jan 122015
 

サンパウロ市の日本語学校で神尾先生が映写機を持ってきて見せてくれた8ミリの映画。確かぼやけた陸上競技のシーンでした。それが間違いなく私の東京オリンピックの思い出で有ります。当時ブラジルでは日本は全く別の世界でした。インターネットやビデオが無い時代で日本の情報も少なかったと思います。子供だった私達はオリンピック自体の大きさと素晴らしさも全然知りませんでした。サッカー以外のスポーツも見た事無かったかもしれません。当時私は小学一年生でした。

tokyo shonen sunday日本の漫画を読むようになって、少しずつ日本の事が分かる様になり、大人に成ってから1964年の東京オリンピックはものすごいイベントであったと分かりました。第二次世界大戦で破壊された日本が立ち上がったと世界に知らせる目的の大イベントでした。あのころ新幹線も日本の絵本などで見ましたが、実際比較するものも無く、デザインがきれいだったとしか思い出せません。ブラジルの汽車は1867年、つまり日本よりも先に作られました、と言ってもその後線路数は増えましたが、技術的な進歩も無く、高速列車なども無く、新幹線とは遠い親戚のような感じです。

東京オリンピックの四年前、1960年にプロレスの力道山がブラジルへ来て地元のプロレスラーたちと戦って勝利したと、お父さんから後で聞かせてもらいました。その時、ブラジルに住んでいた青年アントニオ猪木を日本へ連れて行ったとの事。私の父はサンパウロ市の中央市場でスイカの卸売りをしていました。猪木さんは同じ市場で荷物をトラックから降ろすバイトをしていたと父は言いました。確かに、猪木さんみたいに身体の大きな青年がいたら、何所でも目立っていたでしょうね。

nationalKIDでも、子供にとって一番大きなインパクトだったのは日本のスーパーヒーロー、ナショナル・キッドのテレビ放送でした。ブラジルの音楽番組の後で流され第1部「インカ族の来襲」は、今でも思い出します。宣伝も予告も無く突然現れたスーパーヒーロー。ブラジルとは関係無いと分かっていながらなぜ面白かったのだろう。1964年でした。当時のブラジルのテレビには日本人は出ていなかったので、めずらしいことで日本人がヒーローだとは考えらませんでした。

tokyo Olimpic expo2そうした思い出が沢山有ったので、昨年の十一月、滞在していた金沢から東京へ行って江戸東京博物館の「東京オリンピックと新幹線」の展示会を見に行きました。オリンピック当時の物が沢山並べられていましたが、自分が想像していた1964年の日本とは少し違うイメージが目を引きました。

五十年も経ってしまって今考えると、日系人として日本は戦争に負けたのだと言い聞かされ、日系人は少し馬鹿にされていたのかも知りません。そこで東京オリンピック、新幹線とナショナル・キッドが出たことにより、日系人として誇りを持てる物がそろって来たのかもしれません。それらの出来事が当時の日系人の子供や若者に勇気を与えてくれたのでしょう。遠いブラジルにいても日本の勝利を祝って応援していた日系人。その様なつながりが有ったのでした。

注・江戸東京博物館の小林克様と谷川真実子様、どうも有り難うございました。

佐藤フランシスコ紀行 ・ 新聞記者・2014年JICAの研修生として金沢大学でお世話に成りました。

 

out 082014
 

BANZAI CAPA19pequeno“Banzai! História da Imigração Japonesa no Brasil em Mangá” é um livro de 176 páginas lançado em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Foi uma realização da Associação Cultural e Esportiva Saúde, tendo à frente o presidente Tomio Katsuragawa, que se preocupou em reunir o melhor conteúdo tendo à frente a comissão formada por Dr. Masato Ninomiya, presidente do Ciate, a professora Kiyoko Yano e o diretor cultural da ACE Saúde, Jorge Kiyoshi Suzuki.

Os fatos são narrados em forma de mangá, mas não se trata de um livro superficial. Muitos dos livros publicados sobre o tema refletem apenas o ponto de vista de um personagem da história, ou um determinado acontecimento, ou ainda a história de uma região. No Banzai, os autores procuraram mostrar o conjunto da história, desde antes da chegada dos pioneiros a bordo do Kasato Maru até a fase dos decasséguis brasileiros, passando pelos atletas que tiveram destaque e dos primeiros políticos nikkeis.

A coordenação e o roteiro ficaram nas mãos do jornalista Francisco Noriyuki Sato, que contou com a assistência do veterano Paulo I. Fukue, e os desenhos foram feitos pelo artista Júlio Shimamoto. “Desde o início do projeto, eu pensava no Shimamoto para fazer os desenhos do mangá, pois além de ser um renomado quadrinhista, ele viveu uma boa parte da história da imigração e lembra de todos os detalhes da vida no campo e em comunidades nikkeis”, contou Sato em uma entrevista na época do lançamento do livro.
Maiores informações: http://www.imigracaojaponesa.com.br/?page_id=14

Banzai! História da Imigração Japonesa no Brasil em Mangá está à venda por R$ 20,00 na livraria do Museu da Imigração Japonesa, no Bunkyo, Rua São Joaquim, 381 – 3º andar, Liberdade, São Paulo/SP, de terça a sexta, das 9:00 às 17:30 sem intervalo e na segunda-feira e no sábado das 13:00 às 17:30. Quem visita o Museu também poderá encontrá-lo no 9º andar do prédio.
Para adquirir diretamente ou pelo correio:
LIVROCERTO Comércio Ltda. Av. Francisco Tranchesi, 1031, CEP 08270-460 – Parque do Carmo – São Paulo livrocerto@terra.com.br – tel.11 2527-2631
manga banzai3918
out 022014
 
recepcaopeixesvoadores

Calorosa recepção aos “peixes voadores” em Lins, 1949

Poucas pessoas se lembram, infelizmente, dos “Peixes Voadores” que visitaram o Brasil. Foi em 1949, e os quatro japoneses vieram após se apresentarem nos Estados Unidos e terem vencido quase todas as provas contra os competidores americanos, uma façanha para a época, e à frente do grupo estava Hironoshin Furuhashi, nascido em 1928. Como Furuhashi treinava no Tobiuo Swimming Club de Tóquio, e “tobiuo” significa “peixe-voador”, os americanos batizaram os nadadores japoneses de”Flying Fish”.

Terminada a guerra, atletas de ponta do Japão, de diversas modalidades, não conseguiam verba em seu país para as despesas de viagem para competições oficiais. Por isso, programavam exibições fora do país, levantavam alguma verba e mostravam que o Japão estava se reerguendo e que tinha atletas de nível internacional. A coletividade nipo-brasileira participou de diversos casos semelhantes, fazendo campanhas e arrecadando doações para esses atletas. No caso dos “Peixes Voadores”, sabe-se que ficaram dois meses na América do Sul, passando por São Paulo, Lins, Rio de Janeiro e outras cidades.

Hironoshin Furuhashi bateu seis recordes mundiais em 1948 e 1949, mas não pôde disputar os Jogos Olímpicos em 1948, pois o Japão, penalizado como culpado pela Segunda Guerra, teve que ficar de fora. Nos jogos de Helsinque, de 1952, infelizmente, Furuhashi competiu, mas não estava em plena forma.

Os “Peixes Voadores” trouxeram uma nova luz à sofrida coletividade nipo-brasileira. Se apresentando no Estádio do Pacaembu, foi a primeira vez que a bandeira japonesa era hasteada oficialmente após a guerra. Os ídolos japoneses foram aclamados em todos os lugares que se apresentaram. Na cidade de Lins, passearam em carro aberto e foram recebidos com aplausos e bandeiras japonesas. Outra consequência dessa visita dos nadadores foi a ascensão do nissei Tetsuo Okamoto na modalidade.

O garoto franzino, que tratava de bronquite, treinava no Yara Esporte Clube de Marília. O pai de Tetsuo era sitiante na cidade vizinha de Vera Cruz e não tinha condições de manter seu filho treinando num clube de elite. Mas o garoto era bom e seu talento foi reconhecido pelos dirigentes do clube. Aos 15 começou a treinar no Yara, e aos 17 pôde acompanhar os “peixes voadores” em sua viagem pelo Brasil. Foi a sorte. Ouviu dos japoneses a preciosa dica que mudou a vida do nadador. Eles recomendaram que Tetsuo treinasse nadando 10 km todos os dias, enquanto o técnico do Yara exigia apenas 1 ou 1,5 km, pois tinha receio de forçar a capacidade dos garotos. Tetsuo era um dos mais frágeis, tanto é que seu apelido era “Tachinha”, por ter um corpo fino e a cabeça muito grande.

Pódio em Helsinque, 1952: Hashizume, Konno e Okamoto. Três países diferentes, mas todos com cara de japonês.

Pódio em Helsinque, 1952: Hashizume, Konno e Okamoto. Três países diferentes, mas todos com cara de japonês.

Treinando com afinco, Tetsuo Okamoto brilhou nos Jogos Pan-americanos de 1951 em Buenos Aires. Ele venceu nos 400 m e nos 1.500 m, sendo este um recorde sul-americano. Voltando a Marília, ele foi recebido como herói, com palanque montado na praça da cidade. No ano seguinte, 1952, viria o confronto com os seus mestres japoneses, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia. Dos quatro “peixes voadores”, três estavam representando o Japão. Aqui, uma grande surpresa nos 1.500 m livre. Ford Konno, um nikkei americano chegou na frente, superando o “peixe voador” Shiro Hashizume que ficou com a medalha prata, enquanto o nikkei brasileiro, Tetsuo Okamoto, conseguiu a medalha de bronze, inédita para o Brasil. Tetsuo havia superado dois de seus mestres “peixes voadores”.

Hoje, dia 2 de outubro, completam exatamente sete anos do falecimento de Tetsuo Okamoto, que tinha 75 anos de idade. Depois da gloriosa conquista, Tetsuo foi estudar nos Estados Unidos, onde continuou competido como representante da universidade. De volta ao Brasil, empreendeu como fazendeiro de café e na empresa de prospecção de poços artesianos.

