dez 082014
 

Ontem o prédio onde eu estava gemeu e tremeu, tal qual um trem iniciando viagem. Ainda bem que foi só isso. Em Nagano, onde foi o epicentro, o tremor foi de 6,8 graus. O asfalto das estradas levantou mais de meio metro abrindo-se em fendas enormes e 60 casas desabaram. A terra treme todos os dias em algum lugar no Japão e a maior preocupação é o tsunami que pode vir em seguida. No mês passado o monte Ontake entrou em erupção vitimando vários turistas que lá estavam, e este mês foi a vez do monte Aso em Kumamoto soltar lava e cinzas. A natureza é assim e pouco se pode fazer em relação a ela. Cercado pelo mar por todos os lados o arquipélago japonês, com suas mais de 6 mil ilhas e ilhotas, convive com essas surpresas desde os tempos remotos.

monte ontakeEssa terra instável pouco foi beneficiada pela natureza na sua criação. Não há petróleo, não há pedras preciosas, e o inverno rigoroso impede o cultivo nessa época do ano, além de dificultar a criação de animais. Na maior parte do Japão os motoristas são obrigados a trocar os pneus pelos de neve, as casas precisam ser totalmente vedadas e os telhados são envernizados para não acumularem neve, pois o peso da neve pode fazer uma casa desabar.

Como esse país nanico no tamanho – pois sua área total, incluindo todas as ilhotas improdutivas, é 23 vezes menor do que a do Brasil – pode ser uma superpotência econômica?

carros7851Os positivistas diziam que o meio faz o homem. Para sobreviver aqui o japonês precisa se preparar pensando no amanhã. É necessário fazer uma boa poupança para gastos inesperados e, no plano mais geral, é preciso que o poder público esteja equipado para emergências, que inclui grandes escolas com amplos pátios cobertos para abrigar desabrigados se for preciso. Mais do que um inconveniente, o inverno rigoroso é visto como oportunidade para vários negócios, inclusive o turismo. A indústria lucra e gera empregos produzindo energia, roupas e calçados apropriados, equipamentos para aquecimento e outros itens inimagináveis num país tropical. Querendo ou não, todos os anos o frio vem do mesmo jeito, e quem não estiver preparado corre risco de morrer.

Muitos países grandes estão em zonas frias e o inverno gera negócios. Isso faz um país sobreviver economicamente, mas não o transforma numa superpotência. Como, num lugar como é o Japão, a renda per capita pode ser de USD 37.539, enquanto no Brasil, grande país tropical com muitos recursos naturais e população jovem, a renda é de USD 11.067 (estimativa de 2014), ou seja, menos de 1/3 da do Japão?

Pessoalmente tenho uma tese e para explicá-la, como não sou economista e não gosto de economês, queria transpor o país todo numa escala menor para fazer comparações com outros países. Vou fazer de conta que a indústria automobilística mundial, já que é globalizada, seja o nosso mundo inteiro hoje.

Sabemos que o automóvel que usamos hoje é fruto do esforço de todos os países produtores. Por exemplo, se a luz de ré brilha com certa intensidade, é porque no passado alguém testou isso e chegou à conclusão de que era o melhor. Outros tentaram idéias diferentes mas chegaram à mesma conclusão, e agora todas as luzes de ré têm o mesmo brilho.

Em termos gerais penso que a Alemanha, com sua tradição em equipamentos mecânicos, tenha contribuido para a robustez dos carros. A Itália, com seu apreço pelas artes, creio que tenha ajudado a melhorar o design. Os ingleses, pelo gosto por velocidade, talvez tenham melhorado o desempenho do automóvel. Os americanos, por sua vez, contribuiram com a redução de custos criando a produção em massa e a popularização do automóvel no mundo. Mas onde entraram os japoneses?

Sempre se falou na miniaturização que os japoneses conseguem fazer com seus produtos. De fato, isso acontece porque os espaços são pequenos nas casas japonesas. Um eletrodoméstico americano pode nem passar pela porta de uma casa japonesa. Mas esse raciocínio não se aplica aos automóveis, excetuando os modelos conhecidos aqui como “K” (microcompactos, motores de 660 cilindradas que fazem 20 km com um litro de gasolina). No caso do automóvel, o Japão não contribuiu para o seu desenvolvimento com a miniaturização (tanto que são os modelos médios os mais vendidos pelas montadoras japonesas no mundo). Então, qual será o diferencial?

