jan 292014
 

No Japão dizem que a prova definitiva de que algo ou alguém é popular no mundo inteiro é quando a coisa ou a pessoa ganha uma versão em mangá. Estadistas, benfeitores da humanidade, celebridades do esporte já foram objeto de mangás. Por exemplo, Ayrton Senna teve a vida contada em quadrinhos no Japão em duas séries nos anos de 1990 e 1991 na revista “Shõnen JUMP”, no auge de sua carreira.
A mais recente iniciativa quadrinhística do gênero ocorreu com a série inglesa “Sherlock” da TV BBC. Com roteiro de Mark Gatiss (da série “Doctor Who”) e Steven Moffat (“Doctor Who” e “As Aventuras de Tintim”, em conjunto com Steven Spielberg), a série atualiza os personagens de Arthur Conan Doyle, originalmente criados na Era Vitoriana, para a Inglaterra do século 21. Agora Sherlock Holmes é um detetive “sociopata altamente produtivo”, hiperativo viciado em fumo com sérios problemas de adaptação social, mas que canaliza seus distúrbios para a solução de casos para fugir da sensação de tédio que o leva à beira do suicídio. Já o Dr. John Watson é um médico do exército britânico que após anos de serviço no Afeganistão acaba de voltar à Inglaterra e à vida civil. Traumatizado pela guerra, o doutor faz terapia e na procura de um emprego acaba conhecendo Sherlock. Reconhecendo a habilidade do doutor com a medicina, armas e um certo vício em adrenalina de ação, Sherlock propõe a Watson a clássica parceria para resolver casos que envolvem espionagem e tecnologia da informação.
sherlock da BBCSherlock é interpretado por Benedict Cumberbatch (Khan em “Star Trek Além da Escuridão”) e o Dr. Watson é feito por Martin Freeman (Bilbo Baggins da trilogia “O Hobbit”). A série, que começou em 2010 na Inglaterra, teve de início uma resposta modesta do público. Mas com esmerada edição e roteiros inteligentes, nos anos seguintes “Sherlock” cativou o público jovem, virou uma febre na Internet e a BBC decidiu produzir novos episódios. A 3a. temporada, exibida nas duas primeiras semanas de janeiro de 2014, consagrou o fenômeno. “Sherlock” tornou-se a série de maior audiência da BBC em dez anos (12 milhões de espectadores de acordo com Broadcasters’ Audience Research Board), e um grande sucesso comercial ao ser vendida para mais de 200 países e gerar produtos licenciados diversos, além dos DVDs e Blue-rays. E a venda dos livros de Conan Doyle também cresceram pelo mundo afora após a estréia da “Sherlock”.
sherlock mangasherlock manga capaDemonstrando faro para o sucesso, em 2012 a editora japonesa Kadokawa Shoten negociou com os autores de “Sherlock” os direitos para produzir uma versão em mangá da série da BBC. Aliás, esse foi o primeiro licenciamento internacional de produtos da série. O resultado foi “Sherlock: Pinku Iro no Kenkyuu”, mangá desenhado por JAY e que vem sendo publicado em capítulos na revista “Young ACE”. Elementar, né?

Por: Cristiane A. Sato, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa

jan 242014
 

O engenheiro de pipas _DSC1533Ken Yamazato e sua equipe estarão fazendo oficinas de pipa (aberto e gratuito para todas as idades) no dia 25 de janeiro de 2014, sábado, aniversário de São Paulo, a partir das 15 horas.

Haverá também a revoada de pipas com a presença de vários pipamodelistas e uma exposição incrível de pipas de diferentes formatos e tamanhos.

Ken também pretende fazer um show indoor com sua pipa, após o término das oficinas. Na sequência da programação, será exibido o filme “Lira Paulistana e a vanguarda paulista”, de Riba de Castro, de 97 min. às 19 horas, no espaço ao ar livre. Às 21 horas, no auditório haverá o show “Sampa Midnight – Anelis Assumpção”, da filha do cantor Itamar Assumpção em homenagem ao músico falecido em 2004. A promoção é da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo.

jan 202014
 

“Kaguya Hime no Monogatari” (traduzido, “O Conto da Princesa Kaguya” – ainda sem título em português) é o mais recente filme do Studio Ghibli, premiado estúdio de animação japonês (Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim 2002 e Oscar de Melhor Animação em 2002 com “A Viagem de Chihiro”), que estreou nos cinemas japoneses no final de novembro de 2013. Baseado num tradicional conto folclórico japonês de mesmo nome, “Kaguya Hime no Monogatari” marca a volta de Isao Takahata, célebre diretor japonês que havia se aposentado da produção direta de animações para assumir a diretoria executiva do Studio Ghibli, do qual é sócio com o diretor de “A Viagem de Chihiro”, Hayao Miyazaki. “Kaguya Hime no Monogatari” é o primeiro animê dirigido por Takahata em 14 anos (o último foi “Hõhokekyo Tonari no Yamada-kun – My Neighbors the Yamadas”, não exibido em circuito comercial no Brasil).

Takahata, famoso por suas animações charmosas que mostram a infância com doçura característica, adotou a estética tradicional de ilustração de contos infantis em aguada em sua versão de “Kaguya Hime no Monogatari”. Trata-se da história de um casal de camponeses idosos sem filhos que encontram uma criança no interior oco de um pé de bambu mágico brilhante. Eles adotam a bebezinha, que rapidamente se transforma numa linda jovem, e se tornam imensamente ricos devido aos bambus mágicos. Logo aparecem vários pretendentes à mão da princesinha, que apesar de feliz com seus pais adotivos sofre por estar destinada a ter de partir para um reino distante na próxima lua cheia.

A estréia de “Kaguya Hime no Monogatari” no Japão trouxe várias especulações na mídia local a respeito do futuro do Studio Ghibli, cuja imagem está fortemente vinculada ao diretor Hayao Miyazaki e que anunciou sua aposentadoria ao lançar seu último animê em julho de 2013, “Kaze Tachinu” (título em inglês “The Wind Rises”, ainda sem título em português). Apesar de respeitados e célebres, Takahata e Miyazaki já possuem idades avançadas (78 e 73 anos, respectivamente) e ainda há incertezas quanto ao futuro do estúdio criado por eles e seu legado. Não se sabe ainda se “Kaguya Hime no Monogatari” será indicado ao Oscar, mas “The Wind Rises” de Miyazaki tem conquistado vários prêmios em mostras e festivais internacionais, como o da Associação dos Críticos de Nova York. Entretanto, apesar de sua mensagem pacifista, pelo fato de “The Wind Rises” ser baseado na história real do engenheiro que criou o caça Mitsubishi Zero, usado pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, e por mostrar personagens que fumam (porque na vida real eram fumantes), o animê foi alvo de protestos na Coréia do Sul e nos Estados Unidos e sua indicação para o Globo de Ouro e o Oscar, mesmo com o apoio da Disney, ficaram pendentes até o último instante.

Assim, mesmo que “The Wind Rises” concorra, as chances de Miyazaki levar alguma das estatuetas são mínimas. No Japão, entretanto, “The Wind Rises” foi até o fim de dezembro/2013 a maior bilheteria dos cinemas no país (¥ 119,513,192). “Kaguya Hime no Monogatari”, apesar do lançamento em baixa temporada, em pouco menos de 2 meses de exibição alcançou a soma considerável de ¥ 19,217,168, batendo concorrentes internacionais de peso como “Guerra Mundial Z” com Brad Pitt, “Oz Mágico e Poderoso” com James Franco e Rachel Weisz, “Oblivion” com Tom Cruise, e o último Wolverine com Hugh Jackman.

Por Cristiane A. Sato – autora do livro “JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa

jan 162014
 

caricaturas

A Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, que completa 30 anos, voltou a oferecer seus cursos rápidos de mangá, desenho e outros. Cada aula é avulsa e tem 3 horas de duração. O participante recebe o certificado de participação emitido pela Abrademi ao final de cada aula.

DIA 19/JANEIRO/2014
1ª aula – Arte-final com naquim – Mayumi Ito – Das 9 às 12 h – Taxa única: R$ 35,00

2ª aula – Caricatura em vários estilos – Francisco de Assis – Das 14 às 17 h – Taxa única: R$ 35,00.

DIA 16/FEVEREIRO/2014
1ª aula – Desenho personagens de quadrinhos – Roberto Fukue – Das 9 às 12 h – Taxa única: R$ 35,00

2ª aula – Cosplay: como fazer roupas e apetrechos – Roberto Moriama e grupo Hokage – Das 14 às 17 h – Taxa única: R$ 15,00

DIA 09/MARÇO/2014
1ª aula – Introdução ao Design Gráfico aplicado no Japão – Cintia Regina Campos de Souza – Das 9 às 12h – Taxa única: R$ 35,00
2ª aula – Palestra: Introdução à Moda Japonesa – Cristiane A. Sato (Associação de J-Fashion) – Das 14 às 17 h – Taxa única: R$ 10,00

