jan 152015
 

kaguyahimeA mais recente produção do Studio Ghibli, “Kaguya Hime no Monogatari” (em inglês “The Tale of Princess Kaguya”, ainda sem título em português), dirigida por Isao Takahata, foi indicada ao prêmio de Melhor Desenho Animado Longa Metragem nos Oscars 2015. Na mesma categoria também foram indicados os desenhos “Os Boxtrolls”, “Operação Big Hero”, “Canção do Mar” e “Como Treinar Seu Dragão 2”.

O anúncio à imprensa foi feito no dia 15/01/2015 em Los Angeles, pelos diretores J.J. Abrams, Alfonso Cuarón, pelo ator Chris Pine e pela Presidente da Academia de Artes Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs. Os vencedores serão conhecidos na grande cerimônia de entrega no dia 22 de fevereiro.

Embora os animês do Studio Ghibli sejam há anos indicados ao Oscar, tendo vencido em 2001 com “A Viagem de Chihiro” (a única vez em que um desenho japonês ganhou o Oscar na categoria de Melhor Longa Metragem de Animação), esta é a primeira indicação do diretor Isao Takahata ao prêmio.

Atualmente com 79 anos de idade, Takahata é um celebrado diretor no Japão por seu trabalho na série para TV “Alpes no Shoujo Heidi” (“Heidi” – 1974, clássico infantil que foi também exibido em vários países da Europa e no Brasil) e pelo trabalho em conjunto com o diretor Hayao Miyazaki no Studio Ghibli, onde conquistou grandes bilheterias com animês como “Hotaru no Haka” (“O Túmulo dos Vagalumes” – 1988) e “Heisei Tanuki Gassen Ponpoko” (“Ponpoko: A Luta dos Texugos pela Paz” – 1994). “Kaguya Hime no Monogatari” é o último e mais recente trabalho de Takahata, que há dez anos havia se afastado da produção e direção de animação para cuidar da administração do Studio Ghibli. O curioso é o grau artístico com que o desenho foi feito, inteiro em técnica de animação tradicional de desenhos à mão sobre papel, usando a técnica japonesa de ilustração tradicional aguada, que é extremamente difícil de se transpor para animação por não se tratar de traços uniformes e cores padronizadas sobre acetato (folhas de plástico transparente), indo contra a maré atual das animações por computador.

Kaguya Hime Official Extended Trailer

A Lenda da Princesa Kaguya (em português)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conto_do_Cortador_de_Bambu

jan 202014
 

“Kaguya Hime no Monogatari” (traduzido, “O Conto da Princesa Kaguya” – ainda sem título em português) é o mais recente filme do Studio Ghibli, premiado estúdio de animação japonês (Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim 2002 e Oscar de Melhor Animação em 2002 com “A Viagem de Chihiro”), que estreou nos cinemas japoneses no final de novembro de 2013. Baseado num tradicional conto folclórico japonês de mesmo nome, “Kaguya Hime no Monogatari” marca a volta de Isao Takahata, célebre diretor japonês que havia se aposentado da produção direta de animações para assumir a diretoria executiva do Studio Ghibli, do qual é sócio com o diretor de “A Viagem de Chihiro”, Hayao Miyazaki. “Kaguya Hime no Monogatari” é o primeiro animê dirigido por Takahata em 14 anos (o último foi “Hõhokekyo Tonari no Yamada-kun – My Neighbors the Yamadas”, não exibido em circuito comercial no Brasil).

Takahata, famoso por suas animações charmosas que mostram a infância com doçura característica, adotou a estética tradicional de ilustração de contos infantis em aguada em sua versão de “Kaguya Hime no Monogatari”. Trata-se da história de um casal de camponeses idosos sem filhos que encontram uma criança no interior oco de um pé de bambu mágico brilhante. Eles adotam a bebezinha, que rapidamente se transforma numa linda jovem, e se tornam imensamente ricos devido aos bambus mágicos. Logo aparecem vários pretendentes à mão da princesinha, que apesar de feliz com seus pais adotivos sofre por estar destinada a ter de partir para um reino distante na próxima lua cheia.

A estréia de “Kaguya Hime no Monogatari” no Japão trouxe várias especulações na mídia local a respeito do futuro do Studio Ghibli, cuja imagem está fortemente vinculada ao diretor Hayao Miyazaki e que anunciou sua aposentadoria ao lançar seu último animê em julho de 2013, “Kaze Tachinu” (título em inglês “The Wind Rises”, ainda sem título em português). Apesar de respeitados e célebres, Takahata e Miyazaki já possuem idades avançadas (78 e 73 anos, respectivamente) e ainda há incertezas quanto ao futuro do estúdio criado por eles e seu legado. Não se sabe ainda se “Kaguya Hime no Monogatari” será indicado ao Oscar, mas “The Wind Rises” de Miyazaki tem conquistado vários prêmios em mostras e festivais internacionais, como o da Associação dos Críticos de Nova York. Entretanto, apesar de sua mensagem pacifista, pelo fato de “The Wind Rises” ser baseado na história real do engenheiro que criou o caça Mitsubishi Zero, usado pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, e por mostrar personagens que fumam (porque na vida real eram fumantes), o animê foi alvo de protestos na Coréia do Sul e nos Estados Unidos e sua indicação para o Globo de Ouro e o Oscar, mesmo com o apoio da Disney, ficaram pendentes até o último instante.

Assim, mesmo que “The Wind Rises” concorra, as chances de Miyazaki levar alguma das estatuetas são mínimas. No Japão, entretanto, “The Wind Rises” foi até o fim de dezembro/2013 a maior bilheteria dos cinemas no país (¥ 119,513,192). “Kaguya Hime no Monogatari”, apesar do lançamento em baixa temporada, em pouco menos de 2 meses de exibição alcançou a soma considerável de ¥ 19,217,168, batendo concorrentes internacionais de peso como “Guerra Mundial Z” com Brad Pitt, “Oz Mágico e Poderoso” com James Franco e Rachel Weisz, “Oblivion” com Tom Cruise, e o último Wolverine com Hugh Jackman.

Por Cristiane A. Sato – autora do livro “JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa