Cultura Japonesa

jan 242019
 

O custo alto do ensino faz com que os pais tenham menos filhos

A tradicional indústria Kanko, que existe desde 1854, e é especializada em fabricar uniformes escolares, apresenta sua coleção: Casaco de malha, camisa branca, saia e o sapato totalizam US$ 320 © Kanko

Há muitos anos, é obrigação de todos os cidadãos cursarem o ensino primário, de seis anos, e o ginasial, de três, totalizando nove anos de ensino obrigatório. Esse ensino é gratuito nas escolas públicas, onde também recebe os livros escolares. Mas as despesas com refeições, transporte, atividades extra-curriculares, como judô, excursões e uniforme, são pagas pelos pais. E não é barato. Em uma escola primária pública, se paga em média US$ 850 no ato da matrícula (só uma vez em seis anos), mais os gastos que somam US$ 2,5 mil por ano. Continuando na escola pública, nos três anos seguintes, a matrícula será também de US$ 850, mas os gastos anuais sobem para US$ 3.750. Se a opção for por uma escola particular, o custo será de US$ 2,5 mil de matrícula e mais US$ 10 mil anuais nos seis anos do primário e também nos três anos do secundário básico (ginasial).

A malinha de couro, conhecida como “randoseru”, pode custar US$ 1,4 mil dependendo da marca. As aulas começam em abril, mas os modelos de US$ 600 já estavam esgotados em dezembro

O custo não muda muito no nível colegial: US$ 1,6 mil de matrícula (só uma vez para os três anos) e gasto anual de cerca de US$ 4,2 mil em escola pública e US$ 3,3 mil de matrícula e US$ 8,7 mil por ano na escola privada. O curso colegial, embora não seja obrigatório, é concluído por 98% da população, o que deve ser a taxa mais elevada do mundo.

Já o aluno que frequenta uma universidade pública nacional precisa desembolsar cerca de US$ 2,5 mil de matrícula (uma vez apenas) e US$ 4,2 mil  por ano, independente do curso escolhido. Em uma universidade privada, esse custo será bem maior. Cerca de US$ 2,5 mil de matrícula e US$ 7,5 mil por ano, se optar pela área de Humanas. Na área de Exatas, o custo é maior: US$ 9,2 mil de matrícula e US$ 10 mil por ano. Na área de medicina, o custo é ainda maior: US$ 16 mil de matrícula e US$ 31 mil por ano. O curso de medicina ainda tem a desvantagem de ser mais longa, com seis anos para se formar.

Uniformes com grife são evidentemente mais caros. Esse blazer tem a assinatura Elle e custa US$ 200. A saia da mesma marca custa US$140 © Elle

Com isso, é possível entender a pressão dos estudantes em alcançar uma universidade pública. Como a concorrência é muito grande, é necessário estudar muito, frequentando cursos de reforço fora do horário escolar. E isso também custa caro, em geral, de US$ 350 a US$ 500 por mês. Calcula-se que metade dos estudantes do segundo ano colegial esteja frequentando esses cursos de reforço. Há cursos preparatórios para entrar no ginásio e também para o colégio. Bons ginásios e colégios preparam melhor o aluno para os exames vestibulares, acreditam os pais.

Os pais começam a economizar desde o nascimento do filho, para ter uma disponibilidade financeira para pagar as escolas. Na época da bolha econômica, isso parece não ter sido um problema, mas hoje, eles encontram dificuldades. Isso também explica porque os pais não querem ter filhos. Assim, apesar da longevidade dos idosos, a população japonesa diminuiu quase 2 milhões em apenas nove anos.

Autor: Francisco Noriyuki Sato

Leia também:

O sistema de ensino que forma um país desenvolvido – 1

O ranking do Japão entre as universidades do mundo – 3

jan 232019
 

Mesmo num passeio no final de semana, sendo uma atividade promovida pela escola, o uso do uniforme é obrigatório © Rage Z

Considerado um dos melhores do mundo, o sistema educacional japonês sofre rigorosas críticas dentro de seu próprio país. Mas é inegável que, mesmo sem ser perfeito, sempre atendeu as necessidades de seu povo, que é obcecado em querer que seus filhos estudem, elegendo a educação como prioridade da família.

O sistema de ensino nos padrões ocidentais adotado no Japão tem menos de 150 anos. Antes disso, porém, já havia o ensino que ficava por conta dos “terakoyá”, escolas de templos budistas, e “juku”, cursos particulares. O primeiro ensinava a ler, a escrever, e o ábaco (soroban), além de ensinamentos budistas. O “juku”, em geral, ensinava a ler e a escrever, mas se dedicava a outras matérias, como geografia, matemática, etiqueta e conhecimentos gerais.

Havia também “juku” especializado em cursos práticos para o trabalho, algo parecido com a escola técnica. Conta-se que em 1867 haviam 75 mil “terakoya” e 6,5 mil “juku” registrados no país, o que demonstra o grande interesse pelos estudos, mesmo em uma época em que o transporte era precário. Cinco anos depois, foi adotado o ensino no estilo francês e as principais universidades foram criadas a partir dessa data, como a Universidade de Tóquio, construída em 1877.

É interessante notar que a preocupação do país era de se equiparar às potências internacionais, pois ficara mais de dois séculos sem contato com o exterior, que já alavancava o progresso com máquinas a vapor e trens. O Japão precisava alcançar o desenvolvimento tecnológico do Ocidente e, por isso, renomados professores foram trazidos do exterior para as faculdades. Nessa época valorizou-se o ensino de engenharia, química, física e medicina, fato que se reflete até hoje. O Japão tem 26 laureados com o Prêmio Nobel, e dentre esses, 23 venceram nessas matérias.

As crianças vão sempre a pé para suas escolas e sem os pais © John Gillespie

O funcionamento da escola

Crianças entre 3 anos completos e 6 anos podem frequentar o jardim da infância. Aos 6 anos podem ingressar no ensino básico, de seis anos. Depois, o ensino intermediário, de três anos, que corresponde ao antigo curso ginasial no Brasil. Os ensinos básico e o intermediário são obrigatórios para o japonês. Se alguma criança com menos de 15 anos estiver na rua no horário das aulas, cabe ao policial perguntar o motivo e procurar seus pais. Dos 15 aos 18 anos, estarão frequentando o ensino médio, que pode ser normal ou profissionalizante.

O ano letivo no Japão começa no início de abril. No ensino básico, as salas têm de 30 a 40 alunos. Nos dias de semana, as aulas normalmente começam às 8h30 e terminam às 15h50. No primário, as aulas duram 45 minutos, com uma pausa de 10 minutos entre uma aula e outra. A partir do ginásio, elas duram 50 minutos. Oficialmente há 35 semanas de aula por ano.

Há nove matérias regulares no ensino básico japonês: língua japonesa, estudos sociais, matemática, ciência, estudos ambientais, música, arte e artesanato, conhecimentos domésticos, educação física e economia doméstica. Nessa última, os alunos aprendem a cozinhar coisas simples e fazer algumas costuras. A maioria das escolas ministra aulas de inglês, shodô (caligrafia) e haiku (poesia curta).

Apesar do ensino seguir o mesmo padrão em todo o território japonês, há algumas pequenas variações. No colégio Nisui, como praticamente em todas as outras, as aulas começam às 8h30 e continuam até 16h30. Depois, começam as atividades chamadas de “club”, que são as extracurriculares, como as esportivas de tênis, beisebol, badminton, equitação e tênis de mesa, e culturais, como culinária, jornalismo, shodô e coral. Essas atividades duram duas horas em média.

Para se ingressar nas melhores universidades é preciso fazer o curso preparatório, que vai das 19 às 22 horas, diariamente. Tempo para jogar game, assistir animê e entrar no Facebook? Muito pouco, pois os jovens precisam fazer as lições de casa. “Vocês assistem animê?”, perguntou uma estudante inglesa fazendo intercâmbio no Japão a uma colega japonesa. “Eu assistia quando era criança, mas não tenho mais tempo”, respondeu a menina de 15 anos. Nos finais de semana também há atividades dentro da escola e fora dela, por isso é comum ver estudantes uniformizados nas ruas, mesmo aos domingos.

Ocorreram algumas reformas de ensino nas últimas décadas e em 2002 aconteceu uma mudança maior, que resultou na eliminação das aulas aos sábados (até 1990, o aluno japonês tinha 240 dias letivos, contra 180 dos americanos), para diminuir a pressão sobre os estudantes do colegial. Uma matéria nova foi introduzida no 2° e no 3° anos. É o “Sogo”, que pode ser traduzido como “estudos integrados”. Aqui, o assunto depende do interesse de cada um, e não tem a ver com as matérias exigidas nos exames vestibulares, mas são e serão importantes na vida de todos. Exemplos: meio-ambiente, globalização e tecnologia da informação. Algo semelhante está para ser introduzido também no Brasil.

As próprias crianças servem o almoço © Anabelle Orozco

Todo o mundo já deve ter visto um vídeo onde as crianças limpam a escola. De fato, desde cedo elas aprendem a manter as salas limpas e a tarefa continua até o final do ensino médio. Na verdade, não há muita sujeira para limpar. As crianças e também os funcionários e professores guardam seus sapatos no armário logo na entrada e vão para as salas com um calçado que é usado somente dentro da escola. A limpeza é feita por revezamento entre os alunos, que levam menos de 15 minutos para a tarefa. Eles consideram a limpeza um fato natural. Já que utilizam o local, consideram óbvio limpar e deixar o ambiente pronto para a próxima aula ou turma. Antes deles, os seus pais e avós também fizeram o mesmo.

Outro fato que chama a atenção é o almoço servido pelos próprios alunos. Uma funcionária traz o carrinho com a comida da cozinha e as crianças já se posicionam para servir os colegas. Cada uma delas já sabe onde, o que e como deverá servir. No final da refeição, a arrumação do local também é feita pelos alunos. No caso de escolas com poucos alunos, cada um traz a sua marmita (obentô) e ela é saboreada na sua própria carteira.

Sabe-se que de todos esses estudantes colegiais, cerca de 53% irão disputar vagas em 220 faculdades públicas e 500 particulares. E outros 18% irão para escolas especializadas ou faculdades de curta duração (de dois anos).

Outra função da escola

Sendo um país que coleciona desastres naturais, há uma grande preocupação de todos no Japão quanto à segurança. A direção das escolas recomenda que todos os alunos optem por estudar próximos das suas casas, principalmente no ensino básico. Isso porque a escola rapidamente é transformada em local de refúgio em caso de desastres naturais. No caso da região ficar inundada e sem os transportes públicos, todos saberão onde procurar seus familiares.

Sendo a escola pública ou particular, a maioria vai a pé ou de bicicleta. Crianças maiores poderão ir de trem ou metrô, pois a distância pode aumentar pela opção por melhores escolas. Mesmo assim, ninguém leva o filho em carro particular ou perua contratada. As crianças menores vão juntas, sendo que a que mora mais longe passa na casa das colegas. Há um traçado para ir à escola, e fazem sempre o mesmo trajeto.

Autor: Francisco Noriyuki Sato – jornalista e editor

Veja a continuação:

O custo do ensino no Japão hoje – 2

O Japão no ranking das universidades do mundo – 3

Conhecendo uma escola colegial japonesa

Conhecendo uma outra escola colegial japonesa

jan 222019
 

   Os números impressionam nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que será o 32º jogos de verão da moderna olimpíada, que começou em Atenas, em 1896. 14.737 atletas de 204 países disputarão 33 modalidades esportivas, nas olimpíadas e paraolimpíadas, ocupando 43 instalações. Os números são incomparáveis com os 18º Jogos sediados por Tóquio, em 1964, quando participaram 5.151 atletas de 93 países, competindo em 21 modalidades.

© Cesar I Martins

Desde a década de 1980, os números cresceram, com a inclusão de novos países que surgiram com a divisão da antiga União Soviética e de países que passaram a praticar as modalidades olímpicas mais divulgadas pela mídia. O número de modalidades também aumentou. Rio de Janeiro, que sediou os Jogos de 2016, contabilizou 15.580 atletas de 207 países, ou seja, mais do que Tóquio espera daqui a dois anos. A causa dessa diminuição pode ser atribuída à crise econômica a nível global, que causa um menor interesse dos patrocinadores para as delegações, e também a instabilidade social em algumas regiões.

Caríssimos Jogos Olímpicos

Os custos e benefícios de um megaevento como os Jogos Olímpicos são sempre uma incógnita. Independente das acusações de corrupção e de falta de transparência, que assola esse meio a nível internacional, as variáveis são muitas porque existe a particularidade de cada localidade. As caríssimas obras poderão ter utilidade depois dos Jogos e trazer renda, ou então, como ocorre com a maioria das instalações, trazer mais despesas.

O Comitê Olímpico de Tóquio anunciou, em janeiro deste ano, a previsão orçamentária de 12,6 bilhões de dólares para os Jogos de Tóquio, mas a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, avisou que a cidade deverá gastar mais 7,5 bilhões de dólares para sua realização, ou seja, o custo total deverá superar a casa dos 20 bilhões. Número assustador, se comparar com os jogos de 1964, quando Tóquio gastou o equivalente a 282 milhões de dólares. Naquela época, esses eventos custavam bem menos. Os atletas em geral eram amadores e as instalações eram simples. O Comitê de Tóquio e o Comitê Internacional (IOC) discutem a necessidade de se cortar os custos, que atormentaram as últimas olimpíadas e estão afastando as possíveis cidades candidatas aos próximos jogos.

Skate entre as novas modalidades introduzidas nos Jogos © Dan Allen

O fator custo preocupa o IOC, porque pode comprometer a própria continuidade dos Jogos. Os custos médios das Olimpíadas mais que quadriplicaram nos últimos oito anos. Por isso, a queda de cidades interessadas é dramática. Em 2008, dez cidades participaram da disputa vencida por Beijing. Quatro anos depois, Londres teve que disputar com oito cidades. O Rio, para 2016, disputou com seis. E para os Jogos de 2020, apenas três cidades se candidataram: Tóquio, Madrid e Istambul. Para a concorrência de 2024, aberta em 2015, surgiram cinco cidades interessadas, entretanto, Hamburgo, Roma e Budapeste se retiraram da disputa, restando apenas Paris e Los Angeles. Para evitar que a situação fique pior, o IOC escolheu Paris para 2024 e já acertou com Los Angeles os Jogos de 2028, que, portanto ficou sem concorrência. O aumento dos custos ocorre também com os Jogos Olímpicos de Inverno. Sochi, na Rússia, investiu 50 bilhões de dólares, o recorde de todos os tempos, superando Beijing em 2008, com 40 bilhões.

Todos falam do Rio 2016 como sinônimo de superfaturamento. Mas na prática, oficialmente foram gastos perto de 11 bilhões de dólares, número que os especialistas em eventos esportivos internacionais não concordam e atribuem um custo total real de 20 bilhões de dólares, uma vez que há custos que não figuraram no orçamento. Mesmo assim é uma pechincha, se comparado com Beijing e Sochi. O que foi decepcionante, no caso do Rio, foi a falta de retorno do investimento. O retorno em turismo, por exemplo, foi um grande fiasco. Embora a prefeitura do Rio de Janeiro avalie como um “enorme sucesso” o evento esportivo sediado pela cidade, com a vinda, segundo a mesma, de 1,17 milhão de turistas ao Rio por conta dos Jogos, apenas 410 mil eram estrangeiros, com gasto médio de R$ 424,62 por dia. Os 760 mil brasileiros tiveram um gasto médio de R$ 310,42 por dia. Somando tudo, o resultado bruto é irrisório, de menos de 130 milhões de dólares por dia.

No Brasil todo, no ano dos Jogos Olímpicos, o Brasil registrou a chegada de 6,546 milhões de turistas estrangeiros. Em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo de Futebol, vieram menos ainda: 6,429 milhões. Sem nenhum investimento atraente, o Brasil, no ano passado, recebeu 6,588 milhões de estrangeiros, ou seja, mais do que nos anos dos eventos esportivos, que em nada melhoraram o desempenho do país no setor turístico. No último ano, os argentinos representaram quase 40% de todos os estrangeiros.

Prova de BMX Freestyle para atrair o público jovem © Stig Nygoard

No caso de Tóquio, a expectativa de público é maior, porque, a exemplo de outras metrópoles mundiais, o número de turistas estrangeiros vem crescendo a cada ano. Em 2017, sem realizar nenhum evento de porte internacional, o Japão registrou 28,69 milhões de turistas de fora (destes, quase 40% são chineses). Em 2016, o país havia recebido 24 milhões e, para se ter uma ideia do crescimento do Japão como destino turístico, basta lembrar que ele tinha apenas 8,61 milhões de turistas estrangeiros em 2010, e o número diminuiu ainda mais no ano seguinte por conta do terremoto e do tsunami na região Nordeste, chegando a 6,218 milhões naquele ano (quase o mesmo do Brasil). Reconstruindo e se recuperando rapidamente da tragédia, o país passou a ser o destino preferido de muitos turistas, por ser considerado um local extremamente seguro, se comparado com outras metrópoles mundiais. Apenas para comparar, o Brasil, em 2011, recebeu 5,433 milhões de estrangeiros e evoluiu pouco de lá para cá. Para 2020, ano dos Jogos de Tóquio, o Japão espera receber 40 milhões de estrangeiros.

Mesmo que esse número se confirme, os especialistas calculam que dificilmente o evento trará um resultado positivo. Argumentam que, mesmo tendo menores gastos no passado, muitas das cidades que sediaram os Jogos sofreram para equilibrar sua economia. Caso de Montreal, no Canadá, que sediou o evento em 1976. Embora considerado um bom e seguro evento, a cidade contraiu uma dívida de dois bilhões de dólares americanos, que só foi quitado totalmente 40 anos depois. Além disso, naquele ano, Canadá acabou não conquistando nenhuma medalha de ouro. Roma, que inicialmente havia se candidatado aos Jogos de 2024, retirou seu nome porque a prefeita Virginia Raggi argumentou que a cidade não tinha estrutura para isso e que ainda sofre por conta dos jogos que sediou em 1960. Muitos economistas atribuem a atual crise econômica da Grécia aos jogos que sua capital Atenas sediou em 2004. Afinal, amargar um prejuízo de 14,5 bilhões de dólares para uma economia pequena é ainda mais difícil.

No caso do Rio, além dos gastos em construções, parte dos quais não terá mais utilidade, há que se considerar o prejuízo pelos dias parados por causa das competições. Houve quatro feriados decretados no Rio, além de engarrafamentos no trânsito, os quais levaram à diminuição da atividade econômica e, portanto, ao recolhimento menor do ICMS e do IPI. Quem se beneficiou foram os hotéis e restaurantes, que recolhem ISS. A Comissão Olímpica de Tóquio também estuda a possibilidade de decretar feriados, ou meio-expediente, principalmente no dia da abertura. É que a cidade de Tóquio já é congestionada em dias normais, e o problema pode se agravar pelo fato das competições ocorrerem em pleno verão, quando a temperatura pode ultrapassar os 35°C. Por conta disso, em 1964, o evento foi realizado em outubro.

Quem paga a conta?

Para o Rio 2016, as autoridades brasileiras calcularam que 50% de todo o montante seria pago pela iniciativa privada e o restante pelos governos municipal, estadual e federal. Com o valor captado em patrocínios, o comitê gestor do Rio 2016 deveria arcar com todos os custos do evento em si, mas a parte da segurança das arenas e até o fornecimento de energia elétrica foram repassadas ao governo federal. Além disso, o comitê obteve ajuda federal para pagar as despesas das cerimônias de abertura e de encerramento, e ainda conseguiu financiamento do governo federal através do BNDES.

