Kaori Arimoto, assistiu à Cerimônia e se emocionou com o discurso de Mayu. Ela conseguiu autorização junto ao comitê organizador do evento para exibir a apresentação da brasileira no seu programa Toranomon News, e lamentou que nenhuma outra emissora tenha exibido esse trecho do evento, que ela considerou o mais valioso daquele dia.

Depois de mais de 30 horas de viagem, foram apenas quatro dias no Japão, o que é muito cansativo, mas Mayu sabia que tinha mesmo valido a pena. Na viagem de volta, ela sentiu principalmente o alívio por ter cumprido a maior missão de sua vida: representar o Brasil, a comunidade nikkei e a comunidade brasileira que vive no Japão.

Tudo começou muito antes

Mayu na formatura do curso de japonês

Apesar do convite para a participação da Mayu Miyazaki naquele memorável evento tenha chegado no mês de março, tudo começou muito tempo atrás. Atual estudante do 3º ano do Colégio Etapa, ela estudou no Colégio Oshiman e estuda o idioma japonês na Escola Shokaku, do mesmo grupo. O colégio Oshiman realiza uma excursão a cada dois anos para o Japão, sempre no final do ano. Mayu fez parte do último grupo, que viajou em dezembro de 2018. Antes disso, a professora pediu para que a Mayu escrevesse uma mensagem ao casal imperial para mandar para o Japão. A jovem estava no período de férias e confessou que estava com preguiça, mas acabou escrevendo uma mensagem de felicitações pelo ano novo, avisando que iria integrar o grupo de 32 alunos da escola que visitaria o Palácio Imperial, e que gostaria de se encontrar com o casal. Ela levou o texto para a escola e a professora corrigiu. Voltou e reescreveu por cinco vezes e depois passou a limpo, caprichando bem nas letras.  A carta foi lida pelo Imperador, e no dia dois de janeiro deste ano, o grupo foi recepcionado pelo próprio casal imperial, o que só havia acontecido uma única vez em 22 visitas feitas em 44 anos pela escola. 27 mil pessoas estavam no jardim do Palácio Imperial para ver de longe o breve discurso e aceno do imperador. E o grupo do Oshiman foi convidado a entrar no salão do Palácio. Durante essa visita, a imperatriz Michiko chamou a Mayu Miyazaki pelo nome e fez questão de falar com ela. “Na hora eu estava muito nervosa, não sabia que seria chamada pela imperatriz, e só consegui agradecer”, explica a estudante.

A imperatriz Michiko comentou que “no idioma japonês o kanji é difícil e as palavras também são difíceis, mas deve se esforçar para aprendê-los. E agradeça a seus pais e seus antepassados por esse aprendizado”. Já o imperador Akihito falou “Espero que seus sonhos se realizem. Soube que quer ser uma médica”. “Foi muita emoção. Percebi que o imperador e a imperatriz são pessoas muito generosas. Todo o mundo estava chorando no final, tal a emoção em poder encontrar com eles”, conta Mayu.

Como resultado desse encontro, a Mayu recebeu depois um convite para participar da Cerimônia de Celebração pelos 30 anos de Entronização do Imperador Akihito. A professora Mayumi Kawamura Madueño Silva chefiou a delegação da Oshiman e também  acompanhou a Mayu na Cerimônia de Celebração.

Durante um campeonato de Kendô representando a província de Mie com o irmão Shogo.

O caminho para a fluência no idioma

“Tudo o que você planta você colhe, um dia terá retorno. Eu acho que todos os jovens precisam estudar”, disse Mayu numa entrevista ao vivo no canal Afrodeks TV de Leandro Neves dos Santos, quando ele pediu uma mensagem aos jovens brasileiros que trabalham no Japão.

De fato, conforme explica o pai, Carlos Yukito Miyazaki, estudar tem sido uma rotina na vida, não só da Mayu, mas de toda a família Miyazaki. Carlos e Márcia, os pais, são ambos descendentes de originários da província de Kumamoto e ex-bolsistas da JICA – Japan International Cooperation Agency, da turma de 1996~1998. Carlos havia sido bolsista também em 1991, e a Márcia acaba de retornar da bolsa de curta duração de revitalização através da culinária na comunidade nikkei, também da JICA.

