Cultura Japonesa

maio 132019
 


Mayu Miyazaki guardou as bagagens e se acomodou na apertada poltrona do Boeing da Qatar, em Narita, com destino a São Paulo. Olhou para cima e viu outros passageiros, todos desconhecidos, assentando suas bolsas, mochilas e sacolas. Cada passageiro tinha sua história, é claro, e o dia do embarque deve ter sido corrido para a maioria, mas esse dia 10 de abril tinha sido muito longo para essa menina de apenas 16 anos de idade.

No momento do famoso discurso

Há apenas algumas horas ela estava deixando o centro do palco do grande salão do Kokuritsu Gekijô (Teatro Nacional), de Tóquio, sob uma salva de calorosos aplausos, com um público de mais de 1800 pessoas, formado por deputados, professores e grandes empresários do país. Ela, uma brasileira, trineta de japoneses (5ª geração – gosei) por parte da mãe, e neta (3ª geração – sansei) por parte do pai, discursou naquele ambiente solene, para todo o Japão. Era a Cerimônia de Celebração pelos 30 anos de Entronização do Imperador Akihito, na verdade, um evento de despedida e homenagem ao casal imperial, que em 20 dias deixaria o trono para o príncipe Naruhito.

Mayu foi a última a ser chamada para discursar, aumentando o nervosismo da espera. Antes dela, oito pessoas discursaram, todos homens, e nenhum deles era jovem ou inexperiente. Pelo contrário, eram destacados formadores de opinião, como o professor Shinya Yamanaka, prêmio Nobel de Medicina, e o ator e diretor de cinema Takeshi Kitano. O primeiro-ministro Shinzo Abe e o Hiroaki Nakanishi, presidente da poderosa Federação Econômica (Keidanren) também falaram antes dela.

É certo que todos os convidados desfilaram belos discursos, mas a Mayu foi a única pessoa a falar sem levar o texto escrito. Na escola em São Paulo, ela teve a chance de praticar a oratória em japonês, mas nunca falou para um público tão grande e nunca se preparou para falar durante cinco minutos. E se o público esperava um discurso cheio de palavras e entonações erradas, ficou muito surpreso com a perfeição da dicção e a escolha cuidadosa das palavras. Foi um discurso impecável, e ao contrário dos discursos mornos que jovens japoneses costumam fazer, ela conseguiu transmitir emoção, talvez uma manifestação do seu lado brasileiro. Representando a comunidade japonesa de fora do país, ela disse que seus antepassados trabalharam duro, mas nunca puderam retornar ao Japão e presenciaram situações tristes em sua vida no Brasil. Mas graças a eles, ela pôde ter uma vida melhor e estudar. Lembrando a visita que fez ao casal de imperadores, ela disse: “Se os meus antepassados tivessem tido a oportunidade de falar com o casal imperial certamente se encheriam de lágrimas de felicidade. As mãos quentes da imperatriz e o olhar gentil do imperador nos deram coragem e força”. Ao final de suas palavras, ela diz “Eu sou brasileira e amo o Brasil, mas o Japão está dentro de mim”.

A apresentadora de TV e jornalista internacional, Kaori Arimoto, assistiu à Cerimônia e se emocionou com o discurso de Mayu. Ela conseguiu autorização junto ao comitê organizador do evento para exibir a apresentação da brasileira no seu programa Toranomon News, e lamentou que nenhuma outra emissora tenha exibido esse trecho do evento, que ela considerou o mais valioso daquele dia.

Depois de mais de 30 horas de viagem, foram apenas quatro dias no Japão, o que é muito cansativo, mas Mayu sabia que tinha mesmo valido a pena. Na viagem de volta, ela sentiu principalmente o alívio por ter cumprido a maior missão de sua vida: representar o Brasil, a comunidade nikkei e a comunidade brasileira que vive no Japão.

Tudo começou muito antes

Mayu na formatura do curso de japonês

Apesar do convite para a participação da Mayu Miyazaki naquele memorável evento tenha chegado no mês de março, tudo começou muito tempo atrás. Atual estudante do 3º ano do Colégio Etapa, ela estudou no Colégio Oshiman e estuda o idioma japonês na Escola Shokaku, do mesmo grupo. O colégio Oshiman realiza uma excursão a cada dois anos para o Japão, sempre no final do ano. Mayu fez parte do último grupo, que viajou em dezembro de 2018. Antes disso, a professora pediu para que a Mayu escrevesse uma mensagem ao casal imperial para mandar para o Japão. A jovem estava no período de férias e confessou que estava com preguiça, mas acabou escrevendo uma mensagem de felicitações pelo ano novo, avisando que iria integrar o grupo de 32 alunos da escola que visitaria o Palácio Imperial, e que gostaria de se encontrar com o casal. Ela levou o texto para a escola e a professora corrigiu. Voltou e reescreveu por cinco vezes e depois passou a limpo, caprichando bem nas letras.  A carta foi lida pelo Imperador, e no dia dois de janeiro deste ano, o grupo foi recepcionado pelo próprio casal imperial, o que só havia acontecido uma única vez em 22 visitas feitas em 44 anos pela escola. 27 mil pessoas estavam no jardim do Palácio Imperial para ver de longe o breve discurso e aceno do imperador. E o grupo do Oshiman foi convidado a entrar no salão do Palácio. Durante essa visita, a imperatriz Michiko chamou a Mayu Miyazaki pelo nome e fez questão de falar com ela. “Na hora eu estava muito nervosa, não sabia que seria chamada pela imperatriz, e só consegui agradecer”, explica a estudante.

