jun 302016
 

Tokyo_Olympics_1964_Web_4751Desde que o Japão sediou pela primeira vez os Jogos Olímpicos, em 1964, o país  está prestes a viver um novo marco em sua história. Em 2020, será a sede dos Jogos Olímpicos pela segunda vez.

Para celebrar esta trajetória, relembrar grandes artistas em atuação na década de 60, e comemorar a próxima edição no país, que acontecerá em 2020, a Fundação Japão promove três eventos muito especiais.

A Emergência do Contemporâneo: a Vanguarda no Japão, 1950 – 1970

Inédita no país, a exposição de arte de vanguarda japonesa traz 70 obras produzidas ao longo de 20 anos por artistas como Kazuo Shiraga, Sadamasa Motonaga, Atsuko Tanaka, Genpei Akasegawa, Jiro Takamatsu, Natsuyuki Nakanishi, Arata Isozaki, Yoko Ono, Yutaka Matsuzawa e Kishio Suga. É interessante porque o Japão produziu vários movimentos artísticos na década de 50, dando espaço para artistas como Atsuko Tanaka, cujos trabalhos podem ser vistos no Ashiya Art Museum, em Hyogo.

De 14 de julho a 28 de agosto, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, obras do pós-guerra ao auge da economia japonesa estarão expostas baseadas em temas como “Política da Abstração”, “Intervenção Urbana” e “Arte e Engajamento Social”. Algumas delas, inclusive, foram exclusivamente produzidas para esta exposição.

Mostra de Cinema Japonês – Especial Ko Nakahira

Pela primeira vez no Brasil, a mostra de longas-metragens de Ko Nakahira estará em cartaz de 27 de julho a 1 de agosto, no Centro Cultural Banco do Brasil. Um dos principais cineastas atuantes no período dos Jogos Olímpicos de 1964, destaca-se pelo andamento dinâmico e técnicas cinematográficas diversas. Na mostra, oito obras apresentarão o variado universo de Nakahira, incluindo temática juvenil, ação, comédia, suspense e filme de arte.

Concerto POP: Olha pro Céu – Look at the Sky

Dias 29 e 30 de julho, no VIVO Rio, a produção conjunta Brasil-Japão traz uma apresentação de união dos dois países, com a participação de grandes nomes da música japonesa e brasileira. O ponto alto será a apresentação de SUKIYAKI – ue wo muite arukou”, a canção japonesa que conquistou o mundo em 1964. Este momento reunirá, no palco, os artistas japoneses e brasileiros cantando em japonês, inglês e português. Participam do show Vanessa da Mata, Tokyo Ska Paradise Orchestra e Marcia, além do convidado especial Emicida.

Exposição:  A Emergência do Contemporâneo: a Vanguarda no Japão, 1950 – 1970

De 14 de julho a 28 de agosto de 2016

Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, 48 – Centro – Entrada Franca

Realização: Fundação Japão | Paço Imperial | IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional | Ministério da Cultura. Apoio especial: Ishibashi Foundation. Apoio: Lufthansa Cargo AG | Amigos do Paço | Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro | Prefeitura do Rio de Janeiro

Cinema – Mostra de Cinema Japonês – Especial Ko Nakahira

De 27 de julho a 1 de agosto de 2016

Entrada franca (retirada de ingressos 1 hora antes de cada sessão. Limite de 2 ingressos por pessoa.)

Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Realização: Fundação Japão. Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil | Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro | Prefeitura do Rio de Janeiro | Ministério da Cultura

Música – Concerto POP: Olha pro Céu – Look at the Sky

29 e 30 de julho de 2016, às 20h30 (abertura da casa para o público às 19:30)

