set 162015
 

No mês de agosto de 2015, 1.817.000 turistas visitaram o Japão, registrando um aumento de 63,8% em relação ao ano anterior. De janeiro a agosto totalizaram 12,88 milhões, o que significa 49,1% acima do mesmo período do ano anterior. Um avanço significativo para o país que quer atingir a marca dos 20 milhões em 2020, ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio.
O aumento é atribuido ao baixo valor da moeda nacional, hoje cotado a 120 ienes/dólar, aumento de vôos internacionais, funcionamento das duty free, e as facilidades de concessão de vistos em alguns países. Chama atenção, entretanto, o número de turistas chineses, com 591.500 somados em agosto, com um surpreendente incremento de 133 porcento em comparação com o ano anterior. Destes, 137.000 vieram da China a bordo de 50 grandes navios de cruzeiro.China e Japão estão muito próximos geograficamente, mas é interessante que a recente crise econômica ainda não esteja afetando os turistas, que são conhecidos como grandes consumidores no Japão.

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Foto: Carles Tomás Marti

O ranking dos turistas estrangeiros no Japão (de janeiro a agosto de 2015):
1º) China – 3,35 milhões
2º) Coréia do Sul – 2,55 milhões
3º) Taiwan – 2,47 milhões
4º) Hong Kong – 991.800
5º) EUA – 682.100
6º) Tailândia – 506.800
7º) Austrália – 232.900
O Brasil participou com apenas 16.858 turistas. Ainda é pequeno o número de brasileiros que fazem turismo no Japão, apesar do aumento de companhias aéreas que operam o trecho e a consequente baixa no preço das passagens.

Em termos de turismo mundial, a França foi o país que mais recebeu turistas estrangeiros em 2014.
Eis o ranking de países que mais receberam turistas (2014):
1º) França – 83,7 milhões
2º) EUA – 74,7 milhões
3º) Espanha – 64,9 milhões
O Japão, com 13,4 milhões, aparece em 22º lugar nesse ranking, e é o 7º da Ásia, ficando atrás de China, Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul, Malásia e até de Macau.
O Brasil não está no ranking, pois faltam dados de 2014, mas em 2013 recebeu 5,8 milhões de visitantes, que é um número quase igual ao da vizinha Argentina.

jun 302015
 

Há um grupo, na cidade de Kanazawa, que trabalha voluntariamente para divulgar o turismo de sua cidade.
Esse grupo divulgou um video, produzido por Yuuichi Takabatake, que mostra vários pontos turísticos de Kanazawa, como o Mercado de Omicho, Parque Kohrinbo, ruas de gueixas e vila de samurais, e também localidades vizinhas, como Wajima, cenário da novela “Mare” da NHK, e a região de Kaga com suas pousadas, entre outros locais muito interessantes. Tudo ligado pelo famoso trem-bala inaugurado em março de 2015.

Para saber mais sobre Kanazawa e a atuação do grupo, siga-o no Facebook:
https://www.facebook.com/groups/ishikawakenwomoriagetai/

jun 232015
 

Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul de Visita ao Japão (Resumo da Inscrição)

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Com o objetivo de aumentar a compreensão sobre a realidade do Japão e as políticas do país, o governo japonês oferece, através de sua Embaixada no Brasil, um programa de convite a descendentes de japoneses que possam divulgar em suas comunidades suas impressões acerca do Japão.

Os interessados no programa devem verificar os requisitos para inscrição (item 1 abaixo) e entregar os documentos necessários ao Setor Consular da Embaixada do Japão* no Brasil até a data-limite de inscrição (item 2 abaixo).

*Para os residentes no Distrito Federal, Goiás, Tocantins, os estados do Nordeste, Pará e Amapá, devem entrar em contato com o Departamento Consular da Embaixada
Tel: (61) 3442-4200 – E-mail: consular.japao@bs.mofa.go.jpo

Os demais deverão procurar as representações consuladores da sua região. Em São Paulo: Av. Paulista, 854 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01311-000 – Tel.(11) 3254-0100

1. Requisitos

  • (1) Ser descendente de japoneses com nível de pós-graduação em áreas como Pesquisas Internacionais sobre Ásia, Estudos Japoneses ou Jornalismo.
  • (2) Ter um nível de conhecimento de língua inglesa suficiente para discussões e trocas de ideias (todas as atividades relacionadas ao programa no Japão serão realizadas em inglês).
  • (3) Apresentar um curriculum vitae e uma redação. O tema da redação, que pode ser escrita em português e deve ter por volta de 2 páginas (tamanho A4), é: “Qual é o modo mais eficaz de se transmitir para a sociedade brasileira os pontos atraentes do Japão?”.
  • (4) Comprometer-se a organizar e realizar de maneira independente uma apresentação sobre o programa dentro de um prazo de 3 meses após o retorno ao Brasil.