O governo estadual, que chegou a deixar de pagar salários de funcionários e decretou estado de calamidade pública por causa da crise econômica, um pouco antes do início dos Jogos, em 2016, recebeu R$ 2,9 bilhões como doação do governo federal às vésperas do evento. Especialistas de agências de classificação de risco afirmavam na época, que qualquer crescimento econômico em função de um evento que dura apenas duas semanas seriam apenas uma solução temporária. Sem reformas na previdência e redução de custos com folha de pagamento do funcionalismo público, o Estado precisaria de mais ajuda do governo federal. E foi exatamente o que ocorreu.

No Japão, os principais patrocinadores estão definidos, mas nota-se a falta de muitas empresas japonesas que investiam em eventos internacionais no passado. Mesmo na Copa do Mundo de Futebol deste ano na Rússia, não se viu companhias japonesas dentre as principais, sendo que da Ásia participaram a coreana Samsung e a chinesa Wanda, demonstrando que Japão não vive bons momentos. Dentre os 13 patrocinadores globais do Comitê Olímpico Internacional, estão a Toyota, Panasonic e Bridgestone, que já estavam no Rio 2016.

Integração entre voluntários no Rio 2016 © Filipe Prevot

A estrutura dos Jogos de Tóquio 2020

Das 43 localidades escolhidas para as competições, 25 já existem e estão sendo adaptadas, 10 serão temporários e oito são as novas instalações permanentes. Dentre as existentes, algumas foram utilizadas em 1964. Caso do Estádio Olímpico, do Nippon Budokan, e do Ginásio Nacional de Yoyogi. Esses nunca deixaram de ser utilizados até hoje. O mesmo não pode ser dito da Vila dos Atletas, a qual foi elogiada em 1964 pelo jornal New York Times: “A transformação do antigo quarteirão da base militar americana em alojamento dos atletas não alterou substancialmente a aparência de um subúrbio americano. Os atletas de outros países que vierem ao Japão encontrarão uma vila bem parecida com o subúrbio americano. A principal diferença é que a nova geladeira, máquinas de lavar, televisores e outros eletrodomésticos estampam marcas japonesas ao invés das americanas, mas o design é americano. As 249 casas que foram construídas para militares americanos e suas famílias e os 14 prédios de blocos que já foram quartos de solteiro e residências para mulheres solteiras empregadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos abrigarão mais de 8.000 atletas e autoridades de 98 nações”. O local antes ocupado pela Vila dos Atletas é hoje o Parque Yoyogi, uma área verde, cercado pelos sofisticados bairros comerciais de Shinjuku, Harajuku e Shibuya.

Embora o evento tenha o nome de Jogos Olímpicos de Tóquio, das 43 localidades, apenas 20 ficam perto da Baía de Tóquio. Cidades próximas, como Saitama e Yokohama, dividem as modalidades, mas as competições de futebol e beisebol, que costumam ter um público grande, foram deslocadas também para Miyagi, Ibaraki e Fukushima, esses para ajudar na crise que começou com o terremoto seguido de tsunami, de 2011. A comissão definiu ainda Sapporo, em Hokkaido, a 832 km de Tóquio, como sede de algumas partidas. É claro que todos esses deslocamentos aumentam os custos das competições, mas é uma forma de desafogar Tóquio e distribuir um pouco os turistas pelo país. Nos Jogos de 1964, apenas Karuisawa, em Nagano, se destacou pela distância em relação a Tóquio. E Karuizawa e Tóquio estão a apenas 170 km de distância.

Pressão extrema para os preparativos

A demora na escolha dos locais para os jogos e a aprovação dos orçamentos causaram, evidentemente, atraso nas obras. Isso pode ser comum em outros países, mas não no Japão, onde os cronogramas costumam ser rigorosamente respeitados. Com isso, quem sofre são os funcionários das construtoras. Um deles, de apenas 23 anos, que trabalhava nas obras do principal estádio, cometeu suicídio em março de 2017, depois de ter feito 190 horas extras em um mês. O Japão possui até uma palavra específica para mortes por excesso de trabalho: karoushi. Qualquer morte causada por fazer mais de 80 horas extras em um mês é considerado karoushi. E isso já ocorreu também em agências de propaganda e outras empresas onde se trabalha muito acima do normal. Mas nessas obras estruturais das olimpíadas, estima-se que haja 18 empresas cujos empregados ultrapassam o limite legal de 80 horas.

A parte esportiva

As novidades para os Jogos de Tóquio ficaram por conta da introdução das modalidades mais praticadas no Japão. A exemplo do judô, que começou a ser disputado em Tóquio, em 1964, beisebol, softbol e karatê estarão entre as competições de 2020. Além disso, visando atingir o público mais jovem, as modalidades de skate, surfe e escalada esportiva entrarão na competição. Outros esportes que buscam esse público são o basquete “3 on 3” e o “BMX freestyle” (manobras radicais com bicicleta).

Outra novidade são as categorias mistas. Homens e mulheres competirão conjuntamente no revezamento 4 x 400 metros e nos 4 x 100 metros em estilo livre nas piscinas, além de times mistos no triatlo. Haverá também equipes mistas de judô, tiro com arco e tênis de mesa.

A tendência é incluir modalidades que atraiam mais jovens e também mulheres.

Mascotes para 2020. 2042 pessoas e grupos inscreveram suas propostas e a votação foi feita em 16.769 escolas, com a participação de 205.755 salas, após um debate entre os alunos de cada sala coordenados pelo professor. A sugestão acima obteve 50% dos votos.

A captação de voluntários

Para Tokyo 2020, é esperada a participação de 80 mil voluntários convocados pelo comitê organizador e mais 30 mil solicitados pelo governo de Tóquio.  Há inúmeras funções para os voluntários, mas basicamente prestarão os seguintes serviços:

Pelo Comitê: Voluntários para atendimento ao público, suporte aos locais de competição e suporte aos jornalistas internacionais.

Por Tóquio: Atendimento aos turistas, orientação de transporte e locomoção dos visitantes aos locais da competição e suporte ao site de transmissão ao vivo dos jogos.

Em ambos os casos não há idade máxima (mínimo 18 anos em abril de 2020), bastando que a pessoa tenha boa saúde, e pode ser de qualquer nacionalidade e sexo. O participante precisa necessariamente dispor de pelo menos 10 dias para colaborar.

Período de inscrição: ia de setembro a dezembro de 2018 pelo site: https://tokyo2020.org/en/. Há possibilidade de se abrir novo período de inscrição para atividades específicas.