Todas as aulas serão realizadas na Associação Cultural Mie Kenjin do Brasil – Avenida Lins de Vasconcelos, 3352 – Vila Mariana. Fica bem na frente da Estação Vila Mariana do metrô – saída do terminal de ônibus. Inscrições poderão ser realizadas no endereço acima com Amélia, ou pelo Sympla (botões “inscreva-se” acima). Outras informações: www.abrademi.com

jan 142014
 

gaijin caraguaEm 2012, a banda Gaijin Sentai promoveu um intercâmbio cultural reunindo apreciadores da cultura pop japonesa em um dos eventos de maior sucesso já realizados no conceituado Teatro Mário Covas em Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo.
O evento contou com a apresentação musical da Gaijin Sentai, além da final do Campeonato Mundial do Cosplay (CWM) com finalistas da Argentgina, Itália, França, Portugal e Panamá, e representantes de vários estados brasileiros.
O evento foi considerado um sucesso absoluto, com ingressos esgotados horas antes da abertura doas portas. Estima-se que 300 ficaram do lado de fora do Teatro na esperança de conseguir uma entrada.

Caraguá Japan Festival 2014
Em janeiro de 2014 a Gaijin Sentai retorna à Caraguatatuba, após mais uma bem sucedida Turnê na Europa, com um novo espetáculo. No dia 17 de janeiro, a banda irá dividir o palco do Teatro Mário Covas com um dos artistas japoneses mais consagrados quando o assunto é Shamisen: Keisho Ohno. O Caraguá Japan Festival promete ser um dos grandes eventos culturais da região no período de férias escolares com ampla divulgação na mídia local.

Keisho Ohno, nasceu em uma cidade portuária localizada ao norte de Honshu, Japão. Aos 8 anos ele começou a aprender a tocar Shamisen. Em Março de 2006, Keisho se apresentou ao vivo no festival SXWS um dos maiores festivais do planeta, seguida de sete apresentações em cinco cidades, que foram: Austin, New York, Chicago, Auckland e Los Angeles em sua primeira turnê nos Estados Unidos.
No mesmo ano, ele viajou até Berlim para suas apresentações, onde foi muito bem recebido pelas mídias internacionais. Desde Fevereiro de 2009, ele faz sua Turnê anual pela Europa onde atrai um grande número de expectadores e imprensa.
Após se apresentar em diversos eventos culturais, como Virada Cultiual Paulista, Festival do Japão, Tanabata Matsuri e Anime Friends, a banda tornou-se a maior referência da america Latina em animesongs. O reconhecimento público Otaku veio com a vitória no Concurso Sony Ericsson Animax de Música Independente. Desde então, a Gaijin Sentai foi protagonista de diversas reportagens e canais de televisão, como Globo, Play TV, Estadão, Rede TV, Rede Bandeirantes, Multishow e NHK (principal canal de televisão japonês).

A banda Gaijin Sentai ganhou notoriedade ao misturar músicas de animê com Hard Rock e alguns elementos de ritmos tradicionais brasileiros como o maracatu.
Depois de uma turnê Sul Americana ao lado do rockstar japonês Eizo Sakamoto (vocalista da banda Anthem) a banda partiu para a Europa, apresentando-se em Portugal e na França.
Em 2013 a banda lançou seu Álbum “OST”, considerado pela mídia e pelo público um dos grandes lançamentos do ano, através do incentivo do governo do estado (PROAC). Escolhida entre mais de 300 projetos, a banda reafirmou sua relvância artística/cultural.
A banda se prepara para a gravação do seu próximo álbum, no Japão, através da gravadora Colormarck Music.