2. Período de Inscrição

  • De 24 de junho de 2015 a 08 de julho de 2015 (os documentos devem ser entregues no departamento consular da Embaixada até 08 de julho de 2015)

3. Processo de Seleção

  • (1) Avaliação de documentos pela Embaixada do Japão no Brasil
  • (2) Entrevistas com os candidatos que forem selecionados na fase anterior (em meados de julho)
  • (3) Avaliação final pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão

4. Detalhes do Programa

  • (1) Duração: chegada ao Japão em 23 de agosto de 2015 e saída do Japão em 30 de agosto de 2015
  • (2) Número de participantes: 10 pessoas
  • (3) Programa principal (sujeito a modificações)

i) Encontro com autoridades do governo japonês
ii) Sessão explicativa sobre a política externa japonesa no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
iii) Palestras de especialistas
iv) Debates
v) Possibilidade de conhecer e experimentar a cultura japonesa em local próximo a Tóquio

  • (4) Despesas: o governo japonês arcará com despesas relacionadas ao programa e suas atividades, como passagens de ida e volta (classe econômica), hospedagem, refeições, deslocamento no Japão e seguro.

Foto: Oglethorpe University

fev 092015
 

A província de Mie possui o maior santuário xintoista do Japão, Ise Jingu, é terra dos ninjas da escola Iga, é terra, ou melhor, água das pérolas Mikimoto, possui o circuito de Suzuka da Fórmula 1, entre outras atrações turísticas. É também uma das províncias com grande população brasileira. Por isso, a NPO Aidensha, que oferece orientação e auxílio para os decasséguis brasileiros no Japão, preparou esse vídeo divertido de 3 minutos que tem uma música cujo ritmo lembra o Brasil.

Na primeira cena, ao centro, aparece o governador Eikei Suzuki, que é o governador mais jovem do Japão. Os outros dois estão vestidos de ninjas. A música é do grupo AKB48: 恋するフォーチュンクッキー(Koi suru fortune cookie).

 

nov 212014
 

DSCN6250Existem vários museus em Tóquio, e esse não é o maior, mas é muito grande e a visita é obrigatória para entender a história moderna do Japão. O Edo-Tokyo Museum fica bem ao lado do Ryogoku Kokugikan, local onde acontecem os tradicionais campeonatos de sumô, outro lugar que merece uma visita, pois funciona no local o museu do sumô.

O moderno prédio de sete andares contrasta com o seu conteúdo, mas não importa, lá dentro é uma imersão na história japonesa, principalmente de Tóquio. Subindo por largas escadas em local aberto chega-se aos guichês de venda de ingressos. Esse é o terceiro andar do prédio. Dali, as entradas se dividem para o acesso às exposições temporárias e ao acervo fixo do museu. Para quem tem dificuldade com o idioma, há guias voluntários que ficam no sexto andar. Inglês, francês, alemão, chinês, espanhol, russo e até húngaro, mas não tem guias que falem português. Há também aparelhos de audio para alugar, mas também nada de português.

DSCN6211A visita deve ser iniciada pelo sexto andar. Aqui está uma mostra de como era a cidade no período Edo (1603 a 1868), com uma réplica da ponte Nihonbashi, toda de madeira clara, e muitos mapas e maquetes da cidade. Embaixo da ponte está o quinto andar, dividido entre o período Edo e Meiji (1868 a 1912). Um grande espaço para entender como viviam os samurais e as pessoas comuns, o que eles liam e usavam. Há uma vistosa réplica de um teatro da época, que contrasta com o edifício quase ocidental do outro lado do salão, que representa o bairro de Ginza. O grande terremoto de 1923 que destruiu a região e o bombardeio durante a Segunda Guerra são também lembrados com fotos e objetos. Há uma réplica em tamanho real de uma casa típica, onde o visitante pode entrar e ver, e as carruagens que também podem ser experimentadas. É uma viagem ao passado.DSCN6014

Nos andares inferiores ficam as exposições temporárias. Uma grande exposição sobre as Olimpíadas de Tóquio de 1964, que comemoram o 50º aniversário, e sobre o trem-bala inaugurado pouco depois, foi o destaque até 16 de novembro. E até dia 30 de novembro, poderá ser vista a exposição fotográfica de Koji Morooka sobre a modernização do bairro de Ginza.