No Rio 2016, 70% dos voluntários inscritos não compareceram nos locais de trabalho e foi necessário arrumar “voluntários remunerados”.

autor: Francisco Noriyuki Sato – publicado em julho/2018

Assuntos correlatos:

Cai o desempenho das crianças nos esportes

O impacto das Olimpíadas de Tóquio de 1964 no Brasil (texto em japonês)

jan 222019
 
Hiyashi chuka (lamen gelado) e dorayaki (doce do personagem Doraemon) são destaques do cardápio de 6 pratos ensinados pela cozinheira Marlene Fukushima 
 
A 14ª edição da Oficina de Comida Japonesa Caseira, com a cozinheira Marlene Fukushima, vai ensinar um cardápio de 6 pratos de verão, no domingo 27 de janeiro, das 8h às 13h. São eles: hiyashi chuka (macarrão tipo lámen gelado);  oniguiri (bolinho de arroz japonês); peixe munieru (peixe da época levemente empanado); wakame itame (alga marinha refogada);  chosen zuke (conversa de acelga à moda coreana) e de sobremesa dorayaki (panqueca japonesa recheada de doce de feijão).
O destaque do cardápio fica por conta do hiyashi chuka, prato típico do verão que combina o macarrão tipo lámen gelado, com ingredientes coloridos (pepino, tomate, cenoura, moyashi, entre outros). 
Outro prato refrescante é o chosen zuke. Em japonês, Chosen significa Coreia. O Chosen zuke é a versão japonesa menos apimentada do Kimchi, a tradicional conserva coreana. Costuma ser servida como entrada ou aperitivo.
O peixe munieru (de meuniere, em francês) é levemente empanado na farinha de trigo. E o wakame itame é a alga marinha refogada rapidamente. São dois pratos leves, que também são consumidos nos dias mais quentes.
A sobremesa é o dorayaki, uma panqueca japonesa com recheio de doce de feijão, que ficou famoso por ser o lanche predileto do famoso personagem de desenho animado Doraemon.
 
Cardápio de verão com 6 receitas 
– Hiyashi chuka (macarrão tipo lamen gelado)
– Oniguiri (bolinho de arroz japonês)
– Peixe munieru (peixe da época levemente empanado)
– Wakame itame (alga marinha refogada)
– Chosen zuke (conversa de acelga à moda coreana)
– Dorayaki (panqueca japonesa recheada de doce de feijão)
 
SERVIÇO
27 de janeiro, das 8h às 13h
Rua 1º de Janeiro, 53 – Vila Clementino (ao lado do metrô Santa Cruz)
Valor (inclui apostila, ingredientes e almoço): R$ 330 
Whats App: 97130-3335
 
INSÇRIÇÕES pelo EVENTBRITE
(tem taxa de adm, mas pode ser parcelado em até 10 vezes)
 
nov 142018
 

A Constituição Japonesa, que foi preparada pelos americanos em 1947, não permite que o Japão se defenda ou se envolva em guerra. Os testes dos norte-coreanos com os mísseis, que atingiram a costa japonesa, e a China fazendo exercícios militares no Mar do Japão, são indícios de que a paz poderá não durar.

Sem poder formar um exército, é a “Jieitai”, a Força de Defesa do Japão, que faz treinamentos acanhados para um eventual confronto. Essa Força de Defesa é chamada toda vez que alguma localidade é atingida por desastres naturais, o que ocorre com muita frequência, e a tropa é convocada para fazer ajuda humanitária em áreas de conflito internacional, mas a Jieitai não é um exército. Para a Jieitai poder atuar numa guerra é necessário alterar o artigo 9 da Constituição.

Em 2016, após uma série de discussões e manifestações públicas contrárias, foi aprovada pela Dieta uma resolução (releitura) sobre o artigo 9, possibilitando que o Japão possa fazer a autodefesa e até enviar tropas para o exterior, mas ainda falta escrever isso na Constituição.

O atual governo do primeiro-ministro Shinzo Abe se empenha em conseguir aprovar a reforma, mas não está sendo fácil. A rede de TV NHK realizou uma pesquisa e constatou que 29% dos entrevistados acham que a reforma é necessária, mas 27% não acham. A grande maioria, 39% não tem opinião sobre o assunto. Dentre os que são contra, a maioria tem mais de 70 anos, ou seja, conviveu mais de perto com a guerra.

A questão da Jieitai, mesmo que a Constituição seja alterada e a Força de Defesa possa atuar numa guerra, esbarra num outro problema: O envelhecimento da população. Não haverá muitos jovens dispostos a entrar na Jieitai.

Esses e outros assuntos bem atuais serão apresentados na próxima aula de história do Japão.

História do Japão – Aula 9 – Período Heisei e a História de Okinawa

A nona e última aula será composta por dois assuntos diferentes: a metade da aula será destinada ao Período Heisei (1989 ~ 2019), ou seja, a história recente e os assuntos atuais. Na outra metade será abordada a História de Okinawa, que se tornou província japonesa em 1879 e foi ocupada pelos americanos de 1945 a 1972. Mesmo quem não assistiu as anteriores poderá se inscrever e participar.

Aula 9 – História do Japão. Dia 01/12/2018, sábado, das 9 às 12 horas.

As inscrições são realizadas por aula. Cada aula tem o valor de R$ 35,00 (mais a taxa do Sympla de R$ 3,50).

Não haverá reembolso por desistência. Quando não houver mais vaga, o interessado poderá enviar e-mail para ficar na lista de espera.

Local: Associação Cultural Mie, na Avenida Lins de Vasconcelos, 3352, Vila Mariana, na saída da Estação Vila Mariana do metrô. Há estacionamento pago no prédio. Atenção: por causa do serviço de manutenção da Eletropaulo na região, esta aula será ministrada no Centro Brasileiro de Língua Japonesa – Rua Manoel Paiva, 45 – entre as estações Ana Rosa e Vila Mariana do metrô (mais perto da Ana Rosa – 5 minutos a pé). Data e horário são os mesmos acima.

As vagas são limitadas. A sala está equipada com ar condicionado, projetor e microfone. As aulas são avulsas, portanto, não é necessário ter assistido as anteriores para participar desta. Neste dia 01/12/2018, logo após o término da aula, serão entregues os certificados aos alunos que participaram de pelo menos 7 das 9 aulas ministradas.

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016.

apoio: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

nov 142018
 

O currículo escolar japonês ensina a história do Japão de uma forma uniforme, como se todas as províncias tivessem quase a mesma história. 