jan 052014
 

takashi yanase anpanmanQuem morou no Japão, com certeza, conhece o Anpanman, um personagem de cara redonda, que há 10 anos é o mais querido das crianças japonesas entre 0 e 12 anos. Os números assustam. Com 1170 episódios para TV, a série nunca deixou de ser exibida no Japão desde 1988. A produtora Tokyo Movie Shinsha produziu 24 filmes de longa-metragem com o personagem e mais desenhos de curta-metragem de 24 minutos para acompanhar os longas. Além disso, desde 1988, 24 filmes especiais para o Natal foram produzidos pela mesma empresa.Os livros ilustrados do personagem já venderam mais de 50 milhões de cópias. Seu criador, o desenhista, poeta, escritor, editor e diretor de teatro, Takashi Yanase, criou 1.768 personagens coadjuvantes do Anpanman e figura, desde 2009, no Guinness World of Records como o autor da série animada com a maior quantidade de personagens do mundo.
O sucesso do Anpanman, na verdade, chegou muito tarde para Yanase. Embora a primeira aparição do personagem num livro esteja datada de 1969, só após várias publicações se tornou conhecido. Takashi Yanase, nascido na província de Kochi em 6/2/1919, tinha 69 anos quando o primeiro episódio de Soreike! Anpanman (Vamos lá! Anpanman) foi ao ar pela Nippon TV e ganhou notoriedade. Antes disso, era um ilustrador free-lancer, embora já tivesse recebido importantes prêmios por outros trabalhos de mangá e animê.
takashi_yanaseA TV NHK fez um documentário sobre o autor Takashi Yanase, onde ouviu seus amigos, e constatou que a história do Anpanman não é tão infantil como aparenta ser. “Anpan” é aquele pão doce com “anko” (doce de feijão). Já no primeiro livro publicado, Anpanman arranca um pedaço da sua cabeça para alimentar uma pessoa que está passando fome. Assustador? É que Yanase perdeu o pai quando tinha 5 anos e teve que ir morar com um parente após sua mãe casar novamente. Com 24 anos, teve que ir lutar na Segunda Guerra Mundial. Sobre aqueles anos, ele escreveu mais tarde que passou fome e estava muito fraco, mas sobreviveu. Talvez, a idéia de um super-herói que possa oferecer um pedaço de si para matar a fome tenha originado nessa época. Depois da guerra, trabalhou como ilustrador de um jornal de Kochi e como operador da loja de departamentos Mitsukoshi até se tornar um desenhista independente.
As músicas de abertura e de encerramento da série de TV, compostas por Yanase, alcançaram grande sucesso nacional. Curiosa é a letra da música de abertura, “Anpanman no March” (A Marcha do Anpanman) onde se diz “ikiru yorokobi”, ou seja, “alegria de viver”, seguido por “nanno tame ni umarete, nani wo shite ikunoka”, que pode ser traduzido como “para que se nasce e o que vamos fazer em vida”, reflete o lado existencial e a mensagem que o autor queria deixar para as crianças. Essa música foi tocada repetidamente no Noroeste do Japão, no abrigo das vítimas do terremoto e tsunami de março de 2011, porque ela encorajava as pessoas a prosseguirem, após perderem as casas, pais, filhos e tudo que possuíam. Yanase teria composto essa música lembrando do seu irmão mais novo e brilhante que estudava na Universidade Imperial (atual Universidade de Tokyo) quando foi chamado para a 2ª Guerra e acabou falecendo como piloto kamikaze. Ele sempre questionou a razão dessa perda, que foi irreparável, pois era o seu único irmão e ele não tinha mais os pais.
O sucesso do Anpanman foi transferido para Game Boy, Nintendo, Play Station, Wii e Sega, e em 2007 foi inaugurado o museu infantil Anpanman em Yokohama. Seguiram-se os museus de Sendai e Kobe, e o museu e parque temático em Nagoya.
Takashi Yanase faleceu no dia 13/10/2013, em Tóquio, com 94 anos de idade.

Takashi Yanase conheceu a Abrademi

Foto histórica: desenhista Yoko Imamura, Noriyuki, Sonia Luyten, Ryotaro Mizuno e Takashi Yanase, no hotel Shibuya Tokyu Inn, em 1985

Foto histórica: desenhista Yoko Imamura, Noriyuki, Sonia Luyten, Ryotaro Mizuno e Takashi Yanase, no hotel Shibuya Tokyu Inn, em 1985

“Como presidente da Abrademi, tive a oportunidade incrível de conhecer pessoalmente Takashi Yanase, no Japão. Fui conhecer a terra dos meus pais graças a uma bolsa da Associação de Intercâmbio Brasil-Japão e estava representando a Universidade de São Paulo. Como a bolsa era de apenas um mês, tinha apenas alguns dias livres para fazer o que eu queria. Pedi para agendar uma visita à Associação de Mangá do Japão (JCA) para apresentar a Abrademi, e consegui almoçar com alguns representantes dessa Associação em Tóquio. Era 1985, e a professora Sonia Luyten, que na época morava em Osaka, foi comigo nesse encontro.

Naquele ano, Takashi Yanase ainda não era um autor conhecido, porque o Anpanman ainda não tinha estourado no mercado. Lembro dele como um profissional independente, que publicava livros ilustrados. Até saber do falecimento dele, eu achava que ele era muito mais novo, porque eu tive a impressão de estar falando com alguém mais jovem, que poderia ter uns 45 anos (ele tinha 64) naquela época. Aprendi com ele que ainda tenho muito o que fazer, e que eu estou apenas começando…”

Francisco Noriyuki Sato
Ex-presidente da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações (Abrademi)

yoko imamura himitsu no akkoPara quem não conhece, o principal trabalho da desenhista Yoko Imamura foi o shojo mangá “Himitsu no Akko-chan”, publicado na década de 60 e 70 (desenho ao lado).

Outros textos sobre mangá estão no site da Abrademi