Um mercado de peixe limpo e sem cheiro.

Um mercado de peixe limpo e sem cheiro.

Creio que a resposta seja Serviço, o verdadeiro espírito de atender da melhor forma possível as necessidades dos consumidores. Isso se resume na frase “o consumidor é um Deus”, repetida na década de 1970 dentro das indústrias japonesas. Não se trata de abrir um site para os consumidores colocarem comentários e assim saberem o que eles querem. Para os japoneses, Serviço é muito mais do que isso e começa bem antes de receber uma sugestão ou reclamação. É difícil explicar isso só com palavras e sei que terei que melhorar esse texto para ser compreendido, mas o conceito de Serviço e de ser atento às necessidades do outro está presente em tudo que é feito no Japão. É tudo uma prestação de serviço ao consumidor final, e todos os japoneses exercitam isso o tempo todo. Exemplificando a idéia com acessórios num carro, o carro que tem um porta-copos para o passageiro do banco de trás está prestando um serviço; já o outro carro que possui um porta-copos para o passageiro de trás na altura das mãos está prestando um serviço melhor.

bus insideSaindo da indústria automobilística, vamos às ruas. Aqui os ônibus não têm cobrador. Quem cobra é uma máquina e não há catracas – a passagem é paga através de cartões pré-pagos similares ao bilhete único. Ao motorista cabe dirigir e orientar o passageiro. Muitas vezes o passageiro nem precisa pedir informação: o motorista quando percebe que tem turistas a bordo se antecipa a informar sobre onde descer para ir a determinado lugar. Também é ele quem recarrega o cartão do passageiro, e faz isso enquanto abre as portas e espera o passageiro descer. Agora a maior surpresa é que no Japão o motorista agradece, um por um, a todos os passageiros por terem utilizado o seu ônibus! O motorista entende que ele está prestando um serviço para o consumidor e não para a empresa de ônibus. E os passageiros não tentam dar calote  nem são grossos com o motorista. Deu para sentir a diferença?

Voltando ao universo dos carros, o americano calcula que 3 reclamações em 10 mil carros vendidos é um número aceitável. Já o japonês pensa ser inaceitável haver qualquer descontentamento – então vão verificar a fundo essas 3 reclamações para entender o que houve. Quando uma indústria americana vende 2 milhões de um modelo de carro aceitando que vai haver 600 descontentes, pode-se entender porque há tantos advogados nos Estados Unidos. Contratar advogado – apesar das famosas piadinhas que os americanos fazem a respeito dos advogados – é algo comum nos Estados Unidos pois faz parte da cultura local resolver qualquer tipo de desavença no Judiciário. No Japão é difícil encontrar advogados porque quase não há trabalho para eles. Já no Brasil o sistema é caro, moroso, ineficiente, ineficaz, mas fazem de conta que funciona. Se no Japão “o consumidor é um Deus”, no Brasil o consumidor fica ao Deus-dará.

DSCN6447Essa busca pela perfeição nos serviços ao consumidor no Japão fez a indústria automobilística ser algo melhor do que seria sem a participação japonesa. Na década de 1990 o mundo inteiro se empolgou com os métodos administrativos vindos do Japão, como Kanban, Defeito Zero e muitos outros. Mas não penso neles apenas como métodos técnicos para melhorar a produtividade. Na prática, as atitudes que caracterizam essas técnicas estão presentes na atitude cotidiana dos japoneses. Ninguém aqui pensa em Kanban ou Defeito Zero, mas agem dentro desse espírito mesmo se for numa mercearia de esquina. É um envolvimento total dos funcionários que se esforçam coletivamente e aplicam qualquer método conhecido para chegar à perfeição. Não fazem isso para agradar à empresa que paga seu salário, mas para atender seu consumidor do modo que também gostariam de ser atendidos. É necessária uma atitude altruísta para essas técnicas darem certo, por isso a técnica por si só não basta. No Japão todos entendem que hora estamos atrás de um balcão, e hora estamos na frente de um balcão. Ninguém fica só de um lado do balcão o tempo todo.

Aí chegamos à questão onde o Brasil encontra hoje um terrível gargalo na mão-de-obra: competências, eficiência e produtividade. Comparemos com o Japão. Apenas uma senhora cuida de um supermercado de porte médio em Kanazawa. Esse supermercado faz parte de uma rede: tem frutas, verduras, bebidas, material de limpeza, gelados, lanches frescos, tudo o que um estabelecimento desse tipo tem que ter. Essa única funcionária está no caixa quando precisa estar, e quando não há clientes ela está fazendo reposição de mercadorias, ou varrendo o chão, ou empacotando. No Brasil contratam-se 4 pessoas para fazer o que essa senhora no Japão faz sozinha. Por que ela faz isso? Em primeiro lugar, porque ela consegue. Em segundo, porque tudo é serviço ao consumidor e precisa ser feito. Como ela trabalha por 4 pessoas, é lógico e justo que ela ganhe 4 vezes mais. Isso justifica a renda per capita tão elevada dos japoneses. No Japão cada um trabalha por muitos, e quando se pergunta: “Trabalha para quem?”, a resposta é: “Para o consumidor”. E essa senhora também agradece a cada um dos clientes por ter ido àquela loja, assim como seus antepassados agradeciam aos deuses xintoistas.

Prestar Serviço não é só uma relação de trabalho: é a base ética de tudo no Japão. A própria palavra “Samurai” originalmente significava “a serviço de”. Ditados como “quem não vive para servir não serve para viver” não ficam só nas palavras no Japão.

“O consumidor é um Deus” não tem nada de religioso, mas os japoneses praticam isso à risca.

É minha opinião pessoal, depois de dois meses observando o Japão.
 
Francisco Noriyuki Sato
Jornalista e estagiário da JICA na Kanazawa University, cidade de Kanazawa, província de Ishikawa.
out 212014
 
http://www.kimono-yamato.co.jp/ekiren/kanazawa

http://www.kimono-yamato.co.jp/ekiren/kanazawa

Vestir um yukata ou quimono não é uma tarefa fácil, mesmo para as japonesas. A conservação dessas peças exige um cuidado especial, e carregar na viagem é um outro problema que desencoraja muitas pessoas.

Percebendo o crescimento do interesse das moças pelo quimono e yukata, a rede “Kimono Yamato” iniciou uma promoção ousada, nas suas lojas de Osaka, Tóquio e Kanazawa. Todas essas lojas estão estrategicamente instaladas em estações de trem, onde chega a maior parte dos turistas.

A promoção recebeu o nome de “Ekiren”, que é uma abreviação de “Eki”, estação, e “Ren” de rental, aluguel. É simples. A jovem chega de viagem de trem e visita a loja sem sair da estação. Escolhe e aluga um dos modelos de quimono e paga 5.000 ienes (50 dólares). No valor estão incluidos todos os acessórios, menos a meia tabi (que pode ser vendida a parte se você não tiver), e o trabalho de vestir (kitsuke). A preparação do cabelo e a maquiagem não fazem parte. Em Kanazawa, como tudo fica perto, pode-se passear pelo belo Castelo de Kanazawa e caminhar pelo parque Kenrokuen, ou visitar a vila dos samurais com suas ruelas estreitas e restaurantes típicos. Na hora de devolver o quimono, se a pessoa gostou, poderá ficar com ele, apenas devolvendo o Obi (cinto) e os acessórios! No caso, a promoção é para o quimono de poliéster, que é bonito do mesmo jeito. O estabelecimento só aluga quimonos femininos.

ekiren 2 kanazawaA promoção é válida todos os meses do ano. De outubro de 2014 a maio de 2015, a locação é do quimono. De junho a setembro de 2015, o aluguel é de yukata, para combinar com o clima da época.

A loja ministra cursos de como vestir quimono e yukata, e divulga no site alguns ensinamentos básicos, como mostram os vídeos abaixo:

Como vestir Yukata sozinha:

Como fazer o Bunko Obi (Obi de Meia Largura):

Para saber mais, site em japonês da Kimono Yamato

out 182014
 
Foto: yumeyakata.com

Foto: yumeyakata.com

A formatura é no mês de março de 2015, mas em setembro do ano anterior as empresas especializadas já distribuem seus catálogos nas faculdades. Custa caro, mas as moças fazem questão de usar quimono no dia da formatura, afinal, é um dia especial, e elas querem se lembrar desse dia feliz.DSCN4268

Na promoção e fazendo reserva com muita antecedência, o pacote que inclui a locação do hakama (da foto ao lado), o arranjo do cabelo, maquiagem e o serviço de vestir a formanda, pode custar 430 dólares, para usar naquele dia. Mas não só as universitárias querem usar essas roupas. As empresas possuem até catálogo para formatura do primeiro grau (no Japão, o primeiro grau dura 6 anos). As lojas, neste mês de outubro, estão promovendo a venda de yukatas para crianças, de 7, 5 e 3 anos, pois é tradição levar crianças dessa idade, nesta época, aos templos para uma bênção.

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As jovens de Aichi combinaram passear de quimono num domingo comum

Todas as pessoas possuem ou gostariam de possuir seu próprio quimono. Os rapazes têm menos oportunidade para usá-lo, já as jovens vestem-na quando completam 20 anos, sempre nos primeiros dias do ano. Mas todos apreciam usar o yukata, quimono leve, nos matsuris, festivais tradicionais, que acontecem em vários lugares. Não é pela tradição, mas pela estética, porque yukata combina com matsuri.

quimono4456No Japão contemporâneo, onde o antigo convive com o novo, as pessoas saem com quimono simplesmente porque gostam. E qualquer japonês identifica as vestimentas japonesas como símbolo de elegância. A sra. Takahashi, que pratica a cerimônia do chá e usa quimono no dia-a-dia, conta que na cidade de Kyoto, muitas lojas simplesmente dão um desconto de 5% só porque ela está de quimono. Também na cidade de Kyoto, em determinadas épocas do ano, as passagens de trem e metrô ficam gratuitas para quem usa quimono. Há um esforço por parte de algumas cidades para que o hábito de usar essas vestimentas tipicamente japonesas no dia-a-dia seja adotado por todas as pessoas.DSCN4175

Quando as pessoas, principalmente jovens, usam quimono, yukata, hakama e outras roupas típicas, as pessoas cumprimentam, param para elogiar e tornam aquele momento ainda mais mágico.

set 262014
 

guia pratico-saque3Celso Ishiy é jovem, mas conhece como ninguém a arte do saquê. Ele estudou sobre o saquê no Japão, trabalhou em fábrica de saquê, visitou várias indústrias do ramo, e seu pai é um grande importador de saquê no Brasil.

O livro “Guia Prático do Saquê”, da Editora JBC, aborda as origens e lendas, os métodos de produção, os principais tipos, as regiões produtoras, o melhor jeito de se consumir, os pratos para harmonizar, e outros assuntos.

No livro estão respostas para perguntas como: Bebe-se saquê com sal? Existe mais de um tipo de saquê? É melhor quente ou gelado? Por que se toma a bebida em copo quadrado? Com quais tipos de comida harmoniza? É verdade que não dá ressaca?. “São as perguntas que mais respondo em minhas palestras”, afirma o autor.

Enfim, um livro para os apreciadores da cultura japonesa. O saquê é feito a partir da fermentação de arroz, e a bebida é tão valorizada que é oferecida aos deuses xintoístas, e também é servida em ocasiões especiais como casamento, inauguração de lojas e comemorações. Mas o saquê está presente também na mesa dos japoneses como uma bebida popular.

O lançamento do Guia Prático do Saquê será nesta terça-feira, dia 30/9/2014, na Saraiva Megastore Pátio Paulista. Rua Treze de Maio, 1947 – Piso Térreo Paraíso, bairro Paraíso, São Paulo/SP.

Para entender um pouco do assunto: culturajaponesa.com.br/saque

set 122014
 
Associação Represa Awaodori na Festa da Cerejeira de Garça

Associação Represa: Awaodori na Festa da Cerejeira de Garça

São oito horas de espetáculo, 650 dançarinos, 55 músicos e 33 grupos de dança representando 23 países. E além do espetáculo visual, artesanato e comida típica de cada país. Assim é o Festival de Danças Folclóricas Internacionais, que está no seu 43º ano consecutivo.

O Festival de Danças é um símbolo da paz, uma vez que descendentes de países em conflito participam conjuntamente apresentando sua arte e tradição, como é o caso da Rússia, da Ucrânia, da Síria, de Israel e dos Países Árabes. O Japão será representando este ano por dois grandes grupos. O grupo de Awaodori da Associação Represa, formado principalmente por jovens e coordenado pela professora Amélia Nagai. Awaodori é uma dança típica da província de Tokushima, requer muito treino e disposição física, e é muito diferente da dança tradicional. O festival de Awaodori é um dos mais importantes eventos culturais do Japão, podendo ser comparado com o Carnaval brasileiro. Outro grupo a abrilhantar o festival é o do taikô do Requios Gueinou Doukoukai, também conhecido como taikô de Okinawa, que se apresentou junto com outro grande grupo, o Ryukyu, no clássico do futebol entre Corinthians e Santos, em 2012.

O evento, promovido pelo Bunkyo, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, acontece no dia 27 de setembro de 2014, sábado, a partir das 16 horas, e no dia 28, domingo, a partir das 15 horas. Os ingressos têm valores simbólicos e podem ser adquiridos antecipadamente ou na portaria.

Local: Bunkyo – Grande Auditório – Rua São Joaquim, 381, Bairro da Liberdade, São Paulo/SP.

Informações e ingressos: Tel. 11 3208-1755 – contato@bunkyo.org.br

set 122014
 
Foto de Tamaki Sono

Foto de Tamaki Sono

No dia 19 de setembro de 2014, sexta-feira, às 19h30, será aberta a exposição comemorativa da Associação de Ikebana Kado Ikenobo Tatibana da América Latina. A exposição continuará e poderá ser vista no dia 20/9, das 13 às 18 horas, e no dia 21/9, das 13 às 22 horas.

Haverá demonstração de ikebana no dia 20/9, no horário das 14 às 16 horas.

Local: Clube Monte Líbano. Av. República do Líbano, 2267, bairro do Ibirapuera, São Paulo/SP. Entrada franca.

ago 262014
 

pavilhao japones ibira 010O Pavilhão Japonês foi um marco da diplomacia, numa época em que havia as cicatrizes da 2ª Guerra Mundial. Ele foi construído pelo governo japonês em conjunto com a comunidade nipo-brasileira e doado à cidade de São Paulo, que comemorava o 4º Centenário de fundação, em 1954.
Mesmo sem considerar essa questão diplomática, o Pavilhão Japonês merece ser visitado. Trata-se de uma réplica do Palácio Imperial Katsura 桂離宮 (Katsura Rikyū) que fica em Quioto, construído pelo príncipe Toshihito Hachijo (1579 a 1629). O projeto foi executado pelo professor da Universidade de Tóquio e construido pela Construtora Takenaka no Japão, e a sua principal característica é o emprego de materiais e técnicas tradicionais, como as pedras que saíram do solo vulcânico japonês e a lama de Quioto empregada nas paredes. Tudo foi cuidadosamente montado por artesãos especializados no Japão e transportado para o Parque Ibirapuera, em São Paulo.
O Pavilhão ocupa uma área de 7.500 m² e é composto de um edifício principal suspenso por palafitas, e diversas salas, como a sala para cerimônia do chá, corredores, salão de exposições e recintos de serviço, além de um lago com carpas, jardins interno e externo.
Essa arquitetura é conhecida como Shoin, que se desenvolveu no período Azuchi-Momoyama (1573 a 1603), e tem forte influência dos templos zen-budistas. Um belo jardim japonês com suas vistosas pedras adornam o lado externo da construção. Ao lado do Pavilhão está o memorial do Imigrante japonês com um altar budista.
pavilhao japones ibira 011O acervo histórico disponível nesse Pavilhão também merece destaque. Há, por exemplo, os bonecos em terracota conhecidos como Haniwa (século V), máscaras de teatro Nô, uma pintura em rolo (emaki mono) do Genji Monogatari e uma de ilustrações cômicas, “choju giga”, mostrando macacos, coelhos e rã agindo como seres humanos, atribuída a Toba Sojo Kakuyo (1052 a 1140), entre outros objetos artísticos. Há também uma curiosa maquete do palácio de Himeji construído por estudantes de arquitetura da USP.

Programação de aniversário:

Dia 29 de agosto de 2014 (sexta-feira), às 13h
Solenidade comemorativa aos 60 anos do Pavilhão Japonês
- homenagem aos pioneiros
- inauguração do monumento “Espaço – Espírito Japonês”

Exposição Conjunta e Oficinas de Ikebana
Sete escolas da Associação de Ikebana do Brasil realizam uma exposição conjunta ocupando diferentes espaços do Pavilhão Japonês: Ikenobo Kadokai Nanbei Shibu, Instituto de Ikebana Ikenobo do Brasil, Associação de Ikebana Kado Ikenobo Tatibana da América Latina, Saga Ryu, Associação Cultural de Ikebana Kooguetsu Ryu, Ikebana Sogetsu, Ikebana Sangetsu.
Além disso, durante o mês de setembro, aos domingos, às 14h, a Associação estará ministrando oficinas gratuitas (turmas 10 alunos)

Exposição de quimonos
Quimono, tradicional vestuário japonês, caracteriza-se pela simplicidade de sua estrutura modular.
No entanto, nesta aparente simplicidade, sua estampa, cores, tecidos, comprimento das mangas, entre outros elementos, incorporam e expressam determinadas etiquetas e hierarquias.
Certamente, reside aí o poder de atração que esses quimonos exercem junto aos ocidentais.
Ciente dessa característica, ao comemorar os 60 anos do Pavilhão Japonês, o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil preparou uma exposição de quimonos, cujas peças estarão dispostas em diferentes pontos e que busca destacar a ambientação focada em diferentes aspectos da cultura japonesa.

Dia 30 de agosto de 2014 (sábado), às 14h
Abertura da Exposição e Oficina de Cerâmica “Caminhos e Encontros”
Prossegue até o dia 28 de setembro, aberta às quartas, sábados e domingos, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
Esta exposição reúne 10 dos mais renomados ceramistas japoneses que trouxeram em sua bagagem a técnica e estilo de cerâmica do Japão. Cada convidado indicou mais dois ceramistas completando assim a proposta da mostra “Caminhos e Encontros”, com os seguintes artistas: Eliana Kanki – Beth Shiroto Yen e Iweth Kusano, Hideko Honma – Acácia Azevedo e René Le Denmat, Ikoma – Vivi Faria e Beamar, Kimi Nii – Ricardo Woo e Dalcir Ramiro, Kimiko Suenaga – Marcelo Tokai e Luciane Yukie Sakurada, Megumi Yuasa – Nádia Saad e Sara Carone, Mieko Ukeseki – Cidraes e Mario Konishi, Olga Ishida – Ryoko e Fátima Rosa, Shoko Suzuki – Ivone Shirahata e Massaco Koga, e Shugo Izumi – Rafael Dai Izumi

Esta mostra se realiza em parceria com o Hospital Santa Cruz que comemora 75 anos de fundação. Além da mostra, cada artista participante doou uma peça, cujo valor de venda será revertido em prol do Pavilhão Japonês e do Hospital Santa Cruz.

Programação das Oficinas de Cerâmica – Setembro
Dia 6/9 (sábado) – Olga Ishida e Eliana Kanki
Oficina de modelagem manual – a partir de 5 anos c/ duração de 30 minutos cada oficina:
Manhã: das 10h às 12h – 4 turmas c/ 10 alunos
Tarde: das 13h às 15h – 4 turmas c/ 10 alunos

Dia 7/9 (domingo) – Olga Ishida e Eliana Kanki
Oficina de modelagem manual – crianças a partir de 5 anos e adultos c/ duração de 30 minutos cada oficina:
Manhã: das 10h às 12h – 4 turmas c/ 10 alunos
Tarde: das 13h às 15h – 4 turmas c/ 10 alunos

Dia 13/9 (sábado) – Hideko Honma
Oficina de torno elétrico – crianças a partir de 5 anos e adultos c/duração de 30 minutos cada oficina:
Manhã: das 10h às 12h – 4 turmas c/ 6 alunos
Tarde: das 13h às 15h – 4 turmas c/ 6 alunos

Dia 27/9 (sábado) – Kenjiro Ikoma
Tema: Oficina de bonecas e animais – crianças a partir de 5 anos e adultos
Manhã: das 10h às 12h – turmas de 12 pessoas com duração de 15 minutos
Tarde: das 13h às 15h – turmas de 12 pessoas com duração de 15 minutos

Concertos de Música Clássica Japonesa
A Associação Brasileira de Musica Clássica Japonesa programou uma série de concertos especiais comemorativos, sendo que o primeiro realiza-se no sábado, dia 30 de agosto, a partir das 15h, com Trio Kagurazaka (formado por Shen Kyomei/Tamie Kitahara/Gabriel Levy). No dia seguinte, dia 31 (domingo, às 11h), haverá o Concerto de Danilo Tomic.

Programação do Concerto Comemorativo – Setembro
Dia 6/9 (sábado), às 15h – Associação Michio Miyagui do Brasil
Dia 7/9 (domingo), às 11h – Associação Michio Miyagui do Brasil
Dia 13/9 (sábado), às 15h – Miwakai Soukyoku Seiguensa do Brasil e Shinzankai Tozanryu Shakuhachi do Brasil
Dia 14/9 (domingo), às 11h – Miwakai Soukyoku Seiguensa do Brasil e Shinzankai Tozanryu Shakuhachi do Brasil
Dia 20/9 (sábado), às 15h – Concerto de violão solo com Camilo Carrarapavilhao japones mapa
Dia 21/9 (domingo), às 11h – Concerto de Shakuhachi – estilo Kinko e Tozan
Dia 21/9 (domingo), às 15h – Concerto de Flauta (Shen Ribeiro) e Harpa (Soledad Yaya)
Dia 26/9 (sábado), às 15h – Grupo Seiha do Brasil
Dia 27/9 (domingo), às 11h – Grupo Seiha do Brasil

SERVIÇO
Pavilhão Japonês – Parque do Ibirapuera – acesso mais próximo pelo portão 10 (próx. ao Planetário e ao Museu Afro Brasil)
Funcionamento: quarta-feira, sábado, domingo e feriados – Horário: das 10h às 12h e das 13h às 17h
Contribuição adulto: R$ 7,00, Estudante com carteirinha e crianças de 5 a 11 anos: R$ 3,50, Menores de 5 anos e idosos acima de 65 anos: entrada gratuita. Para participar das oficinas, informe-se antes, pois as vagas são limitadas.
Informações: (11) 5081-7296 / (11) 3208-1755 / patrimonio@bunkyo.org.br – www.bunkyo.org.br

ago 192014
 

Uma teoria do século 17, que recebeu o nome de Nichiyu Dousoron (日ユ同祖論), levantou a hipótese de que o povo do Japão descende em parte das dez tribos perdidas de Israel. O primeiro a falar nisso foi um missionário jesuita chamado João Rodrigues (1561~1634). Ele disse, em 1608, que os povos da China e do Japão descenderiam das tribos perdidas de Israel, embora, posteriormente, ele tenha mudado de ideia.
Em 1870, o escocês Nicholas McLead publicou “Epitome of the Ancient History of Japan”, citando semelhanças entre o Imperador Jimmu e Moisés, e xintoísmo e judaísmo. No Japão, em 1908, o professor Saeki Yoshiro (1872~1965) da conceituada Universidade de Waseda, publicou um livro falando do mesmo assunto e teorizando que o clã Hata (família de presença marcante em Tokushima), que chegou ao Japão passando pela Coreia, era na verdade um grupo judeu.

De tempos em tempos a teoria volta à tona. Não há como comprovar essa ideia, mas os indícios são pelo menos interessantes. Nesta matéria apresentamos um desses indícios, de que o lendário ser das montanhas, o narigudo Tengu, era um judeu.

Tengu é o mais famoso dos espíritos que habitam as montanhas, explica o site oficial da Japan National Tourism Organization. Acredita-se que ele tenha ensinado a arte da espada a um garoto chamado Ushiwakamaru, no século 12. O garoto era o nono filho de um poderoso nobre, mas ao ter seu pai assassinado num conflito, foi recolhido por monges do templo Kurama, e teria sido adotado pelo Tengu, um ser estranho, que habitava no monte Kurama, em Kyoto. Após duros anos de treinamento, Ushiwakamaru recebeu de seu mestre um documento valioso chamado “Tora no Maki” e deixou o monte. Ushiwakamaru se tornou um grande guerreiro, com o seu nome verdadeiro de Minamoto no Yoshitsune e liderou o clã Guenji para derrotar a rival Taira que governava o Japão.

Yoshitsune é um personagem real e o templo e o monte Kurama existem de fato. Agora, o Tengu teria existido? Esses personagens ainda hoje são lembrados no Japão. “Kurama Tengu’ é uma famosa peça do Teatro Noh, e a cena do treinamento de Ushiwakamaru está num belo ukiyoe de Utagawa.

Observação: A nossa ideia é dar abertura para se falar sobre um assunto tão curioso, e que, a partir da simples curiosidade, todos possam pesquisar e aprender mais sobre a história, a geografia e os costumes desses dois povos culturalmente ricos. Acreditar ou não fica a critério de cada um. Publicaremos outras matérias na sequência, apresentando outros indícios apontados por estudiosos do Japão e de Israel. Aguarde!

ago 182014
 

morokawaYuho Morokawa, nascido em Pirajuí e crescido na 1ª Aliança, Mirandópolis, morando depois em Uraí, Londrina e Presidente Prudente, se formou no Colégio Roosevelt da Liberdade, e na PUC em Administração de Empresas. Depois de estagiar no Japão, ganhou bolsa de estudos na 4 H Foundation dos Estados Unidos. Depois de uma longa carreira e estar sempre em contato com os japoneses e seus descendentes, escreveu seu livro que recebeu o título de “Os Japoneses e Seus Legados”, em português e com comentários em japonês. A obra tem 70 páginas.

Morokawa fará o lançamento desse livro no dia 11 de setembro de 2014, quinta-feira, ás 19h30, no Centro Brasileiro de Língua Japonesa, que fica na Rua Manoel de Paiva, 45, Vila Mariana, próximo à estação de metrô Ana Rosa. Ele convida todos os apreciadores da cultura japonesa a prestigiarem o lançamento. Entrada franca.

“Este livro apresenta, de maneira simples e resumida, a filosofia de vida dos imigrantes japoneses enraizados no solo brasileiro. A cultura milenar japonesa adotada na vida cotidiana em família – o modo de pensar, de agir e de educar – certamente contribuirá na formação do caráter humanístico dos brasileiros. É um livro imprescindível no lar, nas escolas, nas empresas e associações, a ser lido e assimilado por crianças e jovens. São os legados e ensinamentos que os japoneses almejam perpetuar no Brasil em prol do desenvolvimento social deste país”. Hyogen Komatsu, presidente do Centro Brasileiro de Língua Japonesa.

「本書は日本人の思想、特質、生き方、教訓、等を日常の生活の内から、ブラジルで生まれた日系二世によって、簡単に解りやすく書かれた短本です。日本移民がブラジルにおいて築いた信用、勤勉さ、協調心、其の他、日本人の心の持ち方、考え方を、良きブラジル人育成のために伝えようとする一冊で有ります。日本人の生活文化継承を永く残すために各家庭に、企業に、一冊備えて、子供達に、社員達に、ぜひ読ませて頂きたい本です。」 小松 雹玄 – ブラジル日本語センター評議員会会長

jun 112014
 

Uma organização sem fins lucrativos da província de Gifu, Japão, trabalha há anos para arrecadar calçados usados para doar às crianças de Costa do Marfim, primeira adversária do Japão na Copa do Mundo de Futebol.

Toshio Sugiyama, de 60 anos, é líder dessa entidade. Ele tem uma floricultura em Gifu e visitou Costa do Marfim pela primeira vez em 2008, onde viu crianças descalças chutando cocos no lugar da bola. Ele criou a organização no ano seguinte e começou a angariar doações de sapatos para aquelas crianças. Até agora, ele fez quatro remessas de doações totalizando 19 mil pares.

Quando o grupo fez a primeira doação, ainda em 2009, Sugiyama recebeu o título de prefeito honorário de uma vila localizada a dezenas de quilômetros a sudoeste de Yamoussoukro, capital da Costa do Marfim.

Em meados de Abril, cerca de 40 membros dessa organização japonesa se reuniram num estacionamento em Gifu para arrecadar doações, e conseguiram juntar quase 10 mil pares de tênis esportivos e chuteiras doados principalmente por estudantes da província.

O quinto lote de calçados será uma carga contida em dois caminhões de 4 toneladas e deverá chegar à nação africana em julho deste ano, de acordo com a Kyodo News.