No caso de Okinawa, a história seguiu caminho bem diferente do restante do país, pois ela só se tornou oficialmente uma província japonesa em 1879. Ryukyu eram ilhas dominadas por três reinos por longo período, com alguma intervenção externa, ora do clã Shimazu, de Satsuma (atual Kagoshima), ora da China.

A história de Okinawa é desconhecida até pelos japoneses de outras províncias, pois ela não é ensinada nas escolas normalmente. Ao Brasil, que tem tem um grande número de imigrantes de Okinawa, coube a tarefa de ensinar e discutir esse tema tão interessante.

História do Japão – Aula 9 – Período Heisei e a História de Okinawa

A nona e última aula será composta por dois assuntos diferentes: a metade da aula será destinada ao Período Heisei (1989 ~ 2019), ou seja, a história recente e os assuntos atuais. Na outra metade será abordada a História de Okinawa, que se tornou província japonesa em 1879 e foi ocupada pelos americanos de 1945 a 1972. Mesmo quem não assistiu as anteriores poderá se inscrever e participar.

Aula 9 – História do Japão. Dia 01/12/2018, sábado, das 9 às 12 horas.

As inscrições são realizadas por aula. Cada aula tem o valor de R$ 35,00 (mais a taxa do Sympla de R$ 3,50).

Não haverá reembolso por desistência. Quando não houver mais vaga, o interessado poderá enviar e-mail para ficar na lista de espera.

Local: Associação Cultural Mie, na Avenida Lins de Vasconcelos, 3352, Vila Mariana, na saída da Estação Vila Mariana do metrô. Há estacionamento pago no prédio. Atenção: por causa do serviço de manutenção da Eletropaulo na região, esta aula será ministrada no Centro Brasileiro de Língua Japonesa – Rua Manoel Paiva, 45 – entre as estações Ana Rosa e Vila Mariana do metrô (mais perto da Ana Rosa – 5 minutos a pé). Data e horário são os mesmos acima.

As vagas são limitadas. A sala está equipada com ar condicionado, projetor e microfone. As aulas são avulsas, portanto, não é necessário ter assistido as anteriores para participar desta. Neste dia 01/12/2018, logo após o término da aula, serão entregues os certificados aos alunos que participaram de pelo menos 7 das 9 aulas ministradas.

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016.

apoio: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

out 192018
 

São aulas avulsas, mesmo quem não assistiu as anteriores poderá participar.

A oitava aula (do total de 9) aborda o Período Showa, a partir da Segunda Guerra Mundial, seu término e a reconstrução do Japão até o fim do Período, em 1989.

Se no início as frotas do Japão foram eficientes e conquistaram territórios no Pacífico, a Segunda Guerra Mundial se alonga, e o Japão se encontra sem matéria-prima para continuar a luta. Não consegue segurar os intermináveis bombardeios sob a população civil em Tóquio e recebe duas bombas atômicas. Não houve outra alternativa a não ser render-se. Começa a ocupação americana e os japoneses agora lutam para fazer ressurgir o Japão das cinzas.

Aula 8 – História do Japão. Dia 10/11/2018, sábado, das 9 às 12 horas.

As inscrições são realizadas por aula. Cada aula tem o valor de R$ 35,00 (mais a taxa do Sympla de R$ 3,50) no botão “INSCREVA-SE”.

O valor (sem a taxa de 3,50) poderá ser pago em dinheiro na secretaria da Associação Mie, em horário comercial, mas só até 4 dias antes da data. Não haverá reembolso por desistência. Mas se a desistência for comunicada até o dia 08/11/2018 pelo e-mail abrademi@abrademi.com, o valor pago poderá ser transferido para a aula seguinte (de 01/12/2018).  Quando não houver mais vaga, o interessado poderá enviar e-mail para ficar na lista de espera. A próxima e última aula será no dia 01/12/2018 e abordará o Período Heisei e a História de Okinawa.

Local: Associação Cultural Mie, na Avenida Lins de Vasconcelos, 3352, Vila Mariana, na saída da Estação Vila Mariana do metrô. Há estacionamento pago no prédio.

As vagas são limitadas. A sala está equipada com ar condicionado, projetor e microfone. As aulas são avulsas, portanto, não é necessário ter assistido as anteriores para participar desta.

Os professores são:
– Cristiane A. Sato, formada em Direito pela USP, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa e presidente da Associação Brasileira de J-Fashion, palestrante em universidades, entidades, embaixada e consulado geral do Japão, foi bolsista da JICA em 2016, na Universidade de Kanazawa.
– Francisco Noriyuki Sato, formado em Jornalismo pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá, Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros, e é presidente da Abrademi e editor do site culturajaponesa.com.br. Foi também bolsista da JICA, em 2014, e ministrou palestras em universidades e museus do Japão em 2016.

apoio: Fundação Japão e Centro Brasileiro de Língua Japonesa

out 182018
 

Sanuki Udon é um prato típico da província de Kagawa

Kompira é um local turístico da província de Kagawa, com termas e até teatro Kabuki. Kompira Matsuri é uma homenagem ao protetor dos navegantes, muito tradicional em Kagawa.

No Brasil, Kompira Matsuri é uma cerimônia com festival gastronômico promovido pela Associação da Província de Kagawa, e a principal atração é o Sanuki Udon. Sanuki era o antigo nome de Kagawa, e o Sanuki Udon é um dos três mais famosos tipos de udon (macarrão de trigo) do Japão. Essa sopa é tão popular que só em Kagawa existem cerca de 700 restaurantes especializados em Sanuki Udon.

O próximo Kompira Matsuri será realizado no dia 21 de outubro de 2018, domingo, a partir das 11 horas (almoço). A entrada é gratuita, e o Sanuki Udon será servido a preços acessíveis. Há o Tempura Udon, o Kitsune Udon e o Inarizushi. Esse macarrão é trazido do Japão e tem sabor diferente do comum, e a porção é boa.

 

Haverá atrações de cultura japonesa: kendô, shorinji e karatê, além de karaokê, bingo e bazar do departamento de senhoras. Sanuki Udon fez muito sucesso no Festival do Japão, e aqui está a oportunidade para saboreá-lo com calma e sentado.

Local: Associação da Província de Kagawa – Rua Itaipu, 422 – perto do metrô Praça da Árvore da linha Norte-Sul – Vila Clementino, São Paulo/SP. Informações: 11-5587-5303.

Programação:
11:00 – Cerimônia do Kompira Taisai
12:00 – almoço e atrações culturais

out 182018
 

As associações das províncias da região de Kyushu organizam o Kyushu Bunka Taikai, Desafio Cultural de Kyushu, neste domingo, dia 21 de outubro, das 10 às 17h30.