Presbítero da Igreja Evangélica Holiness, Carlos conta que o casal assistiu a uma palestra onde se ressaltava a importância das pessoas serem bilíngues. Resolveram ser radicais para aplicar esse conceito. Em casa, passaram a se falar somente em japonês. A Mayu tinha então três anos de idade. “A primeira providência foi colocar os filhos no yochien (jardim da infância) do Colégio Itatiaia, e pedimos que eles ficassem junto com as crianças japonesas, filhos de expatriados. Em poucos meses ela ficou fluente. Depois mantivemos o hábito de somente assistir TV japonesa (animês, novelas, etc). Essa regra foi mantida até a Mayu completar dez anos”, comenta Carlos.  “Fizemos questão que ela estudasse japonês seguindo os livros utilizados nas escolas japonesas”, completa o pai, demonstrando a dedicação para que seus filhos, Mayu (16 anos), Shogo (15) e Aya (13) ficassem fluentes em japonês. No caso da Mayu, o seu êxito precisa ser dividido com uma grande figura, a professora Marico Kawamura, hoje com 91 anos de idade. Desde o início, essa fundadora do Colégio Oshiman acreditou no potencial da Mayu e fez questão de dar aulas de japonês pessoalmente, nos últimos seis ou sete anos, ensinando os detalhes de cada ideograma e seus significados nos poemas clássicos.

Fora isso, a família frequenta a igreja onde a maioria é nikkei. A Mayu treina kendô na Associação Cultural Mie Kenjin do Brasil, onde conseguiu o segundo “dan”. E, pela Associação Mie, ajuda todos os anos no estande de alimentação do Festival do Japão.

Com toda essa ligação com a comunidade nikkei, Mayu pensa em fazer o curso superior no Japão, ou mesmo a pós-graduação, e pretende trabalhar como médica no Brasil e no Japão. Vamos torcer para que os sonhos dela se concretizem. Capacidade e torcida ela têm.

Francisco Noriyuki Sato

Jornalista e editor, professor de História do Japão.

mar 262019
 

A bolsa de estudos e/ou estágio da JICA tem o nome de “Programa de Treinamento Nikkei”, porém, há quatro cursos de curta duração abertos aos interessados em geral, desde que atenda aos requisitos estabelecidos. São eles:

Cursos que não exigem ascendência japonesa:  (* favor verificar condições no manual)

C07: Saúde, assistência médica e assistência social comunitário – Métodos para aproveitamento de recursos sociais existentes em idosos com necessidade de cuidados;
C12: Educação infantil e atividades sobre cultura japonesa;
C14: Ensino de língua japonesa como língua de herança;
C20: Programa de intercâmbio para promover novas parcerias entre museus nikkeis.

A inscrição deve ser feita até o dia 12 de abril de 2019. A faixa de idade para todos os cursos acima é de 21 a 50 anos. Os pré-selecionados serão entrevistados entre 3 e 9 de maio de 2019, nas cidades de São Paulo, Brasília ou Belém. Todos os detalhes da bolsa, descrição dos cursos e os formulários estão no link: https://www.jica.go.jp/brazil/portuguese/office/activities/nikkeis01_01_01.html

Quem estiver interessado deverá correr, pois são muitos os documentos, que incluem exames médicos.

mar 012019
 

O curso é gratuito, aberto a participantes de todo o país, que desejam aprender japonês, mas nunca estudaram o idioma. As inscrições estarão abertas até o dia 17 de março

A Fundação Japão promove, de 22 de março a 25 de junho, um curso on-line de japonês para aqueles que não conhecem ainda o idioma. O Curso de Japonês Online Marugoto A1-1 (Katsudoo & Rikai) é gratuito e inclui seis aulas ao vivo com professor-tutor, com interação com os demais alunos, correção de tarefas e certificado de conclusão do curso.