Ingressos à venda: www.vivorio.com.br ou na bilheteria do Vivo Rio

Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo

Realização: Fundação Japão, Produção: Sony Music do Brasil. Apoio : Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro |Prefeitura do Rio de Janeiro

mar 142016
 

kasamayaki004Nos dias 29 e 30 de março, duas sessões especiais exibirão o documentário Kasamayaki (Made in Kasama, Japão & EUA, 2014, 78 min, Blu-ray, legendado), seguido de bate-papo com a cineasta japonesa Yuki Kokubo. Os eventos acontecem respectivamente no cinema Caixa Belas Artes, às 19h30, em São Paulo, e no dia seguinte, no auditório municipal do Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, às 15h, na cidade de Bauru.
As duas sessões terão entrada gratuita. Em São Paulo, os ingressos serão distribuídos a partir de 24 de março, na bilheteria do cinema. Mais informações sobre o documentário em: www.kasamayakifilm.com

kasamayaki006Yuki Kokubo – Yuki Kokubo nasceu em Kasama, na Província de Ibaraki, em uma comunidade rural de artistas no Japão. Aos oito anos de idade, partiu com os pais para Nova Iorque, em busca do sonho de viver da arte. Após alguns anos, presenciou o fim dos sonhos de seus pais, que, com dificuldades, decidiram retornar ao Japão, deixando a filha nos Estados Unidos. Yuki, aos 16 anos de idade, começou a fotografar e frequentou a School of the Art Institute, em Chicago. Mais tarde, estudou Social Documentary Film na Escola de Artes Visuais.
Em 2011, assistiu pela imprensa a devastação do terremoto e tsunami e sua terra natal. Com a tragédia ocorrida no Japão, mesmo ressentida pelo suposto abandono de seus pais, Yuki decidiu que era hora de voltar à sua terra natal para visitá-los e ver com os próprios olhos o que restou após a tragédia.
“Senti a necessidade de estar perto de minha família e também de documentar o que estava acontecendo no Japão”, revela.
Foi assim que começou a trabalhar em seu primeiro documentário de longa-metragem, Kasamayaki (Made in Kasama). Em 2013, o filme recebeu financiamento da Fundação Jerome e foi selecionado como um dos dez filmes documentários para o IFP’s Independent Filmmaker Labs. Em 2014, Yuki recebeu uma bolsa individual do Conselho de Estado de Nova Iorque para as Artes por seu trabalho em Kasamayaki.

Kasamayaki (Made in Kasama) – O documentário tem início já no aeroporto, no momento de seu desembarque. Com o passar do tempo, Yuki pressiona seus pais por respostas, em meio ao dia a dia que intercala atividades domésticas e jardinagem a pequenos tremores de terra e a constante preocupação com os níveis de radiação, visto que a cidade está localizada a aproximadamente 140 km dos reatores nucleares de Fukushima. Ao longo do filme, Yuki revela, por meio de diálogos tensos, as complexas ligações e imperfeições de uma família e sua busca por respostas acumuladas ao longo dos anos. Assim, realizando pequenas entrevistas com os pais, lentamente (e relutantemente) percebeu que estar lá era a chance de redescobrir quem eram seus pais e o real motivo do distanciamento da família. “A câmera tornou-se uma ferramenta poderosa, permitindo que eu abordasse temas difíceis que evitávamos havia muito tempo.” Foi assim que percebeu que aquele filme não apenas poderia retratar uma região devastada e o início de sua luta para se reerguer, mas também a reunião e a compreensão de um drama familiar. “Pude perceber a forma como meus pais usam a criatividade para superar dificuldades na vida e assim, finalmente, entendi que o meu filme poderia ser usado para curar não apenas a nossa família, mas também inspirar outras a encontrar a cura em suas próprias vidas.”

Kasamayaki (Made in Kasama, Japão & EUA, 2014, 78 min, Blu-ray, legendado)
29 de março, terça-feira, às 19h30 – São Paulo
Local: Cinema Caixa Belas Artes – Sala Carmen Miranda (96 lugares) – Endereço: Rua da Consolação, 2423 – Cerqueira César – São Paulo, SP – Informações: (11) 2894-5781
Ingressos Gratuitos – Retirada a partir de 24 de março na bilheteria do cinema.