O museu promove constantemente palestras e debates, e possui até uma espécie de clube, onde os associados se reúnem para trocar idéias sobre história local. Há uma biblioteca para consulta, algumas lojas de presentes e livros e três restaurantes e um local amplo para saborear “obentô”.edotokyo

Edo-Tokyo Museum funciona das 9h30 até 17h30. Não funciona às segundas, e aos sábados funciona até 19h30.
Tokyo, Sumida-ku, Yokoami, 1-4-1. Tel.03-3626-9974. Fica na saída da Estação Ryogoku da JR, saída Oeste. Esse bairro tem vários restaurantes que servem “chanko”, prato tipico dos lutadores de sumô, por causa da arena de sumô. Os ingressos custam 600 ienes para adultos. Estudantes do ensino médio e os visitantes acima de 65 anos pagam meia entrada.
Veja o site do Edo-Tokyo Museum em inglês
Veja também nosso post anterior sobre esse bairro
nov 172014
 

DSCN6389A cidade de Kanazawa, na província de Ishikawa, possui três bairros onde as cha-ya (casas de chá onde as gueixas se apresentam) foram permitidas, e que continuam funcionando até hoje. São ruas estreitas com casas de madeira, todas com dois andares, e hoje a maioria é ocupada por restaurantes e lojas de doces típicos da região. O maior desses bairros é o Higashi Cha-ya Gai, ou área de casas de chá da região leste. Já foi uma região frequentada por ricos comerciantes e atualmente vive cheio de turistas do Japão e do mundo.

DSCN6410DSCN6412Uma das casas que pode ser visitada é a Shima. Ela foi construida em 1820, como uma típica e requintada casa de chá, e foi a única preservada no seu estado original até hoje. Considerada um patrimônio histórico nacional, a casa é grande e muito bonita, refletindo os gostos estéticos do final do Período Edo. Na época, quando todas as casas eram térreas, só as cha-ya tinham o andar superior. A construção, toda em madeira, era cara e construir dois andares era mais difícil. No caso das cha-ya, a sua funcionalidade exigia o segundo andar, pois era lá que os convidados eram recebidos e onde as gueixas se apresentavam. Na casa Shima, chama atenção o teto alto do segundo andar, em contraste com o primeiro andar. Teto mais alto era símbolo de riqueza, já que o custo da construção aumentava bastante. No andar inferior ficavam a cozinha, banheiro, jardim, e a recepção, ficando o depósito e o poço no porão. Nessas casas se apresentavam as gueixas, com sua música leve e dança, tudo sobre tatamis que forram a casa toda. Nas cha-ya eram servidos o chá e algum doce. Ocasionalmente, o anfitrião da festa requisitava um jantar para os convidados, e então, um restaurante fazia a entrega no local.

DSCN6430Para entrar no segundo andar da casa Shima era necessário fazer parte de um seleto grupo de comerciantes da região. Pessoas comuns não tinham acesso, mesmo pagando, pois a casa servia apenas à elite. Por incrível que pareça, os samurais e os funcionários públicos eram proibidos por lei a se divertirem nas cha-ya.

A casa Shima permite que o turista visite o estabelecimento com ingresso simbólico, mas também oferece a opção da visita com um chá (matcha da cerimônia de chá) acompanhado de um doce fresco que reflete a estação do ano. O chá é saboreado numa mesa comprida com vista para o jardim interno típico japonês.

nov 112014
 

Homens de negócios e turistas disputam acomodações em Tóquio. As reservas em hotéis de preços razoáveis, na base de até 100 dólares por noite, sem café da manhã, e localizadas perto das estações de metrô, precisam ser feitas com 2 meses de antecedência. Até os “capsule hotel” vivem lotados, porque os estrangeiros fazem questão de experimentar essas incríveis acomodações “na gaveta”.

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Foto de David Lisbona

A nova moda, entretanto, entre os estrangeiros é se hospedar nos antigos alojamentos para operários de Toquio. Essa escolha ocorre, em parte, porque os estrangeiros encontram dificuldades em alugar apartamentos comuns. É necessário encontrar um fiador e o contrato é de meio ano para cima. Existem muitos estrangeiros viajando a turismo ou a negócios, que pretendem ficar um ou dois meses na cidade, e esses vêm procurando hospedagem nesses alojamentos antigos, onde não encontram essas exigências, mas precisam morar num minúsculo quarto individual, com banheiro e cozinha usados em conjunto com outros moradores do condomínio. Esses detalhes que afastam o japonês comum é justamente o que atrai o estrangeiro. Morar nesses espaços pequenos e viver em comunidade, tal qual eles viram em filmes e desenhos japoneses, é o que parece chamar essas pessoas. Assim, os alojamentos com melhor localização estão todos lotados de estrangeiros.