Quanto a Hironoshin Furuhashi, foi presidente do Comitê Olímpico do Japão por dez anos, até 1999, e trabalhou muito para que o país sediasse os Jogos Olímpicos novamente (os anteriores foram em 1964), o que irá ocorrer em 2020. Furuhashi faleceu em 2009, num hotel em Roma, onde acompanhava o campeonato mundial de natação.

Veja: entrevista exclusiva com Tetsuo Okamoto

O jovem Affonso Penna em 1949

O jovem Affonso Penna em 1949

Affonso Penna-jornal dos sportsSobre a passagem dos “peixes voadores”, lembra o engenheiro Affonso Augusto Moreira Penna, bisneto e homônimo do presidente da República na época da chegada do Kasato Maru (1908): “Eu nadava, como atleta de competição, pelo Fluminense F.C. Estávamos em abril de 1949 e eu tinha 14 anos de idade. O Fluminense recebeu a honrosa visita dos “peixes voadores” japoneses, que já tinham brilhado nos Estados Unidos. Vieram ao Brasil: Hamaguchi, Murayama, Furuhashi e Hashizume. O nosso técnico Hélio Lobo colocou-nos sentados, sobre a borda da piscina, para observar o treinamento dos “peixes voadores” e como eles faziam a “puxada” da água. Após observá-los baixei meu tempo, nos 100 m “crawl”, em mais de 1 seg”.

No “jornal dos Sports” do Rio de Janeiro de 09/04/1949, constam os resultados da competição criada para a visita dos “peixes voadores”:
 – na 5ª prova – Regional (carioca) – Aspirantes (última categoria infanto-juvenil) – revezamento 3×50 m (3 nados – costas, peito clásico e “crawl”) – a equipe do Fluminense do “crawl”, formada por Affonso Penna e seus colegas, triunfou sobre as do Tijuca e do Botafogo, entre outras.
– na 6ª prova – Internacional – 200 m – Adultos – nado livre (“crawl”) – Hamaguchi e Murayama foram os primeiros;
– na 7ª prova – Internacional – 400 m – Adultos – nado livre (“crawl”) – Furuhashi e Hashizume foram os primeiros;
– na 8ª prova – Interestadual – Adultos – revezamento 4×50 m nado livre (“crawl”) – em primeiro lugar chegou a equipe do Rio de Janeiro. Em 2º lugar a equipe do Yara Clube de Marília onde já aparece o nome do grande nadador nikkei Tetsuo Okamoto.
ago 262014
 

pavilhao japones ibira 010O Pavilhão Japonês foi um marco da diplomacia, numa época em que havia as cicatrizes da 2ª Guerra Mundial. Ele foi construído pelo governo japonês em conjunto com a comunidade nipo-brasileira e doado à cidade de São Paulo, que comemorava o 4º Centenário de fundação, em 1954.
Mesmo sem considerar essa questão diplomática, o Pavilhão Japonês merece ser visitado. Trata-se de uma réplica do Palácio Imperial Katsura 桂離宮 (Katsura Rikyū) que fica em Quioto, construído pelo príncipe Toshihito Hachijo (1579 a 1629). O projeto foi executado pelo professor da Universidade de Tóquio e construido pela Construtora Takenaka no Japão, e a sua principal característica é o emprego de materiais e técnicas tradicionais, como as pedras que saíram do solo vulcânico japonês e a lama de Quioto empregada nas paredes. Tudo foi cuidadosamente montado por artesãos especializados no Japão e transportado para o Parque Ibirapuera, em São Paulo.
O Pavilhão ocupa uma área de 7.500 m² e é composto de um edifício principal suspenso por palafitas, e diversas salas, como a sala para cerimônia do chá, corredores, salão de exposições e recintos de serviço, além de um lago com carpas, jardins interno e externo.
Essa arquitetura é conhecida como Shoin, que se desenvolveu no período Azuchi-Momoyama (1573 a 1603), e tem forte influência dos templos zen-budistas. Um belo jardim japonês com suas vistosas pedras adornam o lado externo da construção. Ao lado do Pavilhão está o memorial do Imigrante japonês com um altar budista.
pavilhao japones ibira 011O acervo histórico disponível nesse Pavilhão também merece destaque. Há, por exemplo, os bonecos em terracota conhecidos como Haniwa (século V), máscaras de teatro Nô, uma pintura em rolo (emaki mono) do Genji Monogatari e uma de ilustrações cômicas, “choju giga”, mostrando macacos, coelhos e rã agindo como seres humanos, atribuída a Toba Sojo Kakuyo (1052 a 1140), entre outros objetos artísticos. Há também uma curiosa maquete do palácio de Himeji construído por estudantes de arquitetura da USP.

Programação de aniversário:

Dia 29 de agosto de 2014 (sexta-feira), às 13h
Solenidade comemorativa aos 60 anos do Pavilhão Japonês
– homenagem aos pioneiros
– inauguração do monumento “Espaço – Espírito Japonês”

Exposição Conjunta e Oficinas de Ikebana
Sete escolas da Associação de Ikebana do Brasil realizam uma exposição conjunta ocupando diferentes espaços do Pavilhão Japonês: Ikenobo Kadokai Nanbei Shibu, Instituto de Ikebana Ikenobo do Brasil, Associação de Ikebana Kado Ikenobo Tatibana da América Latina, Saga Ryu, Associação Cultural de Ikebana Kooguetsu Ryu, Ikebana Sogetsu, Ikebana Sangetsu.
Além disso, durante o mês de setembro, aos domingos, às 14h, a Associação estará ministrando oficinas gratuitas (turmas 10 alunos)

Exposição de quimonos
Quimono, tradicional vestuário japonês, caracteriza-se pela simplicidade de sua estrutura modular.
No entanto, nesta aparente simplicidade, sua estampa, cores, tecidos, comprimento das mangas, entre outros elementos, incorporam e expressam determinadas etiquetas e hierarquias.
Certamente, reside aí o poder de atração que esses quimonos exercem junto aos ocidentais.
Ciente dessa característica, ao comemorar os 60 anos do Pavilhão Japonês, o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil preparou uma exposição de quimonos, cujas peças estarão dispostas em diferentes pontos e que busca destacar a ambientação focada em diferentes aspectos da cultura japonesa.

Dia 30 de agosto de 2014 (sábado), às 14h
Abertura da Exposição e Oficina de Cerâmica “Caminhos e Encontros”
Prossegue até o dia 28 de setembro, aberta às quartas, sábados e domingos, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
Esta exposição reúne 10 dos mais renomados ceramistas japoneses que trouxeram em sua bagagem a técnica e estilo de cerâmica do Japão. Cada convidado indicou mais dois ceramistas completando assim a proposta da mostra “Caminhos e Encontros”, com os seguintes artistas: Eliana Kanki – Beth Shiroto Yen e Iweth Kusano, Hideko Honma – Acácia Azevedo e René Le Denmat, Ikoma – Vivi Faria e Beamar, Kimi Nii – Ricardo Woo e Dalcir Ramiro, Kimiko Suenaga – Marcelo Tokai e Luciane Yukie Sakurada, Megumi Yuasa – Nádia Saad e Sara Carone, Mieko Ukeseki – Cidraes e Mario Konishi, Olga Ishida – Ryoko e Fátima Rosa, Shoko Suzuki – Ivone Shirahata e Massaco Koga, e Shugo Izumi – Rafael Dai Izumi

Esta mostra se realiza em parceria com o Hospital Santa Cruz que comemora 75 anos de fundação. Além da mostra, cada artista participante doou uma peça, cujo valor de venda será revertido em prol do Pavilhão Japonês e do Hospital Santa Cruz.

Programação das Oficinas de Cerâmica – Setembro
Dia 6/9 (sábado) – Olga Ishida e Eliana Kanki
Oficina de modelagem manual – a partir de 5 anos c/ duração de 30 minutos cada oficina:
Manhã: das 10h às 12h – 4 turmas c/ 10 alunos
Tarde: das 13h às 15h – 4 turmas c/ 10 alunos

Dia 7/9 (domingo) – Olga Ishida e Eliana Kanki
Oficina de modelagem manual – crianças a partir de 5 anos e adultos c/ duração de 30 minutos cada oficina:
Manhã: das 10h às 12h – 4 turmas c/ 10 alunos
Tarde: das 13h às 15h – 4 turmas c/ 10 alunos

Dia 13/9 (sábado) – Hideko Honma
Oficina de torno elétrico – crianças a partir de 5 anos e adultos c/duração de 30 minutos cada oficina:
Manhã: das 10h às 12h – 4 turmas c/ 6 alunos
Tarde: das 13h às 15h – 4 turmas c/ 6 alunos

Dia 27/9 (sábado) – Kenjiro Ikoma
Tema: Oficina de bonecas e animais – crianças a partir de 5 anos e adultos
Manhã: das 10h às 12h – turmas de 12 pessoas com duração de 15 minutos
Tarde: das 13h às 15h – turmas de 12 pessoas com duração de 15 minutos

Concertos de Música Clássica Japonesa
A Associação Brasileira de Musica Clássica Japonesa programou uma série de concertos especiais comemorativos, sendo que o primeiro realiza-se no sábado, dia 30 de agosto, a partir das 15h, com Trio Kagurazaka (formado por Shen Kyomei/Tamie Kitahara/Gabriel Levy). No dia seguinte, dia 31 (domingo, às 11h), haverá o Concerto de Danilo Tomic.