30 de março, quarta-feira, às 15h – Bauru
Local: Auditório Municipal do Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva” (60 lugares)
Endereço: Av. Nações Unidas, 8-9 – Centro – Bauru, SP – Informações: (14) 3235-1312
Entrada Franca – Sem necessidade de ingresso

Realização – Fundação Japão em São Paulo
Apoio – Caixa Belas Artes – Secretaria Municipal de Cultura de Bauru

set 162015
 

A Fundação Japão em São Paulo promove, de 1º a 4 de outubro, em São Paulo, a mostra 5X Kon Ichikawa. O evento, que é itinerante, levará grandes obras deste cineasta a diversas regiões do país. Em São Paulo, o evento acontece no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e exibirá os filmes Conflagration (Enjô), Her Brother (Otôto) e Revenge of a Kabuki Actor (Yukinojô Henge), que virão especialmente do Japão para esta mostra, todos eles remasterizados, legendados em português e em película 35mm, além de As Irmãs Makioka (Sasameyuki) e Dora-Heita (Doraheita), que pertencem ao acervo da FJSP, ambos legendados e em 16mm.

PROGRAMAÇÃO
Irmãs Makioka. A partir da esquerda, Keiko Kishi, Yoshiko Sakuma, Yuko Kotegawa, Sayuri Yoshinaga e Koji Ishikawa.

Irmãs Makioka. A partir da esquerda, Keiko Kishi, Yoshiko Sakuma, Yuko Kotegawa, Sayuri Yoshinaga e Koji Ishikawa.

Dia 01/10 (Quinta-feira)
16:00 The Makioka Sisters (Sasameyuki)
19:30 Her Brother (Otôto)

Dia 02/10 (Sexta-feira)
17:00 Dora-Heita (Doraheita)
19:30 Revenge of a Kabuki Actor (Yukinojô Henge)

Dia 03/10 (Sábado)
15:30 Dora-Heita (Doraheita)
18:00 Conflagration (Enjô)
20:00 Her Brother (Otôto)

Dia 04/10 (Domingo)
15:30 Conflagration (Enjô)
17:30 Revenge of a Kabuki Actor (Yukinojô Henge)
20:00 The Makioka Sisters (Sasameyuki)

Sinopses:

Conflagration (Enjô) – (1958/99 min/P&B/35mm/Legendado), Diretor: Kon Ichikawa, Elenco: Raizo Ichikawa, Ganjiro Nakamura, Tatsuya Nakadai.
Sinopse: Baseado no romance “O Templo Dourado”, de Yukio Mishima, o filme narra o surpreendente incidente ocorrido em 1959, quando um atormentado e jovem acólito, obcecado desde a infância pelo Pavilhão Dourado de Kyoto, incendeia o antigo templo até as bases, num arrebatador ato de vingança e ciúme.

Her Brother (Otôto) – (1960/98 min/Cor/35mm/Legendado), Diretor: Kon Ichikawa, Elenco: Keiko Kishi, Hiroshi Kawaguchi, Kinuyo Tanaka, Masayuki Mori, Kyoko Kishida.
Sinopse: Trazido do romance semi-autobiográfico de Aya Koda, filha da era romancista Meiji Koda Rohan, revela um drama familiar com foco na relação quase incestuosa entre um irmão e sua irmã mais velha. Um dos filmes mais premiados de Kon Ichikawa, foi agraciado no Festival de Cannes e eleito melhor filme de 1960 entre os críticos Kinema Junpo Poll.

Revenge of a Kabuki Actor (Yukinojô Henge) – (1963/113 min/Cor/35mm/Legendado) – Diretor: Kon Ichikawa, Elenco: Kazuo Hasegawa, Fuiko Yamamoto, Ayako Wakao, Raizo Ichikawa, Shintaro Katsu.
Sinopse: O personagem Yukinojo é um talentoso ator de kabuki, o tradicional teatro japonês. Mas seu sucesso no palco é apenas um meio para atingir seu verdadeiro objetivo: se vingar dos três homens poderosos e cruéis que destruíram os negócios de sua família, levando seus pais a cometer suicídio. O desempenho do ator Kazuo Hasegawa foi aclamado como uma das maiores demonstrações do cinema de agir, em que as convenções altamente artificiais de teatro japonês estão mobilizadas em uma bela triangulação sobre os mistérios da identidade e sexualidade.

As Irmãs Makioka (Sasameyuki) – (1983/140 min/Cor/16mm/Legendado) – Diretor: Kon Ichikawa, Elenco: Keiko Kishi, Yoshiko Sakuma, Juzô Itami, Kôji Ishizaka, Ittoku Kishibe, Kobeicho Katsura, Mancho Tsuji, Takenori Emoto.
Sinopse: Mesmo usufruindo de uma vida abastada, na região de Kyoto e Osaka, no oeste do país, quatro irmãs (Tsuruko, Sachiko, Yukiko e Taeko) tentam resolver, juntas, seus problemas familiares. Entre eles está arranjar um casamento para a terceira das irmãs, Yukiko, uma mulher de crenças tradicionais que, aos trinta anos, ainda não conseguiu um pretendente.

Dora- Heita (Doraheita) – (2000/111 min/Cor/16mm/Legendado) – Diretor: Kon Ichikawa, Elenco: Koji Yakusho, Yuko Asano, Bunta Sugawara, Ryudo Uzaki, Tsurutaro Kataoka, Takashi Miike.
Sinopse: Mochizuki Koheita, que assumiu o comando da delegacia de um pequeno feudo, parte para apaziguar, de maneira inédita, o poder dos três chefes de Yakuza (importante facção criminosa originária do Japão), que dominavam a região. Assim, em função de atos excepcionalmente corajosos, é apelidado de Dora-Heita.

Biografia de Kon Ichikawa – Natural de Ise, Província de Mie, Kon Ichikawa nasceu numa família comerciante de quimonos, mas seu pai faleceu quando ele tinha apenas 4 anos de idade. Assim, Kon foi morar com sua irmã, vivendo em Osaka e Kyoto. Encantando com os filmes de samurai (chambara), ficou fascinado ao assistir “Silly Simphonies” de Walt Disney, e resolveu trabalhar no cinema, mais propriamente em animação. Empregou-se no J. O. Studio como assistente de animação, e quando a empresa encerrou o seu departamento, passou a trabalhar como assistente de direção de filmes. A J. O. Studio juntou-se com a empresa P.C.L. formando a Toho Films. E Kon foi trabalhar na Toho de Tokyo, em 1940.  Durante a guerra, ele foi convocado duas vezes, porém, foi dispesado por problemas de saúde. Em 1946, produziu uma animação com bonecos, “Dojoji no Musume”, que foi confiscado pelas Forças de Ocupação, pois o roteiro não tinha sido aprovado previamente. Esse trabalho ficou perdido por muito tempo, mas hoje encontra-se no acervo da Cinemateca Francesa.
Kon Ichikawa dirigiu vários filmes, comerciais de TV e documentários, e ganhou vários prêmios. Além dos trabalhos apresentados nesta mostra, destaque para o 47 Ronis, de 1994. Kon faleceu aos 92 anos, em 2008 em Tokyo.

Data – 1º a 4 de outubro de 2105
Local – Centro Cultural São Paulo – Sala Lima Barreto – Rua Vergueiro, 1000 (ao lado da estação Vergueiro do metrô)
Capacidade – 99 lugares
Ingressos: R$ 1,00 – (a verba da bilheteria será revertida para o FEPAC – Fundo Especial de Promoção de Atividades Culturais, da Secretaria Municipal de Cultura)
Informações – Tel: (11) 3397-4002 – Site: www.centrocultural.sp.gov.br
Realização – Fundação Japão – Centro Cultural São Paulo – Apoio – Consulado Geral do Japão em São Paulo

abr 082015
 

A Cinemateca Brasileira e a Fundação Japão apresentam, de 9 a 19 de abril, a Mostra Kenji Mizoguchi. As seis obras deste grande diretor e roteirista pertencem ao acervo da Fundação Japão e estarão em cartaz na Cinemateca, em São Paulo, em uma programação com entrada gratuita.

Farão parte deste especial os filmes produzidos na década de 1950, tidos como obras-primas do cineasta, entre eles O intendente Sansho, que conquistou o Leão de Prata no Festival de Veneza em 1954, e A música de Guion, que será exibido em 35 mm. Veja sinopses dos filmes.

"A música de Guion" - Gion Bayashi.

“A música de Guion” – Gion Bayashi.

QUINTA 09/04 – SALA PETROBRAS
19h00  – A música de Guion

SEXTA 10/04 – SALA PETROBRAS
19h00 – Oharu, a vida de uma cortesã

SÁBADO 11/04 – SALA PETROBRAS
20h00 – Os amantes crucificados

DOMINGO 12/04 – SALA PETROBRAS
17h00 – A nova saga do clã Taira
19h30 – O intendente Sansho

QUINTA 16/04 – SALA PETROBRAS
17h00 – Os amantes crucificados
19h00 – Contos da Lua Vaga

SEXTA 17/04 – SALA PETROBRAS
20h00 – O intendente Sansho

SÁBADO 18/04 – SALA PETROBRAS
17h00 – A nova saga do clã Taira
19h00 – Oharu, a vida de uma cortesã

DOMINGO 19/04 – SALA PETROBRAS
17h00 – Contos da Lua Vaga
19h00 – A música de Guion

Kenji Mizoguchi

Um dos mais importantes cineastas do Oriente, Kenji Mizoguchi foi um especialista em retratos femininos, presentes em seus mais de 90 filmes rodados entre 1923 e 1956.

Nascido em Tóquio, em 1898, foi um misto de pintor e poeta, o que resultou em belas composições, compostas por movimentos suaves com a câmera, tomadas longas e riqueza de detalhes. Sempre presente em seus filmes, a relação psicológica de seus personagens em meio ao cotidiano japonês revelam dramas familiares enquanto descrevem a cena social e econômica do Japão e sua transição do feudalismo para a modernidade, do campo para a cidade.

Mostra Kenji Mizoguchi – Data: de 9 a 19 de abril de 2015

Local: Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino

Classificação: 12 anos

Entrada gratuita – Mais informações aqui

Realização – Cinemateca Brasileira – Apoio – Fundação Japão em São Paulo

out 282014
 

“Ohana Matsumae é uma estudante colegial comum de 16 anos que mora em Tóquio. A vida dela muda quando a sua mãe some com o namorado para fugir das dívidas. Ela precisa se mudar para Yunosagi, perto de Kanazawa, para morar com a avó e trabalhar numa pousada”. Esse é o enredo de “Hanasaku Iroha”, um mangá de P.A.Works e Eito Chida,  publicado pela revista Gagan Joker, de dezembro de 2010 a outubro de 2012. O sucesso o transformou numa série de animê com 26 capítulos, em 2011, com direção de Masahiro Ando, e um longa para cinema foi lançado em 2013. Veja o trailer com a música-tema da série de TV:

hanasaku irohahanasaku festivalA cidade de Yunosagi é fictícia, mas foi espelhada em Yuwaku, cidade vizinha de Kanazawa, na província de Ishikawa, onde existem várias pousadas de banho, como a da protagonista. No mangá aparece um festival chamado “Yunosagi Bonbori Matsuri”, que celebra a data em que o Deus protetor de uma criança volta para a sua nuvem (Izumo) e são escritos pedidos em lanternas de papel para indicar-lhe o caminho (Bonbori significa lanternas). Esse festival não existia, mas depois do sucesso da série, foi criado pela cidade de Yuwaku, e recebeu o nome de”Yuwaku Bonbori Festival”.  No ano de sua criação, em 2011, nove hotéis-pousadas da cidade estavam completamente lotadas de fãs do animê, até acontecer o tsunami de 2011, quando registraram-se muitos cancelamentos, embora a cidade estivesse bem distante da tragédia. Apesar disso, o festival continuou e, neste ano, no dia 11 de outubro de 2014, foi realizado o quarto Yuwaku Bonbori Festival, que alcançou sucesso total.

hanasaku iroha bonbori

O festival bonbori saiu do mangá e agora é realidade

Kanazawa será tema de outro mangá nos próximos meses. O mesmo autor de “Tokyo Shutter Girl”, Kenichi Kiriki, está trabalhando num novo mangá chamado “Kanazawa Shutter Girl”. O autor afirma que pretende seguir o modelo do mangá anterior, que foi transformado em filme live-action para cinema. Na história, estudantes de um colégio feminino de Tóquio, que fazem parte do grupo de fotografia, saem às ruas carregando antigas câmeras com filmes para fotografar e falar com as pessoas.

Para iniciar o trabalho, Kiriki esteve em Kanazawa, com o diretor de fotografia Motoyuki Kobayashi e algumas modelos vestidas como colegiais, e fotografou vários locais históricos da cidade para escolher as cenas. Veja o trailer do filme live-action “Tokyo Shutter Girl”. São três diretores e cada um dirigiu um trecho. Esse trecho é o de Makoto Tezuka, filho do Deus do Mangá.

set 182014
 
"Meu Homem", produção de 2013

“Meu Homem”, produção de 2014

“Sakuko viaja no verão com sua tia para uma cidade ribeirinha no Japão, com o objetivo de encontrar paz e tranquilidade para estudar para o vestibular. Lá, ela amadurece, conhecendo diversos personagens do passado de sua família e um jovem refugiado da cidade de Fukushima, devastada por vazamentos radioativos. Uma homenagem declarada ao cinema do autor francês Eric Rohmer.” Essa é a resenha do filme “Hotori no Sakuko”, traduzido estranhamente como “Adeus Verão”. O longa de 125 minutos foi dirigido por Koji Fukada e é uma produção nipo-americana de 2013. Esse filme poderá ser visto no Indie Festival, que acontece no Cine SESC de São Paulo.

“Adeus Verão”, entretanto, não é o filme japonês mais novo a ser exibido na mostra. O longa “Yamamori Clip Koujo no Atari”, ou “Anatomia de um Clipe de Papel”, do diretor Akira Ikeda, é de 2014. Eis a sua sinopse: “Kogure não é o tipo combativo, na verdade, ele é um típico loser. Ele aceita passivamente o abuso de todos e trabalha o dia inteiro em uma fábrica minúscula de clipes de papel. Mas um dia uma borboleta fica presa em sua casa e ele deixa a borboleta ir. No dia seguinte, surge uma mulher, se expressando em uma linguagem desconhecida, e Kogure acredita que ela é a forma humana da mesma borboleta. Um novo olhar sobre a tradição dos contos folclóricos japoneses e um retrato agridoce do país”. “Watashi no Otoko” ou “Meu Homem” é outra produção de 2014, dirigido por Kazuyoshi Kumakiri.

Outro filme japonês presente na mostra é “Seventh Code” ou “O Sétimo Código”, de 2013, que parece não ser um típico romance, pois o seu diretor, Kiyoshi Kurosawa é especialista no gênero suspense e terror. Veja seu trailer:

O Indie Festival começa no dia 17 de setembro e vai até 1º de outubro, e conta com produções recentes do mundo inteiro e algumas sessões de debates. Vale a pena dar uma olhada na programação completa que está no site: Indie Festival. O Cine SESC fica na Rua Augusta, 2075, bairro de Cerqueira César, São Paulo/SP.

Filmes Japoneses da Mostra Mundial do Indie Festival
18/SET – 16:30 – CineSESC – Adeus verão
19/SET – 15:00 – CineSESC – Meu homem
27/SET – 17:15 – CineSESC – O sétimo código
29/SET – 19:30 – CineSESC – Anatomia de um clipe de papel

(pena que cada filme só seja exibido uma única vez, e em horários ruins para a maioria…)

SITE www.indiefestival.com.br

CINEMACineSESC – Rua Augusta, 2.075 – Cerqueira César – São Paulo/SP. Perto da Av. Paulista (metrô Consolação ou Trianon Masp). A entrada é franca, mas deve-se retirar o ingresso com uma hora de antecedência. Indie Festival tem o apoio da Fundação Japão de São Paulo.

ago 112014
 

Existe um livro que é o pai de todos os filmes japoneses de terror, mas curiosamente não foi escrito por um japonês.

Lafcadio Hearn foi jornalista nos Estados Unidos e chegou ao Japão em 1889, aprendendo a cultura japonesa enquanto ensinava inglês aos japoneses. Casou-se com a filha de um samurai, naturalizou-se japonês e mudou seu nome para Yakumo Koizumi.

Estudioso e apaixonado pelas coisas japonesas, Lafcadio escreveu vários livros sobre o país, principalmente sobre o sobrenatural, e a sua obra mais conhecida é Kwaidan, onde ele reúne diversos contos do sobrenatural, que o jornalista ouviu de familiares e vizinhos japoneses. No conjunto, esses contos permitem ao leitor compreender um pouco da raiz cultural e do imaginário japonês. Kwaidan deu origem a diversos filmes no Japão e ainda hoje é uma obra de referência.

O mais curioso na obra de Hearn são os detalhes – datas, locais, nomes de pessoas que de fato existiram – descritos em linguagem simples e quase jornalística por Hearn, como se fosse um cronista do sobrenatural nipônico, detalhes esses que conferem um perturbador grau de veracidade a seus relatos.

A expressão “sobrenatural” reflete com precisão o modo pelo qual os japoneses lidam com fenômenos que não tinham ou ainda não têm uma explicação científica. Diferente de um conto sobrenatural do Ocidente, os contos reunidos por Lafcadio não trazem monstros sanguinários e nem sempre apresentam seres buscando vingança.

A obra traz os 17 contos e um ensaio sobre insetos que fazem parte do Kwaidan original, destacando-se os seguintes contos mais conhecidos:capa kwaidan ukiyoe
– Hoichi sem orelhas
– História de O-tei
– História de Aoyagi
– Rokuro-Kubi
– Riki-Baka
– O sonho de Akunosuke
– Yuki-onna, a mulher da neve
– Himawari
– Jiu-roku-zakura
– Oshidori

Kwaidan Contos do Sobrenatural foi escrito originalmente em inglês e foi traduzido este ano pela pesquisadora Cristiane A. Sato, autora do livro Japop – O Poder da Cultura Pop Japonesa. Kwaidan está à venda em edição digital pela Amazon ao preço de R$ 9,88. Publicação da NSP Editora.

Assista ao trailler de Kwaidan, filme japonês de 1964, muito bem produzido e bonito, que apresenta alguns dos contos do livro. Na época, assustou a plateia nos cinemas e foi sucesso de bilheteria.

jun 202014
 

Um terremoto destruiu quase totalmente Tóquio e cidades vizinhas, em 1º de setembro de 1923. Na época, as casas eram de madeira e por ter ocorrido às 11h58, muitas pessoas estavam cozinhando em casa e o fogo rapidamente se alastrou causando a maior tragédia do Japão antes da Segunda Guerra Mundial. O fogo só cessou três dias depois. Foram registradas 142.800 pessoas mortas e/ou desaparecidas e cerca de 381 mil casas foram destruídas. O acontecimento foi noticiado para outros países a partir de um navio que estava atracado no porto de Yokohama, e os americanos fizeram doação de mantimentos na epoca. Perdendo a casa, familiares e tudo o que possuíam, muitos japoneses foram tentar a sorte em outros países, como o Brasil.

As imagens iniciais do vídeo foram registradas pelo cinegrafista Toshimitsu Kousaka, da produtora Nikkatsu, que fazia preparativos para uma filme. Ao ver o que estava acontecendo, ele saiu correndo para registrar tudo. Esse filme foi exibido em salas de cinema do Japão, mas havia desaparecido após a guerra, sendo reencontrado somente mais de 70 anos depois dos fatos.

Em março de 1930, Tóquio havia sido reconstruída totalmente, e o Japão enviou um grupo de cinco moças que falavam inglês para os Estados Unidos com a missão de transmitir agradecimentos pelas doações. Na época, a mídia americana recebeu bem as japonesas, dando destaque ao fato. Uma dessas raríssimas imagens foi encontrada na cidade de São Francisco, onde as moças de quimono agradecem em inglês. Há um depoimento da mais jovem desse grupo, a Yoshiko Matsudaira, então com 18 anos de idade (na ocasião do vídeo tinha 85 anos). Ela diz que se impressionou na época com os edifícios altos e as ruas largas dos Estados Unidos.

 

abr 022014
 

carmen kokyou ni kaetteA Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) exibe todas as quartas-feiras um filme japonês em seu grande ou pequeno auditório. Os filmes estão no idioma original e geralmente sem legenda, pois visam o público japonês.
Entretanto, cabe destacar algumas obras primas, que merecem ser vistas, mesmo sem entender uma palavra em japonês. É o caso de “Carumen Kokyou ni Kaeru”, traduzida aqui como “A Volta de Carmen”, produção de 1951, do diretor Keisuke Kinoshita, e que foi o primeiro filme colorido feito no Japão e que utiliza a tecnologia Fujicolor.
O filme tem 86 minutos e é classificado como comédia. Embora haja alguns momentos engraçados, o filme é bastante sério e mostra a transformação que o Japão está sofrendo no pós-guerra. As belas paisagens montanhosas de Nagano, a vida tranquila do vilarejo e o trem que traz e leva de volta a protagonista completam o espetáculo.
carmen kokyou niNo filme, Kin Aoyama sai daquele vilarejo para morar em Tóquio onde adota o nome de Lily Carmen. Ela volta à sua terra natal junto com uma amiga e ambas demonstram serem ricas e bem sucedidas. Vestem roupas ocidentais coloridas que contrastam com a simplicidade do lugar. Mas algo acontece e a verdade vem à tona. Destaque para as cenas de undoukai na escola, onde o professor ferido na guerra toca piano. Lembra os antigos undoukais do Brasil.

“A Volta da Carmen” será exibido no dia 23 de abril de 2014 (quarta-feira), às 13 horas, na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), na rua São Joaquim, 381 – Liberdade. O ingresso custa R$ 5,00 para os não associados do Bunkyo.

fev 262014
 

Já ouviu falar da expressão “medo reptiliano”? Ela se refere ao medo mais primitivo e instintivo do ser humano, que remonta aos primórdios da evolução, quando os mamíferos ainda não existiam e todas as espécies ancestrais da Terra eram répteis aquáticos. Pois bem, a encarnação do medo reptiliano original criada pelos japoneses está de volta em versão hollywoodiana. Em maio chega aos cinemas nos Estados Unidos o novo GODZILLA. 60 anos após sua criação pelos Estúdios Toho, o monstro retorna mais atual e terrível do que nunca. Veja o trailer oficial:

godzilla2014_poster2A inspiração para esta nova versão vem de eventos recentes: o terremoto seguido do tsunami que varreu a costa leste do Japão e causou o desastre nuclear de Fukushima em 2011. Mas é inegável que alterações climáticas globais (frio que bate recordes no hemisfério norte contrastando com o calor excessivo e secas no hemisfério sul), economias cambaleando, a inquietação social que se alastra por vários países e recentes guerras civis estourando aqui e acolá contribuem para expectativas de audiência para o filme catástrofe no mundo inteiro.
Além de incríveis sequências de destruição digital, o novo GODZILLA procura resgatar o espírito original do filme de 1954. Afinal, seria o monstro realmente a causa de tanto sofrimento, ou apenas o resultado do que a humanidade tem feito ao próprio planeta em que vive? O premiado Bryan Cranston (Walter White de “Breaking Bad”), Aaron Taylor-Johnson (Dave de “Kick-Ass”), a célebre atriz francesa Juliette Binoche e o consagrado ator japonês Ken Watanabe encabeçam o elenco de astros desta nova versão.

Texto: Cristiane A. Sato, autora do livro Japop – O Poder da Cultura Pop Japonesa.