Cultura Japonesa

nov 012019
 

A Century Travel, operadora especializada no Japão, está preparando uma excursão inédita com roteiro histórico, na companhia do professor de História do Japão, Francisco Noriyuki Sato, que dará in loco explicações para que se possa aproveitar cada minuto dessa viagem.

Data de saída: 31 de março de 2020 – 16 dias de viagem

DESTAQUES DA EXCURSÃO
Nara, Osaka, Kobe, Ise, Himeji, Quioto, Kanazawa, Shirakawago, Takayama, Iiyama, Kamakura & Tóquio. Época de sakurá e o clima é agradável.

O PACOTE INCLUI

  • Passagem aérea da Lufthansa em classe econômica a partir de São Paulo
  • Pernoite nos hotéis mencionados ou em similares em categoria turística com impostos locais inclusos
  • Café da manhã nos hotéis e refeições indicadas no programa
  • Traslados e passeios em ônibus privativo ou em transporte público de acordo com o roteiro
  • Guia local falando português ou espanhol
  • Bilhetes de trem expresso e trem-bala em classe turística conforme mencionado no roteiro
  • Ingresso dos pontos turísticos citados no programa
  • Seguro de viagem com cobertura médico-hospitalar de até US$ 60.000,00
  • Acompanhamento de guia brasileiro durante toda a viagem para grupo com mínimo de 15 passageiros

PREÇOS POR PESSOA (em dólar americano) – Valores válidos para mínimo de 15 participantes
Pacote Aéreo e Terrestre – USD 6.790 (acomodação dupla), USD 6.580 (tripla) e USD 8.480 (individual)
Pacote Só Terrestre – USD 5.900 (dupla), USD 5.700 (tripla) e USD 7.600 (individual)
Taxas de embarque e envio de bagagem USD 198,00
* Conversão do Dólar Americano para Reais pelo câmbio turismo de venda do dia do pagamento
Forma de pagamento: 20% de entrada (à vista ) + saldo em até 5 parcelas sem juros nos cartões Visa, Mastercard, Elo e Amex

Para maiores informações, contate: Century Travel – Tour Operator – Fone 11 3207-2644 A/C Claudia – email: claudia@centurytravel.com.br

ROTEIRO DE VIAGEM

31/03 – terça – De SÃO PAULO a MUNIQUE
13:00 – Apresentação no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Terminal 3.
16:55 – Embarque no voo LH505 da Lufthansa para Munique.
01/04 – quarta – MUNIQUE a OSAKA
09:35 – Chegada em Munique. 12:15 – Conexão com o voo LH742 para Osaka.
02/04 – quinta OSAKA – NARA
06:20 – Chegada ao Aeroporto Internacional de Kansai, traslado para cidade de Nara , passeio de meio dia no Parque de Nara e o Templo Todaiji que abriga o Buda Gigante. Após o almoço, check-in no hotel e tarde livre. Hospedagem no Fujita Nara.
03/04 – sexta – NARA – QUIOTO
Saída do hotel e passeio dia inteiro conhecendo a região de Nara e Quioto. Visita ao Kofun Ishibutai, o mais impressionante dos antigos monumentos de pedra em Asuka. Acredita-se que seja a tumba de Soga Umako, um poderoso líder do clã Soga que governou o país durante a maior parte do período Asuka (538-710). Continuação para o Templo Asuka e para o Mausoléu do Imperador Jimmu. Parada para almoço (não incluso) em Tawaramoto cho, Chishiro. Prosseguimento para Quioto rumo ao Templo Fushimi Inari com seus famosos portais vermelhos (aparece em filmes). Chegada ao hotel e check-in. Hospedagem no Miyako Kyoto Hachijo.
04/04 – sábado – QUIOTO
Passeio o dia inteiro conhecendo Kinkakuji (Pavilhão Dourado), Castelo Nijo e Mercado Nishiki com tempo livre para almoço (não incluso). A seguir, passeio a pé pelo Caminho dos Filósofos, chegando ao Templo Kiyomizu, o mais famoso na antiga Quioto. Hospedagem no Miyako Kyoto Hachijo.
05/04 – domingo – dom QUIOTO – KOBE – HIMEJI – QUIOTO
Passeio de dia inteiro utilizando transporte público, desfrutando da modernidade do trem-bala.
Em Kobe, conheceremos: Kobe Parque Meriken, Museu Marítimo e Museu da Imigração. Sugestão para almoço (não incluso): comprar “Obentou” ou “Lunch box” para comer no trem com destino a Himeji (comer obentou no trem é comum). Caminhada da estação até o Castelo de Himeji, conhecido como o “Castelo da Garça Branca”, um dos mais belos e maiores do Japão. Retorno a Quioto de trem-bala. Chegada e caminhada até o hotel. Hospedagem no Miyako Kyoto Hachijo.
06/04 – segunda – QUIOTO – NAGOYA – TOBA – ISE – NAGOYA
As malas grandes serão despachadas para Tóquio (para não ter que carregar peso). Separar em uma mala de mão a troca de roupa para quatro dias.
Saída do hotel e caminhada até a estação de Quioto. Embarque de shinkansen para Nagoya onde prosseguiremos para visitação de criação de pérolas Mikimoto em Toba e o famoso santuário de Ise e sua longa rua comercial Okage Yokocho, que preserva o aspecto e sabores do período Edo. Retorno a Nagoya e hospedagem no Meitetsu New Grand.
07/04 – terça -NAGOYA – TAKAYAMA – SHIRAKAWAGO – KANAZAWA
Saída do hotel e caminhada até a estação de Nagoya. Embarque em trem expresso para Takayama. Chegada e passeio o dia inteiro. Caminhada pela rua de comércio Kamisan no Machi e parada para almoço (incluso). Prosseguimento em ônibus para Shirakawago, vila rústica e histórica com casas de telhados de palha Gassho-zukuri (Patrimônio da Unesco). Continuação para Kanazawa. Chegada e traslado ao hotel. Hospedagem no Ana Crowne Plaza.
08/04 – quarta – KANAZAWA
Passeio o dia inteiro pela cidade conhecendo o famoso Jardim Kenrokuen, o Castelo de Kanazawa e o Museu de Arte Contemporânea. Tempo livre no museu para almoço (não incluso). À tarde, visita a Higashi Chaya Machi (bairro das gueixas). Hospedagem no Ana Crowne Plaza.
09/04 – quinta – KANAZAWA – IIYAMA
Pela manhã, caminhada até a estação de Kanazawa para embarque com destino a Iiyama. Em Iiyama, teremos experiência cultural em Mori No Iê e almoço no local. À tarde conheceremos o Takahashi Mayumi Ningyokan, museu dedicado a bonecos realistas de pessoas que residem no campo. Estes bonecos mostram cenas da vida cotidiana nas áreas rurais, desde cenas da agricultura até a socialização com os vizinhos. Término do passeio no hotel. Hospedagem em Minshuku (casa japonesa tradicional) com jantar.
10/04 – sexta – IIYAMA – TÓQUIO
Saída do hotel e traslado para a estação de Iiyama com destino a Tóquio. Chegada e passeio de meio dia para conhecer a Praça do Palácio Imperial, o Museu Edo-Tokyo. Término do passeio no hotel. Hospedagem no Shinagawa Prince.
11/04 – sábado – TÓQUIO
Dia de tour histórico em Kamakura, cidade que fica ao sul de Tóquio, utilizando transporte público para conhecer o Grande Buda, a segunda mais alta estátua de bronze do Japão e visita ao Templo Hachimangu, o mais importante de Kamakura. Tempo livre para almoço (não incluso). Em horário adequado, retorno ao hotel. Hospedagem no Shinagawa Prince.
12/04 – domingo – TÓQUIO
Dia livre para atividades independentes.
Opcional – Tour pela cidade de Tóquio utilizando transporte público. Visita ao bairro Shibuya (da estátua do famoso cão), e em seguida embarque no trem da linha Yurikakome para ir a Odaiba. Ver o robô Asimo Show e tempo livre para almoço (não incluso) em Aqua City. Mini cruzeiro pelo Rio Sumida até Asakusa, grande templo e comércio tradicional. Tempo livre e retorno ao hotel. Hospedagem no Shinagawa Prince.
13/04 – segunda – TÓQUIO
Dia livre para atividades independentes. Hospedagem no Shinagawa Prince.
14/04 – terça – TÓQUIO – FRANKFURT – SÃO PAULO
Check-out e traslado ao Aeroporto de Haneda.
14:05 – Embarque no voo LH 717 da Lufthansa para Frankfurt.
18:45 – Chegada a Frankfurt Partida para Guarulhos no voo LH506 às 22:05.
15/04 – quarta – SÃO PAULO
04:55 – Desembarque em São Paulo no Aeroporto Internacional de Guarulhos (Terminal 3).

Mensagem do prof. Francisco: – “Esse roteiro permite percorrer as principais localidades históricas e assim aprender os principais acontecimentos da longa história do Japão. Pedi para que a Century Travel programasse menos troca de hotel possível, para se evitar estresse e perda de tempo para refazer as malas. E assim, a viagem será menos cansativa mesmo para aqueles com mais idade e permite ter tempo livre, para aqueles com mais fôlego, para conhecerem outras localidades. Os hotéis selecionados são de bom padrão. Podem verificar na internet. Esse é o roteiro do grupo, mas você pode chegar antes ou voltar depois, para aproveitar e visitar seus parentes ou conhecer outras províncias não previstas no pacote. É só falar com a operadora Century”.

Francisco Noriyuki Sato – Natural de São Paulo, é formado em Jornalismo e Publicidade pela Universidade de São Paulo, foi assessor de relações públicas da Jetro, órgão do governo japonês na área de comércio exterior, e assessor de comunicação da Cooperativa Agrícola de Cotia. É presidente da Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações e diretor cultural da Associação Mie Kenjin do Brasil.  Bolsista pela JICA na Universidade de Kanazawa, ministrou palestras em universidades japonesas em 2016 e 2019, e leciona o curso completo de História do Japão desde 2017. Autor do álbum “A Filosofia do Samurai na Administração Japonesa” e dos livros “História do Japão em Mangá” e “Banzai – A História da Imigração Japonesa”.

Para maiores informações, contate: Century Travel – Tour Operator – Fone 11 3207-2644 A/C Claudia – email: claudia@centurytravel.com.br

 

out 282019
 

Shinichi Kitakoka, presidente da JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão, ministrará uma palestra especial no dia 4 de novembro de 2019, das 19 às 21 horas, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, 95, Centro. O tema da palestra será “A Modernização do Japão e as Relações Nipo-Brasileiras”. Entrada Franca.

O palestrante desperta interesse, pois, antes de assumir a presidência da JICA, foi reitor da Universidade Internacional do Japão, professor do National Graduate Institute, Universidade de Tóquio e da Universidade de Rikko. Foi também Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário e Representante Permanente Adjunto do Japão junto às Nações Unidas (ONU). É especialista em história, política moderna e diplomacia do Japão, sendo autor de vários livros.

A palestra integra o Programa de Estudo do Desenvolvimento Japonês (Cátedra Fujita-Ninomiya), que é um convênio entre o Japão e o Brasil, onde a JICA estabeleceu um curso no Departamento de Direito Internacional da USP para o estudo e pesquisa sobre a experiência do desenvolvimento no período do pós-Guerra até a atualidade.

Dia 4 de novembro de 2019 – 19 às 21 horas, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP.

out 252019
 

O evento existe há 60 anos, mas pouca gente sabe o que é, e mesmo aqueles que já participaram não costumam relatar o que viram. Por isso, resolvi escrever, como jornalista e como um dos palestrantes do evento.

O que é Convenção dos Nikkeis e Japoneses?

O primeiro evento, realizado em 1957, foi uma forma de agradecimento pela ajuda que os nikkeis do mundo inteiro enviou para o Japão destruído pela Segunda Guerra Mundial. Entre 1946 a 1952, as doações chegaram ao Japão por intermédio da LARA (Licensed Agencies for Relief in Asia), uma organização cristã, que conseguiu autorização para transportar os mantimentos, uma vez que não se podia enviar nada ao Japão nessa época. A ajuda somou 40 bilhões de ienes (no valor da época), em 1952, e 20% do montante foi enviado pelas comunidades nikkeis do mundo. Em 1956, com a adesão do Japão às Nações Unidas, tudo estava voltando à normalidade, e os estadistas da época resolveram mostrar um gesto de gratidão pela ajuda recebida, com a organização da Confraternização dos Nikkeis do Exterior. Em 1960, o evento ganhou o nome atual e passou a ser realizado todos os anos a partir de 1962.

Quem organiza a Convenção dos Nikkeis?

Em 1956, não havia no Japão entidades ligadas aos japoneses e descendentes do exterior, excetuando o Escritório de Comunicação dos Nikkeis do Exterior, que acabou centralizando os esforços para a realização da Confraternização de 1957. Em 1964, na quinta convenção, a presidência do Escritório (Associação) dos Nikkeis foi assumida pelo governador de Tóquio, que também era presidente da Associação Nacional dos Governadores. E desde então, todos os presidentes da Associação dos Nikkeis são presidentes da Associação dos Governadores, conseguindo assim apoio para angariar verbas em todas as províncias do País. Em 1967, a entidade passou a se chamar Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai.  Além da Convenção dos Nikkeis, essa entidade organiza, junto com a Jica, a recepção de bolsistas do mundo inteiro, administra o Museu da Migração de Yokohama (no prédio da Jica), e tem um serviço de atendimento aos trabalhadores nikkeis no Japão, entre outras atividades. É mais fácil entender lendo o mangá do link: http://www.jadesas.or.jp/pt/about/conheca-a-historia-da-associacao-kaigai-nikeijin-kyokai-atraves-do-manga.html

Como foi a 60ª Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior

O evento foi realizado em três dias, de 1 a 3 de outubro de 2019, em Tóquio. No primeiro dia, 182 japoneses e descendentes de 19 países e 150 japoneses residentes no Japão participaram da cerimônia de abertura, que teve início pontualmente às 15h30, no salão do Kensei Kinenkai (Museu do Parlamento). Antes, o representante do Havaí proferiu palavras de abertura, o ex-ministro da Terra, Infraestrutura, Transportes e Turismo, e atual vice-ministro chefe de gabinete, Akihiro Nishimura, representando o primeiro-ministro Shinzo Abe, e o brasileiro Renato Ishikawa, presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social foram anunciados para tomarem seus lugares. O casal Imperial, Imperador Naruhito e Imperatriz Masako, são recebidos sob longos aplausos. Geralmente, um membro da família Imperial participa da abertura, porém, este ano, como se tratava da 60ª, a Convenção recebeu essa honrosa presença.