O curso é voltado àqueles que tem o sonho de trabalhar ou estudar no Japão, ou apenas visitar o país ou compreender animes e mangás, bem como se comunicar no idioma.

É uma grande oportunidade especialmente para aqueles que não têm tempo ou condições financeiras para participar de um curso presencial. 

O curso utilizará o site Marugoto Japanese Online Course para a realização de tarefas, que serão corrigidas individualmente pela professora-tutora.

As aulas ao vivo acontecerão a cada duas semanas, sempre às terças-feiras, das 20h às 20h40 (horário de Brasília), nas seguintes datas: 26 de março, 9 de abril, 23 de abril, 7 de maio, 21 de maio e 4 de junho.

As inscrições estarão abertas a partir das 12h do dia 1º de março de 2019, até a meia-noite de 17 de março de 2019. Interessados deverão acessar o site https://minato-jf.jp, bem como preencher o cadastro no site  https://fjsp.org.br/site/wp-content/uploads/2018/09/panfletoMINATO_com_link.pdf.

Como as vagas são limitadas, após efetuar a inscrição, interessados deverão aguardar um e-mail com a confirmação da inscrição.

fev 142019
 

Formação da Próxima Geração da Comunidade Nikkei

Este curso tem como objetivo a formação de recursos humanos, que possam contribuir para o desenvolvimento das comunidades nikkeis e no fortalecimento da relação desses países com o Japão, através do treinamento a ser realizado. O foco deste curso é fazer com que os universitários, descendentes de japoneses, com qualificação suficiente para contribuir para o futuro do desenvolvimento das comunidades nikkeis, conheçam melhor o Japão e também sobre suas raízes, além de fortalecer a sua identidade como nikkei por meio de estudos sobre a história da imigração japonesa, estágios nas universidades, e demais treinamentos.

Serão selecionados 20 pessoas de 9 países, e 9 participantes serão do Brasil.

A vantagem desse curso é que acontece durante as férias escolares do Brasil. Data da Chegada ao Japão: 26 de junho de 2019 (quarta-feira) – Data da saída do Japão: 19 de julho de 2019 (sexta-feira).

ATENÇÃO: o prazo para inscrição só vai até 20/fevereiro/2019!

Os requisitos:

Os candidatos deverão satisfazer todos os requisitos abaixo: (1) Ser imigrante japonês ou descendente até a terceira geração de imigrantes japoneses (ter pai ou mãe nissei). ※ Ser domiciliado no país contemplado neste programa. (2) Pertencer a uma instituição de ensino superior do país e que esteja na faixa etária de 18 a 30 anos, no período do curso. (3) Ter a anuência dos pais ou da pessoa responsável (no caso de ter 18 e 19 anos), (4) Ter a fluência em língua japonesa, o suficiente para o dia-a-dia (do nível 4 de proficiência de língua japonesa para cima), e em inglês para poder assistir às aulas ministradas nesse idioma, bem como para participar das discussões nas universidades japonesas. (5) Ter boa saúde física e mental para o convívio coletivo no Japão. (6) Por regra, participar de toda Programação desde a data de chegada até o término do curso.

Maiores informações e inscrição: https://www.jica.go.jp/brazil/portuguese/office/activities/nikkeis01_01_04.html

jan 252019
 

Uma sala de aula somente com estudantes estrangeiros na Universidade de Kanazawa © NSP Editora

Boas e disputadas universidades. Mas isso não é mais garantia de um bom emprego.

Apesar de toda essa pressão sobre o aluno, o nível geral das universidades japonesas está caindo na média internacional. O levantamento “World University Rankings” lista as 980 melhores universidades do mundo. Até 2014, a Universidade de Tóquio se manteve em 23º lugar, sendo considerada a melhor da Ásia. Em 2016, a mesma universidade despencou para a 39ª colocação, sendo superada pela Universidade Nacional de Cingapura e duas chinesas.

Outras universidades japonesas aparecem em posições inferiores e, mesmo assim, estão bem. Basta comparar com a Universidade de São Paulo, que com mais de 80 mil estudantes, é a melhor posicionada na América Latina. A USP está entre a colocação 251 e 300, na lista liderada pela inglesa Oxford.