A imperatriz Michiko comentou que “no idioma japonês o kanji é difícil e as palavras também são difíceis, mas deve se esforçar para aprendê-los. E agradeça a seus pais e seus antepassados por esse aprendizado”. Já o imperador Akihito falou “Espero que seus sonhos se realizem. Soube que quer ser uma médica”. “Foi muita emoção. Percebi que o imperador e a imperatriz são pessoas muito generosas. Todo o mundo estava chorando no final, tal a emoção em poder encontrar com eles”, conta Mayu.

Como resultado desse encontro, a Mayu recebeu depois um convite para participar da Cerimônia de Celebração pelos 30 anos de Entronização do Imperador Akihito. A professora Mayumi Kawamura Madueño Silva chefiou a delegação da Oshiman e também  acompanhou a Mayu na Cerimônia de Celebração.

Durante um campeonato de Kendô representando a província de Mie com o irmão Shogo.

O caminho para a fluência no idioma

“Tudo o que você planta você colhe, um dia terá retorno. Eu acho que todos os jovens precisam estudar”, disse Mayu numa entrevista ao vivo no canal Afrodeks TV de Leandro Neves dos Santos, quando ele pediu uma mensagem aos jovens brasileiros que trabalham no Japão.

De fato, conforme explica o pai, Carlos Yukito Miyazaki, estudar tem sido uma rotina na vida, não só da Mayu, mas de toda a família Miyazaki. Carlos e Márcia, os pais, são ambos descendentes de originários da província de Kumamoto e ex-bolsistas da JICA – Japan International Cooperation Agency, da turma de 1996~1998. Carlos havia sido bolsista também em 1991, e a Márcia acaba de retornar da bolsa de curta duração de revitalização através da culinária na comunidade nikkei, também da JICA.

Presbítero da Igreja Evangélica Holiness, Carlos conta que o casal assistiu a uma palestra onde se ressaltava a importância das pessoas serem bilíngues. Resolveram ser radicais para aplicar esse conceito. Em casa, passaram a se falar somente em japonês. A Mayu tinha então três anos de idade. “A primeira providência foi colocar os filhos no yochien (jardim da infância) do Colégio Itatiaia, e pedimos que eles ficassem junto com as crianças japonesas, filhos de expatriados. Em poucos meses ela ficou fluente. Depois mantivemos o hábito de somente assistir TV japonesa (animês, novelas, etc). Essa regra foi mantida até a Mayu completar dez anos”, comenta Carlos.  “Fizemos questão que ela estudasse japonês seguindo os livros utilizados nas escolas japonesas”, completa o pai, demonstrando a dedicação para que seus filhos, Mayu (16 anos), Shogo (15) e Aya (13) ficassem fluentes em japonês. No caso da Mayu, o seu êxito precisa ser dividido com uma grande figura, a professora Marico Kawamura, hoje com 91 anos de idade. Desde o início, essa fundadora do Colégio Oshiman acreditou no potencial da Mayu e fez questão de dar aulas de japonês pessoalmente, nos últimos seis ou sete anos, ensinando os detalhes de cada ideograma e seus significados nos poemas clássicos.

Fora isso, a família frequenta a igreja onde a maioria é nikkei. A Mayu treina kendô na Associação Cultural Mie Kenjin do Brasil, onde conseguiu o segundo “dan”. E, pela Associação Mie, ajuda todos os anos no estande de alimentação do Festival do Japão.

Com toda essa ligação com a comunidade nikkei, Mayu pensa em fazer o curso superior no Japão, ou mesmo a pós-graduação, e pretende trabalhar como médica no Brasil e no Japão. Vamos torcer para que os sonhos dela se concretizem. Capacidade e torcida ela têm.

Francisco Noriyuki Sato

Jornalista e editor, professor de História do Japão.

abr 092019
 

A Associação Beneficente dos Provincianos de Osaka Naniwa-Kai realiza no dia 14 de abril (domingo), a sua festa Udon Matsuri .

Além do Udon propriamente dito, haverá venda de doces japoneses como yogashi, castela cake, mochi e manju, trufas e ovos de páscoa, produtos e roupas importadas do Japão, bordados, crochê, artesanatos diversos, cosméticos e bijuterias

Na praça de alimentação, o público poderá degustar de nossos pratos típicos da culinária japonesa, como tempura udon, tirashi sushi, makizushi, shiruko, fukujinzuke e takenoko em conserva!

Associação Beneficente Osaka Naniwa-Kai – Rua Domingos de Morais, 1581 – +info: 11 5549 7226 | osakananiwakai@gmail.com

Entrada franca

mar 262019
 

A bolsa de estudos e/ou estágio da JICA tem o nome de “Programa de Treinamento Nikkei”, porém, há quatro cursos de curta duração abertos aos interessados em geral, desde que atenda aos requisitos estabelecidos. São eles:

Cursos que não exigem ascendência japonesa:  (* favor verificar condições no manual)

C07: Saúde, assistência médica e assistência social comunitário – Métodos para aproveitamento de recursos sociais existentes em idosos com necessidade de cuidados;
C12: Educação infantil e atividades sobre cultura japonesa;
C14: Ensino de língua japonesa como língua de herança;
C20: Programa de intercâmbio para promover novas parcerias entre museus nikkeis.

A inscrição deve ser feita até o dia 12 de abril de 2019. A faixa de idade para todos os cursos acima é de 21 a 50 anos. Os pré-selecionados serão entrevistados entre 3 e 9 de maio de 2019, nas cidades de São Paulo, Brasília ou Belém. Todos os detalhes da bolsa, descrição dos cursos e os formulários estão no link: https://www.jica.go.jp/brazil/portuguese/office/activities/nikkeis01_01_01.html

Quem estiver interessado deverá correr, pois são muitos os documentos, que incluem exames médicos.

mar 012019
 

O curso é gratuito, aberto a participantes de todo o país, que desejam aprender japonês, mas nunca estudaram o idioma. As inscrições estarão abertas até o dia 17 de março

A Fundação Japão promove, de 22 de março a 25 de junho, um curso on-line de japonês para aqueles que não conhecem ainda o idioma. O Curso de Japonês Online Marugoto A1-1 (Katsudoo & Rikai) é gratuito e inclui seis aulas ao vivo com professor-tutor, com interação com os demais alunos, correção de tarefas e certificado de conclusão do curso.

O curso é voltado àqueles que tem o sonho de trabalhar ou estudar no Japão, ou apenas visitar o país ou compreender animes e mangás, bem como se comunicar no idioma.

É uma grande oportunidade especialmente para aqueles que não têm tempo ou condições financeiras para participar de um curso presencial. 

O curso utilizará o site Marugoto Japanese Online Course para a realização de tarefas, que serão corrigidas individualmente pela professora-tutora.

As aulas ao vivo acontecerão a cada duas semanas, sempre às terças-feiras, das 20h às 20h40 (horário de Brasília), nas seguintes datas: 26 de março, 9 de abril, 23 de abril, 7 de maio, 21 de maio e 4 de junho.

As inscrições estarão abertas a partir das 12h do dia 1º de março de 2019, até a meia-noite de 17 de março de 2019. Interessados deverão acessar o site https://minato-jf.jp, bem como preencher o cadastro no site  https://fjsp.org.br/site/wp-content/uploads/2018/09/panfletoMINATO_com_link.pdf.

Como as vagas são limitadas, após efetuar a inscrição, interessados deverão aguardar um e-mail com a confirmação da inscrição.

fev 212019
 

Numa época em que ninguém sabia o que era mangá, a não ser os japoneses e os descendentes que dominavam o idioma, um grupo iniciou um trabalho voluntário de divulgação dessa cultura pop como arte japonesa. A Abrademi surgiu da junção da comissão de exposição de quadrinhos e ilustrações da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) com a Associação dos Amigos de Mangá, fundada dentro da Universidade de São Paulo pela professora Dra. Sonia Maria Bibe Luyten, a pioneira a tocar nesse assunto nos meios acadêmicos.

Roberto Kussumoto, Kimil Shimizu, José Yukuo Oki, Noriyuki, Roberto Higa e Margarete Shibuya Itai, três anos antes da fundação da Abrademi, na entrada lateral do Bunkyo.

Dubladores: Ulisses Bezerra, Letícia Quinto e Élcio Sodré no MangáCon

Incentivada pelo sr. Masuichi Omi, então presidente do Bunkyo, que via no mangá a facilidade de divulgação da cultura japonesa, a Abrademi começou, em fevereiro de 1984, realizando aulas de desenho e exposições. O mestre Tezuka Osamu, Deus do Mangá, visitou o Brasil no final de setembro daquele ano. Os grandes jornais deram destaque e as suas palestras foram bastante concorridas, assim como os desenhos animados de Tezuka exibidos no MASP. A Abrademi coordenou a parte brasileira dessa exposição no MASP, com artes originais de artistas como Júlio Shimamoto, Eugênio Colonesse, Jorge Kato, Osnei Furtado, Louis Chilson, Jayme Cortez, Cláudio Seto, Roberto Higa, Eduardo Vetillo, Novaes, Paulo Fukue, Watson Portela, Roberto Kussumoto, Seabra, Vilachã, Rodval Matias, Mozart Couto, Gedeone Malagola, Rodolfo Zalla, Flávio Colin, Franco de Rosa, Kimil Shimizu, Michio Yamashita, e muitos outros, além de desenhistas amadores da Abrademi. Na ocasião, Tezuka Osamu ministrou uma aula para a Abrademi, no Bunkyo da Liberdade.

Caravana do Rio coordenada pelo Allen.

A Abrademi publicou fanzines (Clube do Mangá e outros), promoveu debates, e já na década de 1990, começou a organizar eventos de mangá e animê, sendo a MangáCon, a pioneira em eventos desse tipo, com shows de dubladores, cantores, lojinhas, exposição de posters, exibição de vídeos, concurso de cosplay, animê-kê e anime dance. A última MangáCon foi em 2000. Mais sobre a Abrademi.

Dia 17 de março de 2019 – Domingo – Das 10 às 17 horas.

Local: Associação Cultural Mie – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – bem na saída do metrô Vila Mariana. Há estacionamento pago no local. As inscrições são feitas pelo Sympla, pelo link: https://www.sympla.com.br/festa-dos-35-anos-da-abrademi__457100

Será servido um Brunch (Buffet a partir das 12h00) , com: café( doce e amargo)/água mineral com e sem gás/ leite ou chá / 03 tipos de frutas da época (mamão, abacaxi, melão ou melancia)/ mini-croissant recheado de presunto e catupiry ou presunto / mini-gravatinhas( massa folhada) de parmesão e gergelin/ lanches utilizando mini-pão francês com cobertura de parmesão, gergelin, mini-integral recheados com queijo fresco, blanquet de peru, salame e presunto / salgadinhos: mini-esfihas de carne ou calabreza ou queijo, quibe ou risolis misto ou coxinha/ strudel de maçã ou mini-carolinas de chocolate / sucos naturais de laranja, abacaxi/ refrigerantes ( guaraná e cola, nas versões normal e zero e/ou light). E um bolo de aniversário, é claro!