Um empresário japonês que viaja diariamente de Chiba, cidade vizinha, para Tóquio, comenta que essas coisas tipicamente japonesas estão atraindo cada vez mais turistas estrangeiros. Aquela imagem de cidade internacional e bastante americana, que marcou a Tóquio nos anos 80, em plena bolha econômica, parece querer dar lugar a uma cidade mais “wa” (espírito japonês), com mais semelhança com a cidade ocupada pelo último xógun Tokugawa, quando a cidade tinha o nome de Edo. A prova disso é que proliferam pequenos restaurantes tipicamente japoneses, com placas escritas com grossos pincéis de shodô, no lugar das lanchonetes, que eram mais comuns nas décadas de 80 e 90. Na Estação Ryogoku, no centro de Tóquio, há vários restaurantes que servem o “chanko nabe”, prato preferido pelos lutadores de sumô, pois ali fica a principal arena do sumô japonês. E, por incrível que pareça, esse lugar vive abarrotado de turistas estrangeiros.

O mesmo empresário de Chiba lembra que voltou a ver vendedores de batata circulando pela cidade de bicicleta, algo que não se via há pelo menos 40 anos, o que também chama a atenção de estrangeiros no país. “Talvez o Japão menos internacional esteja voltando, curiosamente, por causa do interesse dos estrangeiros”, comentou.

Veja também: Por uma Tóquio de antigamente: feira-livre

nov 112014
 

DSCN6003DSCN6007Tóquio é uma cidade que vive se transformando. E isso inclui, vez ou outra, uma volta ao passado. É o caso da curiosa batata-doce assada no vaso, preparada na saída da estação Ryogoku do metrô, no centro da metropole. Chama-se “tsuboyaki imo”, foi criado na Era Taisho (1912 a 1926)e foi popular ao final da guerra, mas havia sumido das grandes cidades. Basicamente, é um vaso de barro gigante com tampa. No fundo são colocados o carvão vegetal e o fogo, e há um orifício para entrada do ar. As batatas ficam suspensas perto da tampa. Esse processo permite que a batata fique assada sem ficar queimada, preservando assim, o seu sabor ideal. Shinji Arai, 72 anos, diz que quando se aposentou pensou em fazer alguma coisa que resgatasse o que seus filhos não conheciam mais, e encontrou a batata-doce assada, que foi comum  na sua infância. “Isso não dá lucro, porque demora muito para ficar pronta”, confessa o idealista.

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Shinya Matsuura e Shinji Arai

Mas não é só a batata-doce que traz de volta o sabor do Japão antigo. Outras barracas trazem verduras frescas, flores, conservas preparadas em casa, e até o raro chá de motigome (arroz usado em bolinhos). Na concorrência com as grandes redes de lojas de conveniência, a feira livre desapareceu de Tóquio faz tempo. Voltou aqui, por força do idealismo de jovens universitários, liderados por Yuichi Tomohiro, formado em administração comercial pela Universidade de Waseda, que criaram o “Sumida Yacchaba”, uma feira-livre como de antigamente, onde o agricultor traz o produto, vende e pode conversar com o consumidor. Na verdade, começou com a participação no evento “Festival da Educação Alimentar”, promovido pela administração do bairro de Sumida, que durou dois dias, em 2010. Na época, os agricultores conhecidos dos organizadores foram convidados, e o resultado foi positivo, com algumas oficinas realizadas para o público, e donos de restaurantes que vieram comprar os produtos. Com o sucesso, o grupo marcou um novo evento para junho do ano seguinte. Só não esperavam o grande tsunami de março de 2011, que devastou o Noroeste do país. O líder Tomohiro foi ajudar na região atingida e não tinha como retornar, e assim, seu colega Shinya Matsuura, formado em agronomia pela Universidade de Tokyo, teve que assumir o comando do próximo evento.

Estação Ryogoku do metrô

Estação Ryogoku do metrô

Matsuura tinha experiência, pois ajudava no festival de verão promovido anualmente no bairro de Sumida, e trazia verduras da cidade onde fazia estágio para vender. Ele soube que alguns idosos ficaram desnutridos após o incidente de 2011, pois não encontrava verduras nas lojas próximas. Assim, percebeu que não havia mais agricultores na região e constatou a importância da feira-livre no centro da cidade, onde viviam muitos idosos. Em 2012, planejou uma feira Yacchaba mensal em 18 localidades de Tóquio, incluindo pequenos espaços em cafeterias. A idéia era que os produtos ficassem próximos das casas dos moradores. Porém, a iniciativa não deu certo, pois não havia como administrar tantos locais.