No país onde o ensino é levado a sério, críticos afirmam que, apesar dos rigorosos exames para se entrar numa universidade japonesa, depois de aprovados os alunos se sentem no paraíso. Ou seja, falta um exame rigoroso para diplomar os universitários e por isso, estudando ou não, todos serão aprovados. Mais uma vez, na área de exatas, onde há experiências em laboratório e atividades experimentais, os alunos tendem a se esforçar mais. Os universitários japoneses, embora sejam os campeões em matemática e ciências exatas, não apresentam bons resultados nas áreas de humanas e linguística, se comparados com os de outros países desenvolvidos. Além disso, estudiosos do exterior afirmam que o sistema de ensino japonês não desenvolve o espírito crítico dos estudantes. Talvez isso nem fosse necessário numa época de economia estável.

Sem uniforme e com horários mais flexíveis, as universidades parecem ideais para incentivar a criatividade. Entretanto, as aulas costumam ser expositivas © NSP Editora

Até o final da bolha econômica, por volta do final dos anos 90, todos os universitários tinham certeza de conseguir emprego. As grandes empresas contratavam os alunos das melhores universidades antes mesmo de se formarem. Não importava a área de formação. A partir do momento em que eram contratados, recebiam treinamento e ocupavam uma função, faziam carreira e ficavam na mesma empresa até se aposentarem. Hoje tudo mudou, muitos com formação superior não chegam a ter o primeiro emprego, e assim, sobrevivem às custas de trabalhos temporários, que são relativamente bem remunerados.

Embora todos os japoneses continuem investindo alto na educação formal de seus filhos, o resultado final não tem sido animador para os recém-formados.

Por outro lado, na última década, as universidades japonesas têm investido em trazer alunos estrangeiros para suas salas. Fenômeno da globalização? Na verdade não. É que a população japonesa vem diminuindo num ritmo acelerado e isso reflete também no número de alunos matriculados. As vagas que sobram são preenchidas pelos estrangeiros. Como existe a barreira do idioma, as universidades aceitam alunos com domínio do inglês e com um nível razoável de comunicação em japonês. Há aulas intensivas de japonês especialmente para esses alunos poderem acompanhar as aulas.

Felizmente, o Japão tem sido atraente para muitos estudantes estrangeiros. Hoje, em certas universidades, 20% dos alunos não são japoneses.

Autor: Francisco Noriyuki Sato

Leia os textos anteriores:
O sistema de ensino que forma um país desenvolvido – 1
O custo do ensino no Japão hoje – 2

Conhecendo uma escola colegial japonesa
Conhecendo uma outra escola colegial japonesa

jan 242019
 

O custo alto do ensino faz com que os pais tenham menos filhos

A tradicional indústria Kanko, que existe desde 1854, e é especializada em fabricar uniformes escolares, apresenta sua coleção: Casaco de malha, camisa branca, saia e o sapato totalizam US$ 320 © Kanko

Há muitos anos, é obrigação de todos os cidadãos cursarem o ensino primário, de seis anos, e o ginasial, de três, totalizando nove anos de ensino obrigatório. Esse ensino é gratuito nas escolas públicas, onde também recebe os livros escolares. Mas as despesas com refeições, transporte, atividades extra-curriculares, como judô, excursões e uniforme, são pagas pelos pais. E não é barato. Em uma escola primária pública, se paga em média US$ 850 no ato da matrícula (só uma vez em seis anos), mais os gastos que somam US$ 2,5 mil por ano. Continuando na escola pública, nos três anos seguintes, a matrícula será também de US$ 850, mas os gastos anuais sobem para US$ 3.750. Se a opção for por uma escola particular, o custo será de US$ 2,5 mil de matrícula e mais US$ 10 mil anuais nos seis anos do primário e também nos três anos do secundário básico (ginasial).

A malinha de couro, conhecida como “randoseru”, pode custar US$ 1,4 mil dependendo da marca. As aulas começam em abril, mas os modelos de US$ 600 já estavam esgotados em dezembro

O custo não muda muito no nível colegial: US$ 1,6 mil de matrícula (só uma vez para os três anos) e gasto anual de cerca de US$ 4,2 mil em escola pública e US$ 3,3 mil de matrícula e US$ 8,7 mil por ano na escola privada. O curso colegial, embora não seja obrigatório, é concluído por 98% da população, o que deve ser a taxa mais elevada do mundo.

Já o aluno que frequenta uma universidade pública nacional precisa desembolsar cerca de US$ 2,5 mil de matrícula (uma vez apenas) e US$ 4,2 mil  por ano, independente do curso escolhido. Em uma universidade privada, esse custo será bem maior. Cerca de US$ 2,5 mil de matrícula e US$ 7,5 mil por ano, se optar pela área de Humanas. Na área de Exatas, o custo é maior: US$ 9,2 mil de matrícula e US$ 10 mil por ano. Na área de medicina, o custo é ainda maior: US$ 16 mil de matrícula e US$ 31 mil por ano. O curso de medicina ainda tem a desvantagem de ser mais longa, com seis anos para se formar.

Uniformes com grife são evidentemente mais caros. Esse blazer tem a assinatura Elle e custa US$ 200. A saia da mesma marca custa US$140 © Elle

Com isso, é possível entender a pressão dos estudantes em alcançar uma universidade pública. Como a concorrência é muito grande, é necessário estudar muito, frequentando cursos de reforço fora do horário escolar. E isso também custa caro, em geral, de US$ 350 a US$ 500 por mês. Calcula-se que metade dos estudantes do segundo ano colegial esteja frequentando esses cursos de reforço. Há cursos preparatórios para entrar no ginásio e também para o colégio. Bons ginásios e colégios preparam melhor o aluno para os exames vestibulares, acreditam os pais.

Os pais começam a economizar desde o nascimento do filho, para ter uma disponibilidade financeira para pagar as escolas. Na época da bolha econômica, isso parece não ter sido um problema, mas hoje, eles encontram dificuldades. Isso também explica porque os pais não querem ter filhos. Assim, apesar da longevidade dos idosos, a população japonesa diminuiu quase 2 milhões em apenas nove anos.

Autor: Francisco Noriyuki Sato

Leia também:

O sistema de ensino que forma um país desenvolvido – 1

O ranking do Japão entre as universidades do mundo – 3

jan 232019
 

Mesmo num passeio no final de semana, sendo uma atividade promovida pela escola, o uso do uniforme é obrigatório © Rage Z

Considerado um dos melhores do mundo, o sistema educacional japonês sofre rigorosas críticas dentro de seu próprio país. Mas é inegável que, mesmo sem ser perfeito, sempre atendeu as necessidades de seu povo, que é obcecado em querer que seus filhos estudem, elegendo a educação como prioridade da família.

O sistema de ensino nos padrões ocidentais adotado no Japão tem menos de 150 anos. Antes disso, porém, já havia o ensino que ficava por conta dos “terakoyá”, escolas de templos budistas, e “juku”, cursos particulares. O primeiro ensinava a ler, a escrever, e o ábaco (soroban), além de ensinamentos budistas. O “juku”, em geral, ensinava a ler e a escrever, mas se dedicava a outras matérias, como geografia, matemática, etiqueta e conhecimentos gerais.

Havia também “juku” especializado em cursos práticos para o trabalho, algo parecido com a escola técnica. Conta-se que em 1867 haviam 75 mil “terakoya” e 6,5 mil “juku” registrados no país, o que demonstra o grande interesse pelos estudos, mesmo em uma época em que o transporte era precário. Cinco anos depois, foi adotado o ensino no estilo francês e as principais universidades foram criadas a partir dessa data, como a Universidade de Tóquio, construída em 1877.