Aula do mestre Tezuka Osamu para a Abrademi em São Paulo. Jo Takanashi traduziu tudo na hora. Jal e Franco de Rosa estão na foto.

 

  • Haverá apresentação de slides com a história da Abrademi.
  • Exibição de videoclipes do AnimeDance e exibição de vídeos históricos, como os momentos marcantes da MangáCon.
  • Recortes de jornais e materiais históricos serão expostos.
  • Haverá um painel na parede para os desenhistas exercitarem sua arte.

    Tezuka Osamu – Ribon no Kishi

  • Exposição Tezuka Osamu – Este ano completam 30 anos sem Tezuka e 35 anos da vinda do Deus do Mangá ao Brasil
  • O desenhista Guilherme Raffide, do álbum “Nikkei” fará retratos em caricatura de mangá dos presentes o desenhista Francisco de Assis fará caricaturas dos presentes (ambos sem cobrar).

     

     

     

  • Bate-papo com o editor, roteirista e desenhista Franco de Rosa e outros profissionais

     

     

  • O desenhista Marco Antonio Cortez estará expondo e vendendo seus trabalhos
  • Show especial do cantor Diogo Miyahara interpretando temas de animê tokusatsu.

– A Abrademi estará colhendo depoimentos para o livro comemorativo que será lançado ainda este ano. Venha participar e compartilhar sua experiência com os amigos e com os demais colegas de outras fases da Abrademi!

Arte de Guilherme Raffide

 

Arte de Francisco de Assis

Franco de Rosa

No valor do ingresso já está incluído o brunch, bem como as bebidas e bolo descritos acima. A Abrademi está custeando a

Arte de Marco Antonio Cortez

locação do salão e os voluntários farão os preparativos, e os participantes só estão pagando o brunch. O INGRESSO será vendido por lotes. O ingresso Antecipado 2 poderá ser adquirido até o dia 12/03/2019. Menores de 10 anos terão desconto na compra antecipada até o dia 12/03/2019. Na porta do evento, o ingresso será vendido sem desconto, ou seja, por R$ 50,00 e R$ 25,00 (menores de 10 anos).

Show Diogo Miyahara na Abrademi

As inscrições são feitas pelo Sympla, pelo link: https://www.sympla.com.br/festa-dos-35-anos-da-abrademi__457100

Venha comemorar conosco neste evento que vai, com certeza, ficar na história!

fev 162019
 

São duas palestras seguidas de um debate. O objetivo é transmitir os principais valores da cultura japonesa, dentro de seu contexto histórico, e como se mantém ainda hoje. Respeito ao próximo, cooperação mútua, preservação da tradição, evitar o desperdício, honestidade e gratidão são alguns dos aspectos a serem discutidos no evento.

Data: 21 de abril de 2019 – (domingo) Das 9 às 12h30. Local: Associação Cultural Mie – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – Estação metrô Vila Mariana

A programação será composta por:

– Palestra “Cultura Japonesa: Os Valores Essenciais“, com o professor Yuho Morokawa.

– Palestra “Os Valores Transmitidos pelos Imigrantes no Brasil“, com o professor Francisco Noriyuki Sato.

– Projeção de vídeos e debate aberto ao público.

ATENÇÃO: O ingresso é gratuito, mas pede-se que se faça doação de produtos de higiene pessoal (shampoo, condicionador, loção para o corpo, creme dental, por exemplo), em qualquer quantidade, que serão entregues à Sociedade Beneficente Casa da Esperança “Kibô-no-Iê”, entidade filantrópica de amparo à pessoa com deficiência intelectual, cujo trabalho poderá ser conferido no link: http://www.kibonoie.org.br/aspx/home.aspx

As entidades organizadoras e os palestrantes não receberão nenhuma remuneração. As despesas do evento serão custeadas com a venda de livros. Os livros à venda estão neste link: http://www.abrademi.com/index.php/livros-a-venda/

Reserve já a sua vaga gratuita pelo Sympla!

Yuho Morokawa é autor do livro “Os Japoneses e Seus Legados”. Natural de Pirajuí, cresceu na Primeira Aliança, município de Mirandópolis, e foi morar em Uraí e Londrina. Formado pela PUC em administração de empresas, foi contemplado com uma bolsa de estudos do Ministério da Agricultura do Japão, para estágio de um ano. Foi também bolsista da 4-H Foundation dos Estados Unidos. Trabalhou por 11 anos no 4-H Clube do Brasil, entidade educacional voltada aos jovens rurais. Foi gerente administrativo da Panasonic do Brasil por 16 anos e relações públicas da H. Stern Joalheiros por nove anos. Foi diretor do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, e é atual vice-presidente do Centro Brasileiro de Língua Japonesa.

Francisco Noriyuki Sato é jornalista e editor formado pela Universidade de São Paulo. Foi assessor de comunicação da Cooperativa Agrícola de Cotia e da Jetro – Japan External Trade Organization. Um dos fundadores da Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, é autor dos livros História do Japão em Mangá e Banzai História da Imigração Japonesa em Mangá. Foi bolsista da Jica em 2014 na Universidade de Kanazawa e ministrou palestras em universidades e museus no Japão em 2016. Ministra o Curso de História do Japão desde 2017 e edita livros de história.

Promoção: Abrademi, Associação Nippon Kaigi do Brasil e Associação Cultural Mie

Apoio Institucional: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

fev 142019
 

Formação da Próxima Geração da Comunidade Nikkei

Este curso tem como objetivo a formação de recursos humanos, que possam contribuir para o desenvolvimento das comunidades nikkeis e no fortalecimento da relação desses países com o Japão, através do treinamento a ser realizado. O foco deste curso é fazer com que os universitários, descendentes de japoneses, com qualificação suficiente para contribuir para o futuro do desenvolvimento das comunidades nikkeis, conheçam melhor o Japão e também sobre suas raízes, além de fortalecer a sua identidade como nikkei por meio de estudos sobre a história da imigração japonesa, estágios nas universidades, e demais treinamentos.

Serão selecionados 20 pessoas de 9 países, e 9 participantes serão do Brasil.

A vantagem desse curso é que acontece durante as férias escolares do Brasil. Data da Chegada ao Japão: 26 de junho de 2019 (quarta-feira) – Data da saída do Japão: 19 de julho de 2019 (sexta-feira).

ATENÇÃO: o prazo para inscrição só vai até 20/fevereiro/2019!

Os requisitos:

Os candidatos deverão satisfazer todos os requisitos abaixo: (1) Ser imigrante japonês ou descendente até a terceira geração de imigrantes japoneses (ter pai ou mãe nissei). ※ Ser domiciliado no país contemplado neste programa. (2) Pertencer a uma instituição de ensino superior do país e que esteja na faixa etária de 18 a 30 anos, no período do curso. (3) Ter a anuência dos pais ou da pessoa responsável (no caso de ter 18 e 19 anos), (4) Ter a fluência em língua japonesa, o suficiente para o dia-a-dia (do nível 4 de proficiência de língua japonesa para cima), e em inglês para poder assistir às aulas ministradas nesse idioma, bem como para participar das discussões nas universidades japonesas. (5) Ter boa saúde física e mental para o convívio coletivo no Japão. (6) Por regra, participar de toda Programação desde a data de chegada até o término do curso.

Maiores informações e inscrição: https://www.jica.go.jp/brazil/portuguese/office/activities/nikkeis01_01_04.html

fev 082019
 

Pesquisa realizada por uma empresa independente com 1.212 pessoas de ambos os sexos acima de 20 anos de idade, em todo o Japão, em 2015, revelou que o beisebol continua sendo o esporte preferido, seguido pelo futebol e o tênis de campo. Entre as novas modalidades adicionadas nos próximos Jogos de Tóquio, 70% disseram preferir o beisebol e o softbol, seguidos pelo karatê e o boliche.

Um esporte que surgiu entre os samurais, o kyudô ainda é praticado nas escolas, principalmente pelas meninas © Lilac and Honey

O beisebol é, há muito tempo, o esporte nacional do Japão. Em quase todas as escolas, o campo ocupa um bom pedaço do terreno disponível e, talvez por isso, os jogadores mirins são vistos em qualquer lugar. O campeonato nacional colegial da modalidade, conhecido como Koshien, que é o nome do campo onde se realizam os principais jogos, é um grande evento de verão e é transmitido para todo o país.
O beisebol foi introduzido em 1872 e a liga profissional foi fundada em 1936. Em 1950, devido a grande quantidade de times, a mesma foi dividida em Liga Central, com as equipes mais antigas, e a Liga Pacífico, com os clubes novos da época. Ambas continuam até hoje. Atletas americanos, cubanos, nicaraguenses e até brasileiros são convidados a jogar nesses disputados torneios, porém, o regulamento permite a participação de apenas quatro jogadores estrangeiros por time.

Principal modalidade no Brasil, o futebol só se tornou popular há pouco mais de 20 anos, mais exatamente em 1992 quando a J-League foi fundada reunindo 18 times. Apesar disso, a história revela que um grupo de amadores disputou os Jogos Olímpicos de Berlin, em 1936, com a camisa do Japão, derrotando a então poderosa Suécia por 3 a 2. Já na categoria feminina, o futebol é pouco praticado e há poucos torcedores. Isso poderá mudar dependendo dos próximos resultados, pois a equipe feminina japonesa conquistou surpreendentemente a Copa do Mundo de 2011, vencendo os Estados Unidos na final.

Ekiden: tradicionais maratonas realizadas para todas as faixas etárias © Naoko

Yamate Park, em Yokohama, foi o primeiro parque em estilo ocidental construído no Japão, em 1870. Reduto de estrangeiros, o local sediou a primeira partida de tênis em solo japonês em 1876. E, dois anos depois, foram construídas quatro quadras no local, marcando a chegada oficial do esporte naquele país.

Quando foi proposto ensinar a educação física no estilo ocidental nas escolas, o tênis de campo foi uma das modalidades escolhidas. Na época, as bolas eram importadas e caras, sendo substituídas por aquelas flexíveis de borracha. E assim surgiu o soft tênis, que ainda hoje é muito praticado em escolas. Desde o sucesso de Kei Nishikori, que chegou a ser o número 4 do mundo em 2015, a modalidade ganha bastante destaque na mídia, o que poderá levar ao surgimento de outros bons atletas.

Correr e correr

Embora os japoneses não sejam os campeões da modalidade, a maratona é bastante praticada no Japão. Assim como no Brasil, as corridas de rua são populares e contam com muitos participantes. Por ser um país que prioriza o trabalho em grupo, era natural que o povo nipônico tivesse preferência por modalidades em equipe. É o que acontece com a corrida de revezamento. A primeira, conhecida como Ekiden, foi criada em 1917 pelo jornal Yomiuri Shimbun, em um percurso de 508 km ligando Quioto a Tóquio. Atualmente, diversos Ekiden são realizados em todo o Japão e o percurso varia bastante.

No campeonato nacional ginasial, por exemplo, cinco meninas correm 12 km no total, enquanto seis garotos perfazem um percurso maior, de 18 km. Já no campeonato colegial, cinco meninas devem correr 21 km e os sete meninos correm o dobro, 42,195 km. No campeonato interestadual, nove mulheres correm 42,195 km, enquanto sete homens correm 48 km. Há outros campeonatos universitários e regionais, sendo que o percurso mais longo é o Kyushu Ekiden, com 1064 km, cuja prova começou em 1951, sendo o percurso mais longo do mundo. A prova é realizada em dez dias. Os campeonatos são bastante populares e os principais contam com transmissão ao vivo pelas TVs.

A prática do kendô foi proibida em 1946 pelas forças de ocupação, mas voltou a ser praticado em 1950 © Youkaine

Apesar de não ser a modalidade mais praticada nas escolas, o basquete vem ganhando destaque desde que Yuta Yabuse, de 1,75 metros, trocou a equipe Toyota Alvark, onde disputou a Liga Japonesa, pelo Dallas Mavericks da NBA americana, em 2003. Ele trocou de time várias vezes e retornou ao Japão em 2008.

Seis anos mais jovem e mais alto, Takuya Kawamura, de 1,93 metros, seguiu do Japão para os EUA em 2009 para jogar no Phoenix Suns e hoje defende o Yokohama B-Corsairs no Japão. Além deles, merece destaque o desenhista Takehiko Inoue que, entre 1990 e 1996, produziu a série de mangá “Slum Dunk”, um grande sucesso, que alcançou mais de 120 milhões de exemplares vendidos, enfocando o basquete como tema. O sucesso desse mangá teria levado muitas a crianças a se interessarem pela modalidade. Inoue foi homenageado em 2010 pela Japan Basketball Association, na comemoração do 80º aniversário da entidade.

Sendo um dos países mais estruturados do mundo, todos os atletas e visitantes que presenciarão os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, esperam encontrar uma organização exemplar e uma perfeição em todos os detalhes quanto aos serviços locais. Dedicados como são, é possível que os japoneses consigam atender às expectativas dos visitantes e não farão feio. Por outro lado, não é possível, evidentemente, prever as medalhas que os japoneses conquistarão em seu território. Para isso, além do desempenho individual, contará com o investimento feito ao longo dos anos nas escolas e nas categorias infantis de cada modalidade disputada.

Autor: Francisco Noriyuki Sato, jornalista e editor. Escrito em Julho de 2017

Veja a continuação:

A prática esportiva começa bem cedo no Japão

fev 072019
 

 

Crianças participam do Undoukai nas escolas e se preparam para provas de corrida © Chris Lewis

Cinquenta e três anos depois dos primeiros Jogos Olímpicos realizados em Tóquio, em 1964, o Japão se prepara para o novo e grande desafio, as Olimpíadas de 2020. Estarão os atletas japoneses preparados para essa responsabilidade?

Yabusame, esporte dos samurais, continua sendo preservado como tradição cultural © Miki Yoshihito

A expectativa é grande. Se em 1964 eram 20 as modalidades disputadas, no próximo Jogos serão 28, além de outras 18 introduzidas em caráter experimental. A concorrência também aumentou. Em 1964 eram 93 países e 5 mil atletas, e para 2020 espera-se a participação de 206 países e 11 mil participantes, a exemplo do que foi nos Jogos realizados no Rio de Janeiro. Para os atletas japoneses, a expectativa é ainda maior, levando-se em conta o peso da responsabilidade de um ótimo desempenho na competição sediada pelo seu próprio país.

Aliás, as Olimpíadas de 1964 deixaram um gosto amargo no coração dos japoneses justamente no judô, esporte originário do país e que estreou naquele ano na competição. Das quatro categorias disputadas, três foram vencidas pelos japoneses, o que era esperado, mas na categoria livre (independente do peso), o gigante holandês Antonius Geesink derrotou o grande campeão e ídolo local Akio Kaminaga na luta decisiva e ficou com a medalha de ouro.

Foi uma notícia em que ninguém acreditaria se não fosse a transmissão pela TV para todo o território nacional. Tominaga tinha 1,79 metros e 102 kg, enquanto o holandês media 1,98 metros e 120 kg, mas acreditava-se que o atleta japonês conseguiria superar a diferença de peso entre eles. Tominaga parou de lutar no ano seguinte, devido à doença na retina. Geesink trocou o tatame pelo ringue de luta-livre e atuou no Japão em parceria com os renomados lutadores da época. Obteve depois o título de doutor com uma tese sobre o judô na Universidade Kokushikan e chegou ao 10º dan.

Em 1964, havia o esforço coletivo de mostrar o novo Japão ressurgido das cinzas da Segunda Guerra Mundial, e todos se esforçaram nesse sentido, principalmente os atletas, que conseguiram 16 medalhas de ouro, classificando o país como o terceiro melhor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com 36 medalhas, e da União Soviética, com 30.

Para 2020, os atletas carregam a responsabilidade de levantar o ânimo dos japoneses, que não conseguiram se recuperar após o estouro da Bolha Econômica (Lehman Shock) de 2008, e do trágico tsunami e do consequente vazamento radioativo de 2011.

O treinamento começa cedo

Seis anos antes das Olimpíadas de Tóquio, em 2014, a imprensa japonesa já prestava atenção nas competições nacionais infantis e aos talentos que essas revelavam. Diziam que era importante saber quem se destacava aos 12 anos, porque ele teria 18 em 2020 e poderia ser um representante do Japão.

E a imprensa teve muito trabalho naquele ano, pois há competições nacionais de quase todas as modalidades no Japão, já que o esporte começa a ser praticado na escola primária e continua nos níveis superiores, onde quase sempre há um bom espaço e uma boa estrutura. Quando se consegue um bom resultado em uma modalidade, a escola recebe um investimento maior na área e com isso se torna uma referência para as crianças que se sobressaem no esporte. E muitos disputarão uma vaga naquela escola que pode torná-lo um vencedor.

O undoukai, gincana poliesportiva, ainda é o principal evento esportivo anual das crianças © Miki Yoshihito

A Nippon Junior High School Physical Culture Association (Associação Japonesa de Cultura Física do Ensino Fundamental / Ginasial) realiza um levantamento anual sobre as atividades esportivas praticadas pelos alunos e alunas separadamente. Em 2017, constatou-se que entre 10.478 escolas ginasiais, em 8.071 as meninas praticam voleibol, enquanto que em 7.659 jogam basquete, em 6.990 o soft tênis, em 6.313 o atletismo, e em 5.856 o tênis de mesa. Já entre os meninos, em 8.639 instituições praticam o beisebol, em 7.151 o basquete, em 6.990 o futebol, em 6.668 o tênis de mesa e em 6.426, o atletismo. Apesar da estatura média do japonês não ajudar, o basquete é muito praticado nas escolas, tanto pelos meninos como pelas meninas, pelo fato de ser uma modalidade que pode ser praticada em quadra coberta.

Cabe lembrar que, devido a variações climáticas dentro do país, alguns esportes de quadras cobertas são mais praticados em locais de temperatura baixa, privilegiando também as modalidades de inverno, como o esqui e o hóquei no gelo. Algumas delas, por exigirem instalações apropriadas, são menos praticadas , mas é possível encontrar escolas equipadas e que participam de campeonatos regionais, caso de naguinata, kyudô, rugby, luta-livre, patinação artística e arco e flecha. Em algumas escolas do ensino fundamental é possível praticar o sumô, esporte símbolo do Japão.

É tudo estatística!

Quase todos os alunos das escolas japonesas do primário e do ginásio participam do exame anual de força física organizado pelo governo. Trata-se de um levantamento de aptidão física, importante para nortear os treinamentos nos cursos de educação física e nos esportivos opcionais. Pelo levantamento, concluiu-se, por exemplo, que as crianças que fazem brincadeiras físicas, como pular cordas, conseguem melhor desempenho quando praticam esportes.

Estatísticas mostram outros dados interessantes. Os meninos do ensino primário que gastam 7 horas ou mais em atividade física por semana, por exemplo, conseguem arremessar uma bola de softbol mais longe. No caso deles, alcançam a média de 25,8 metros, enquanto aqueles que dedicam menos horas conseguiram a média de 19,04 metros. Mais da metade dos meninos do ginasial consegue correr 50 metros em 7,93 segundos, se praticarem mais de 7 horas de atividade física por semana. Aqueles que praticam menos tempo conseguiram alcançar a média de 8,53 segundos. Como esses dados são levantados no país inteiro, servem para cada escola ajustar o treinamento de seus alunos comparando com os seus resultados anteriores e com os dados de outras instituições. Além disso, serve para mostrar que se deve praticar alguma atividade física evitando o sedentarismo.

Autor: Francisco Noriyuki Sato, jornalista e editor. Escrito em Julho de 2017

Veja a continuação:

Os esportes mais populares do Japão

jan 312019
 

Oficialmente, os japoneses se aposentam aos 65 anos de idade. Quem trabalha no Japão, sendo japonês ou estrangeiro, é cadastrado no sistema previdenciário nacional e passa a recolher um valor para o fundo de aposentadoria. Ele é composto de uma pensão nacional (Kokumin Nenkin), que paga um valor anual e igual para todos, e a pensão de bem-estar (Shakai Hoken), que varia de acordo com a renda do indivíduo.

O Kokumin Nenkin é recolhido pela empresa contratante ou indivíduo autônomo, no valor aproximado de 150 dólares por mês. Aos 65 anos, se a pessoa contribuiu durante 40 anos, passará a receber, uma vez por ano, cerca de 7.500 dólares. O valor será menor se o tempo de contribuição for menor.
Para o Shakai Hoken, o valor da contribuição mensal é de cerca de 18% da remuneração atual, sendo metade paga pelo empregador e a outra metade pelo indivíduo. Quando o trabalhador completa 65 anos de idade, passa a receber, além do Kokumin Nenkin, esse benefício como complemento da aposentadoria. Essas pensões são pagas também em caso de invalidez ou falecimento do segurado.

Para quem está aposentado hoje no Japão, que trabalhou a vida toda numa grande empresa, o valor das pensões deve ser suficiente para se viver bem. Mesmo levando-se em conta o aumento do imposto sobre mercadorias (que era de 5%, subiu para 8% e deverá chegar em breve para 10%), que elevou o custo de vida, mas não aumentou a renda dos aposentados, a renda dessa pessoa é considerada muito boa. Esses aposentados vivem bem, e constituem uma boa parcela dos turistas do país, aqueles que vão a estâncias climáticas e visitam cidades históricas. Eles representam mais de 43% de todos os turistas japoneses.

Os japoneses calculam que, após o fim da bolha econômica, nos anos 1990, os empregos vitalícios ficaram cada vez mais raros, e só uma parcela da população conseguiu recolher valores elevados para o fundo de aposentadoria, ou fez investimentos que hoje proporcionam renda.
Ou seja, muitos dos que esperam conseguir aposentadoria nos próximos anos deverão se contentar com uma renda baixa se comparada com a geração dos seus pais.

Mais de 90% das pessoas concluem o curso colegial e mais de 40% concluem o curso superior entre os japoneses. Mesmo esses mais estudados não podem ter certeza se estarão empregados num futuro próximo. Isso faz com que muitos jovens não mais procurem um emprego fixo. Preferem fazer trabalhos temporários, num restaurante, por exemplo, recebendo por hora e sem terem um compromisso com a empresa. Largam o trabalho para viajar, e quando voltam procuram outro serviço. Assim consegue-se viver hoje, mas como não contribuem para o sistema previdenciário, não terão nenhuma assistência e nem uma aposentadoria.

Outro grande problema é a diminuição da população jovem. Com os custos elevados da educação, muitos casais preferem não ter filhos ou se contentam em ter apenas um. Isso faz com que a pirâmide social fique invertida, inviabilizando a própria previdência, se medidas radicais não forem tomadas. Em 2012,  população com mais de 65 anos era de 30,3 milhões de pessoas, ou seja, 24,2% do total da população. Já a população de 0 a 29 anos de idade representava 34,7 milhões de pessoas, ou 27,5% do total. Se mantido o atual ritmo, o Japão terá em 2050, 50% da população ativa e 50% inativa.

Para melhorar essa difícil conta, o governo japonês vem tomando, desde 2000, uma série de medidas que achataram o valor dos novos benefícios e aumentaram o valor dos recolhimentos. Outra grande mudança foi na idade para se aposentar, que foi elevada de 60 para 65 anos.

A existência de tantos idosos requer estruturas próprias e serviços de apoio no caso deles viverem separados dos filhos ou netos. Na tentativa de tratar a necessidade de assistência dessas pessoas, em 1997 a Assembleia Legislativa do Japão (Dieta) aprovou a Lei sobre Seguro Assistencial de Longo Prazo, que levou à criação do sistema de seguro assistência ao idoso em 2000. Esse sistema recolhe contribuições previdenciárias obrigatórias de uma ampla parcela da população (todas as pessoas com 40 anos ou mais) e fornece serviços como atendimento em domicílio a idosos, visitas a centros de assistência, ou permanências de longo prazo em casas de repouso para pessoas que sofrem de demência senil ou estão confinadas à cama por motivos de saúde.

A necessidade de se recorrer a esses serviços deve ser certificada pelos escritórios das cidades, municípios e povoados responsáveis por administrar o sistema de seguro assistência para idosos. O financiamento do sistema de seguro de assistência ao idoso do Japão conta com fundos dos governos nacional (25%), local (12,5%), distrital (12,5%), e das contribuições previdenciárias (50%).

Assistência Médica não é gratuita

Em 2009, as despesas com os idosos representavam um terço do total gasto pelo governo em assistência médica. Os gastos com pessoas com 75 anos ou mais, em média, são cinco vezes mais elevados do que com os adultos com menos de 65 anos. Todos os cidadãos japoneses estão inscritos no sistema nacional de saúde e têm direito ao “sistema de acesso livre”, que permite aos pacientes escolher os locais de atendimento de sua preferência.

Nesses hospitais, clínicas, laboratórios, consultórios médicos e dentários, o segurado deverá pagar sempre uma parte do seu tratamento. Aqueles com 75 anos ou mais devem pagar apenas 10% do total gasto, ficando o restante a cargo da seguridade social. Quem tem entre 70 e 74 anos contribui com 20%, e aqueles com até 69 anos de idade devem pagar 30% do valor gasto. Quem, apesar de estar aposentado, tiver uma receita comparável a uma pessoa ativa, deverá contribuir com 30% da despesa, como um trabalhador normal. A aquisição de remédios indicados pelos médicos também entram nessa conta, e os beneficiários pagam apenas uma parcela dos custos dos remédios, seguindo a mesma proporção do restante do tratamento. No caso de medicamentos considerados extremamente caros, o governo arca com a totalidade do seu preço.

Evidentemente, o governo precisa desembolsar uma parte dos custos médicos do seu orçamento anual, porque o valor recolhido dos contribuintes não é suficiente para pagar todas as despesas. E se discute se o governo deveria mesmo continuar pagando os remédios caríssimos, já que esses só beneficiam uma minoria. Entretanto, o sistema tem funcionado a contento, oferecendo bons serviços a custos relativamente baixos. Levantamentos recentes indicam que o custo médico do japonês é em média a metade do norte-americano.

A qualidade da assistência médica contribui para a longevidade. Levantamentos mostram que a população do mundo vivia bem menos na década de 1950. Estatísticas dão conta que a média era de apenas 48 anos de idade. O índice é baixo porque a mortalidade infantil era elevada. Em 2010, graças ao avanço da medicina, essa média mundial havia subido para 67,2 anos.

A expectativa de vida do japonês é a mais altoa do mundo, segundo a World Health Organization, num levantamento entre 183 países realizado em 2015. As mulheres devem viver em média até 86,8 anos e os homens até 80,5 anos no Japão. A população idosa é maior nas áreas rurais, pois os jovens saem para estudar e trabalhar nas cidades maiores. Hoje, nos arrozais que encontramos em todo o Japão, é comum avistar apenas idosos cuidando da plantação. Os equipamentos facilitam, e aqueles que se encontram com mais saúde não se importam com o trabalho na roça, já que estão acostumados.
O Brasil figura no 67º lugar dessa lista internacional, com expectativa média de 78,7 anos para as mulheres e de 71,4 nos para os homens. O último lugar da lista é ocupado por Serra Leoa, país africano de quase 6 milhões de habitantes. Lá, a mulher espera  viver 50,8 anos e o homem apenas 49,3 anos.

Um novo conceito em condomínio de idosos: Share Kanazawa

Autor: Francisco Noriyuki Sato / NSP Editora – escrito em Julho/2016.