Trata-se de uma divertida atividade interativa onde os jovens apresentam as culturas típicas de cada localidade que faz parte do bloco Kyushu: Fukuoka, Kagoshima, Kumamoto, Miyazaki, Nagasaki, Oita, Saga e Okinawa. A motivação é grande porque os grupos concorrem a uma viagem internacional.

Este ano, o tema é a apresentação do festival típico de cada província. A entrada é franca, e o participante poderá saborear pratos regionais, torcer e conhecer um pouco da cultura de cada uma dessas províncias. Venha assistir e apoiar iniciativas boas como esta.

Local: Associação da Província de Saga, Rua Pandiá Calógeras, 108, Liberdade, a 15 minutos do metrô São Joaquim.

Segue o vídeo, que é um resumo do ano passado:

set 112018
 

Projeto será realizado no Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera, de 7 a 23 de setembro

O Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera recebe, de 7 a 23 de setembro, o projeto Kyojitsu-Hiniku: Between the Skin and the Flesh of Japan — Sob a Pele – Sobre a Carne do Japão. De 7 a 23 de setembro, serão realizados uma exposição coletiva e vários eventos públicos, com a curadoria de Naoko Mabon, com a cooperação da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (BUNKYO) e apoio da Fundação Japão em São Paulo e Consulado Geral do Japão em São Paulo.

O evento, que faz parte dos eventos em comemoração aos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, coincide com a 33a Bienal de São Paulo, que também acontece no Parque do Ibirapuera.

Para a exposição, foram convidados cinco artistas a tratar de maneira poética, física ou conceitual questões de identidade nacional, social ou individual do Japão, da imigração ou de elementos que reflitam a memória ou experiência dos imigrantes.

Faz parte da programação evento com o artista Satoshi Hashimoto, performances de dança de Danilo Silveira e Beatriz Sano, conversa com os artistas Takanori Suga, Juliana Kase e performance sonora-visual de Rodrigo Amor Experimental e Evandro Nicolau.

O título do projeto, ‘Kyojitsu-Hiniku’, se refere à teoria artística de Monzaemon Chikamatsu (1653-1725), apresentada em seu primeiro ensaio sobre Joruri, a arte tradicional japonesa de bonecos.

O projeto apresentará diversas interpretações e entendimentos a respeito da história e da complexidade da imigração Japonesa no Brasil, representando uma oportunidade para refletir de forma muito mais abrangente, abrindo discussões amplas para além de origens, línguas e culturas específicas.

Mais informações sobre o projeto e sua programação estão disponíveis no site

https://kyojitsu-hiniku.tumblr.com/.

 

PROGRAMAÇÃO

(agenda de eventos: goo.gl/sGd9cH):
 09/09, domingo, às 15h: Evento com: Satoshi Hashimoto
 15/09, sábado, às 14h: Performance de dança: Danilo Silveira
 15/09, sábado, das 15h às 17h: Conversa com a artista Juliana Kase
 22/09, sábado, às 14h: Performance de dança: Beatriz Sano
 22/09, sábado, das 15h às 17h: Conversa com artista: Takanori Suga
 23/09, domingo, às 16h: Performance de sonora-visual: Rodrigo Amor Experimental e Evandro Nicolau

ARTISTAS

Juliana Kase –  Nascida em Curitiba, em 1980, Juliana atualmente vive e trabalha em São Paulo. Uma artista contemporânea nipo-brasileira, cuja prática artística abrange diversas linguagens da imagem bidimensional em relação ao contexto em que se insere – desde instalações em relação à arquitetura, até clichês usados de imprensa em relação ao contexto social-histórico-político ou, ainda, dirigindo um documentário sobre a obra poética do Editor Massao Ohno – sempre prestando atenção a função que a imagem e a arte desempenham. Sua exposição individual mais recente, Clichês (São Paulo, 2017), incluía uma instalação de um mapa alternativo da América Latina, em que os visitantes eram convidados a imprimir os nomes das línguas indígenas que compunham o Mapa. Para este projeto, Kase, que retornou recentemente de sua primeira visita ao Japão para pesquisar sobre o conceito de imagem no teatro Nô e outras artes japonesas, criará um novo trabalho em vídeo-projeção dialogando com o Pavilhão Japonês. Com base em entrevistas e encontros presenciais, seu novo filme explora nossas memórias pessoais e sociais e como esses elementos se sobrepõem ou produzem lacunas, além do tempo, da cultura e da localização. Para dar uma dimensão material à pesquisa, dois artistas de São Paulo – Danilo da Silveira e Beatriz Sano – serão convidados para a apresentação de dança durante a exposição em diálogo com o filme de Kase. Mais sobre a artista em http://galeriapilar.com/en/artistas/juliana-kase/

Danilo Silveira – Bailarino, natural da cidade de Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo, é doutorando em Artes Cênicas pela USP e Bacharel em Dança pela Universidade Estadual do Paraná. Estudou dança na Universidad Mayor, em Santiago, no Chile. Criou o solo de dança Garoa, aprovado pelo Edital Proac 2014. Atualmente integra o coletivo Olho D’Água: Proposições Artísticas, do qual é propositor do projeto Paisagens Invisíveis, aprovado pelo Edital Proac 2017.

Beatriz Sano – Coreógrafa, dançarina e professora, graduou-se em dança pela Unicamp e faz parte da Key Zetta & Cia desde 2009. Em 2015, ganhou o prêmio Denilton Gomes de bailarina revelação pelo espetáculo SIM da cia. Em 2013, foi contemplada pela bolsa Rumos Itaú Cultural, na carteira de residência artística. Em 2016, foi ao Japão aprofundar a técnica de seitai-ho e teatro noh, que pratica no Brasil desde 2011 com Toshi Tanaka.

Takanori Suga – Nasceu em Nagasaki, em 1985, e atualmente vive e trabalha em Chiba. A prática artística de Takanori Suga se refere com frequência ao graffiti, uma forma de street art, na qual a existência humana é evidenciada pela inscrição de uma assinatura própria ou uma imagem simbólica que a representa. Para este projeto, Suga visitará São Paulo para criar um novo trabalho público em local específico de sua série Dripping Project, que será uma resposta artística direta à construção singular do Pavilhão Japonês. A série Dripping Project é conhecida por sua intervenção marcante e expressiva em nossa paisagem cotidiana através da instalação de imagens de gotejamentos de tinta brancos gigantes em frente a arquiteturas históricas e construções, como por exemplo, a antiga Casa Oficial de Kyoto; a antiga escola de ensino fundamental em Kagoshima; um parque em Asakusa, com a icônica torre Skytree de Tokyo ao fundo; o histórico portão de entrada da cidade Kakeo Onsen em Saga; entre outros. A imagem do gotejamento branco pode nos lembrar uma cachoeira, que é tradicionalmente um motivo frequente nas artes e ofícios japoneses ou mesmo nos lembrar do início energético da vida primitiva. A cor branca é escolhida para representar a ideia oriental do ‘intervalo’ ou ‘MA’ (espaço ou relação entre as coisas). Assim, esta série almeja evocar a paisagem e construir um ambiente que vemos diariamente de um ponto de vista ou contexto totalmente diferente ao inserir ‘o intervalo como caos’ ou ‘MA como um espaço e tempo brancos’ na arquitetura ou paisagem organizada.