É interessante notar que a preocupação do país era de se equiparar às potências internacionais, pois ficara mais de dois séculos sem contato com o exterior, que já alavancava o progresso com máquinas a vapor e trens. O Japão precisava alcançar o desenvolvimento tecnológico do Ocidente e, por isso, renomados professores foram trazidos do exterior para as faculdades. Nessa época valorizou-se o ensino de engenharia, química, física e medicina, fato que se reflete até hoje. O Japão tem 26 laureados com o Prêmio Nobel, e dentre esses, 23 venceram nessas matérias.

As crianças vão sempre a pé para suas escolas e sem os pais © John Gillespie

O funcionamento da escola

Crianças entre 3 anos completos e 6 anos podem frequentar o jardim da infância. Aos 6 anos podem ingressar no ensino básico, de seis anos. Depois, o ensino intermediário, de três anos, que corresponde ao antigo curso ginasial no Brasil. Os ensinos básico e o intermediário são obrigatórios para o japonês. Se alguma criança com menos de 15 anos estiver na rua no horário das aulas, cabe ao policial perguntar o motivo e procurar seus pais. Dos 15 aos 18 anos, estarão frequentando o ensino médio, que pode ser normal ou profissionalizante.

O ano letivo no Japão começa no início de abril. No ensino básico, as salas têm de 30 a 40 alunos. Nos dias de semana, as aulas normalmente começam às 8h30 e terminam às 15h50. No primário, as aulas duram 45 minutos, com uma pausa de 10 minutos entre uma aula e outra. A partir do ginásio, elas duram 50 minutos. Oficialmente há 35 semanas de aula por ano.

Há nove matérias regulares no ensino básico japonês: língua japonesa, estudos sociais, matemática, ciência, estudos ambientais, música, arte e artesanato, conhecimentos domésticos, educação física e economia doméstica. Nessa última, os alunos aprendem a cozinhar coisas simples e fazer algumas costuras. A maioria das escolas ministra aulas de inglês, shodô (caligrafia) e haiku (poesia curta).

Apesar do ensino seguir o mesmo padrão em todo o território japonês, há algumas pequenas variações. No colégio Nisui, como praticamente em todas as outras, as aulas começam às 8h30 e continuam até 16h30. Depois, começam as atividades chamadas de “club”, que são as extracurriculares, como as esportivas de tênis, beisebol, badminton, equitação e tênis de mesa, e culturais, como culinária, jornalismo, shodô e coral. Essas atividades duram duas horas em média.

Para se ingressar nas melhores universidades é preciso fazer o curso preparatório, que vai das 19 às 22 horas, diariamente. Tempo para jogar game, assistir animê e entrar no Facebook? Muito pouco, pois os jovens precisam fazer as lições de casa. “Vocês assistem animê?”, perguntou uma estudante inglesa fazendo intercâmbio no Japão a uma colega japonesa. “Eu assistia quando era criança, mas não tenho mais tempo”, respondeu a menina de 15 anos. Nos finais de semana também há atividades dentro da escola e fora dela, por isso é comum ver estudantes uniformizados nas ruas, mesmo aos domingos.

Ocorreram algumas reformas de ensino nas últimas décadas e em 2002 aconteceu uma mudança maior, que resultou na eliminação das aulas aos sábados (até 1990, o aluno japonês tinha 240 dias letivos, contra 180 dos americanos), para diminuir a pressão sobre os estudantes do colegial. Uma matéria nova foi introduzida no 2° e no 3° anos. É o “Sogo”, que pode ser traduzido como “estudos integrados”. Aqui, o assunto depende do interesse de cada um, e não tem a ver com as matérias exigidas nos exames vestibulares, mas são e serão importantes na vida de todos. Exemplos: meio-ambiente, globalização e tecnologia da informação. Algo semelhante está para ser introduzido também no Brasil.

As próprias crianças servem o almoço © Anabelle Orozco

Todo o mundo já deve ter visto um vídeo onde as crianças limpam a escola. De fato, desde cedo elas aprendem a manter as salas limpas e a tarefa continua até o final do ensino médio. Na verdade, não há muita sujeira para limpar. As crianças e também os funcionários e professores guardam seus sapatos no armário logo na entrada e vão para as salas com um calçado que é usado somente dentro da escola. A limpeza é feita por revezamento entre os alunos, que levam menos de 15 minutos para a tarefa. Eles consideram a limpeza um fato natural. Já que utilizam o local, consideram óbvio limpar e deixar o ambiente pronto para a próxima aula ou turma. Antes deles, os seus pais e avós também fizeram o mesmo.