Hoje, o “Sumida Yacchaba” é realizado semanalmente. Aos sábados, acontece na saída da Estação Hikifune, perto do Skytree, ponto turístico; e aos domingos, na saída da Estação Ryogoku. Sempre sorridente, alto e gordo, Shinya Matsuura é constantemente confundido com um lutador de sumô. Também pudera, o Yacchaba da Estação Ryogoku fica bem na frente do Estádio Nacional de Sumô.

Veja continuação em: Por uma Tóquio de antigamente: apartamentos de operários para estrangeiros

Francisco Noriyuki Sato, jornalista

 

out 142014
 

Kanazawa trembalaA expectativa é grande na cidade de Kanazawa, província de Ishikawa, no mar do Japão. O trem-bala ligando Tóquio e Kanazawa será inaugurado em 14 de março de 2015.  Na grande estação de Kanazawa, que será também a estação do novo veículo, há um tour mostrando as futuras instalações. Nas paredes da estação estão expostos desenhos de crianças que participaram do concurso de desenho do trem-bala e nos supermercados existe até um doce típico, cuja caixa tem o formato do trem.

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Contagem regressiva para o grande dia

Contagem regressiva para o grande dia

O projeto é realmente novo. O seu design foi inspirado no tema “Wa no Mirai”, que pode ser traduzido como “O futuro da essência japonesa”, e a criação coube ao designer Kyoyuki Okuyama, que trabalhou na General Motors americana, na Porsche alemã e na italiana Pininfarina, onde ficou famoso por ser o único não italiano a desenhar um modelo da Ferrari.

Já havia trem-bala entre as estações de Tokyo e Nagano. Agora, o mais novo ligará a estação de Tokyo até Kanazawa, passando por Nagano e Toyama. O percurso, feito atualmente por trem-bala e por trem expresso em 4 horas, se resumirá a uma curta viagem sem baldeações de 2 horas e 28 minutos. A população de Kanazawa espera que essa facilidade ajude a cidade a receber mais turistas.

Castelo de Kanazawa

Castelo de Kanazawa

Kanazawa é uma cidade pequena, de 458 mil habitantes, mas é a maior cidade da província de Ishikawa, e a capital cultural e econômica da região de Hokuriku, composta por Toyama, Ishikawa e Fukui. Embora não receba tantos visitantes estrangeiros, é uma cidade bastante querida pelos japoneses. Ela recebe anualmente 7 milhões de visitantes, muitos dos quais em busca de um refúgio tipicamente japonês. Vale lembrar que a cidade possui muitas das construções da época dos samurais, porque o local pertencia a um dos mais ricos senhores feudais do Japão, e que soube investir na arte e na cultura. Depois, a cidade nunca sofreu um desastre natural devastador como em outras regiões, além de não ter sido bombardeada durante a guerra.

A cidade tem artesanato próprio, cerimônia do chá, teatro Noh, biscoitos típicos “wagashi”, onsen (thermas), bairro das gueixas, e um calendário repleto de eventos, como desfiles de moda, festa de animê, oficinas artísticas, maratonas e até academia de sumô. Não faltam atrações para o turista, que conta com vários museus, inúmeros restaurantes típicos, parques e templos, e o que é importante, é possível se locomover facilmente a pé ou com um ônibus circular que sai da estação de Kanazawa levando turistas.

mar 192014
 
kozaburo tamamura

Celebração do Ano Novo de 1906 em Kobe. Segundo o autor, no 15º dia de janeiro, os enfeites do Ano Novo são retirados das casas e levados para os templos xintoistas, onde são queimados numa cerimônia para afastar o mal e as doenças.

Atendendo ao pedido de uma editora norte-americana, o fotógrafo Kozaburo Tamamura produziu belíssimas fotos do Japão, há 100 anos, para o livro “Japanese Views and Characters” e outros. São as primeiras imagens que tiveram como objetivo divulgar o turismo do Japão, e devem ter sido alvos de muita curiosidade, uma vez que o Japão esteve isolado do mundo por mais de dois séculos. Fotos de várias cidades fazem parte dessa montagem, compondo um conjunto nostálgico e um registro relevante da vida daquela época. Há uma curiosa imagem do já rico bairro de Ginza, em 1880, e também uma rua comercial de Kobe, em 1906. Há também fotos de Nova Iorque de um século atrás, que serve como comparação entre as duas metrópoles.

Kozaburo Tamamura nasceu em 1856 e abriu seu estúdio fotográfico no bairro de Asakusa, em Tóquio, em 1874, quando a cidade começava a se transformar com a abertura dos portos ocorrida em 1854. Depois se transferiu para Yokohama, e mais tarde, para Kobe.