Detanico Lain – A dupla é formada por Angela Detanico, nascida em Caxias do Sul, em 1974, e Rafael Lain, também de Caxias do Sul, em 1973. Atualmente, vivem e trabalham em Paris, na França. No centro de seus interesses artísticos está a visualização do conceito de linguagem ou de objeto. Sua abordagem estabelece um diálogo com a Poesia Concreta, que surgiu nos anos 1960 e se desenvolveu desde então espontaneamente pelo mundo. Detanico Lain participou de uma residência artística por seis meses em Villa Kujoyama, administrado pelo Instituto francês do Japão, em Quioto, investigando o trabalho de Katsue Kitazono (1902-78), um poeta e crítico japonês que introduziu a Poesia Concreta no Japão e desenvolveu ‘Plastic Poetry’ (Poesia Plástica) como resposta ao movimento. ONDA é uma peça escultural, feita de sal e instalada no chão. A forma de onda é baseada na tabela de linguagem visual que os artistas desenvolveram, traduzindo cada letra do alfabeto em uma forma de onda. Esta peça se torna uma representação particularmente poética e bela se pensarmos sobre a história e memória dos imigrantes japoneses que atravessaram inúmeras ondas entre os dois países por anos e gerações. Mais sobre a dupla em http://detanicolain.com/

Satoshi Hashimoto – Nascido em Tóquio, 1977, local onde vive e trabalha ainda hoje. Criou muitas obras em que envolve os visitantes, questionando-os sobre o seu papel na experiência de apreciação artística, em forma de performances, ações e instruções visando a indução de suas próprias reações. Para este projeto, Hashimoto criará uma instalação site-specific dedicada ao Pavilhão Japonês. A instalação será baseada em trabalhos recentes, como Untitled (Rio / Tokyo), que leva sua referência de Untitled (Perfect Lovers), de Felix Gonzalez-Torres, consistindo de dois relógios procedendo exatamente na mesma velocidade. Hashimoto dá ao trabalho um segundo título, Untitled (Rio /Tokyo). O Japão e o Brasil estão em lados exatamente opostos da Terra, assim os ponteiros do relógio apontam para os mesmos números, mas na verdade representam tempos opostos do dia. Esta peça levou-o a perceber que as bandeiras dos dois países também correspondem dessa maneira. A bandeira japonesa tem um círculo vermelho no centro representando o sol, enquanto a bandeira brasileira apresenta o céu noturno. Quando as duas bandeiras são sobrepostas no mesmo tamanho, o círculo do céu noturno cobre o sol vermelho, formando assim um eclipse total. Hashimoto também conduzirá um evento durante o período da exposição em que abordará e questionará os papéis dos ‘jogadores na exposição com a participação dos visitantes.

Hikaru Fujii – Nasceu em Tokyo, em 1976, onde vive e trabalha atualmente. É conhecido por seu trabalho que lida com material de arquivo com foco nas linguagens do vídeo e filme para apresentar reinterpretações de eventos sociais, história, memória e relacionamentos, assim como uma nova esperança para o futuro. Sua produção abrange não apenas instalações e vídeo, mas também workshops, documentários e escrita e direção para teatro e cinema. Playing Japanese é uma instalação de vídeo, desenvolvida a partir de material colhido durante um workshop. O artista convidou membros do público para “performar” o que significaria ser japonês, como entendemos e identificamos “a singularidade dos Japoneses”, explorando identidades e construções sociais, assim como problemas políticos com a cultura japonesa. O workshop foi uma recriação de eventos ocorridos 100 anos atrás – na época da Exposição Industrial Nacional de Osaka, de 1903. Esta peça recebeu o Grande Prêmio no prestigioso Nissan Art Award em 2017.

 

Pavilhão Japonês – O Pavilhão Japonês está localizado no Parque Ibirapuera, no coração da cidade de São Paulo. Foi construído conjuntamente pelo governo Japonês e pela comunidade nipo-brasileira e foi doado à cidade de São Paulo em 1954, em comemoração ao aniversário de 400 anos da cidade. Foi projetado pelo famoso arquiteto japonês Sutemi Horiguchi (1895-1984), conhecido por seu anseio em encontrar uma forma harmoniosa entre a arquitetura tradicional japonesa em madeira e a arquitetura moderna ocidental. Toda a madeira utilizada na construção foi enviado do Japão e montado no local, utilizando-se uma técnica tradicional que dispensa pregos. O estilo Shoin também pode ser notado em sua estrutura, acredita-se que inspirada na Vila Imperial de Katsura, de Quioto. O edifício principal possui uma sala de exposições com arte e arte popular japonesa e uma sala de chá. Perto do Pavilhão há um jardim em estilo japonês repleto de plantas, árvores ornamentais e uma rocha vulcânica trazida do Japão. Há também um lago cheio de carpas, que podem ser alimentadas pelos visitantes.

Kyojitsu-Hiniku: Between the Skin and the Flesh of Japan — Sob a Pele – Sobre a Carne do Japão

CURADORIA: Naoko Mabon (Curadora japonesa independente, vive na Escócia)
COOPERAÇÃO: Comissão Comemorativa dos 110 Anos de Imigração no Brasil – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (BUNKYO)
COLABORAÇÃO: Evandro Nicolau e Rodrigo Munhoz
APOIO: Consulado Geral do Japão em São Paulo e Fundação Japão em São Paulo

Kyojitsu-Hiniku: Between the Skin and the Flesh of Japan — Sob a Pele – Sobre a Carne do Japão

Datas: de sexta-feira, 7 de setembro, a domingo, 23 de setembro de 2018
Local: Pavilhão Japonês, Parque Ibirapuera – Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, Portão 3 e 10, s/n – Parque Ibirapuera, São Paulo
Horário de funcionamento: 10h às 12h, 13h às 17h, às quartas, sextas, sábados e domingos
Ingressos: R$ 10 | Estudantes e maiores de 60 anos: R$ 5 reais | 65 anos e mais: grátis
Mais informações: info@wagonart.org