Outro fato que chama a atenção é o almoço servido pelos próprios alunos. Uma funcionária traz o carrinho com a comida da cozinha e as crianças já se posicionam para servir os colegas. Cada uma delas já sabe onde, o que e como deverá servir. No final da refeição, a arrumação do local também é feita pelos alunos. No caso de escolas com poucos alunos, cada um traz a sua marmita (obentô) e ela é saboreada na sua própria carteira.

Sabe-se que de todos esses estudantes colegiais, cerca de 53% irão disputar vagas em 220 faculdades públicas e 500 particulares. E outros 18% irão para escolas especializadas ou faculdades de curta duração (de dois anos).

Outra função da escola

Sendo um país que coleciona desastres naturais, há uma grande preocupação de todos no Japão quanto à segurança. A direção das escolas recomenda que todos os alunos optem por estudar próximos das suas casas, principalmente no ensino básico. Isso porque a escola rapidamente é transformada em local de refúgio em caso de desastres naturais. No caso da região ficar inundada e sem os transportes públicos, todos saberão onde procurar seus familiares.

Sendo a escola pública ou particular, a maioria vai a pé ou de bicicleta. Crianças maiores poderão ir de trem ou metrô, pois a distância pode aumentar pela opção por melhores escolas. Mesmo assim, ninguém leva o filho em carro particular ou perua contratada. As crianças menores vão juntas, sendo que a que mora mais longe passa na casa das colegas. Há um traçado para ir à escola, e fazem sempre o mesmo trajeto.

Autor: Francisco Noriyuki Sato – jornalista e editor

Veja a continuação:

O custo do ensino no Japão hoje – 2

O Japão no ranking das universidades do mundo – 3

Conhecendo uma escola colegial japonesa

Conhecendo uma outra escola colegial japonesa

nov 142018
 

A Constituição Japonesa, que foi preparada pelos americanos em 1947, não permite que o Japão se defenda ou se envolva em guerra. Os testes dos norte-coreanos com os mísseis, que atingiram a costa japonesa, e a China fazendo exercícios militares no Mar do Japão, são indícios de que a paz poderá não durar.

Sem poder formar um exército, é a “Jieitai”, a Força de Defesa do Japão, que faz treinamentos acanhados para um eventual confronto. Essa Força de Defesa é chamada toda vez que alguma localidade é atingida por desastres naturais, o que ocorre com muita frequência, e a tropa é convocada para fazer ajuda humanitária em áreas de conflito internacional, mas a Jieitai não é um exército. Para a Jieitai poder atuar numa guerra é necessário alterar o artigo 9 da Constituição.

Em 2016, após uma série de discussões e manifestações públicas contrárias, foi aprovada pela Dieta uma resolução (releitura) sobre o artigo 9, possibilitando que o Japão possa fazer a autodefesa e até enviar tropas para o exterior, mas ainda falta escrever isso na Constituição.

O atual governo do primeiro-ministro Shinzo Abe se empenha em conseguir aprovar a reforma, mas não está sendo fácil. A rede de TV NHK realizou uma pesquisa e constatou que 29% dos entrevistados acham que a reforma é necessária, mas 27% não acham. A grande maioria, 39% não tem opinião sobre o assunto. Dentre os que são contra, a maioria tem mais de 70 anos, ou seja, conviveu mais de perto com a guerra.

A questão da Jieitai, mesmo que a Constituição seja alterada e a Força de Defesa possa atuar numa guerra, esbarra num outro problema: O envelhecimento da população. Não haverá muitos jovens dispostos a entrar na Jieitai.

Esses e outros assuntos bem atuais serão apresentados na próxima aula de história do Japão.