Kamon Iizumi, presidente da Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai, que é governador de Tokushima, lembrou que, como governador, mantém contato com as associações nikkeis do mundo todo e que sua província é conhecida pelo Awaodori. 150 anos após os primeiros imigrantes se estabelecerem em Havaí, vários países receberam os japoneses, que se caracterizavam valorização da educação, e essa é uma característica da cultura japonesa. Hoje, são quase 3 milhões de nikkeis. Iizumi afirmou que a primeira Convenção foi para agradecer os japoneses e descendentes que moravam no exterior e ajudaram na fase difícil do pós-guerra.

Akihiro Nishimura leu a mensagem do primeiro-ministro Shinzo Abe, que agradeceu a presença dos japoneses e descendentes que moram fora e estão participando do evento. Em sua mensagem relatou que visitou vários países e viu que os nikkeis são bem sucedidos em seu país, e não esqueceram os valores herdados de seus pais.

Renato Ishikawa agradeceu o apoio do Japão à comunidade nikkei do mundo inteiro. A maior delegação estrangeira no evento foi a brasileira. Foram 60 brasileiros. Os Estados Unidos levaram o segundo maior grupo, com 38 pessoas (sendo 18 somente do Havaí). México veio em seguida com 24, e o Peru com 12. Canadá 8, Indonésia 7, Argentina 6 foram outros grupos. Outros participantes vieram de: Bolívia, Paraguai, Chile, Cuba, República Dominicana, Colômbia, Austrália, Filipinas, Singapura, França, Holanda e Inglaterra.

Um vídeo com a história do evento foi apresentado sendo seguido por mensagens dos nikkeis, também em vídeo (a minha mensagem foi exibida, e muito aplaudida). Um rápido intervalo e às 16h30 começou a palestra do professor brasileiro Ângelo Ishii, que mora no Japão desde 1990.

A comunidade brasileira no Japão

Ângelo Ishii começou explicando que antes se considerava um sansei de kaigai nikkeijin (japonês que mora no exterior), mas hoje se afirma um issei de taizai nikkeijin  (descendente de japonês estabelecido no Japão). O professor apresentou os números do Ministério da Justiça de dezembro de 2018, onde consta a existência de 265.214 sul-americanos morando no Japão, sem incluir aqueles que ganharam a nacionalidade japonesa. Desse total, 201.865 são brasileiros, 48.362 são peruanos, 5.907 são bolivianos, 2.933 são colombianos, 2.428 são argentinos, 2.010 são paraguaios e 1.629 de outros países. Com a Lei de Imigração de 1990, o nikkei ganhou status diferenciado como estrangeiro, mas é difícil determinar com exatidão a data em que começou a imigração dos nikkeis para o Japão (fenômeno conhecido como “decasségui”), pois, ao contrário da imigração do início do século passado, o transporte não acontece mais em grandes grupos de navio. Sabe-se que os primeiros, que chegaram por conta própria, eram isseis, ou seja, nascidos no Japão e radicados no exterior. Eles começaram a “retornar” antes da década de 1980. Antes da Lei de 1990, eram os nascidos no Japão e os nisseis com visto de turista. Todos, no início, se preocupavam em ganhar dinheiro para enviar para o seu país, para ajudar sua família. Era o chamado “decasségui”. Bancos disputavam essas remessas (os maiores bancos tinham mais filiais no Japão do que nos Estados Unidos), surgiram lojas e restaurantes para brasileiros e jornais e revistas em português ou espanhol. Mais tarde, com os filhos nascendo e crescendo no Japão, muitos resolveram se instalar como imigrantes. Compraram casas e foram pedir visto permanente pensando em ficar para sempre no Japão. Se em 1998, apenas 2.644 brasileiros tinham visto permanente no Japão, em 2018 somaram-se 112.934 pessoas, embora isso não signifique que todas essas pessoas pretendam passar os restos dos seus dias no Japão. Hoje, muitos não querem mais se sujeitar ao trabalho pesado e sujo. Houve uma queda no número de nikkeis após a crise econômica japonesa que se seguiu à falência da Lehman Brothers nos Estados Unidos. Muitos perderam empregos e moradia na ocasião e muitos tiveram dificuldade para retornarem ao Brasil.

Em 2011, houve a tragédia do terremoto seguido de tsunami na região Tohoku (Nordeste), e aqui, muitos brasileiros do Japão foram ajudar nos rescaldos na área afetada. Levaram mantimentos ou foram ajudar no resgate dos sobreviventes, ou ainda foram tocar músicas brasileiras para alegrar os alojamentos para onde foram levadas as vítimas que perderam suas casas. O nikkei passou a participar como um integrante do Japão. Voluntários brasileiros foram os primeiros a chegarem na região atingida. Falta ao Japão entender que os nikkeis são uma comunidade presente no Japão e não são exatamente brasileiros.

Por fim, o professor Ishii falou sobre o fim da Era Decasségui e o início da Era dos Radicados no Japão, ou Zainichi Nikkeijin. Os nikkeis já criam empresas e contratam japoneses. Os brasileiros fazem cursos por correspondência morando no Japão e estão se graduando. São fatos pouco divulgados, mas refletem a evolução dessa comunidade radicada no Japão. O cantor Joe Hirata venceu o concurso nacional da TV NHK, retornou ao Brasil, faz shows para a comunidade, mas gravou e divulga a música country. Mas nem tudo são fatos positivos. Infelizmente, já houve até caso de um garoto brasileiro que foi assassinado por seus colegas por discriminação no Japão. Há também casos de crimes cometidos por brasileiros, mas não são muitos.

A palestra do prof. Ishii terminou às 17 horas, e logo em seguida o público foi conduzido para uma outra sala do mesmo estabelecimento, para o coquetel de boas vindas, que terminou às 19 horas.

Segundo dia – painéis de discussão

O segundo dia foi reservado para uma atividade mais intensa, com vários palestrantes e debates. Para quem não quis participar da programação desse dia, os organizadores deixaram a opção de fazer uma visita turística em Koedo, uma cidade que preserva o clima da antiga capital Edo. O tour saiu às 8h50 do hotel oficial do evento, o Monterey Hanzomon, e retornou às 17 horas direto para a recepção do final do dia.

A parte da programação da Convenção propriamente dita, foi realizada no edifício da JICA Ichigaya e começou às 10 horas, com a apresentação da primeira pauta do dia: Os 30 anos de experiência da comunidade nikkei no Japão. Aqui foram apresentados cases da experiência japonesa de receber os estrangeiros descendentes de japoneses. Kotaro Horisaka, professor da Sophia University e diretor gerente da Associação Kaigai Nikkenjin, foi o moderador. Yasuyuki  Kitawaki, reitor da Escola Uminohoshi Gakuin e ex-prefeito da cidade de Hamamatsu, falou sobre a grande comunidade de estrangeiros na cidade e as festas realizadas por eles. Hideto Nagaoka, prefeito da cidade de Izumo, falou sobre o grande número de estrangeiros enquanto a população local está diminuindo. Rosa Mercedes Ochante Muray, professora da Faculdade de Educação da Universidade de St. Andrew, mora em Iga, Mie, onde 1/6 da população é estrangeira (a maioria é brasileira). Ela falou das dificuldades que as crianças enfrentam para aprenderem o idioma japonês, e muitas precisam de apoio especial para acompanhar as aulas, e também que o exame de admissão nos colégios é bastante difícil para um estrangeiro. Por último, Eriko Suzuki, professora da Faculdade de Literatura da Kokushikan University, falou que muitos pretendem continuar morando no Japão, e o governo não está conseguindo atender a todas as necessidades, embora conte com a ajuda de NPOs (Organização Sem Fins Lucrativos). Houve perda de emprego com a crise Lehman Shock de 2008, e muitos não conseguiram recolocação e retornaram ao seu país de origem, outros não estão conseguindo se entrosar com a sociedade japonesa. O debate foi encerrado às 12 horas para o almoço (um obentô) no próprio local.

Relatório da atual situação da comunidade nikkei

Participaram desse painel, que começou às 13 horas e terminou às 15h15, Satoru Sato, conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros e responsável pela comunidade latino americana, e o professor Alberto Matsumoto, CEO da Idea Networking Consulting. Aqui foram divulgados resultados de uma pesquisa realizada entre os nikkeis. Interessantes foram os dados de Cuba, uma vez que há poucas informações sobre a comunidade nikkei daquele país. São 1500 os nikkeis cubanos. Desses, 4% estudaram uma vez no Japão, a maioria com a bolsa da JICA. 12% deles já estiveram no Japão (como se trata de uma pesquisa realizada no meio de pessoas ligadas às entidades japonesas, esse percentual se refere apenas a 14 ou 15 pessoas). 62% participam de festas japonesas.  Na Argentina, a mesma pesquisa revelou que: 16% já estudaram no Japão, e 62% já estiveram no Japão! (mais uma vez, trata-se de uma pesquisa seletiva realizada em entidades japonesas). 88% participam de eventos japoneses.

A segunda pauta da tarde contemplou o tema “Como transmitir a tradição através dos museus nikkeis?” O moderador foi Toshio Yanaguida, professor emérito da Keio University. Participaram Sherri Kajiwara, diretora do Nikkei National Museum Cultural Center, do Canadá; Mitsuko Kumagai, diretora geral do Museu de Migração da JICA de Yokohama; Alejandro Kasuga, do Museo de la Immigración Japonesa a México Akane; Abel Fukumoto, presidente da Asociación Peruano Japonesa; e Lidia Reiko Yamashita, presidente do Museu Histórico da Imigração Japonesa de São Paulo.

Sherri Kajiwawa apresentou o seu museu inaugurado em 2000, e que é mantido por doações de particulares e recebe apoio do governo do Canadá. Mitsuko Kumagai afirmou que o Museu da Migração de Yokohama visa preservar a história daqueles que foram morar no exterior, sua comunidade e seu desenvolvimento dentro e fora do Japão. Alejandro Kasuga explicou que o seu museu ocupa um espaço bastante pequeno, por isso, está se preparando para ser principalmente um museu digital, com acesso ao acervo pela internet. Esse museu é mantido pela Fundação Kasuga, que apoia projetos que tenham impacto na sociedade. Abel Fukumoto afirmou que os japoneses, antes mesmo da Segunda Guerra, nos anos 30 sofreram agressão no Peru, e durante a Segunda Guerra foram enviados para os campos de concentração nos Estados Unidos. Lidia Yamashita, do Brasil, falou sobre a inauguração do museu histórico em 1978 e sua evolução, e propôs que fosse realizado um simpósio específico sobre os museus nikkeis, e que o primeiro simpósio poderia ser realizado em São Paulo, em novembro de 2020. Essa ideia foi muito bem recebida por todos os participantes e por isso mesmo foi colocada nos termos da declaração conclusiva da 60ª Convenção. Depois de um intervalo de 10 minutos, começou a terceira pauta da tarde do segundo dia da Convenção.

Cooperação entre a sociedade nikkei – usando network e a identidade

O moderador dessa terceira parte foi o jornalista Yoshinori Nakai, diretor da Associação Kaigai Nikkeijin. Participaram o americano Michael Toshiro Omoto, engenheiro da empresa Mercari; o brasileiro André Saito, representante do Projeto Kakehashi Japão-Brasil; o brasileiro Francisco Noriyuki Sato, presidente da Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações; o indonésio Dimas Pradi, da Japan Indonesia Solutions, o brasileiro Rafael Hiroshi Fuchigami, doutorando no Tokyo College of Music; e a professora japonesa Michiko Sasaki, da J. F. Oberlin University.

Michael (Mike) Omoto já é da 4ª geração, yonsei, nos Estados Unidos. Formado em psicologia, depois estudou engenharia. Ele afirmou que no Japão não existem startups, aquelas empresas que começam do zero e se tornam grandes, embora o primeiro ministro Shinzo Abe tenha dito que quer 20 startups no Japão. Resolveu entrar na Mercari, justamente um negócio desse tipo, para trabalhar no Japão. Ele é a ponte de ligação entre os funcionários da empresa, pois 30 ou 40% deles só fala inglês. A empresa contratou engenheiros do mundo inteiro. Como voluntário, participou da Copani no Peru, e a Copani seguinte foi em São Francisco, cidade onde ele morava. Há muitos casos de nikkeis que fazem sucesso nas empresas, mas no Japão não se ouve falar deles. O Japão já foi líder em tecnologia, mas hoje a América Latina já superou em vários aspectos. Por exemplo, a Mercari foi o primeiro no mercado japonês e hoje existem mais três empresas do mesmo tipo. Na América Latina, a Mercado Livre, que oferece o mesmo que a Mercari, começou bem antes e hoje existem muitas empresas concorrentes.

André Saito falou do Kakehashi Project, que conta com o apoio da Associação Kaigai Nikkeijin e do Bunkyo do Brasil. Eles participaram do 59ª Convenção, que foi no Havaí, e lá tiveram a ideia de montar uma atividade que se trata de gestão de conhecimento. Trata-se de um compartilhamento de conhecimento em grupo. 1 – Storytelling – compartilhar e se conectar com a cultura ouvindo. 2 – Sense – palavras que representam a situação. Compartilhamento em grupos menores de 5 a 7 pessoas. 3 – Mapeamento do contexto –Um grupo de 40 pessoas coletam as palavras e escolhe as mais representativas. Alguns valores aparecem com mais frequência. Esse grupo realizou um evento para mais de 900 pessoas em São Paulo, no Dia Internacional do Nikkei e vem treinando facilitadores para continuar com o trabalho já realizado em diversas associações de nikkeis do Brasil.

Francisco Noriyuki Sato falou sobre o “Mangá e a Identidade Nikkei”. Começou falando dos pioneiros imigrantes no Brasil. Depois de se assentarem, ainda enquanto passavam dificuldades para sobreviverem, construíram escolas japonesas para que seus filhos pudessem estudar. Essas escolas eram também academias de judô, kendô e mais alguma coisa se alguém pudesse ensinar. Quando empresas japonesas começaram a adquirir grandes terrenos no Brasil, os japoneses já passaram a vir como proprietários de terra, formando uma cidade de japoneses. Ali existiam livrarias japonesas e a cultura pôde ser mantida. Isso ficou inviável com o início da Segunda Guerra Mundial, quando os livros, revistas e jornais do Japão foram proibidos. Mesmo os aparelhos de rádio foram confiscados das casas de japoneses, e as escolas tiveram que ser fechadas. Em 1953, no pós-guerra, foi inaugurado o Cine Niterói no bairro da Liberdade, e seguiram outras casas: Cine Jóia, Cine Nippon e o Cine Tokyo. Todos exibiam somente filmes japoneses e até os primeiros animês nas matinés. Como todos os filmes tinham que ter legenda em português, mesmo quem não entendia o idioma japonês podia assistir aos filmes. Mesmo assim, ainda era a cultura japonesa para japoneses e descendentes. Em 1964, a série de live-action National Kid foi exibida. Como a TV só exibia séries americanas, personagem japonês, quando havia, era sempre o vilão ou o cômico, nunca uma pessoa comum. E o National Kid, apesar de ser um garoto propaganda da empresa Matsushita Electric (Panasonic), apareceu como um herói com cara de japonês. Para uma criança nikkei da época, isso tinha um significado muito forte. Um herói japonês. Como tinha grande audiência, pois passava logo depois do campeão de audiência da época, que era o Programa Jovem Guarda, comandado pelo trio Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, todas as crianças das casas que tinham TV sabiam desse herói. Depois, vieram outros heróis, como o Ultraman, Jaspion e Kamen Rider. E os animês japoneses, como Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Dragon Ball, foram exibidos alcançando grande sucesso. Muitas crianças brasileiras, sem ascendência japonesa, passaram a ver o Japão com bons olhos depois dessas séries. E se hoje, as crianças levam os pais para comerem sushi e lámen, é graças aos animês e mangás. Outro ponto interessante na questão de identidade aparece nos nomes. Metade dos nikkeis da minha geração não possui nome do meio em japonês. No meu caso, Francisco Noriyuki Sato, Noriyuki é claro, é o nome em japonês. Sem ele, seria apenas Francisco Sato. Os pais da época, que eram isseis, em geral, diziam que seu filho não precisava do nome japonês, pois ele iria morar sempre no Brasil. Hoje, ao contrário, praticamente todos os yonseis e goseis (de quarta e quinta geração), mesmo sendo mestiços, possuem o nome em japonês. Muitos deles não possuem o sobrenome em japonês, mas mesmo assim colocaram o nome do meio em japonês. Vi um caso desses no Japão, numa reportagem que falava dos vencedores de um concurso de oratória do curso colegial. Três jovens foram as vencedoras, e uma delas era brasileira. Ela tinha ao todo seis nomes e sobrenomes, os sobrenomes eram em português, mas um dos nomes era em japonês. Sem isso não havia como identificar que era nikkei. Enfim, a preocupação em manter um nome japonês mostra o quanto se valoriza a parte japonesa. Muito diferente da década de 50 e 60, quando os pais da época podem ter crescido sofrendo preconceito do pós-guerra.

Dimas Pradi é um jovem muçulmano da Indonésia, nikkei da quarta geração, que mora no Japão. Ele explicou que o muçulmano tem uma rotina difícil, por exemplo, tem que rezar cinco vezes ao dia, e no ramadan há um regime de dieta, e que no Japão há algo parecido no budismo. Ele atuou como voluntário em eventos de Hamamatsu, onde vivem muitos estrangeiros, e fundou a Coffee House Campur. Hoje mora em Naha, Okinawa, com seus dois filhos. Como o local é turístico, atuou como intérprete para turistas, pois fala fluentemente o japonês. Aqui ele criou a Halal Kitchen Project, para fornecer produtos para a culinária muçulmana e conseguiu um espaço para isso em Shizuoka, e conseguiu ocupar espaços ociosos também em Shiga, onde cultiva soja e produz tempeh, que é um produto dietético à base de soja. Ele é representante da Japan Indonesia Solutions.

Rafael Fuchigami é um curioso caso de um nikkei, que praticava flauta no Brasil e não tinha contato com a cultura japonesa até conseguir uma bolsa para estudar no Japão. Hoje faz doutorado em música na Tokyo College of Music, e sua especialidade é o shakuhachi.  Ele revelou que de 60 pessoas que tocam shakuhachi no Brasil, apenas 21 são nikkeis, tal a difusão desse instrumento musical na sociedade brasileira.

Michiko Sassaki falou da reforma de ensino do Japão, aprovado em junho de 2019, que inclui o ensino do japonês para estrangeiros. Antes, o ensino só contemplava os japoneses. Foi preciso fazer um abaixo assinado para que esse item fosse incluído. A Associação de Ensino do Japonês no Exterior conta com 300 associados, mas o abaixo assinado teve mais de 2 mil assinaturas.

Às 17h10 houve o intervalo para o café, e às 17h30 foi lida um rascunho da Declaração da 60ª Convenção dos Nikkeis, e às 18 horas foi encerrada a sessão, sendo os participantes conduzidos de ônibus para uma recepção oferecida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 18h30 e 19h30.

Terceiro e último dia – palestras de 5 minutos

O último dia do evento foi também no Kensei Kinenkai, como no dia da abertura. Nesse dia, a pauta foi ouvir o ponto de vista dos nikkeis em relação a Nova Era Reiwa e a comunidade nikkei. Os trabalhos tiveram início às 10 horas.

Sandy Chan, gerente geral do Japanese Canadian Cultural Centre falou sobre “Almejando o progresso da comunidade nikkei”. Masafumi Honda, professor da University of Hawaii at Hilo, falou do trabalho realizado na escavação de túmulos dos antigos imigrantes japoneses cobertos pela lava do vulcão, e o resgate dos valores a partir desse trabalho. Falou também da construção de um dohyo, a arena para a luta do sumô em Havaí. Hitoshi Itagaki, japonês residente no Canadá falou sobre a tecnologia que pode ser exportada para outros países, citando o caso de processamento de grãos de café, cujo trabalho foi desenvolvido em conjunto com uma universidade. Sachiko Kobayashi, do Havaí, disse que trabalha para divulgar as maravilhas do Japão no país onde reside. O pai dela, Kiyoshi Kobayashi, foi um grande mestre do judô em Portugal, país onde ela chegou a morar e estudar. Derek Kenji Pinillos Matsuda é um peruano residente no Japão. Professor da Ochanomizu University Internacional Education Center, Derek falou sobre o aspecto multicultural do nikkei. Por fim, o engenheiro Alexandre Kawase, sansei do Brasil, falou sobre o Kakehashi Project. (Projeto Geração).

Às 10h45, começaram as apresentações dos nikkeis que moram no Japão. Kaiki Okuyama, de 15 anos, estudante do 3º ano ginasial na Escola Opção, mora em Ibaraki e falou sobre “Eu, dez anos depois”. Vinícius Hamaya, brasileiro, também de 15 anos, que estuda o primeiro colegial na Escola Opção, falou sob o mesmo tema. Megumi Yamanouchi P. Mallari, das Filipinas, estudante da Sophia University, discorreu sob o mesmo assunto. Luis Alberto Asato Torres, peruano, estudante de doutorado da Tokyo University of Agriculture e Technology, falou sobre se tornar uma pessoa internacional, educada e conectada com as pessoas. O curioso é que ele nasceu no Japão em 1999. Quando foi visitar o Museu da Migração de Yokohama, aos 10 anos de idade, se sentiu um nikkei e passou a dizer que era um nikkei peruano.

Após as apresentações, o Presidente Executivo da Associação Kaigai Nikkeijin Kyoukai, o ex-embaixador Katsuyuki Tanaka, teceu comentários sobre cada uma das apresentações desses jovens nikkeis. Em seguida, a versão final da  foi lida para o público e aprovada por unanimidade (clique no texto ao lado para ler – versão em inglês). O almoço de despedida foi oferecido pelo presidente da Câmara dos Deputados e terminou às 13 horas.

Assim foi a 60ª Convenção de Nikkeis e Japoneses no Exterior, realizado em Tóquio, em 2019.

Meu comentário pessoal:

Nota-se a preocupação dos japoneses em relação à adaptação e o bem-estar dos nikkeis que moram e trabalham no Japão. Metade desse evento abordou o tema dos que foram como decasséguis e de seus filhos. Na outra metade, falou-se sobre o quê os nikkeis estão fazendo para preservar a cultura japonesa.

Embora não haja uma pesquisa, e isso deveria ser levantado, os nikkeis compõem uma camada privilegiada da população mundial. Possuindo duas culturas, consegue ter ideias diferentes da convencional. Creio que em termos de escolaridade, os nikkeis na média estudam muito mais do que os seus colegas não nikkeis. Em geral, se formam em universidades e muitos continuam estudando por muitos anos. Os nikkeis que possuem curso superior completo devem somar 60% de todos os nikkeis, um índice altíssimo, semelhante ao do Japão. Mesmo em termos de renda, não devem estar abaixo da média dos japoneses, que hoje trabalham muito e ganham pouco.

A impressão geral do evento é de confraternização. Há momentos mais solenes, como na abertura com a presença do Casal Imperial, mas em geral prevalece um clima descontraído entre os participantes. É interessante que uma pessoa que sempre morou nos Estados Unidos e uma outra que mora nas Filipinas ou no Brasil tenha tantas coisas em comum, pelo fato de serem nikkeis. Eu acho que todos os descendentes deveriam participar, para conversar e compartilhar nossas experiências tão ricas com outros nikkeis.

Duas semanas depois do final do evento, eu recebi um formulário para fazer comentários. Creio que todos os participantes tenham recebido. Eu sugeri que a cada ano se escolhesse um país participante, para que ela possa apresentar sua cultura, expor suas artes e produtos mais típicos para todos conhecerem. Como é um evento com uma grande presença da mídia, seria também uma propaganda dos produtos daquele país. Poderia também reservar os dois almoços para servir alimentos típicos daquele país. Por exemplo, se o Brasil for escolhido, mandioca frita, tapioca, pão de queijo, pastel, suco de goiaba, de maracujá, de acerola num dia. No outro dia poderia ser feijoada e caipirinha. Isso seria cobrado dos participantes para pagar as despesas do material e de transporte. Seria uma atração a mais para o evento. Sei que dá bastante trabalho, mas se são 19 países, o trabalho será uma vez a cada 19 anos.

Há coisas que podemos fazer para ajudar o Japão. Sim, ajudar o Japão, mas esse é um outro assunto para uma outra matéria. Obrigado por ter lido até aqui!

Francisco Noriyuki Sato – Jornalista e professor de História do Japão.

ago 312019
 

A Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai realiza, anualmente, uma convenção reunindo os japoneses e descendentes do mundo inteiro. A primeira delas foi realizada em 1957. Este ano, que é a 60ª, será realizada nos dias 1º, 2 e 3 de outubro de 2019, em Tóquio, com previsão de participação de 20 países, dentre os quais representantes do Brasil.

Tema

Nova Era do Japão “Reiwa”e a Sociedade Nikkei como a Ponte de Internacionalização

Participantes

20 países, com a previsão de aproximadamente 200 pessoas

Programa
【1º DIA – 1 de Outubro (terça-feira)】
Local: Kensei Kinenkan
Horário:
13:30~15:00 Registro dos participantes
15:30~17:00 Cerimônia Memorial, Apresentação dos Países Participantes
Conferência Principal 
Prof. Angelo Ishii, Universidade de Musashi 
17:30~19:00 Recepção de Confraternização

【2º DIA – 2 de Outubro (quarta-feira)】
*Escolher entre a Programação A ou B

Programação A: Simpósio Internacional (Painel de Discussão)
Local: JICA Ichigaya
Horário: 10:00~17:30
Parte 1: Sessão Especial:”Experiência de 30 anos dos Nikkeis no Japão – Olhando a Internacionalização Interna da Sociedade Japonesa”
Parte 2: Museus (arquivos) Nikkei
Parte 3: Cooperação com a sociedade Nikkei
(Negócios, Cultura, Revitalização Regional)

Programação BExcursão Oficial (PDF)
※Inscrição fechada.
Local de Encontro: – Hotel Monterey Hanzomon
– Kensei Kinenkan (Nagata-cho)
Horário: 8:50~16:30
Roteiro: Koedo Kawagoe – cidade histórica preservando a cultura e atmosfera da antiga Edo, outros

Programação A e B
Local: Iikura Koukan
Horário: 18:30~19:30
Recepção de Boas vindas oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão

【3º DIA – 3 de Outubro (quinta-feita)】
Local: Kensei Kinenkan
Horário: 
10:00~10:45 Opinião dos Nikkeis “”Reiwa”Nova Era do Japão e a Sociedade Nikkei” (5 minutos de discurso) 
10:45~11:25 Concurso de Oratória dos Nikkeis do Japão
11:25~11:40 Adoção da Declaração de Proposta
12:00~13:00 Almoço com a cortesia do Presidente da Câmara dos Representantes dos conselheiros e dos Vereadores

【Evento Relacionado – 29 de Setembro (domingo)】
Local: HIT STUDIO TOKYO
Horário: 14:00~16:30 Festival do Karaoke

※Poderá haver alteração do programa de acordo com as circunstâncias.

Inscrições e detalhes: http://www.jadesas.or.jp/pt/taikai/60th.html

A origem da Convenção

Durante a Segunda Guerra Mundial, 120 mil japoneses e nikkeis da segunda geração, que viviam nas respectivas localidades dos Estados Unidos, foram alojados em campos de concentração americanos. Tendo conhecimento desta situação, o Japão enviou por meio da Cruz Vermelha, missô, shoyu, livros japoneses, entre outros artigos para este campo americano. Em setembro de 1945, no meio da confusão após a derrota do Japão, vendo a situação difícil que a população japonesa passava, sofrendo com a falta de alimentos e outros itens essenciais para o dia-a-dia, eles enviaram desde 1946 a 1952 suprimentos de ajuda denominados LARA, com alimentos como leite em pó e vestimentas para sua pátria, como sinal de agradecimento pelos artigos enviados aos campos de concentração nos Estados Unidos.

LARA é o nome da organização de apoio na Ásia que foi estabelecida, centrada em uma entidade cristã e União dos Trabalhadores, sendo a abreviação de Licensed Agencies for Relief in Asia (Agências Licenciadas para Apoio na Ásia). A contribuição através do envio de suprimentos LARA, correspondeu ao equivalente a mais de 40 bilhões de ienes na época, em 1952. Dentre eles, cerca de 20% ou 8 bilhões de ienes de todos os suprimentos de ajuda, foram contribuições feitas pela comunidade nikkei do exterior. Ela iniciou suas atividades com a autorização do Comitê de Controle de Ajuda de Washington em junho de 1946. E assim, não apenas nos Estados Unidos, mas também no Canadá, México, Brasil, Argentina e outros países, passaram a se criar organizações nikkeis para ajudar o Japão, tendo suas atividades intermediadas pela Cruz Vermelha de seus respectivos países. No final de 1956, com a adesão do Japão ao quadro das Nações Unidas, em gratidão ao caloroso compatriotismo apresentado pelos nikkeis por meio do envio dos suprimentos de ajuda, os parlamentares japoneses juntamente com outras entidades, decidiram realizar em Tóquio, a Confraternização dos Nikkeis do Exterior alusiva à adesão do Japão ao quadro das Nações Unidas (1ª Convenção) em maio de 1957.

A partir da segunda convenção em 1960, ela passou a ser denominada Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior, e vem sendo realizada anualmente a partir da terceira convenção, realizada em 1962.

ago 312019
 

Quatro associações das províncias da região de Shikoku, ao Sul do Japão, se unem para realizar o tradicional Undokai (leia-se undoukai), gincana poliesportiva, no Colégio Santa Amália, em São Paulo, no dia 15 de setembro, das 9 às 16 horas.  O ingresso é simbólico: R$ 5,00. Não se preocupe com a chuva. O local é coberto!

As atividades físicas e recreativas, na forma de brincadeiras, são para crianças de todas as idades. Que tal corrida de revezamento, ou passar a bola? E a prova de pegar emprestado? De jogar a bola na cesta? Venha reviver esses bons momentos e traga a família toda!

As províncias de Shikoku que organizam o Undokai são: Ehime, Kagawa, Kochi e Tokushima. Haverá no local barracas de alimentos típicos.

“O modelo do atual undoukai foi criado no século XIX, no início da Era Meiji (1868-1912), e embora atualmente a “gincana poliesportiva” seja essencialmente um evento civil e familiar, na origem era uma atividade militar. Registros da Marinha indicam que o primeiro undoukai teria sido realizado em março de 1874, num centro de alojamentos em Tóquio, sob a orientação de um instrutor inglês. Então chamado de “athletic sport”, o dia de competições abrangeu alguns tipos de corridas, arremesso de peso e algumas disputas de caráter mais divertido, como a “perseguição ao porco” (prova na qual vence o rapaz que conseguir pegar apenas com as próprias mãos um estabanado suíno besuntado com banha, que foge de seus perseguidores correndo a esmo), atividade aparentemente associada às festividades de colheita agrícola na Inglaterra. Em 1878, a Escola Agrícola de Sapporo, na província de Hokkaido, promoveu um evento parecido com o “athletic sport” de Tóquio, ao qual se deu o nome de Rikigeikai (reunião de força e arte). Alguns anos depois, em 1885, a Universidade de Tóquio realizou uma competição do tipo, na qual usou-se pela primeira vez a expressão undoukai, que era o nome do Departamento de Esportes da Tōkyō Daigaku, Universidade de Tóquio. Saiba mais sobre Undoukai no nosso link.

Colégio Santa Amália, na Avenida Jabaquara, perto da estação Saúde do metrô. A entrada é pela rua de trás, a Rua Fiação da Saúde, 480.

ago 072019
 

O Consulado Geral do Japão em São Paulo está com as inscrições abertas para o programa “Ship for World Youth Program 2020”, que consiste em um treinamento dentro de um navio durante um mês com jovens japoneses e de outras nacionalidades, e que visa estabelecer uma forte rede de contatos entre jovens além das fronteiras.

O programa “Ship for World Youth” patrocinado pelo Governo Japonês engloba sessões de treinamento em terra, a bordo e no exterior, incluindo diferentes atividades como workshops, intercâmbio cultural e trocas de ideias sobre gerenciamento, constituindo uma verdadeira oportunidade para melhorar habilidades de comunicação, liderança e aumentar laços e experiências entre culturas diferentes, além de enriquecer e ampliar a visão de mundo e o espírito de cooperação internacional.

Requisitos gerais:

Nacionalidade brasileira;

Proficiência em inglês (japonês desejável, mas não obrigatória);

Idade entre 18 e 30 anos, nascidos entre 02/04/1988 a 01/04/2001.

Vagas para o Brasil:  11 participantes OPY (Overseas Participating Youth) + 1 líder nacional participante NL

Período do programa para participantes OPY e NL: 10/01/2020 a 24/02/2020

Mais informações: https://www.sp.br.emb-japan.go.jp/itpr_pt/not_19_07_programaSWY.html

 

Atenção: A inscrição só vai até 20 de agosto! E a entrevista é no dia 30/8. Veja o que precisa providenciar e corra!

jul 292019
 

Muitos discos da bossa nova foram lançados no Japão e não no Brasil. Esse gênero musical foi praticamente esquecido no país de origem, mas continua bastante vivo no Japão, onde as emissoras de TV costumam usar bossa nova como fundo musical de seus documentários sobre o Japão, tal a sua aceitação em solo nipônico.

A razão da aceitação da bossa nova tem muito a ver com a cantora Lisa Ono, aliás, seria mais correto creditar o mérito ao seu pai, Toshiro Ono. Esse japonês imigrou para o Brasil na segunda metade da década de 1950 e abriu um clube noturno no estilo japonês em São Paulo. Criou vínculo e até gravação do famoso músico jazzista Sadao Watanabe com músicos brasileiros. Levou a bossa nova para o Japão através de artistas como Cláudia e Baden Powell e fez um grande esforço de divulgação. Apesar de Sérgio Mendes ser considerado o pioneiro na difusão do gênero no Japão, foi o Trio Tambatajá, levado por Ono, o primeiro a se apresentar no Japão, antes mesmo do nascimento da clássica “Garota de Ipanema”, de Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, de 1962. Trio Tambatajá se apresentou em várias regiões japonesas. Em 1974, Ono abriu um restaurante brasileiro em Tóquio, o Saci Pererê, onde se ouvia ao vivo, evidentemente, bossa nova. Esse restaurante continua firme ainda hoje. Lisa Ono, a mais velha das filhas de Toshiro, começou sua carreira cantando aqui ainda bem jovem. Depois, ela se tornou uma espécie de embaixadora da música brasileira no Japão, tendo se apresentado com os maiores nomes da MPB no Brasil e no Japão. Ela tem mais de 30 discos gravados e faz muito sucesso em várias partes do mundo onde se apresenta constantemente.

A TV NHK produziu esse belo documentário (clique no link abaixo) sobre os 60 anos da bossa nova, com entrevistas e show da Lisa Ono, e tudo está em português. O vídeo é On Demand, mas está disponibilizado gratuitamente. Vale a pena ver para aprendermos sobre a beleza da bossa nova, tão esquecida em terras brasileiras.

https://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/ondemand/video/2045024/

jul 252019
 

Hiroshima e Nagasaki apresentam sua história e cultura na Japan House, no domingo, dia 11 de agosto de 2019. Haverá uma exposição sobre a bomba atômica, para rememorar os tristes acontecimentos que estão completando 74 anos, da qual as duas províncias foram vítimas. Porém, o evento não é para ficar triste, e sim, conhecer a cultura dessas duas províncias.

Às 12h30, o professor de história do Japão, Francisco Noriyuki Sato, apresentará uma palestra sobre a história de Nagasaki, onde falará do heroi Ryouma Sakamoto; da influência cultural muito antiga do continente chinês, e do contato com os portugueses e o cristianismo, e depois com os holandeses. Logo em seguida, às 14 horas, haverá apresentação do tradicional Teatro Kagura de Hiroshima e do Jya Odori, a Dança do Dragão, de Nagasaki, do Kenko Taiso (ginástica), do Bon Odori (dança folclórica), e o público será convidado para participar das atividades.

Traga a família inteira, que será uma tarde bastante agradável! Para a palestra, recomendamos chegar com antecedência, pois são apenas 100 lugares e não há como fazer reservas. A exposição será aberta às 10 horas.

Dia 11 de agosto de 2019 – domingo, 12h30 na Japan House – Avenida Paulista, 52 – metrô Brigadeiro. Entrada gratuita!

jul 022019
 

Em 2019, o 23º Festival das Cerejeiras Bunkyos será realizado em DOIS FINAIS DE SEMANA! Venha ver as flores de cerejeiras, curtir nossa programação de shows e atividades culturais gratuitas, bem como aproveitar as delícias da culinária japonesa preparadas pelas entidades locais na ampla Praça de Alimentação, além de conhecer nossos Bazaristas – que trazem produtos diversos, com venda de verduras, flores e hortaliças produzidas na região.

O evento faz parte do Calendário Turístico de São Roque e, como nos anos anteriores, haverá ônibus para ida ao Festival, com saída do bairro da Liberdade, em São Paulo. Os interessados devem adquirir as passagens (R$ 40, ida e volta) antecipadamente junto à Secretaria do Bunkyo (na Liberdade: Rua São Joaquim, 381). Quem for de carro poderá dar uma esticada até o Roteiro do Vinho de São Roque, que é um belo passeio.

23º Festival das Cerejeiras Bunkyos – Sakura Matsuri
Quando: dias 6, 7, 13 e 14 de julho, das 10h às 17h (sábados e domingos)
Local: Centro Esportivo Kokushikan Daigaku – São Roque-SP
Estrada do Carmo, 801, Bairro do Carmo, São Roque-SP
Entrada Franca (contribuição por veículo R$ 30,00 – concorra ao sorteio de uma TV)

Se você estiver em São Paulo, há ônibus saindo da sede do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Rua São Joaquim, 381, Liberdade, São Paulo-SP / próx. Metrô São Joaquim). Informações: (11) 3208-1755

Veja abaixo, os horários da viagem:

Dias 6 e 7 de julho (sáb. e dom.)
1 – Saída 8h e retorno 16h
2 – Saída 9h e retorno 17h

Dia 13 de julho (sáb.)
1 – Saída 8h e retorno 16h
2 – Saída 8h30 e retorno 16h30
3 – Saída 9h e retorno 17h

Dia 14 de julho (dom.)
1 – Saída 8h e retorno 16h
2 – Saída 8h15 e retorno 16h15
3 – Saída 8h30 e retorno 16h30
4 – Saída 9h e retorno 17h

Passagem: R$ 40,00
Informar: Nome, Telefone e RG
Ponto de saída/retorno: em frente à sede do Bunkyo – Rua São Joaquim, 381 – Liberdade – São Paulo – SP – (próximo à Estação São Joaquim do Metrô)
Informações: (11) 3208-1755, com Aurora – Horário de atendimento da Secretaria: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30

https://www.facebook.com/events/335767797289109

jun 202019
 

A Japan House de São Paulo realiza até dia 17 de julho de 2019, a exposição “Japão 47 artesãos”. Trata-se de uma oportunidade para ver as artes tradicionais japonesas das 47 províncias feitas por 47 talentosos artistas jovens. Aproveitando a ocasião, cada província apresentará uma palestra ou atividade na Japan House durante o período da exposição.

A província de Ishikawa, reconhecida por possuir uma cidade da época dos samurais preservada, realizará no dia 25 de junho, uma palestra falando da história e apresentando as suas artes tradicionais, das 17 às 20h30. A entrada é franca, mas como são 100 lugares, é recomendável chegar com certa antecedência ao local. A apresentação está à cargo do ex-bolsista Caio Yuzo Higashino e dos professores de história do Japão, Francisco Noriyuki Sato e Cristiane A. Sato, que levarão, com certeza, muitas informações interessantes.

JAPÃO 47 ARTESÃOS
Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 (2º andar)
De 22 de abril a 17 de julho de 2019
Horário de funcionamento:
Terça-feira a Sábado: das 10h às 20h
Domingos e feriados: das 10h às 18h

Palestra sobre Ishikawa
Japan House São Paulo
Dia 25 de junho de 2019 – terça-feira – 17 às 20h30
Entrada gratuita