Programação do Concerto Comemorativo – Setembro
Dia 6/9 (sábado), às 15h – Associação Michio Miyagui do Brasil
Dia 7/9 (domingo), às 11h – Associação Michio Miyagui do Brasil
Dia 13/9 (sábado), às 15h – Miwakai Soukyoku Seiguensa do Brasil e Shinzankai Tozanryu Shakuhachi do Brasil
Dia 14/9 (domingo), às 11h – Miwakai Soukyoku Seiguensa do Brasil e Shinzankai Tozanryu Shakuhachi do Brasil
Dia 20/9 (sábado), às 15h – Concerto de violão solo com Camilo Carrarapavilhao japones mapa
Dia 21/9 (domingo), às 11h – Concerto de Shakuhachi – estilo Kinko e Tozan
Dia 21/9 (domingo), às 15h – Concerto de Flauta (Shen Ribeiro) e Harpa (Soledad Yaya)
Dia 26/9 (sábado), às 15h – Grupo Seiha do Brasil
Dia 27/9 (domingo), às 11h – Grupo Seiha do Brasil

SERVIÇO
Pavilhão Japonês – Parque do Ibirapuera – acesso mais próximo pelo portão 10 (próx. ao Planetário e ao Museu Afro Brasil)
Funcionamento: quarta-feira, sábado, domingo e feriados – Horário: das 10h às 12h e das 13h às 17h
Contribuição adulto: R$ 7,00, Estudante com carteirinha e crianças de 5 a 11 anos: R$ 3,50, Menores de 5 anos e idosos acima de 65 anos: entrada gratuita. Para participar das oficinas, informe-se antes, pois as vagas são limitadas.
Informações: (11) 5081-7296 / (11) 3208-1755 / patrimonio@bunkyo.org.br – www.bunkyo.org.br

ago 182014
 

morokawaYuho Morokawa, nascido em Pirajuí e crescido na 1ª Aliança, Mirandópolis, morando depois em Uraí, Londrina e Presidente Prudente, se formou no Colégio Roosevelt da Liberdade, e na PUC em Administração de Empresas. Depois de estagiar no Japão, ganhou bolsa de estudos na 4 H Foundation dos Estados Unidos. Depois de uma longa carreira e estar sempre em contato com os japoneses e seus descendentes, escreveu seu livro que recebeu o título de “Os Japoneses e Seus Legados”, em português e com comentários em japonês. A obra tem 70 páginas.

Morokawa fará o lançamento desse livro no dia 11 de setembro de 2014, quinta-feira, ás 19h30, no Centro Brasileiro de Língua Japonesa, que fica na Rua Manoel de Paiva, 45, Vila Mariana, próximo à estação de metrô Ana Rosa. Ele convida todos os apreciadores da cultura japonesa a prestigiarem o lançamento. Entrada franca.

“Este livro apresenta, de maneira simples e resumida, a filosofia de vida dos imigrantes japoneses enraizados no solo brasileiro. A cultura milenar japonesa adotada na vida cotidiana em família – o modo de pensar, de agir e de educar – certamente contribuirá na formação do caráter humanístico dos brasileiros. É um livro imprescindível no lar, nas escolas, nas empresas e associações, a ser lido e assimilado por crianças e jovens. São os legados e ensinamentos que os japoneses almejam perpetuar no Brasil em prol do desenvolvimento social deste país”. Hyogen Komatsu, presidente do Centro Brasileiro de Língua Japonesa.

「本書は日本人の思想、特質、生き方、教訓、等を日常の生活の内から、ブラジルで生まれた日系二世によって、簡単に解りやすく書かれた短本です。日本移民がブラジルにおいて築いた信用、勤勉さ、協調心、其の他、日本人の心の持ち方、考え方を、良きブラジル人育成のために伝えようとする一冊で有ります。日本人の生活文化継承を永く残すために各家庭に、企業に、一冊備えて、子供達に、社員達に、ぜひ読ませて頂きたい本です。」 小松 雹玄 – ブラジル日本語センター評議員会会長

ago 162014
 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO ano é 1961 e o lugar é Tóquio, a capital japonesa. O jovem escultor Hisao Ohara, de 29 anos, e sua esposa, a bailarina e coreógrafa Akiko Ohara (foto abaixo), de 26 anos, preparam suas malas para uma viagem inesquecível ao Brasil. Mas não iriam fazer turismo. Haviam decidido morar na Fazenda Yuba, em Mirandópolis/SP, onde o patriarca Isamu Yuba, visualizava uma nova fase cultural em sua comunidade, com a construção do teatro e o ensino da arte da escultura.

O casal chegou no dia 14 de dezembro daquele ano, e a comunidade começava a construir o seu teatro, onde a experiência de Hisao, formado em Belas Artes e com vivência em atuação, cenografia e iluminação, seria muito útil. Enquanto isso, as crianças ensaiavam as peças que seriam apresentadas na festa de Natal, e Akiko, com experiência em coreografia para televisão, começou a orientá-las. Logo, Akiko passou a ensinar balé moderno a esse grupo, formando o famoso balé de Yuba, que divulgaria o nome da fazenda comunitária para todo o mundo. Em 1974, o balé Yuba se apresentou ao então primeiro ministro Kakuei Tanaka, e em 1997, foi visto pelo casal imperial japonês em sua visita pelo Brasil.

Mais recentemente, a coreógrafa ajudou o grupo Tomodachi da cidade de Birigui a se preparar para o Festival Yosakoi Soran (leia na íntegra). Numa entrevista em 2011, Akiko Ohara contou que ela e o marido sempre apreciaram o Teatro Takarazuka e, enquanto morava no Japão, assistiram a todos os shows desse grupo teatral quando se apresentava em Tóquio. Quando Takarazuka visitou o Brasil na década de 70, o casal Ohara viajou a São Paulo para vê-lo no Teatro Municipal. O Takarazuka tem origem na cidade do mesmo nome, e se caracteriza por um elenco exclusivamente feminino. Na origem, em 1914, ele foi influenciado pelos musicais de Londres, Paris e Nova Iorque (mais sobre Takarazuka).

Akiko Ohara dará uma palestra sob o tema “Balé Yuba e eu: 50 anos de Brasil”. Promovido pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, a palestra será realizada em japonês, no dia 20 de agosto de 2014, à partir das 18h30, no Bunkyo, na Rua São Joaquim, 381 – 5º andar sala 53.

Informações: 11 3277-8616 – Centro de Estudos Nipo-Brasileiros

 

jul 112014
 

festival de ceramica casarao do cha mogi 2014

festival de ceramica casarao do cha mogi
O Festival de Cerâmica do Casarão de Chá de Mogi das Cruzes acontece no domingo, 3 de agosto de 2014, das 10 às 17 horas, reunindo mais de mil peças de cerâmica, de diversos artistas, para venda. Haverá demonstração de torno e de queima da cerâmica (raku), além de uma feira de artesanato, comida, plantas e animais, e também degustação de chá.

A promoção é da Associação Casarão do Chá, que fica na Estrada do Chá, no bairro do Cocuera, em Mogi das Cruzes. Tel. 11 4792-2164.

O interessante é a oportunidade de visitar o Casarão do Chá, um dos ícones da imigração japonesa no Brasil. A casa foi erguida pelo carpinteiro japonês Kazuo Hanaoka em 1942 para abrigar uma fábrica de chá preto para exportação. Mas o negócio foi declinando e a fábrica foi abandonada, ficando 17 anos aguardando restauração. Essa é uma construção única no Brasil. Feita toda de madeira, não utiliza um único prego ou parafuso, e até troncos de árvores tortas no formato natural foram utilizados em seu interior. A parte frontal lembra um pouco o estilo de um castelo japonês, o que é incomum, mesmo no Japão. O prédio faz parte do patrimônio cultural nacional e foi tombado pelo IPHAN. Vale a pena visitar! Se não puder ir na ocasião do Festival de Cerâmica, poderá visitá-lo qualquer domingo, das 9 às 17 horas. A entrada é franca.

A Associação Casarão do Chá, fundada pelo famoso ceramista Akinori Nakatani, idealizou a reforma, que devido a sua complexidade, demorou para ser executada, sendo inaugurada no dia 1º de junho de 2014.
Veja no vídeo uma matéria recente sobre o Casarão de Chá

jun 182014
 

Limeira Festa da imigracao 162Acontece neste final de semana, a 16ª Festa da Imigração Japonesa de Limeira 2014. Haverá comida típica, origami, ikebana, produtos orientais, artesanato, cosplay e Animeira (evento de animê de Limeira com games, desfile, etc.). Tudo no Centro Municipal de Eventos, que fica na Av. Maria Thereza S. B. Camargo, 1525, em Limeira/SP. A entrada é franca. Eis a programação das atrações da festa em Limeira.

21 DE JUNHO 2014 – SÁBADO – abre às 18 horas

18:45 às 19:00 Daisuke Karaokê Karaokê de São Carlos
19:00 às 19:15 Tomo no kai Odori (dança típica) de Sâo Carlos
19:15 às 19:30 Ryukyu Koku Matsuri Daiko Tambores de Okinawa
19:30 às 19:45 Daisuke Karaokê Karaokê de São carlos
19:45 às 20:00 Tomo no Kai Odori (dança típica) de Sâo Carlos
20:00 às 20:15 Kaizen Yosakoi Soran Dança contemporânea japonesa de São Carlos
20:15 às 20:30 Gaijin Sentai (banda j-rock) Músicas de animes e seriados japoneses (Naruto, Jaspion, Dragon Ball)
20:30 às 21:00 Cerimônia de abertura Abertura oficial da festa
21:00 às 21: 30 Yanagi Taiko Tambores japoneses de São Carlos
21:30 às 21:45 Dança de Salão Dança de Salão da Academia Almeida e Cia
21:45 às 22:00 Ryukyu Koku Matsuri Daiko Tambores de Okinawa
22:00 às 22:30 Bon Odori e Matsuri Dance Dança típica com participação do público e sorteio de brindes

22 DE JUNHO 2014 – DOMINGO – abre às 10 horas

12:30 às 13:00 Demonstração de Kung Fu Arte marcial da Academia Chiu Jin
13:00 às 13:30 Undoukai (Gincana) Corrida de hashi gigante
13:30 ás 14:00 Miwadaiko Taiko Tambores japoneses de Piracicaba.
14:00 às 14:15 Grupo Senbosakura Dança pop japonesa de Piracicaba
14:15 às 14:30 Grupo Kimie Buyoo Odori (dança típica) de Piracicaba
14:30 às 15:00 Nisho Wadaiko Tambores japoneses de Araraquara
15:00 às 16:00 Bon Odori e Matsuri Dance Dança típica com participação do público e sorteio de brindes

jun 062014
 

No dia 3 de junho de 2014, às 11 horas, faleceu em São Paulo o empresário Yoshiro Fujita. Ele era o proprietário da Livraria Sol (Taiyodo para os japoneses), que fica na Praça da Liberdade 153, em São Paulo. Ele tinha 94 anos.