História do Japão – Aula 9 – Período Heisei e a História de Okinawa

A nona e última aula será composta por dois assuntos diferentes: a metade da aula será destinada ao Período Heisei (1989 ~ 2019), ou seja, a história recente e os assuntos atuais. Na outra metade será abordada a História de Okinawa, que se tornou província japonesa em 1879 e foi ocupada pelos americanos de 1945 a 1972. Mesmo quem não assistiu as anteriores poderá se inscrever e participar.

Aula 9 – História do Japão. Dia 01/12/2018, sábado, das 9 às 12 horas.

As inscrições são realizadas por aula. Cada aula tem o valor de R$ 35,00 (mais a taxa do Sympla de R$ 3,50).

Não haverá reembolso por desistência. Quando não houver mais vaga, o interessado poderá enviar e-mail para ficar na lista de espera.

Local: Associação Cultural Mie, na Avenida Lins de Vasconcelos, 3352, Vila Mariana, na saída da Estação Vila Mariana do metrô. Há estacionamento pago no prédio. Atenção: por causa do serviço de manutenção da Eletropaulo na região, esta aula será ministrada no Centro Brasileiro de Língua Japonesa – Rua Manoel Paiva, 45 – entre as estações Ana Rosa e Vila Mariana do metrô (mais perto da Ana Rosa – 5 minutos a pé). Data e horário são os mesmos acima.

As vagas são limitadas. A sala está equipada com ar condicionado, projetor e microfone. As aulas são avulsas, portanto, não é necessário ter assistido as anteriores para participar desta. Neste dia 01/12/2018, logo após o término da aula, serão entregues os certificados aos alunos que participaram de pelo menos 7 das 9 aulas ministradas.

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016.

apoio: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

nov 142018
 

O currículo escolar japonês ensina a história do Japão de uma forma uniforme, como se todas as províncias tivessem quase a mesma história. 

No caso de Okinawa, a história seguiu caminho bem diferente do restante do país, pois ela só se tornou oficialmente uma província japonesa em 1879. Ryukyu eram ilhas dominadas por três reinos por longo período, com alguma intervenção externa, ora do clã Shimazu, de Satsuma (atual Kagoshima), ora da China.

A história de Okinawa é desconhecida até pelos japoneses de outras províncias, pois ela não é ensinada nas escolas normalmente. Ao Brasil, que tem tem um grande número de imigrantes de Okinawa, coube a tarefa de ensinar e discutir esse tema tão interessante.

História do Japão – Aula 9 – Período Heisei e a História de Okinawa

A nona e última aula será composta por dois assuntos diferentes: a metade da aula será destinada ao Período Heisei (1989 ~ 2019), ou seja, a história recente e os assuntos atuais. Na outra metade será abordada a História de Okinawa, que se tornou província japonesa em 1879 e foi ocupada pelos americanos de 1945 a 1972. Mesmo quem não assistiu as anteriores poderá se inscrever e participar.

Aula 9 – História do Japão. Dia 01/12/2018, sábado, das 9 às 12 horas.

As inscrições são realizadas por aula. Cada aula tem o valor de R$ 35,00 (mais a taxa do Sympla de R$ 3,50).

Não haverá reembolso por desistência. Quando não houver mais vaga, o interessado poderá enviar e-mail para ficar na lista de espera.

Local: Associação Cultural Mie, na Avenida Lins de Vasconcelos, 3352, Vila Mariana, na saída da Estação Vila Mariana do metrô. Há estacionamento pago no prédio. Atenção: por causa do serviço de manutenção da Eletropaulo na região, esta aula será ministrada no Centro Brasileiro de Língua Japonesa – Rua Manoel Paiva, 45 – entre as estações Ana Rosa e Vila Mariana do metrô (mais perto da Ana Rosa – 5 minutos a pé). Data e horário são os mesmos acima.

As vagas são limitadas. A sala está equipada com ar condicionado, projetor e microfone. As aulas são avulsas, portanto, não é necessário ter assistido as anteriores para participar desta. Neste dia 01/12/2018, logo após o término da aula, serão entregues os certificados aos alunos que participaram de pelo menos 7 das 9 aulas ministradas.

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016.

apoio: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa