Cultura Japonesa

mar 012019
 

O curso é gratuito, aberto a participantes de todo o país, que desejam aprender japonês, mas nunca estudaram o idioma. As inscrições estarão abertas até o dia 17 de março

A Fundação Japão promove, de 22 de março a 25 de junho, um curso on-line de japonês para aqueles que não conhecem ainda o idioma. O Curso de Japonês Online Marugoto A1-1 (Katsudoo & Rikai) é gratuito e inclui seis aulas ao vivo com professor-tutor, com interação com os demais alunos, correção de tarefas e certificado de conclusão do curso.

O curso é voltado àqueles que tem o sonho de trabalhar ou estudar no Japão, ou apenas visitar o país ou compreender animes e mangás, bem como se comunicar no idioma.

É uma grande oportunidade especialmente para aqueles que não têm tempo ou condições financeiras para participar de um curso presencial. 

O curso utilizará o site Marugoto Japanese Online Course para a realização de tarefas, que serão corrigidas individualmente pela professora-tutora.

As aulas ao vivo acontecerão a cada duas semanas, sempre às terças-feiras, das 20h às 20h40 (horário de Brasília), nas seguintes datas: 26 de março, 9 de abril, 23 de abril, 7 de maio, 21 de maio e 4 de junho.

As inscrições estarão abertas a partir das 12h do dia 1º de março de 2019, até a meia-noite de 17 de março de 2019. Interessados deverão acessar o site https://minato-jf.jp, bem como preencher o cadastro no site  https://fjsp.org.br/site/wp-content/uploads/2018/09/panfletoMINATO_com_link.pdf.

Como as vagas são limitadas, após efetuar a inscrição, interessados deverão aguardar um e-mail com a confirmação da inscrição.

fev 212019
 

Numa época em que ninguém sabia o que era mangá, a não ser os japoneses e os descendentes que dominavam o idioma, um grupo iniciou um trabalho voluntário de divulgação dessa cultura pop como arte japonesa. A Abrademi surgiu da junção da comissão de exposição de quadrinhos e ilustrações da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) com a Associação dos Amigos de Mangá, fundada dentro da Universidade de São Paulo pela professora Dra. Sonia Maria Bibe Luyten, a pioneira a tocar nesse assunto nos meios acadêmicos.

Roberto Kussumoto, Kimil Shimizu, José Yukuo Oki, Noriyuki, Roberto Higa e Margarete Shibuya Itai, três anos antes da fundação da Abrademi, na entrada lateral do Bunkyo.

Dubladores: Ulisses Bezerra, Letícia Quinto e Élcio Sodré no MangáCon

Incentivada pelo sr. Masuichi Omi, então presidente do Bunkyo, que via no mangá a facilidade de divulgação da cultura japonesa, a Abrademi começou, em fevereiro de 1984, realizando aulas de desenho e exposições. O mestre Tezuka Osamu, Deus do Mangá, visitou o Brasil no final de setembro daquele ano. Os grandes jornais deram destaque e as suas palestras foram bastante concorridas, assim como os desenhos animados de Tezuka exibidos no MASP. A Abrademi coordenou a parte brasileira dessa exposição no MASP, com artes originais de artistas como Júlio Shimamoto, Eugênio Colonesse, Jorge Kato, Osnei Furtado, Louis Chilson, Jayme Cortez, Cláudio Seto, Roberto Higa, Eduardo Vetillo, Novaes, Paulo Fukue, Watson Portela, Roberto Kussumoto, Seabra, Vilachã, Rodval Matias, Mozart Couto, Gedeone Malagola, Rodolfo Zalla, Flávio Colin, Franco de Rosa, Kimil Shimizu, Michio Yamashita, e muitos outros, além de desenhistas amadores da Abrademi. Na ocasião, Tezuka Osamu ministrou uma aula para a Abrademi, no Bunkyo da Liberdade.

Caravana do Rio coordenada pelo Allen.

A Abrademi publicou fanzines (Clube do Mangá e outros), promoveu debates, e já na década de 1990, começou a organizar eventos de mangá e animê, sendo a MangáCon, a pioneira em eventos desse tipo, com shows de dubladores, cantores, lojinhas, exposição de posters, exibição de vídeos, concurso de cosplay, animê-kê e anime dance. A última MangáCon foi em 2000. Mais sobre a Abrademi.

Dia 17 de março de 2019 – Domingo – Das 10 às 17 horas.

Local: Associação Cultural Mie – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – bem na saída do metrô Vila Mariana. Há estacionamento pago no local. As inscrições são feitas pelo Sympla, pelo link: https://www.sympla.com.br/festa-dos-35-anos-da-abrademi__457100

Será servido um Brunch (Buffet a partir das 12h00) , com: café( doce e amargo)/água mineral com e sem gás/ leite ou chá / 03 tipos de frutas da época (mamão, abacaxi, melão ou melancia)/ mini-croissant recheado de presunto e catupiry ou presunto / mini-gravatinhas( massa folhada) de parmesão e gergelin/ lanches utilizando mini-pão francês com cobertura de parmesão, gergelin, mini-integral recheados com queijo fresco, blanquet de peru, salame e presunto / salgadinhos: mini-esfihas de carne ou calabreza ou queijo, quibe ou risolis misto ou coxinha/ strudel de maçã ou mini-carolinas de chocolate / sucos naturais de laranja, abacaxi/ refrigerantes ( guaraná e cola, nas versões normal e zero e/ou light). E um bolo de aniversário, é claro!

Aula do mestre Tezuka Osamu para a Abrademi em São Paulo. Jo Takanashi traduziu tudo na hora. Jal e Franco de Rosa estão na foto.

 

  • Haverá apresentação de slides com a história da Abrademi.
  • Exibição de videoclipes do AnimeDance e exibição de vídeos históricos, como os momentos marcantes da MangáCon.
  • Recortes de jornais e materiais históricos serão expostos.
  • Haverá um painel na parede para os desenhistas exercitarem sua arte.

    Tezuka Osamu – Ribon no Kishi

  • Exposição Tezuka Osamu – Este ano completam 30 anos sem Tezuka e 35 anos da vinda do Deus do Mangá ao Brasil
  • O desenhista Guilherme Raffide, do álbum “Nikkei” fará retratos em caricatura de mangá dos presentes o desenhista Francisco de Assis fará caricaturas dos presentes (ambos sem cobrar).

     

     

     

  • Bate-papo com o editor, roteirista e desenhista Franco de Rosa e outros profissionais

     

     

  • O desenhista Marco Antonio Cortez estará expondo e vendendo seus trabalhos
  • Show especial do cantor Diogo Miyahara interpretando temas de animê tokusatsu.

– A Abrademi estará colhendo depoimentos para o livro comemorativo que será lançado ainda este ano. Venha participar e compartilhar sua experiência com os amigos e com os demais colegas de outras fases da Abrademi!

Arte de Guilherme Raffide

 

Arte de Francisco de Assis

Franco de Rosa

No valor do ingresso já está incluído o brunch, bem como as bebidas e bolo descritos acima. A Abrademi está custeando a

Arte de Marco Antonio Cortez

locação do salão e os voluntários farão os preparativos, e os participantes só estão pagando o brunch. O INGRESSO será vendido por lotes. O ingresso Antecipado 2 poderá ser adquirido até o dia 12/03/2019. Menores de 10 anos terão desconto na compra antecipada até o dia 12/03/2019. Na porta do evento, o ingresso será vendido sem desconto, ou seja, por R$ 50,00 e R$ 25,00 (menores de 10 anos).

Show Diogo Miyahara na Abrademi

As inscrições são feitas pelo Sympla, pelo link: https://www.sympla.com.br/festa-dos-35-anos-da-abrademi__457100

Venha comemorar conosco neste evento que vai, com certeza, ficar na história!

fev 162019
 

São duas palestras seguidas de um debate. O objetivo é transmitir os principais valores da cultura japonesa, dentro de seu contexto histórico, e como se mantém ainda hoje. Respeito ao próximo, cooperação mútua, preservação da tradição, evitar o desperdício, honestidade e gratidão são alguns dos aspectos a serem discutidos no evento.

Data: 21 de abril de 2019 – (domingo) Das 9 às 12h30. Local: Associação Cultural Mie – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – Estação metrô Vila Mariana

A programação será composta por:

– Palestra “Cultura Japonesa: Os Valores Essenciais“, com o professor Yuho Morokawa.

– Palestra “Os Valores Transmitidos pelos Imigrantes no Brasil“, com o professor Francisco Noriyuki Sato.

– Projeção de vídeos e debate aberto ao público.

ATENÇÃO: O ingresso é gratuito, mas pede-se que se faça doação de produtos de higiene pessoal (shampoo, condicionador, loção para o corpo, creme dental, por exemplo), em qualquer quantidade, que serão entregues à Sociedade Beneficente Casa da Esperança “Kibô-no-Iê”, entidade filantrópica de amparo à pessoa com deficiência intelectual, cujo trabalho poderá ser conferido no link: http://www.kibonoie.org.br/aspx/home.aspx

As entidades organizadoras e os palestrantes não receberão nenhuma remuneração. As despesas do evento serão custeadas com a venda de livros. Os livros à venda estão neste link: http://www.abrademi.com/index.php/livros-a-venda/

Reserve já a sua vaga gratuita pelo Sympla!

Yuho Morokawa é autor do livro “Os Japoneses e Seus Legados”. Natural de Pirajuí, cresceu na Primeira Aliança, município de Mirandópolis, e foi morar em Uraí e Londrina. Formado pela PUC em administração de empresas, foi contemplado com uma bolsa de estudos do Ministério da Agricultura do Japão, para estágio de um ano. Foi também bolsista da 4-H Foundation dos Estados Unidos. Trabalhou por 11 anos no 4-H Clube do Brasil, entidade educacional voltada aos jovens rurais. Foi gerente administrativo da Panasonic do Brasil por 16 anos e relações públicas da H. Stern Joalheiros por nove anos. Foi diretor do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, e é atual vice-presidente do Centro Brasileiro de Língua Japonesa.

Francisco Noriyuki Sato é jornalista e editor formado pela Universidade de São Paulo. Foi assessor de comunicação da Cooperativa Agrícola de Cotia e da Jetro – Japan External Trade Organization. Um dos fundadores da Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, é autor dos livros História do Japão em Mangá e Banzai História da Imigração Japonesa em Mangá. Foi bolsista da Jica em 2014 na Universidade de Kanazawa e ministrou palestras em universidades e museus no Japão em 2016. Ministra o Curso de História do Japão desde 2017 e edita livros de história.

Promoção: Abrademi, Associação Nippon Kaigi do Brasil e Associação Cultural Mie

Apoio Institucional: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

fev 142019
 

Formação da Próxima Geração da Comunidade Nikkei

Este curso tem como objetivo a formação de recursos humanos, que possam contribuir para o desenvolvimento das comunidades nikkeis e no fortalecimento da relação desses países com o Japão, através do treinamento a ser realizado. O foco deste curso é fazer com que os universitários, descendentes de japoneses, com qualificação suficiente para contribuir para o futuro do desenvolvimento das comunidades nikkeis, conheçam melhor o Japão e também sobre suas raízes, além de fortalecer a sua identidade como nikkei por meio de estudos sobre a história da imigração japonesa, estágios nas universidades, e demais treinamentos.

Serão selecionados 20 pessoas de 9 países, e 9 participantes serão do Brasil.

A vantagem desse curso é que acontece durante as férias escolares do Brasil. Data da Chegada ao Japão: 26 de junho de 2019 (quarta-feira) – Data da saída do Japão: 19 de julho de 2019 (sexta-feira).

ATENÇÃO: o prazo para inscrição só vai até 20/fevereiro/2019!

Os requisitos:

Os candidatos deverão satisfazer todos os requisitos abaixo: (1) Ser imigrante japonês ou descendente até a terceira geração de imigrantes japoneses (ter pai ou mãe nissei). ※ Ser domiciliado no país contemplado neste programa. (2) Pertencer a uma instituição de ensino superior do país e que esteja na faixa etária de 18 a 30 anos, no período do curso. (3) Ter a anuência dos pais ou da pessoa responsável (no caso de ter 18 e 19 anos), (4) Ter a fluência em língua japonesa, o suficiente para o dia-a-dia (do nível 4 de proficiência de língua japonesa para cima), e em inglês para poder assistir às aulas ministradas nesse idioma, bem como para participar das discussões nas universidades japonesas. (5) Ter boa saúde física e mental para o convívio coletivo no Japão. (6) Por regra, participar de toda Programação desde a data de chegada até o término do curso.

Maiores informações e inscrição: https://www.jica.go.jp/brazil/portuguese/office/activities/nikkeis01_01_04.html

fev 082019
 

Pesquisa realizada por uma empresa independente com 1.212 pessoas de ambos os sexos acima de 20 anos de idade, em todo o Japão, em 2015, revelou que o beisebol continua sendo o esporte preferido, seguido pelo futebol e o tênis de campo. Entre as novas modalidades adicionadas nos próximos Jogos de Tóquio, 70% disseram preferir o beisebol e o softbol, seguidos pelo karatê e o boliche.

Um esporte que surgiu entre os samurais, o kyudô ainda é praticado nas escolas, principalmente pelas meninas © Lilac and Honey

O beisebol é, há muito tempo, o esporte nacional do Japão. Em quase todas as escolas, o campo ocupa um bom pedaço do terreno disponível e, talvez por isso, os jogadores mirins são vistos em qualquer lugar. O campeonato nacional colegial da modalidade, conhecido como Koshien, que é o nome do campo onde se realizam os principais jogos, é um grande evento de verão e é transmitido para todo o país.
O beisebol foi introduzido em 1872 e a liga profissional foi fundada em 1936. Em 1950, devido a grande quantidade de times, a mesma foi dividida em Liga Central, com as equipes mais antigas, e a Liga Pacífico, com os clubes novos da época. Ambas continuam até hoje. Atletas americanos, cubanos, nicaraguenses e até brasileiros são convidados a jogar nesses disputados torneios, porém, o regulamento permite a participação de apenas quatro jogadores estrangeiros por time.

Principal modalidade no Brasil, o futebol só se tornou popular há pouco mais de 20 anos, mais exatamente em 1992 quando a J-League foi fundada reunindo 18 times. Apesar disso, a história revela que um grupo de amadores disputou os Jogos Olímpicos de Berlin, em 1936, com a camisa do Japão, derrotando a então poderosa Suécia por 3 a 2. Já na categoria feminina, o futebol é pouco praticado e há poucos torcedores. Isso poderá mudar dependendo dos próximos resultados, pois a equipe feminina japonesa conquistou surpreendentemente a Copa do Mundo de 2011, vencendo os Estados Unidos na final.

Ekiden: tradicionais maratonas realizadas para todas as faixas etárias © Naoko

Yamate Park, em Yokohama, foi o primeiro parque em estilo ocidental construído no Japão, em 1870. Reduto de estrangeiros, o local sediou a primeira partida de tênis em solo japonês em 1876. E, dois anos depois, foram construídas quatro quadras no local, marcando a chegada oficial do esporte naquele país.

Quando foi proposto ensinar a educação física no estilo ocidental nas escolas, o tênis de campo foi uma das modalidades escolhidas. Na época, as bolas eram importadas e caras, sendo substituídas por aquelas flexíveis de borracha. E assim surgiu o soft tênis, que ainda hoje é muito praticado em escolas. Desde o sucesso de Kei Nishikori, que chegou a ser o número 4 do mundo em 2015, a modalidade ganha bastante destaque na mídia, o que poderá levar ao surgimento de outros bons atletas.

Correr e correr

Embora os japoneses não sejam os campeões da modalidade, a maratona é bastante praticada no Japão. Assim como no Brasil, as corridas de rua são populares e contam com muitos participantes. Por ser um país que prioriza o trabalho em grupo, era natural que o povo nipônico tivesse preferência por modalidades em equipe. É o que acontece com a corrida de revezamento. A primeira, conhecida como Ekiden, foi criada em 1917 pelo jornal Yomiuri Shimbun, em um percurso de 508 km ligando Quioto a Tóquio. Atualmente, diversos Ekiden são realizados em todo o Japão e o percurso varia bastante.

No campeonato nacional ginasial, por exemplo, cinco meninas correm 12 km no total, enquanto seis garotos perfazem um percurso maior, de 18 km. Já no campeonato colegial, cinco meninas devem correr 21 km e os sete meninos correm o dobro, 42,195 km. No campeonato interestadual, nove mulheres correm 42,195 km, enquanto sete homens correm 48 km. Há outros campeonatos universitários e regionais, sendo que o percurso mais longo é o Kyushu Ekiden, com 1064 km, cuja prova começou em 1951, sendo o percurso mais longo do mundo. A prova é realizada em dez dias. Os campeonatos são bastante populares e os principais contam com transmissão ao vivo pelas TVs.

A prática do kendô foi proibida em 1946 pelas forças de ocupação, mas voltou a ser praticado em 1950 © Youkaine

Apesar de não ser a modalidade mais praticada nas escolas, o basquete vem ganhando destaque desde que Yuta Yabuse, de 1,75 metros, trocou a equipe Toyota Alvark, onde disputou a Liga Japonesa, pelo Dallas Mavericks da NBA americana, em 2003. Ele trocou de time várias vezes e retornou ao Japão em 2008.

Seis anos mais jovem e mais alto, Takuya Kawamura, de 1,93 metros, seguiu do Japão para os EUA em 2009 para jogar no Phoenix Suns e hoje defende o Yokohama B-Corsairs no Japão. Além deles, merece destaque o desenhista Takehiko Inoue que, entre 1990 e 1996, produziu a série de mangá “Slum Dunk”, um grande sucesso, que alcançou mais de 120 milhões de exemplares vendidos, enfocando o basquete como tema. O sucesso desse mangá teria levado muitas a crianças a se interessarem pela modalidade. Inoue foi homenageado em 2010 pela Japan Basketball Association, na comemoração do 80º aniversário da entidade.

Sendo um dos países mais estruturados do mundo, todos os atletas e visitantes que presenciarão os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, esperam encontrar uma organização exemplar e uma perfeição em todos os detalhes quanto aos serviços locais. Dedicados como são, é possível que os japoneses consigam atender às expectativas dos visitantes e não farão feio. Por outro lado, não é possível, evidentemente, prever as medalhas que os japoneses conquistarão em seu território. Para isso, além do desempenho individual, contará com o investimento feito ao longo dos anos nas escolas e nas categorias infantis de cada modalidade disputada.

Autor: Francisco Noriyuki Sato, jornalista e editor. Escrito em Julho de 2017

Veja a continuação:

A prática esportiva começa bem cedo no Japão

fev 072019
 

 

Crianças participam do Undoukai nas escolas e se preparam para provas de corrida © Chris Lewis

Cinquenta e três anos depois dos primeiros Jogos Olímpicos realizados em Tóquio, em 1964, o Japão se prepara para o novo e grande desafio, as Olimpíadas de 2020. Estarão os atletas japoneses preparados para essa responsabilidade?

Yabusame, esporte dos samurais, continua sendo preservado como tradição cultural © Miki Yoshihito

A expectativa é grande. Se em 1964 eram 20 as modalidades disputadas, no próximo Jogos serão 28, além de outras 18 introduzidas em caráter experimental. A concorrência também aumentou. Em 1964 eram 93 países e 5 mil atletas, e para 2020 espera-se a participação de 206 países e 11 mil participantes, a exemplo do que foi nos Jogos realizados no Rio de Janeiro. Para os atletas japoneses, a expectativa é ainda maior, levando-se em conta o peso da responsabilidade de um ótimo desempenho na competição sediada pelo seu próprio país.

Aliás, as Olimpíadas de 1964 deixaram um gosto amargo no coração dos japoneses justamente no judô, esporte originário do país e que estreou naquele ano na competição. Das quatro categorias disputadas, três foram vencidas pelos japoneses, o que era esperado, mas na categoria livre (independente do peso), o gigante holandês Antonius Geesink derrotou o grande campeão e ídolo local Akio Kaminaga na luta decisiva e ficou com a medalha de ouro.

Foi uma notícia em que ninguém acreditaria se não fosse a transmissão pela TV para todo o território nacional. Tominaga tinha 1,79 metros e 102 kg, enquanto o holandês media 1,98 metros e 120 kg, mas acreditava-se que o atleta japonês conseguiria superar a diferença de peso entre eles. Tominaga parou de lutar no ano seguinte, devido à doença na retina. Geesink trocou o tatame pelo ringue de luta-livre e atuou no Japão em parceria com os renomados lutadores da época. Obteve depois o título de doutor com uma tese sobre o judô na Universidade Kokushikan e chegou ao 10º dan.

Em 1964, havia o esforço coletivo de mostrar o novo Japão ressurgido das cinzas da Segunda Guerra Mundial, e todos se esforçaram nesse sentido, principalmente os atletas, que conseguiram 16 medalhas de ouro, classificando o país como o terceiro melhor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com 36 medalhas, e da União Soviética, com 30.

Para 2020, os atletas carregam a responsabilidade de levantar o ânimo dos japoneses, que não conseguiram se recuperar após o estouro da Bolha Econômica (Lehman Shock) de 2008, e do trágico tsunami e do consequente vazamento radioativo de 2011.

O treinamento começa cedo

Seis anos antes das Olimpíadas de Tóquio, em 2014, a imprensa japonesa já prestava atenção nas competições nacionais infantis e aos talentos que essas revelavam. Diziam que era importante saber quem se destacava aos 12 anos, porque ele teria 18 em 2020 e poderia ser um representante do Japão.

E a imprensa teve muito trabalho naquele ano, pois há competições nacionais de quase todas as modalidades no Japão, já que o esporte começa a ser praticado na escola primária e continua nos níveis superiores, onde quase sempre há um bom espaço e uma boa estrutura. Quando se consegue um bom resultado em uma modalidade, a escola recebe um investimento maior na área e com isso se torna uma referência para as crianças que se sobressaem no esporte. E muitos disputarão uma vaga naquela escola que pode torná-lo um vencedor.

O undoukai, gincana poliesportiva, ainda é o principal evento esportivo anual das crianças © Miki Yoshihito

A Nippon Junior High School Physical Culture Association (Associação Japonesa de Cultura Física do Ensino Fundamental / Ginasial) realiza um levantamento anual sobre as atividades esportivas praticadas pelos alunos e alunas separadamente. Em 2017, constatou-se que entre 10.478 escolas ginasiais, em 8.071 as meninas praticam voleibol, enquanto que em 7.659 jogam basquete, em 6.990 o soft tênis, em 6.313 o atletismo, e em 5.856 o tênis de mesa. Já entre os meninos, em 8.639 instituições praticam o beisebol, em 7.151 o basquete, em 6.990 o futebol, em 6.668 o tênis de mesa e em 6.426, o atletismo. Apesar da estatura média do japonês não ajudar, o basquete é muito praticado nas escolas, tanto pelos meninos como pelas meninas, pelo fato de ser uma modalidade que pode ser praticada em quadra coberta.

Cabe lembrar que, devido a variações climáticas dentro do país, alguns esportes de quadras cobertas são mais praticados em locais de temperatura baixa, privilegiando também as modalidades de inverno, como o esqui e o hóquei no gelo. Algumas delas, por exigirem instalações apropriadas, são menos praticadas , mas é possível encontrar escolas equipadas e que participam de campeonatos regionais, caso de naguinata, kyudô, rugby, luta-livre, patinação artística e arco e flecha. Em algumas escolas do ensino fundamental é possível praticar o sumô, esporte símbolo do Japão.

É tudo estatística!

Quase todos os alunos das escolas japonesas do primário e do ginásio participam do exame anual de força física organizado pelo governo. Trata-se de um levantamento de aptidão física, importante para nortear os treinamentos nos cursos de educação física e nos esportivos opcionais. Pelo levantamento, concluiu-se, por exemplo, que as crianças que fazem brincadeiras físicas, como pular cordas, conseguem melhor desempenho quando praticam esportes.

Estatísticas mostram outros dados interessantes. Os meninos do ensino primário que gastam 7 horas ou mais em atividade física por semana, por exemplo, conseguem arremessar uma bola de softbol mais longe. No caso deles, alcançam a média de 25,8 metros, enquanto aqueles que dedicam menos horas conseguiram a média de 19,04 metros. Mais da metade dos meninos do ginasial consegue correr 50 metros em 7,93 segundos, se praticarem mais de 7 horas de atividade física por semana. Aqueles que praticam menos tempo conseguiram alcançar a média de 8,53 segundos. Como esses dados são levantados no país inteiro, servem para cada escola ajustar o treinamento de seus alunos comparando com os seus resultados anteriores e com os dados de outras instituições. Além disso, serve para mostrar que se deve praticar alguma atividade física evitando o sedentarismo.

Autor: Francisco Noriyuki Sato, jornalista e editor. Escrito em Julho de 2017

Veja a continuação:

Os esportes mais populares do Japão

jan 312019
 

Oficialmente, os japoneses se aposentam aos 65 anos de idade. Quem trabalha no Japão, sendo japonês ou estrangeiro, é cadastrado no sistema previdenciário nacional e passa a recolher um valor para o fundo de aposentadoria. Ele é composto de uma pensão nacional (Kokumin Nenkin), que paga um valor anual e igual para todos, e a pensão de bem-estar (Shakai Hoken), que varia de acordo com a renda do indivíduo.

O Kokumin Nenkin é recolhido pela empresa contratante ou indivíduo autônomo, no valor aproximado de 150 dólares por mês. Aos 65 anos, se a pessoa contribuiu durante 40 anos, passará a receber, uma vez por ano, cerca de 7.500 dólares. O valor será menor se o tempo de contribuição for menor.
Para o Shakai Hoken, o valor da contribuição mensal é de cerca de 18% da remuneração atual, sendo metade paga pelo empregador e a outra metade pelo indivíduo. Quando o trabalhador completa 65 anos de idade, passa a receber, além do Kokumin Nenkin, esse benefício como complemento da aposentadoria. Essas pensões são pagas também em caso de invalidez ou falecimento do segurado.

Para quem está aposentado hoje no Japão, que trabalhou a vida toda numa grande empresa, o valor das pensões deve ser suficiente para se viver bem. Mesmo levando-se em conta o aumento do imposto sobre mercadorias (que era de 5%, subiu para 8% e deverá chegar em breve para 10%), que elevou o custo de vida, mas não aumentou a renda dos aposentados, a renda dessa pessoa é considerada muito boa. Esses aposentados vivem bem, e constituem uma boa parcela dos turistas do país, aqueles que vão a estâncias climáticas e visitam cidades históricas. Eles representam mais de 43% de todos os turistas japoneses.

Os japoneses calculam que, após o fim da bolha econômica, nos anos 1990, os empregos vitalícios ficaram cada vez mais raros, e só uma parcela da população conseguiu recolher valores elevados para o fundo de aposentadoria, ou fez investimentos que hoje proporcionam renda.
Ou seja, muitos dos que esperam conseguir aposentadoria nos próximos anos deverão se contentar com uma renda baixa se comparada com a geração dos seus pais.

Mais de 90% das pessoas concluem o curso colegial e mais de 40% concluem o curso superior entre os japoneses. Mesmo esses mais estudados não podem ter certeza se estarão empregados num futuro próximo. Isso faz com que muitos jovens não mais procurem um emprego fixo. Preferem fazer trabalhos temporários, num restaurante, por exemplo, recebendo por hora e sem terem um compromisso com a empresa. Largam o trabalho para viajar, e quando voltam procuram outro serviço. Assim consegue-se viver hoje, mas como não contribuem para o sistema previdenciário, não terão nenhuma assistência e nem uma aposentadoria.

Outro grande problema é a diminuição da população jovem. Com os custos elevados da educação, muitos casais preferem não ter filhos ou se contentam em ter apenas um. Isso faz com que a pirâmide social fique invertida, inviabilizando a própria previdência, se medidas radicais não forem tomadas. Em 2012,  população com mais de 65 anos era de 30,3 milhões de pessoas, ou seja, 24,2% do total da população. Já a população de 0 a 29 anos de idade representava 34,7 milhões de pessoas, ou 27,5% do total. Se mantido o atual ritmo, o Japão terá em 2050, 50% da população ativa e 50% inativa.

Para melhorar essa difícil conta, o governo japonês vem tomando, desde 2000, uma série de medidas que achataram o valor dos novos benefícios e aumentaram o valor dos recolhimentos. Outra grande mudança foi na idade para se aposentar, que foi elevada de 60 para 65 anos.

A existência de tantos idosos requer estruturas próprias e serviços de apoio no caso deles viverem separados dos filhos ou netos. Na tentativa de tratar a necessidade de assistência dessas pessoas, em 1997 a Assembleia Legislativa do Japão (Dieta) aprovou a Lei sobre Seguro Assistencial de Longo Prazo, que levou à criação do sistema de seguro assistência ao idoso em 2000. Esse sistema recolhe contribuições previdenciárias obrigatórias de uma ampla parcela da população (todas as pessoas com 40 anos ou mais) e fornece serviços como atendimento em domicílio a idosos, visitas a centros de assistência, ou permanências de longo prazo em casas de repouso para pessoas que sofrem de demência senil ou estão confinadas à cama por motivos de saúde.

A necessidade de se recorrer a esses serviços deve ser certificada pelos escritórios das cidades, municípios e povoados responsáveis por administrar o sistema de seguro assistência para idosos. O financiamento do sistema de seguro de assistência ao idoso do Japão conta com fundos dos governos nacional (25%), local (12,5%), distrital (12,5%), e das contribuições previdenciárias (50%).

Assistência Médica não é gratuita

Em 2009, as despesas com os idosos representavam um terço do total gasto pelo governo em assistência médica. Os gastos com pessoas com 75 anos ou mais, em média, são cinco vezes mais elevados do que com os adultos com menos de 65 anos. Todos os cidadãos japoneses estão inscritos no sistema nacional de saúde e têm direito ao “sistema de acesso livre”, que permite aos pacientes escolher os locais de atendimento de sua preferência.

Nesses hospitais, clínicas, laboratórios, consultórios médicos e dentários, o segurado deverá pagar sempre uma parte do seu tratamento. Aqueles com 75 anos ou mais devem pagar apenas 10% do total gasto, ficando o restante a cargo da seguridade social. Quem tem entre 70 e 74 anos contribui com 20%, e aqueles com até 69 anos de idade devem pagar 30% do valor gasto. Quem, apesar de estar aposentado, tiver uma receita comparável a uma pessoa ativa, deverá contribuir com 30% da despesa, como um trabalhador normal. A aquisição de remédios indicados pelos médicos também entram nessa conta, e os beneficiários pagam apenas uma parcela dos custos dos remédios, seguindo a mesma proporção do restante do tratamento. No caso de medicamentos considerados extremamente caros, o governo arca com a totalidade do seu preço.

Evidentemente, o governo precisa desembolsar uma parte dos custos médicos do seu orçamento anual, porque o valor recolhido dos contribuintes não é suficiente para pagar todas as despesas. E se discute se o governo deveria mesmo continuar pagando os remédios caríssimos, já que esses só beneficiam uma minoria. Entretanto, o sistema tem funcionado a contento, oferecendo bons serviços a custos relativamente baixos. Levantamentos recentes indicam que o custo médico do japonês é em média a metade do norte-americano.

A qualidade da assistência médica contribui para a longevidade. Levantamentos mostram que a população do mundo vivia bem menos na década de 1950. Estatísticas dão conta que a média era de apenas 48 anos de idade. O índice é baixo porque a mortalidade infantil era elevada. Em 2010, graças ao avanço da medicina, essa média mundial havia subido para 67,2 anos.

A expectativa de vida do japonês é a mais altoa do mundo, segundo a World Health Organization, num levantamento entre 183 países realizado em 2015. As mulheres devem viver em média até 86,8 anos e os homens até 80,5 anos no Japão. A população idosa é maior nas áreas rurais, pois os jovens saem para estudar e trabalhar nas cidades maiores. Hoje, nos arrozais que encontramos em todo o Japão, é comum avistar apenas idosos cuidando da plantação. Os equipamentos facilitam, e aqueles que se encontram com mais saúde não se importam com o trabalho na roça, já que estão acostumados.
O Brasil figura no 67º lugar dessa lista internacional, com expectativa média de 78,7 anos para as mulheres e de 71,4 nos para os homens. O último lugar da lista é ocupado por Serra Leoa, país africano de quase 6 milhões de habitantes. Lá, a mulher espera  viver 50,8 anos e o homem apenas 49,3 anos.

Um novo conceito em condomínio de idosos: Share Kanazawa

Autor: Francisco Noriyuki Sato / NSP Editora – escrito em Julho/2016.

jan 252019
 

Uma sala de aula somente com estudantes estrangeiros na Universidade de Kanazawa © NSP Editora

Boas e disputadas universidades. Mas isso não é mais garantia de um bom emprego.

Apesar de toda essa pressão sobre o aluno, o nível geral das universidades japonesas está caindo na média internacional. O levantamento “World University Rankings” lista as 980 melhores universidades do mundo. Até 2014, a Universidade de Tóquio se manteve em 23º lugar, sendo considerada a melhor da Ásia. Em 2016, a mesma universidade despencou para a 39ª colocação, sendo superada pela Universidade Nacional de Cingapura e duas chinesas.

Outras universidades japonesas aparecem em posições inferiores e, mesmo assim, estão bem. Basta comparar com a Universidade de São Paulo, que com mais de 80 mil estudantes, é a melhor posicionada na América Latina. A USP está entre a colocação 251 e 300, na lista liderada pela inglesa Oxford.

No país onde o ensino é levado a sério, críticos afirmam que, apesar dos rigorosos exames para se entrar numa universidade japonesa, depois de aprovados os alunos se sentem no paraíso. Ou seja, falta um exame rigoroso para diplomar os universitários e por isso, estudando ou não, todos serão aprovados. Mais uma vez, na área de exatas, onde há experiências em laboratório e atividades experimentais, os alunos tendem a se esforçar mais. Os universitários japoneses, embora sejam os campeões em matemática e ciências exatas, não apresentam bons resultados nas áreas de humanas e linguística, se comparados com os de outros países desenvolvidos. Além disso, estudiosos do exterior afirmam que o sistema de ensino japonês não desenvolve o espírito crítico dos estudantes. Talvez isso nem fosse necessário numa época de economia estável.

Sem uniforme e com horários mais flexíveis, as universidades parecem ideais para incentivar a criatividade. Entretanto, as aulas costumam ser expositivas © NSP Editora

Até o final da bolha econômica, por volta do final dos anos 90, todos os universitários tinham certeza de conseguir emprego. As grandes empresas contratavam os alunos das melhores universidades antes mesmo de se formarem. Não importava a área de formação. A partir do momento em que eram contratados, recebiam treinamento e ocupavam uma função, faziam carreira e ficavam na mesma empresa até se aposentarem. Hoje tudo mudou, muitos com formação superior não chegam a ter o primeiro emprego, e assim, sobrevivem às custas de trabalhos temporários, que são relativamente bem remunerados.

Embora todos os japoneses continuem investindo alto na educação formal de seus filhos, o resultado final não tem sido animador para os recém-formados.

Por outro lado, na última década, as universidades japonesas têm investido em trazer alunos estrangeiros para suas salas. Fenômeno da globalização? Na verdade não. É que a população japonesa vem diminuindo num ritmo acelerado e isso reflete também no número de alunos matriculados. As vagas que sobram são preenchidas pelos estrangeiros. Como existe a barreira do idioma, as universidades aceitam alunos com domínio do inglês e com um nível razoável de comunicação em japonês. Há aulas intensivas de japonês especialmente para esses alunos poderem acompanhar as aulas.

Felizmente, o Japão tem sido atraente para muitos estudantes estrangeiros. Hoje, em certas universidades, 20% dos alunos não são japoneses.

Autor: Francisco Noriyuki Sato

Leia os textos anteriores:
O sistema de ensino que forma um país desenvolvido – 1
O custo do ensino no Japão hoje – 2

Conhecendo uma escola colegial japonesa
Conhecendo uma outra escola colegial japonesa

jan 242019
 

O custo alto do ensino faz com que os pais tenham menos filhos

A tradicional indústria Kanko, que existe desde 1854, e é especializada em fabricar uniformes escolares, apresenta sua coleção: Casaco de malha, camisa branca, saia e o sapato totalizam US$ 320 © Kanko

Há muitos anos, é obrigação de todos os cidadãos cursarem o ensino primário, de seis anos, e o ginasial, de três, totalizando nove anos de ensino obrigatório. Esse ensino é gratuito nas escolas públicas, onde também recebe os livros escolares. Mas as despesas com refeições, transporte, atividades extra-curriculares, como judô, excursões e uniforme, são pagas pelos pais. E não é barato. Em uma escola primária pública, se paga em média US$ 850 no ato da matrícula (só uma vez em seis anos), mais os gastos que somam US$ 2,5 mil por ano. Continuando na escola pública, nos três anos seguintes, a matrícula será também de US$ 850, mas os gastos anuais sobem para US$ 3.750. Se a opção for por uma escola particular, o custo será de US$ 2,5 mil de matrícula e mais US$ 10 mil anuais nos seis anos do primário e também nos três anos do secundário básico (ginasial).

A malinha de couro, conhecida como “randoseru”, pode custar US$ 1,4 mil dependendo da marca. As aulas começam em abril, mas os modelos de US$ 600 já estavam esgotados em dezembro

O custo não muda muito no nível colegial: US$ 1,6 mil de matrícula (só uma vez para os três anos) e gasto anual de cerca de US$ 4,2 mil em escola pública e US$ 3,3 mil de matrícula e US$ 8,7 mil por ano na escola privada. O curso colegial, embora não seja obrigatório, é concluído por 98% da população, o que deve ser a taxa mais elevada do mundo.

Já o aluno que frequenta uma universidade pública nacional precisa desembolsar cerca de US$ 2,5 mil de matrícula (uma vez apenas) e US$ 4,2 mil  por ano, independente do curso escolhido. Em uma universidade privada, esse custo será bem maior. Cerca de US$ 2,5 mil de matrícula e US$ 7,5 mil por ano, se optar pela área de Humanas. Na área de Exatas, o custo é maior: US$ 9,2 mil de matrícula e US$ 10 mil por ano. Na área de medicina, o custo é ainda maior: US$ 16 mil de matrícula e US$ 31 mil por ano. O curso de medicina ainda tem a desvantagem de ser mais longa, com seis anos para se formar.

Uniformes com grife são evidentemente mais caros. Esse blazer tem a assinatura Elle e custa US$ 200. A saia da mesma marca custa US$140 © Elle

Com isso, é possível entender a pressão dos estudantes em alcançar uma universidade pública. Como a concorrência é muito grande, é necessário estudar muito, frequentando cursos de reforço fora do horário escolar. E isso também custa caro, em geral, de US$ 350 a US$ 500 por mês. Calcula-se que metade dos estudantes do segundo ano colegial esteja frequentando esses cursos de reforço. Há cursos preparatórios para entrar no ginásio e também para o colégio. Bons ginásios e colégios preparam melhor o aluno para os exames vestibulares, acreditam os pais.

Os pais começam a economizar desde o nascimento do filho, para ter uma disponibilidade financeira para pagar as escolas. Na época da bolha econômica, isso parece não ter sido um problema, mas hoje, eles encontram dificuldades. Isso também explica porque os pais não querem ter filhos. Assim, apesar da longevidade dos idosos, a população japonesa diminuiu quase 2 milhões em apenas nove anos.

Autor: Francisco Noriyuki Sato

Leia também:

O sistema de ensino que forma um país desenvolvido – 1

O ranking do Japão entre as universidades do mundo – 3

jan 232019
 

Mesmo num passeio no final de semana, sendo uma atividade promovida pela escola, o uso do uniforme é obrigatório © Rage Z

Considerado um dos melhores do mundo, o sistema educacional japonês sofre rigorosas críticas dentro de seu próprio país. Mas é inegável que, mesmo sem ser perfeito, sempre atendeu as necessidades de seu povo, que é obcecado em querer que seus filhos estudem, elegendo a educação como prioridade da família.

O sistema de ensino nos padrões ocidentais adotado no Japão tem menos de 150 anos. Antes disso, porém, já havia o ensino que ficava por conta dos “terakoyá”, escolas de templos budistas, e “juku”, cursos particulares. O primeiro ensinava a ler, a escrever, e o ábaco (soroban), além de ensinamentos budistas. O “juku”, em geral, ensinava a ler e a escrever, mas se dedicava a outras matérias, como geografia, matemática, etiqueta e conhecimentos gerais.

Havia também “juku” especializado em cursos práticos para o trabalho, algo parecido com a escola técnica. Conta-se que em 1867 haviam 75 mil “terakoya” e 6,5 mil “juku” registrados no país, o que demonstra o grande interesse pelos estudos, mesmo em uma época em que o transporte era precário. Cinco anos depois, foi adotado o ensino no estilo francês e as principais universidades foram criadas a partir dessa data, como a Universidade de Tóquio, construída em 1877.

É interessante notar que a preocupação do país era de se equiparar às potências internacionais, pois ficara mais de dois séculos sem contato com o exterior, que já alavancava o progresso com máquinas a vapor e trens. O Japão precisava alcançar o desenvolvimento tecnológico do Ocidente e, por isso, renomados professores foram trazidos do exterior para as faculdades. Nessa época valorizou-se o ensino de engenharia, química, física e medicina, fato que se reflete até hoje. O Japão tem 26 laureados com o Prêmio Nobel, e dentre esses, 23 venceram nessas matérias.

As crianças vão sempre a pé para suas escolas e sem os pais © John Gillespie

O funcionamento da escola

Crianças entre 3 anos completos e 6 anos podem frequentar o jardim da infância. Aos 6 anos podem ingressar no ensino básico, de seis anos. Depois, o ensino intermediário, de três anos, que corresponde ao antigo curso ginasial no Brasil. Os ensinos básico e o intermediário são obrigatórios para o japonês. Se alguma criança com menos de 15 anos estiver na rua no horário das aulas, cabe ao policial perguntar o motivo e procurar seus pais. Dos 15 aos 18 anos, estarão frequentando o ensino médio, que pode ser normal ou profissionalizante.

O ano letivo no Japão começa no início de abril. No ensino básico, as salas têm de 30 a 40 alunos. Nos dias de semana, as aulas normalmente começam às 8h30 e terminam às 15h50. No primário, as aulas duram 45 minutos, com uma pausa de 10 minutos entre uma aula e outra. A partir do ginásio, elas duram 50 minutos. Oficialmente há 35 semanas de aula por ano.

Há nove matérias regulares no ensino básico japonês: língua japonesa, estudos sociais, matemática, ciência, estudos ambientais, música, arte e artesanato, conhecimentos domésticos, educação física e economia doméstica. Nessa última, os alunos aprendem a cozinhar coisas simples e fazer algumas costuras. A maioria das escolas ministra aulas de inglês, shodô (caligrafia) e haiku (poesia curta).

Apesar do ensino seguir o mesmo padrão em todo o território japonês, há algumas pequenas variações. No colégio Nisui, como praticamente em todas as outras, as aulas começam às 8h30 e continuam até 16h30. Depois, começam as atividades chamadas de “club”, que são as extracurriculares, como as esportivas de tênis, beisebol, badminton, equitação e tênis de mesa, e culturais, como culinária, jornalismo, shodô e coral. Essas atividades duram duas horas em média.

Para se ingressar nas melhores universidades é preciso fazer o curso preparatório, que vai das 19 às 22 horas, diariamente. Tempo para jogar game, assistir animê e entrar no Facebook? Muito pouco, pois os jovens precisam fazer as lições de casa. “Vocês assistem animê?”, perguntou uma estudante inglesa fazendo intercâmbio no Japão a uma colega japonesa. “Eu assistia quando era criança, mas não tenho mais tempo”, respondeu a menina de 15 anos. Nos finais de semana também há atividades dentro da escola e fora dela, por isso é comum ver estudantes uniformizados nas ruas, mesmo aos domingos.

Ocorreram algumas reformas de ensino nas últimas décadas e em 2002 aconteceu uma mudança maior, que resultou na eliminação das aulas aos sábados (até 1990, o aluno japonês tinha 240 dias letivos, contra 180 dos americanos), para diminuir a pressão sobre os estudantes do colegial. Uma matéria nova foi introduzida no 2° e no 3° anos. É o “Sogo”, que pode ser traduzido como “estudos integrados”. Aqui, o assunto depende do interesse de cada um, e não tem a ver com as matérias exigidas nos exames vestibulares, mas são e serão importantes na vida de todos. Exemplos: meio-ambiente, globalização e tecnologia da informação. Algo semelhante está para ser introduzido também no Brasil.

As próprias crianças servem o almoço © Anabelle Orozco

Todo o mundo já deve ter visto um vídeo onde as crianças limpam a escola. De fato, desde cedo elas aprendem a manter as salas limpas e a tarefa continua até o final do ensino médio. Na verdade, não há muita sujeira para limpar. As crianças e também os funcionários e professores guardam seus sapatos no armário logo na entrada e vão para as salas com um calçado que é usado somente dentro da escola. A limpeza é feita por revezamento entre os alunos, que levam menos de 15 minutos para a tarefa. Eles consideram a limpeza um fato natural. Já que utilizam o local, consideram óbvio limpar e deixar o ambiente pronto para a próxima aula ou turma. Antes deles, os seus pais e avós também fizeram o mesmo.

Outro fato que chama a atenção é o almoço servido pelos próprios alunos. Uma funcionária traz o carrinho com a comida da cozinha e as crianças já se posicionam para servir os colegas. Cada uma delas já sabe onde, o que e como deverá servir. No final da refeição, a arrumação do local também é feita pelos alunos. No caso de escolas com poucos alunos, cada um traz a sua marmita (obentô) e ela é saboreada na sua própria carteira.

Sabe-se que de todos esses estudantes colegiais, cerca de 53% irão disputar vagas em 220 faculdades públicas e 500 particulares. E outros 18% irão para escolas especializadas ou faculdades de curta duração (de dois anos).

Outra função da escola

Sendo um país que coleciona desastres naturais, há uma grande preocupação de todos no Japão quanto à segurança. A direção das escolas recomenda que todos os alunos optem por estudar próximos das suas casas, principalmente no ensino básico. Isso porque a escola rapidamente é transformada em local de refúgio em caso de desastres naturais. No caso da região ficar inundada e sem os transportes públicos, todos saberão onde procurar seus familiares.

Sendo a escola pública ou particular, a maioria vai a pé ou de bicicleta. Crianças maiores poderão ir de trem ou metrô, pois a distância pode aumentar pela opção por melhores escolas. Mesmo assim, ninguém leva o filho em carro particular ou perua contratada. As crianças menores vão juntas, sendo que a que mora mais longe passa na casa das colegas. Há um traçado para ir à escola, e fazem sempre o mesmo trajeto.

Autor: Francisco Noriyuki Sato – jornalista e editor

Veja a continuação:

O custo do ensino no Japão hoje – 2

O Japão no ranking das universidades do mundo – 3

Conhecendo uma escola colegial japonesa

Conhecendo uma outra escola colegial japonesa