fev 252018
 

A Associação da Província de Nagasaki precisa de voluntários para a tradicional “Dança do Dragão”, que será apresentada no Festival do Japão em Julho de 2018. O dragão é o mesmo utilizado no festival “Okunchi Matsuri” no Japão e foi doado pelo governo de Nagasaki. Não é necessário ter experiência em dança, pode ser homem ou mulher de 18 a 40 anos. Precisam de 20 pessoas para compor o grupo.

Os ensaios semanais são realizados no Bunkyo, Rua São Joaquim, 381 – Liberdade, às segundas à partir das 19 horas. O primeiro ensaio será 26/2, e mesmo quem não puder participar desse ensaio poderá vir no ensaio do dia 05/3. Faça parte desse grupo e dessa história!

Pelo vídeo dá para se ter uma ideia do festival todo, que recebeu influência da China e da Holanda, por causa do seu porto.

Se estiver interessado, envie e-mail com nome completo: nagasakibrasil@gmail.com

fev 202018
 

Essa bolsa é para jovens de 20 a 40 anos e descendentes de japoneses, preferencialmente da província de Nagasaki, mas não é requisito obrigatório. Os contemplados ficarão de agosto de 2018 a março de 2019 em Nagasaki, que é uma bela província com muita história e muitas igrejas católicas*.

São disponibilizadas vagas em várias áreas como informação, jornalismo, arquitetura, energia renovável e comércio exterior. Há outras áreas dependendo do perfil do candidato selecionado, mas estão excluídas vagas na área de idioma japonês, informática, artes marciais e artes plásticas.

Os selecionados recebem passagem aérea de ida e volta, além de ajuda de custo para se manter no local.
A prova de japonês e entrevista pessoal acontece no dia 25/02/2018 às 13 horas, na sede da Associação Nagasaki, Rua da Gloria 332 , sala 61 – Liberdade, São Paulo.

Inscrições pelo e-mail nagasakibrasil@gmail.com

*Quer entender a história dos cristãos ocultos? Vá para Nagasaki.

mar 302015
 

miss universe japan2015Nunca o concurso para a Miss Japão deu tanto o que falar.
No dia 12 de março de 2015, a representante de Nagasaki, Ariana Miyamoto, venceu o concurso Miss Japan em Tóquio, competindo com outras 44 finalistas japonesas. A vitória de Ariana iniciou uma controvérsia estética. Miyamoto, de 20 anos, é a primeira Miss Japan “haafu” (do inglês “half”, meio), como os japoneses se referem aos mestiços, os miscigenados.
Linda, alta, de olhos puxados, pelo nome e pelo tipo físico, Ariana Miyamoto até poderia ser nipo-brasileira. Nascida no Japão, filha de mãe japonesa e pai afro-americano, a escolha de Ariana como Miss Universe Japan foi certamente uma quebra de preconceitos e o reconhecimento dos mestiços na sociedade japonesa. Ariana nasceu na cidade de Sasebo, na província de Nagasaki, e lá cursou o ensino fundamental. Depois, fez o colegial nos Estados Unidos, mas reside no Japão. Ela tem habilitação para pilotar motos de grande porte e tem 5º dan de Shodô, caligrafia japonesa.

A miscigenação em todas as sociedades globalizadas é um fenômeno relativamente recente. No Japão, sociedade culturalmente fundada em estéticas e características seculares, a aceitação e convívio com os “haafu” ainda é um desafio para muitos. Infelizmente, Ariana se tornou centro de uma polêmica no Japão, sendo criticada  ser “pouco japonesa” e não representar a “típica beleza japonesa”, caracterizada por olhos mais puxados e pele branca.
Apesar da controvérsia, que ganhou destaque na imprensa internacional, o reinado da Miss Japan 2015 já começou em preparação para o próximo concurso Miss Universe, que ocorrerá em janeiro de 2016. Se ao ser eleita Miss Japan Ariana Miyamoto dividiu opiniões, caso seja escolhida Miss Universe ela fará história e abrirá portas para outras mestiças.

Veja muitas outras fotos da Miss Japan Ariana Miyamoto na página do facebook dela.

dez 042014
 

Após a crucificação dos 26 mártires, houve uma revolta, também em Nagasaki, entre 1637 e 1638, contra o governo nacional de Tokugawa. Não foi propriamente uma revolta religiosa, mas constatou-se que a maioria dos 27 mil camponeses e samurais desempregados que reclamavam da alta do imposto e da fome era cristã. Todos foram mortos, e depois deste triste episódio, o cerco aos cristãos ficou ainda mais rigoroso. Prêmios foram oferecidos para quem denunciasse alguém praticando o cristianismo, e os cristãos encontrados foram todos mortos. Assim iniciou a política de isolamento do governo de Tokugawa, que começou em 1639 e terminou somente em 1854.

Kakure Kirisutan

Depois do longo período de mais de 200 anos de isolamento, o Japão abriu os portos, em 1854, permitindo a entrada de estrangeiros. Pelo acordo entre os países, uma área foi reservada perto do Porto de Nagasaki para os estrangeiros se estabelecerem, em 1859. Três anos depois, o Papa Pio XIX transformou os 26 mártires do Japão em santos da Igreja Católica.

Imagem de Maria na Igreja Oura Tenshuudo que comoveu os japoneses

Imagem de Maria na Igreja Oura Tenshuudo que comoveu os japoneses

Mas no Japão, a prática do cristianismo continuava proibida para os japoneses. Entretanto, os estrangeiros tinham liberdade religiosa, e dentro do espaço dos estrangeiros, os católicos ergueram a igreja Oura Tenshuudo para servir a comunidade estrangeira no país. No dia 17 de março de 1865, apenas um mês após a sua inauguração, o padre francês Petitjean recebeu na igreja a inesperada vista de um grupo de japoneses. Os japoneses, ao virem a estátua de Santa Maria na igreja, falaram ao padre: “Nossos corações e os seus são os mesmos”. Eles arriscaram a vida e se declararam cristãos. Essa data foi considerada a “ressureição do cristianismo” no Japão. Não se sabia, até então, da existência desses cristãos, depois de mais de 250 anos de proibição.

Outros cristãos que estavam escondidos se juntaram ao grupo, e apesar do risco de morte, recriaram secretamente a Igreja Católica Japonesa, pegaram quatro casas comuns para funcionarem como igrejas, e 3.394 católicos foram enviados a 22 localidades para a preservação da fé. Em 1873, o governo Tokugawa havia caído e o governo Meiji restaurou a liberdade religiosa no País.

Como sobreviveu por tanto tempo?

Por 250 anos, não houve mais contato dos japoneses com os missionários portugueses e espanhóis. Cristão descoberto era cristão morto, por isso, não havia como utilizar as cartilhas da Igreja e nem deixar textos escritos. Assim, o catolicismo só sobreviveu graças à transmissão pessoal, em cabanas simples utilizadas como igrejas secretas. Os fiéis também tiveram que criar imagens de Cristo e Maria parecidos com imagens budistas para não serem identificados como cristão e mortos. Outros instrumentos religiosos também foram alterados para não serem descobertos, e os próprios rituais seguiram caminhos diferentes dos ensinados a partir de Roma, por falta total de contato. Muitas partes que foram modernizadas ou simplificadas pela Igreja, no Japão permaneceram da forma como eram em 1639.

Veja os objetos utilizados pelos kakure kirisutan para a preservação da sua fé:

Veja também: Quem são os 26 santos japoneses da Igreja Católica?