Uma livraria japonesa no Brasil em 1939

Uma livraria japonesa no Brasil em 1939

Fujita nasceu em 1920, em Shirakawa, uma pequena cidade da província de Fukushima. Com 14 anos, em 1934, ele chegou ao Brasil com seus pais e se fixou em Assaí, no Norte do Paraná, dedicando-se à agricultura. Com 18 anos veio a São Paulo e foi trabalhar na importadora Hachiya, enquanto estudava contabilidade. Em 1949, abriu a livraria no bairro da Liberdade (na Rua Conde de Sarzedas, que era onde estava o comércio dos japoneses), onde comercializava jornais e revistas japonesas, além de livros escolares, exercendo um papel importante na história da imigração japonesa no Brasil.

Nas décadas de 50 e 60, quando haviam muitos leitores do idioma japonês, a Livraria Sol chegou a importar 15 toneladas de impressos por mês. A atual loja foi inaugurada em 1959 e a primeira loja continuou funcionando até a década de 80.

Além de vender livros e revistas importadas, a Livraria também trazia materiais esportivos, como luvas, bolas e bastões de beisebol e logo, passou a fabricar esses materiais, tornando-se uma passagem obrigatória para os nikkeis que residiam no interior.

A Livraria Sol não foi a primeira do segmento a ser fundada por japoneses no Brasil, entretanto, a sua boa localização faz com que seja uma referência para os apreciadores de mangá e estudiosos da cultura japonesa.

maio 132014
 

Pai de Lyoto Machida, lutador meio-pesado da UFC, Yoshizo é um dos mais respeitados professores de caratê do Brasil. 8º Dan de caratê Shotokan, 7º Dan de JKA e 3º Dan de Aikidô, ele tem a aparência de um verdadeiro samurai e educou seus filhos como guerreiros, mas conta nesta entrevista exclusiva que quando jovem gostava de brigar.

yoshizo machidaFoi a vontade de brigar que o trouxe ao Brasil. Ou melhor, foi a fama de briguento que o afastou do Japão. Quando estava prestes a terminar a faculdade de engenharia elétrica, Yoshizo foi o primeiro a levantar a mão quando um professor perguntou à classe, se tinha alguém que queria trabalhar na América do Sul.

No Japão, os estudantes do último ano distribuem seus currículos e comparecem às entrevistas de emprego, para serem contratados para o próximo ano fiscal. Yoshizo fez o que os outros fizeram, mas nenhuma empresa quis contratá-lo. Em parte, porque suas notas não eram boas, mas em grande parte porque sua fama não era boa. Tendo vencido um campeonato de caratê em Okinawa, berço dessa modalidade, ele era conhecido por gostar de brigar, no sentido físico da palavra.

“Sempre gostei de desafios e eu queria testar minha força em alguma coisa”, justificou o carateca sobre a sua decisão de deixar o seu País. Nascido na província de Ibaraki em janeiro de 1946, Yoshizo Machida praticou kendô, a esgrima japonesa, dos 6 aos 15 anos de idade. Mas não se identificava com o “esporte dos samurais”, porque gostava mesmo é de brigar. Resolveu começar o caratê para ser mais forte na briga, numa época em que essa modalidade não era bem vista e não era muito praticada, tanto é que Yoshizo foi o primeiro em sua cidade a praticar o caratê. Terminando o segundo grau em Tóquio, pensou em parar os estudos para trabalhar. Mas o gosto pelo caratê falou mais alto e resolveu fazer a faculdade para poder praticar o caratê por mais quatro anos. Treinava quatro horas por dia, não parava nem nos finais de semana, quando visitava outras academias para aprender mais. “Era um louco pelo caratê, meus pais incentivavam e eu treinava sem parar, e até tinha perdido a vontade de brigar”, lembra Yoshizo, que afirma ter estudado o mínimo possível, só para não se reprovar.

Quando avisou que viria para o Brasil, seus pais foram contra, não entendiam como um jovem que terminou a faculdade queria deixar o País. Mas, no final, eles concordaram: “Se é isso mesmo que você quer, que vá, mas é para ir com determinação de vencer”, disseram. O ano era 1968.

Yoshizo veio contratado como funcionário da Jamic, empresa de colonização do governo japonês, e foi parar no meio da mata amazônica, num lugarejo a 100 km de Tomé-Açu, no Pará. O trabalho era duro, pois seu serviço era construir estradas junto com os trabalhadores braçais. Mas isso não era problema e nem o fato de não ter energia elétrica. O problema é que não tinha onde praticar seu esporte predileto. Agüentou um ano e depois pediu demissão, levando bronca de seus superiores. “Eu estava determinado a vencer, mas eu queria vencer lutando caratê”, conta. Foi morar em Belém, capital do Pará, onde abriu uma academia de caratê.

Sem alunos e sem dinheiro, chegou a viver alguns meses só com água e farinha. “Eu limpava a academia, que era também a minha casa, lavava o banheiro e arrumava o tatame, para ficar esperando algum eventual interessado”. Embora acreditasse que um dia daria certo, não agüentou mais e resolveu ir para a Praça da Sé, em São Paulo, onde Keisuke Inoki (irmão do Antonio Inoki, ex-lutador profissional e senador do Japão), tinha uma academia de caratê. Morando no local, ajudava Keisuke como instrutor, mas, por ser estrangeiro, não podia competir. A sua sorte começou a mudar, quando, em 1970, um campeonato foi realizado em Brasília, onde se permitiu a participação de estrangeiros. Yoshizo venceu na categoria katá e kumitê, e ganhou admiradores imediatamente. Vieram vários convites e ele aceitou ir para Salvador, para trabalhar numa academia de caratê. Durante os 10 anos que ele permaneceu na capital baiana, viajou por todo o Nordeste ensinando caratê, e a sua academia se tornou a maior do Brasil, com mais de mil alunos. Naquele período, ele foi técnico da seleção brasileira nos Jogos Pan-Americanos e se casou com a baiana Ana Cláudia, com quem teve seus quatro filhos.

“Que educação daria a meus filhos? O de um samurai” pensou. E como não tinha nenhum parente com quem pudesse trocar idéias, resolveu encomendar um livro do Japão, que tinha o título de “Seiko no Tetsugaku” (A Filosofia do Sucesso, de Myouhou Fujii). Esse livro explica como os samurais educavam seus filhos, e Yoshizo seguiu cada linha daqueles ensinamentos. Em primeiro lugar, o samurai não pode mentir em hipótese alguma. “Nunca menti para eles, e nem mesmo cheguei a dizer que se não fossem dormir, um diabo viria buscá-los”, conta.

A educação rigorosa de samurai durou até cada um completar 10 anos de idade. “Para o samurai, a responsabilidade de educar seu filho vai até essa idade. Depois, a criança fica esperta, conversa com amigos e passa a ter sua própria identidade”. Os três filhos nascidos na Bahia e o caçula nascido no Pará praticaram caratê na infância.

Yoshizo conta que pretendia continuar morando na Bahia, quando um ex-aluno de sua extinta academia de Belém procurou-o pedindo para voltar para Pará e reabrir sua academia. O carateca brincou dizendo que só voltaria se ganhasse uma fazenda. Esse ex-aluno havia feito uma bela carreira, e para sua surpresa, arrumou uma fazenda para a família Machida. “A propriedade tinha 75 hectares, era muito grande, e não podia recusá-la, pois um dos meus sonhos quando estava deixando o Japão era ter uma fazenda no Brasil”. Morando no Pará, tentou administrar a academia e a fazenda ao mesmo tempo. Pegou todo o dinheiro que havia ganhado na Bahia e plantou cacau e mamão, e chegou a ter 15 funcionários. Entretanto, a fazenda não deu certo e ele canalizou sua atenção na academia.

No Pará, seus filhos cresciam. Lyoto, o terceiro filho, foi campeão pan-americano de caratê em 2001, bicampeão brasileiro de sumô, ganhou faixa preta de jiu-jitsu e se formou em educação física. Foi para o Japão e treinou durante três anos na academia de Antonio Inoki, além de ter praticado muay thai na Tailândia. Com esse vasto currículo e físico (1,88 m e 95kg), Lyoto começou a competir no MMA, no Japão.

Yoshizo Machida afirma que foi contra a decisão de Lyoto disputar MMA. “Havia poucas regras naquele esporte, por isso era muito violento e o juiz não interferia na partida”, lembra. “Depois, com o tempo, as regras foram criadas e se tornou um esporte de verdade”. Lyoto Machida, foi campeão dos meio-pesados da UFC em 2009, cujo título perdeu no ano seguinte. Hoje, após vitória contra o armêmio-holandês Gergard Mousasi em fevereiro, disputa novamente o título contra o atual campeão Chris Weidman, no dia 24 de julho de 2014 (UFC 175). Lyoto reside nos Estados Unidos, onde vive com a esposa e seus dois filhos.

yoshizomachida net divulgacaoyoshizo e familia machidacomTirando o caçula que é jornalista e trabalha na TV Globo de Brasília, os demais continuaram treinando e competindo, sendo que os dois mais velhos dirigem sua academia, agora com dois prédios de três andares e mais de 1.500 alunos.

Machida recorda que sempre ensinou a seus filhos que se deve fazer tudo da maneira correta, e que, com a dedicação, tudo vai acabar dando certo. “Eu sempre falo que é para treinar para melhorar e não para ganhar medalhas”.

Uma frase em japonês, cunhada por um nobre samurai no século XVIII, é o que sempre norteou esse imigrante japonês naturalizado brasileiro, e é essa frase que define a essência de Yoshizo Machida:

為せば成る、為さねば成らぬ何事も

Naseba naru, nasaneba naranu nanigotomo.

Frase que diz: “Tudo pode ser realizado se desejarmos profundamente, mesmo aquilo que é considerado impossível”.

Entrevista concedida para o jornalista Francisco Noriyuki Sato